sábado, 9 de maio de 2015

Horst Wein - " estimular o cérebro, o nosso musculo mais importante"

Aqui Horst Wein, um dos grandes do futebol jovem deu a uns meses uma entrevista com alguns pontos interessantes, nada novos por estes lados..

"DOZE  – Conhece o futebol de formação do Sporting, bastante prestigiado através do desenvolvimento de jogadores como Figo, Cristiano Ronaldo ou Nani?
HORST WEIN –  O Sporting e os grandes clubes ainda cometem erros, porque muitas vezes a criança joga como se fosse um adulto, em partidas de onze contra onze, quando devia jogar futebol de sete ou futebol de cinco, por exemplo. O futebol é como os sapatos. Ou seja, não se pode calçar uma criança como se fosse um adulto. Devemos deixá-la correr, ter o gosto pelo jogo e estimular o cérebro, o nosso músculo mais importante, para que possa tomar decisões."

"DOZE  – O que pensa do futebol de formação ao nível das selecções jovens de Portugal, com alguns títulos conquistados?

HORST WEIN – Portugal devia estar já a pensar no Mundial Qatar, em 2022, e isso não está a acontecer. A preocupação principal é o Campeonato do Mundo no Brasil, em 2014. Refiro-me a 2022, porque o desenvolvimento de um jovem futebolista demora aproximadamente dez anos.

"DOZE  – Tem ideias consideradas revolucionárias relativas às regras do futebol de formação. Quais são as principais?
HORST WEIN – O futebol de formação deveria passar a ter quatro balizas, duas para cada equipa, nas extremidades da linha de fundo, com dois guarda-redes e nove jogadores à frente, o que tornaria o jogo muito mais interessante. O sistema de pontuação deveria ser diferente: o que acontece quando o Benfica estiver a ganhar ao Sporting por 2-0 a dez minutos do fim? Começaria a defender, o jogo torna-se aborrecido e os adeptos não gostam. 0-0 não deveria valer qualquer ponto, enquanto o 1-1 ou o 2-2 poderia ser premiado com um ponto. A vitória seria contemplada com dois pontos, mas se a equipa marcar três golos, conquistaria três pontos. Voltando ao exemplo anterior, o Benfica, com este sistema, iria atacar, para somar três, em vez de dois pontos, tal como o Sporting, pois saberia que se marcasse um golo, estaria perto de empatar. O jogo ficaria mais espectacular, sem se gastar muito dinheiro."

As duas balizas com GR, é um crescer do 3v3 que Horst Wein defende para o ensino do jogo. Tem alguns aspectos interessantes no 3v3, 4v4 e até 7v7, principalmente para a variação do centro de jogo em largura, focando o ensino do jogo principalmente no ataque.

10 comentários:

Rafael Antunes disse...

Ainda no outro dia, a pensar com os meus botões pensei nessa cena do empate...

Não deveria haver pontos para o empate... Talvez tivéssemos mais "Pacos Jemez" por aí... Se não por convicção, que fosse por obrigação...

Quanto ao tema do post, a formação precisa de uma revolução... Ideias como as deste "jovem" seriam muito, muito bem vindas... A questão são os egos dos que tudo sabem e que vivem de resultados, uma vez que os frutos levam tempo, têm medo de morrer de fome.

Ao tempo que ouço falar da introdução do futebol de 9 antes de passar para o 11... Cenas simples mas que mesmo assim se perdem em tanta inércia, e são uma questão regulamentar apenas... Mudanças de paradigma, mudanças metodológicas, conjugação de esforços entre profissionais e amadores para o desenvolvimento do jogador? Cá no Burgo?! Nhac!!!! Ser campeão de Benjamins a dar malhas de 8 e 9 a época toda é tão melhor!!! Leva-se este pensamento para os escalões seguintes e temos a receita para a mediocridade que temos!!!

Be the change you want to see in the world... leva mais tempo, talvez não mudes o mundo, mas pelo menos não ficas chateado contigo prórpio... :D

Gonçalo Matos disse...

toda a gente vê que as coisas por cá não estão bem... só me pergunto daqui a quanto tempo vai a federação aceitar a mudança.
já vamos partir tarde...

António Pedro Silva disse...

"A questão são os egos dos que tudo sabem e que vivem de resultados, uma vez que os frutos levam tempo, têm medo de morrer de fome."🙌🙌🙌🙌

Pedro Costa disse...

O Horst Wein sabe de futebol e de futebol de formação como ninguém. Foi extremamente enriquecedor falar com ele para organizar esse seminário para o 1º Dezembro e ouvi-lo a explicar o seu modelo de formação.

E Gonçalo e António, acho que a melhor prova de que não há grande coisa que vá mudar tão cedo é ver a quantidade de comentários que, neste blogue, este artigo tem comparado com artigos sobre Benficas, Portos, Barcelonas. A maior parte das pessoas não quer saber do futebol de formação, quer é sonhar em ser o próximo Mourinho ou Guardiola...

Miguel Pinto disse...

