quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Descobriram a pólvora! Receitas para vencer mais vezes!

Um estudo realizado no ultimo campeonato do mundo, trás informação interessante.

Pegaram nos dados estatísticos dos jogos, acessíveis a qualquer pessoa e foram ver a influência que cada categoria estatística teria na probabilidade de vencer, empatar, ou perder o jogo.

Chamaram a atenção para os jogos de margem mínima, dado que quando chegamos a meio de um jogo e uma equipa já está a ganhar por 3 ou por 4, é normal que o adversário "desista". Se o resultado estiver com diferenças mínimas até ao final, as duas equipas vão teoricamente continuar a tentar jogar no máximo das suas capacidades.

Em 24 categorias estatísticas estudadas, 9 mostraram efeitos positivos na probabilidade de ganhar ( Remate, Remate a Baliza, Remate proveniente de Contra Ataque, Remate de dentro da área, Posse de bola, Passe curto, Average passing streak ( é conseguir ter uma sequencia média alta, de passes consecutivos a cada posse de bola), Vantagem Aérea e Desarme); 4 mostraram ter efeitos claramente negativos na probabilidade de ganhar (Remate bloqueado, Cruzamento, Dribble e Cartão Vermelho);

Estes resultados vêm validar algumas ideias interessantes:


  • Rematar por rematar, sem estar em boas condições de ao menos acertar na baliza, é parvo
  • Cruzar, que deveria ser um passe para um colega que está em zona de finalização, não o é. Na maioria das vezes é um "meter lá a bola", e quando assim é, a "menina" é de todos. Quando é de todos, a probabilidade de ficar na nossa equipa é de 50% na melhor das hipóteses, sendo que se na área estiverem 2 avançados para 4 defesas, a probabilidade é muito menor de certeza absoluta. E é por isto que tem efeitos negativos na probabilidade de vencer.
  • Drible, apesar de ser vistoso, é uma situação de (normalmente) 1v1, mais uma vez vai aproximar a probabilidade de sucesso de 50%, o que é muito inferior a resolver essa situação com 2v1. Dai também não ajudar a vencer os jogos.
  • Cartão vermelho é óbvio.
Não é o jogar a Barcelona, ou o jogar a Bayern que ajuda a ganhar os jogos. O que ajuda a ganhar os jogos é aproximar todas as acções e decisões de altas probabilidades de sucesso.

  • Se posso rematar com tempo e espaço para olhar e desviar do guarda redes, é melhor do que rematar com 3 pessoas a frente e mais duas a puxar a camisola
  • Fazer passes curtos, é mais fácil e mais seguro do que passes longos. Passes longos são de difícil execução e de difícil recepção, aumentando assim a probabilidade de se perder a bola. Logo, apesar de poderem resolver alguns problemas... são de evitar. Passes curtos garantem que há sempre vários jogadores perto da bola, o que aumenta a probabilidade de a recuperar, se a perdermos.
  • Tabelar é melhor do que driblar. Porque resolver os problemas colectivamente é mais fácil do que individualmente.

As equipas que se baseiam nestas ideias, tendem a vencer mais vezes. Podem perder de vez em quando, mas vão vencer mais vezes do que as outras.

Rematar de longe, cruzar que nem um louco, pegar e fintar toda a gente, aqui e ali pode resolver um problema e ganhar um jogo, ou 2 ou 3, mas não vai chegar para a longo prazo vencer mais jogos.




48 comentários:

zatarra disse...

OK. Não descobriram a pólvora, mas mostraram isso por números e o Bergkamp traduziu-o aqui para todos.
Agora não há desculpas. É imprimir este artigo e cola-lo em todos os balneários.

Pedro disse...

Interessante o estudo mas não faz qqr sentido analisar "remates bloqueados". Se são bloqueados obviamente que são negativos. Fará sentido analisar "remates" no seu conjunto e aferir da sua taxa de sucesso.

Como os cruzamentos. Faz sentido analisar cruzamentos no seu todo, como parece que foi o que o estudo fez e não dividir em sub categorias nas quais já está implicito sucesso ou insucesso.

Dennis Bergkamp disse...

