quarta-feira, 6 de maio de 2015

Da série os pontas de lança servem para fazer golos

Desde que o blog foi fundado que tem havido a preocupação de desmistificar um pouco aqueles conceitos mais antigos comuns em décadas passadas. Os centrais e o trinco desarmam, os extremos driblam e cruzam, o dez faz o último passe, e o ponta de lança os golos.

Uma equipa que respeite e cumpra os princípios de jogo, da forma como os idealizo, nunca se poderá guiar por tais premissas. Todos os jogadores estão encarregues de tudo. Toda a gente defende, toda a gente ataca. A equipa move-se como um todo. Se um dos traços mais admiráveis em termos ofensivos no futebol moderno é o do princípio da mobilidade, como esperar que cada jogador tenha funções diferentes quando estamos em posse da bola?

Longas e velhinhas foram e são as discussões sobre a falta de qualidade dos pontas de lança que não fazem números absurdos de golos, ou a da muita qualidade dos que os fazem, só porque os fazem. 

O importante é e será sempre o criar um número elevado de oportunidades de golo. Independentemente do nome que aparece a finalizar. 

Pensava nisto quando, ainda a propósito do texto do Roberto Baggio aqui, encontrei estas declarações:


"Tinha imaginado marcar três golos na partida que iria valer o título de campeão?"
"Não. Eu até jogo a ponta de lança, mas é uma falsa ponta de lança, porque a atacar desço muito para vir buscar a bola e as nossas extremos marcam a maior parte dos golos. O importante foi ter ajudado a equipa"


Então, afinal para que servem os pontas de lança?

Para fazerem exactamente o mesmo que todos os outros jogadores em campo. Com posse, tomarem decisões com ou sem bola que aproximem a sua equipa do golo, independentemente do nome de quem aparece a finalizar, o importante é que se construa, crie e finalize! E tantas são as vezes em que a melhor decisão até faz o jogador perder notoriedade aos olhos do grande público.

4 comentários:

Sandro Barbosa disse...

Ainda há umas semanas vi num programa de comentário desportivo o Pauleta a falar sobre jovens pontas de lança como o Gonçalo Paciência. Dizia o Pauleta que, no entender dele, faltava muito aos miúdos de hoje em dia o "garganejo" para fazer o golo, o chutar à baliza mesmo que outro colega esteja melhor posicionado porque, dizia o Pauleta, essa ganância para fazer golos é que é uma característica fundamental de quem joga naquela posição.

Com tanta publicidade a queijos o Pauleta esqueceu-se que nem só de "chutes" à baliza é feito um golo.

Mas infelizmente isto não são ideias só do tempo do antigamente, porque é exactamente o mesmo pressuposto que faz, hoje, do Montero suplente do Slimani.

Rui Dias disse...

Infelizmente isto é algo que é empolado pelos próprios organizadores das maiores competicoes! A importância dada aos prêmios individuais por si só já o demonstra!!

Infelizmente não é só um mal em Portugal...

R.B. NorTør disse...

E a série "o suárez está a mais neste jogo"? É que até magoa a vista.

Honoris disse...

"Se o avançado recuar para ajudar na construção/criação, quem é que está na área a finalizar?" é o que mais vezes leio quando discuto sobre esse tema.

É de difícil compreensão para muita gente, que se as dinâmicas forem boas, se houver mobilidade e etc, até os laterais podem aparecer para finalizar.

No caso dos treinadores, optam quase sempre pelo mais fácil, que é ter um avançado qq na área para finalizar. E depois, porque marca 15 ou 20 golos acham que é um excelente finalizador, e que sem ele lá a equipa está mais longe de marcar golos, quando na verdade, se em vez de um jogador desse tipo optassem por um jogador que ajudasse a construir e a criar, que abrirsse espaços e etc, a equipa ia marcar muito mais.