quinta-feira, 7 de maio de 2015

Não é a genética. São as experiências e o tempo de prática. Rafinha e Thiago, os filhos de Mazinho.

Não é a genética. É o tempo de prática que faz a diferença. A qualidade da prática e as experiências.

Num post de Fevereiro revelámos os conteúdos abordados numa  formação interna que decorreu no clube sobre o Desenvolvimento do Jovem Jogador, e a importância dos tempos de prática.

Como ideias chaves para o parco desenvolvimento da actualidade foram identificados:

- Contexto actual. Miúdos que não jogam na rua, e encontram no clube o único tempo de prática.

- No clube, treinos demasiado elaborados que não respeitam o tempo de prática dos atletas, acabando sempre por não promover a relação com bola.

A solução para contrariar o paradigma avançada foi a dos Jogos Reduzidos!







Hoje apresentamos um pequeno video de dois prodígios. Melhor estímulo e maior potencial de aprendizagem do que o que ambos estão a passar no video apresentado é impossível. No descomplicar está o ganho.





Não, o segredo não está nos génes. Está nas experiências vivênciadas e no tempo de prática. Estes dois meninos aos dez anos já deviam ter tido mais tempo a bola no pé do que muitos jogadores de vinte. E é isso que faz toda a diferença.

A brincar, Thiago e Rafinha crescem mais do que milhares de jovens mal orientados nos treinos de hoje em Portugal.

8 comentários:

Tiago disse...

porque é que o rodrigo, que cresceu com eles, aprendeu tão pouco? :(

Honoris disse...

É pena que a maior parte dos treinadores de formação ache que para o miudo aprender no treino, os exercicios têm de ser todos bonitinhos, com cones aqui e cones ali, filinhas e etc.

É tão simples na verdade.. Bola, jogadores sempre com muito tempo de empenhamento motor e feedbacks de qualidade por parte do treinador :)

jorge gaspar disse...

Ainda me lembro bem do A passa para B e foge, B corre até C, C dribla 3 cones e passa a D, D cruza para E, E finge que chuta e passa de novo A. A simula o passe e remata.
Espectáculo.
Para decorar aquilo era preciso meia hora e a seguir chutava-se á baliza.
Uma vez tive um treino no meio de uma tempestade, em que só fomos 4 ou 5 ao treino e passamos o tempo todo a fintar cones que fugiam com o vento. A própria bola estava sempre a ser levada pelo vento. Era um treinador Brazuca que não percebia nada daquela merda (percebia tanto como os Tugas que por lá andavam). Acabou a treinar umas camadas jovens do Boavista.

dezazucr disse...

E quando não há crianças?
Sim, porque um dos grandes problemas é que as crianças não saem à rua.
Tenho um campo de tamanho reduzido, que dá para jogarem 3x3 - construí-o à mão num terreno baldio.
A minha criança (10 anos) adora jogar. Mas não tem companhia. Ninguém aparece para jogar. Antes ainda tinha 2 vizinhos mais velhos 2 anos que apareciam, mas depois mudaram-se :(
Na escola, por jogar a bola nos corredores (já que é uma escola C+S do 5º ao 12º ano, obviamente os miúdos do 5º nunca podem jogar no campo pois os mais velhos monopolizam) os professores tiraram-lhe a bola e foi chamada a mãe para a recolher.
A criança é um bom jogador que podería ser excelente, mas não tem horas de especialização. No clube, tentam colocar as crianças a jogar como adultos. Mesmo assim, sendo extremo, tem mais assistências que todos e só um dos pontas de lança tem mais golos que ele.
No treino o feedback que lhe é dado é apenas para gritar com ele, nunca é explicado o que podería fazer diferente ou dadas pistas para isso.
Pior que isso, o que mais me chateia é que, como ele é rápido, meteram na cabeça que só pode jogar a extremo (e pior, 90% do tempo a extremo direito), não lhe dando oportunidade de explorar a experiência que sería outra posição, tendo uma visão diferente do jogo, por exemplo a médio centro ou a ponta de lança - até mesmo jogar mais tempo a médio/extremo esquerdo sería útil para ele.
Tempo de jogo pouco. Feedback construtivo zero. Este ano, apesar de ter mais golos que na mesma fase do campeonato oficial do ano passado, parece-me que regrediu e perdeu muita das ganas/atrevimento que tinha no ano passado, exatamente pelo feedback que lhe retira a confiança. E já nem falo dos pais! Como se consegue crescer assim?

Pedro Andre disse...

Obrigado pelo post.

Tambem sou treinador e à 10 anos atras tambem achava que o treino com filinhas e esquemas xpto eram o melhor, felizmente fui para fora aprender mais e melhor.

Incrivel como muitos ainda treinam como à 30 anos atras e os atletas sem alegria alguma lá se arrastam.

Ivan Venâncio disse...

Já está mais do que confirmado que o tempo de prática especializada não leva os jogadores ao sucesso... Há alguns casos que indicam o contrário, mas são poucos...

Estudos indicam que os jogadores da seleção Alemã tiveram em média cerca de 4600 horas de treino e os jogadores da Bundesliga que não representam a seleção tiveram em média 4300 horas de treino...

Muitos desses jogadores de seleção praticaram outras modalidades :)

Blog de Portugal disse...

Ivan, penso que o tempo de prática especializada só se refere ao tempo dispendido a melhorar de forma consciente a tua performance na tarefa (futebol).

A grande diferença está no tempo de prática não-especializada, como o caso do vídeo.

Ivan Venâncio disse...

Blog de Portugal

Esse tipo de prática seria fundamental, infelizmente não vejo isto a acontecer novamente... Por isso os melhores clubes a formar no mundo já arranjaram novas soluções, experimentaram novas ideias... O mundo está em constante evolução e nós devemos estar em constante adaptação :)