Na mouche Sr. Pedro Costa!!! Esses candidatos a mourinhos, guardiolas continuam a proliferar a um ritmo diabólico! E então nas redes sociais é vê-los a proclamar aos quatro ventos as suas façanhas como se fossem realmente uns gajos minimamente coerentes com o que fazem na realidade. E se falarmos daqueles que trabalham com miúdos então o assunto torna-se viral, como é bom ser campeão de benjamins, infantis, iniciados ou até mesmo juvenis! Faz bem ao ego mesmo que os jogadores não saibam fazer uma cobertura ao 1º defesa, uma desmarcação de ruptura, uma marcação à zona com contenção, esses princípios não interessam para nada, afinal de contas a maior parte dos miúdos obedecem às ordens do grande Mister, cruza a bola, passa para o extremo, chuta meu, estica na sempre e ai do gajo que não cumpra a ordem, então aí entra logo outro, mais obediente, mais atento ao professor e de certeza que não se esquecerá dos seus sábios conselhos. O problema (e é só uma parte dele, a outra é exposta pelo Horst Wein) é que eles não querem saber se esses miúdos vão ficar devidamente preparados para o seu percurso nos seniores, esquecem-se que os treinadores que os apanharem vão perder (ou não) o seu tempo a ensinar-lhes a ter comportamentos que já deveriam estar enraízados há muito tempo e por isso é que assistimos em muitos jogos a situações perfeitamente bizarras por parte de jogadores até com muito estatuto mas que cometem erros grosseiros (os autores do LE agradecem :) ). Depois tentamos descodificar esses comportamentos, será culpa do jogador ou do treinador que não explica, ou do empresário que enganou o presidente, ou do presidente que enganou o treinador, enfim. Mas o que interessa mesmo é ganhar títulos, o resto a gente trata depois.

Jorge disse...

Mais um optimo post sobre um assunto interessante e importante.
So nao concordo com o ultimo paragrafo. Nao so em termos do resultado e pontuacao como do uso das duas balizas. Sendo as referencias principais do jogo defensivo a baliza, a bola e a posicao dos colegas, a introducao de duas balizas nao permite criar os habitos defensivos no 3v3, 4v4,... que se querem no jogo "normal".
Mesmo ofensivamente se as balizas forem colocadas nas alas, cria-se o habito de jogar pelas alas, e de abrir de ala para ala, sendo o meio do campo apenas um espaco de passagem, quando deveria ser o objectivo (abrir para voltar para o meio como voces defendem).
Quanto ao resultado e a pontuacao, e importante para obter feedback. O problema e quando o resultado passa a ser o objectivo do treino e do jogo para o treinador... mas nesse caso o problema e o treinador e nao o resultado, nunca vi miudos comecarem a defender o resultado sem influencia dos treinadores ou dos pais, o exemplo claro sao os jogos de rua, querem sempre marcar mais. Se todos os clubes treinarem para ensinar o jogador, resultados e pontuacoes avolumados demonstram possiveis desequilibrios entre equipas (atleticos, tecnicos ou tacticos) que sao pedagogicamente indesejaveis deverao ser corrigidos pela redistribuicao das equipas por divisoes de nivel semelhante.

Blog de Portugal disse...

Só uma observação R. Antunes: já existe futebol-9 em Portugal, iniciou-se este ano na AF Porto.

Quanto ao post, sem dúvida que seria bom haver algumas mudanças na formação.

O exemplo que mostra das duas balizas tornaria o jogo mais atacante e mais espetacular, e ainda assim permitiria diversidade na forma de jogar das equipas.
Além disso, os campeonatos seriam bem mais renhidos e a competitividade maior.

Dennis Bergkamp disse...

Para o ano também vai haver f9 na AFL, e provavelmente noutras associações também.

O exemplo das 2 balizas na linha de fundo é uma sugestão para se chegar a sitios. Elas estarem na linha de fundo não implica estarem no corredor lateral. Muitas vezes, utilizamos no treino situações semelhantes, para provocar variações do centro de jogo em largura (e sucesso nessas variações), mas com as balizas ainda dentro do corredor central, ou quanto muito "nas fronteiras dos corredores". Não faz sentido nenhum o salvio receber a bola colado a linha e rematar em frente, mas faz todo o sentido promover variabilidade e multiplas soluções para se chegar ao objectivo

Ter varias soluções para lá chegar, vai estimular a criatividade, é melhor ter varios caminhos do que ter apenas um.

Ou se tiver a possibilidade de escolher entre 6 caminhos, é melhor do que ter apenas 5. E se os jogadores encontrarem caminhos diferentes dos esperados... melhor ainda.

Já sabemos que estes posts têm muito menos participação do que outros onde se fala de situações "a Top", mas não podemos deixar de os fazer.

Jorge disse...

OK, obrigado pela explicacao Dennis... E por favor continuem a colocar posts sobre este topico, alem de muito importante e bem possivel que apesar de nao haver muitos comentarios, haja um numero elevado de leitores que, como eu, aprendam muito com eles.

David Cardoso disse...

Vc sempre falam da importancia do futebol de rua, queria perguntar como se esplica que na Alemanha ,mesmo sem futebol de rua,exista tanta qualidade?