quarta-feira, 6 de maio de 2015

O melhor de sempre contra o melhor de sempre. O Barcelona beneficiou de uma "batota".

"Desde sempre, mas talvez com maior relevância desde o fenómeno Mourinho que o público em geral tem a tentação de elevar os treinadores à condição de deuses. Não necessariamente no bom sentido, mas no sentido de que as vitórias e as derrotas passam apenas pela sua performance, ignorando que são homens / mulheres que jogam o jogo e não máquinas comandadas por estrategas.

É por isso que nas caixas de comentários continuam os argumentos de que X é bom porque venceu 3 campeonatos, ou Y é mau porque em 5 anos apenas venceu 2. Como se o jogo fosse treinadores contra treinadores, quando são jogadores contra jogadores.

O treinador deve ser avaliado pelo processo. Pela organização da sua equipa. Nunca pelo resultado, não ignorando que com organização garantidamente que obterá bons resultados para o contexto que exerce.

Na época transacta, por exemplo, viu-se Jorge Jesus ser considerado responsável pelos únicos pontos que perdeu em toda a segunda volta até se sagrar campeão nacional. Num jogo em que o seu avançado falha um penalty no último minuto. E se Cardozo tivesse acertado na rede. O treinador era bom? Ou o exemplo perfeito. Quando há dois anos Vitor Pereira foi incompetente durante uma época inteira depois de Jackson ter perdido 4 pontos em penaltys, para voltar a ser um bom treinador, depois de Artur Moraes ter tornado um belíssimo treinador num incompetente (que perdeu um jogo em trinta e contra uma das melhores equipas de toda a história em Portugal, que alinhava com Hélton, Danilo, Alex, Mangala, Otamendi, Lucho, Moutinho, Fernando, James, Jackson, Varela. Coisa / Milhões pouca / poucos). Para o público em geral só há um treinador bom por cada Liga. E só se percebe quem é o bom quando acaba o campeonato. Nada mais errado, obviamente. Estes erros de avaliação grosseiros revelam não só um total desconhecimento do que é o trabalho do treinador, como surgem maioritariamente associados a uma incapacidade gritante para perceber a qualidade dos jogadores. Normalmente os “seus” jogadores são todos craques e melhores que os do adversário. Logo, a incompetência será sempre do treinador. Por exemplo, Jesus foi tornado réu por não ter sido campeão num ano em que do seu plantel inteiro só um, dois, máximo dos máximos três jogadores do seu onze entrariam na equipa de quem se sagrou campeão. Claro que na altura bateram muito por aqui. Sobretudo quando se elegia James como estratosférico e o melhor da Liga. Hoje, apenas porque alguém pagou um valor estapafúrdio talvez já seja bom. Antes não era…

Ao treinador compete dar armas (organização) para que os seus atletas sejam mais do que individualidades no campo, mas que se saibam relacionar entre si, com princípios colectivos. Que ocupem o espaço e se movimentem com e sem bola, ofensivamente e defensivamente, de acordo com ideias comuns. Neste espaço valorizamos os que para além de conseguirem criar estes princípios, o façam em todos os momentos do jogo. Tratem todos os momentos com a devida importância, e que como tal tenham a equipa preparada para jogar o que o jogo der. Conseguindo isso, o melhor treinador do mundo pode perfeitamente perder com o pior. É que são humanos que jogam o jogo."

O texto apresentado tem algum tempo. Hoje retiraria apenas uma palavra. Ou acrescentaria. Não são apenas humanos que jogam  o jogo. Há também Messi.

17 comentários:

R.B. NorTør disse...

1 golo, 1 obra de arte e 1 assistência. Se o meu nome fosse Luis Enrique casava com ele...

escritor de pacotilha disse...

A minha questão é então:

Luis Enrique, bom ou mau treinador?

É que em Novembro-Janeiro queriam fazer-lhe a folha (não sei aqui no blog, mas na generalidade da imprensa e blogs / fora de adeptos). E daqui a 3 semanas provavelmente vai ganhar o triplete.

Com MSN tudo é mais fácil, obviamente. Com Rakitic e Iniesta já parece batota. Com tudo o resto é só ridículo. Mas a pergunta permanece: Luis Enrique, bom ou mau treinador?

DC disse...

Um gajo pensa que já viu tudo e já espera tudo e ele continua a fazer-nos isto.
É o melhor da história, ponto.

R.B. NorTør disse...

Pelo que se vê em campo está uns furos acima do Ancelotti e uma galáxia atrás do rival de hoje.

Sim, jogar com Rakitic no meio e Messi, especialmente este, na frente devia ser batota, mas felizmente o Suárez andou por lá para equilibrar as coisas. Imagina que eles davam um companheiro de jeito ao Messi?

Clarence Seedorf disse...

Mais uma vez fui deixado como uma criança a ver a bola. E mais ainda vou adorar a resposta em munique. É mais complicado para Guardiola nestes termos, mas acho que a sua sabedoria vai ser util.

Ainda ninguém, neste mundo, escreveu poemas sobre Messi?

João Mendes disse...

As individualidades fizeram a diferença, mas hoje Guardiola tem a sua cota de culpa, principalmente no processo emocional da sua equipa e isso também faz parte da competência do treinador.

POC disse...

Genial.

Miguel Amador disse...

Foi Messi 3 - Guardiola 0. Bayern melhor tacticamente em todos os aspectos, mas a sentir muito a falta dos extremos Ribery e Robben que dariam muito jeito para criar oportunidades do controlo do jogo. Por outro lado, uma equipa a tentar libertar-se das amarras recorrendo ao que tem de melhor, o melhor do mundo. A capacidade individual a decidir para um lado e a faltar do outro.

Miguel Pinto disse...

Gostava de ter visto Robben a jogar e o Messi no banco ou na bancada.
Escritor de pacotilha, quem estaria mais perto da vitoria?

Mats Magnusson disse...

Na ciencia uma teoria tem que poder ser provada como falsa. Por outras palavras, tem que poder ser testada.

O que me leva à pergunta:
O que provaria a vossa teoria da posse de bola e da marcaçao à zona como falsa?

A coerencia tem que ser com as evidencias, não com as teorias. Daí a pergunta.

Não que isto tenha alguma coisa a ver com o jogo de hoje. Eu sei que isto hoje vão ser só Pedros por aqui, mas não é a minha intenção.

Do jogo de hoje, assim de rajada: muita pena o resultado ter acabado com o jogo da segunda mão. O Bayern não fez 1 remate à baliza e voltou a ter problemas quando pressionado a campo inteiro. Messi é um Deus a jogar à bola. O Barcelona em organização defensiva chega a ser cómico.

Sobre Guardiola a idea que fica é que o futebol do seu Barça era aborrecido porque nenhum adversário queria dançar a mesma dança...porque quando os dois querem dançar dá num grande espectáculo.

Grande Abraço!

Roberto Baggio disse...

quem não percebeu que este jogo foi desequilibrado por um, e um só jogador, não terá salvação lol

jorge gaspar disse...

Rakitic? Fodasse. O Iniesta parece um velho com reumatismo e é capaz de levar um estádio inteiro atrás dele sem lhe conseguirem tirar a bola e jogar com o rakitic é que é batota?
O Iniesta á velocidade a que joga há-de jogar com 70 anos e ser quase sempre o melhor em campo. Ás vezes interrogo-me se o Iniesta não estará mesmo entre os melhores de sempre.

O Rakitic quanto muito estará lá a mais. joga enquanto não chega o Verrati, esperemos.

Rui Dias disse...

Durante os primeiros 40 minutos o m2 do campo valia uma fortuna! A qualidade do posicionamento de ambas as equipas foi de tal forma que não havia espaço nem para coçar o pacote!!!

Que jogao até aparecer o ET!

O Messi e o iniesta vai ganhar mais uma champions e oferecê-la ao Neymar e ao suarez!

R.B. NorTør disse...

Em particular ao Suárez. O tipo devia ter pago bilhete para poder ter estado naquele jogo...

Carlos Antunes disse...

Naquela jogada em que o Lewandowski aparece isolado na pequena área e, infelizmente, não consegue tocar a bola, lembrei-me dos posts acerca das defesas do jogo do dia anterior.

Depois veio Messi e pronto.

escritor de pacotilha disse...

Jorge Gaspar, vá ver os movimentos em transição defensiva do Rakitic. Nem falo em organização ofensiva (porque dar o palco ao Messi no 2º golo nunca vai ser reconhecido como o passe de qualidade superior que merece).

Miguel Pinto, concordo e foi isso que disse na primeira frase (MSN... mas poderia ser só M). Aliás, já no jogo em Manchester disse ao meu irmão - fanático pelo Barcelona há quase 30 anos - que se o Messi quiser e quando perder a velocidade física vai ser o melhor médio centro do mundo. Tanto desiquilibra à frente e no meio. E razão terá Thiago: se Messi fosse GR provavelmente marcaria à mesma mais de 25 golos.

A minha questão, e volto a pô-la é sobre Luis Enrique. Não com o intuito de picar, nem com o intuito de escarnecer, mas legitimamente. Não o acho um grande treinador mas a verdade é que houve de facto uma evolução brutal a todos os níveis ofensivos do Barcelona de Setembro até hoje. Recordem-se que até ao jogo com o Real Madrid no Bernabéu o Barcelona era a melhor defesa da Europa em Ligas.

O que aconteceu? O tridente MSN demorou a arrancar? Suárez, o "coxo", acordou? Xavi preterido de vez por Rakitic e Iniesta a voltar ao melhor nível? Messi a dar profundidade ao pegar no jogo no meio campo? O que é que se passou e até que ponto foi responsabilidade do Luis Enrique, essa é que é a minha pergunta.

Edson Arantes do Nascimento disse...

Este Barça não é especialmente competente em nenhum momento, mas mantém algumas ideias fixes e, sobretudo, dá liberdade a quem sabe do jogo. Tudo isto é rematado por vários "melhores do mundo" nas suas posições.

Acontece que, (quase) inexplicavelmente, o Barcelona ainda tem Messi. Pois. É um quadro complicadíssimo para os adversários.