Pedro,

o que o estudo diz é algo do estilo:

Chile vs USA (nem sei se existiu esse jogo, nem vem ao caso)

isolando todas as outras categorias estatisticas

Chile = 27 cruzamentos
USA = 12 cruzamentos

a ODD de vencer, é maior para os USA, porque concluiram que os cruzamentos têm efeitos negativos.

Até pode acontecer o chile ganhar por um golo de cruzamento. Mas em 100 jogos, os USA iam vencer mais vezes.

É óbvio que o jogo é muito mais do que isto, e nem sei se se pode falar de "soma das probabilidades de todas as categorias" para ver se uma equipa está mais próxima de vencer ou não.

A ideia de um estudo destes é perceber tendências. E perceber para onde é que o jogo está a caminhar. Se fizessem o mesmo estudo para o italia 90, os resultados iam ser diferentes, porque o jogo que se jogava era diferente também.

R.B. NorTør disse...

Dennis discordo de uma coisa em relação ao cálculo das probabilidades da posse no final do cruzamento. Não se trata, e vocês que trabalham esses aspectos devem-no saber melhor do que leigos, de uma relação directa entre número de jogadores e aleatoridade de onde cai a bola. Não invalida claro que fica muito mais difícil do que uma progressão controlada. Conheci um treinador de andebol que dizia às suas equipas que «quando têm a bola o adversário só com falta é que vo-la tiram». Não sendo tão linear para o futebol, penso que o princípio aqui será o mesmo, certo?

Sam disse...

Eu quero é ver o post a falar da eliminação do sporting...

Sergio Rocha disse...

Sam, realmente era o que eu queria ver também! Mas para quem "endeusa" tanto o treinador do Sporting não deve estar a ser fácil digerir!
O que será que falhou? Ah já sei..foram os árbitros...não foram nada..já sei o que foi..era um jogo de Champions!

Dennis Bergkamp disse...

R.B.,

Mais ou menos. Percebo o que queres dizer, mas uma coisa é teres a bola na mão, outra coisa é teres a bola no pé. Mesmo estando em teu poder é muito mais fácil roubar a bola a um jogador de futebol, do que a um jogador de andebol/basquetebol/polo aquático, porque eles conseguem agarrar a bola, enquanto que um futebolista apenas a consegue tocar... ou vá, consegue pisar.

Está em nosso poder, momentaneamente, apesar de a podermos proteger.

A precisão de passe e recepção é também totalmente diferente.

Um passe, para ser chamado de passe, é uma comunicação entre 2 jogadores, tem um emissor e um receptor.

Um cruzamento é uma coisa mais abstracta. Dai ser muito mais fácil haver golos de gajos que vão a linha e passam atrasado, do que haver golos de cruzamento. Porque a precisão é totalmente diferente.

Ainda a pouco estava a ler o Numbers (http://www.amazon.com/The-Numbers-Game-Everything-Soccer/dp/0143124560) e eles falam de haver a ideia de que havia imensos golos de canto na premier league. E então as equipas treinavam isso vezes sem conta.

Foram a ver e era preciso perto de 30 cantos para haver um golo. Será que vale assim tanto a pena, focar toda a estratégia de jogo nisso?

Paolo Maldini disse...

calma que o homem só falhou a Champions quando o seu antecessor não foi capaz de lá meter a equipa. Foi assim qd entrou no SLB proveniente do Quique e agora. Se calhar na próxima época com um ano de trabalho em cima já lá estará ele e não outro que tenha entrado porque ele garantiu o lugar...

sobre esta eliminatória, é óbvio que quando as forças se equivalem faz toda a diferença várias decisões no mesmo sentido, mas isso não é matéria deste espaço!

facepalmjpg disse...

Estes artistas que vêm para aqui com a mania que um acontecimento adverso desprova uma premissa na sua totalidade são do caraças. Pela lógica deles, essa coisa do Sol brilhar é falsa uma vez que ele às vezes está sujeito a eclipses.

Blessing disse...

Ou às nuvens lol

João disse...

"Rematar de longe, cruzar que nem um louco, pegar e fintar toda a gente, aqui e ali pode resolver um problema e ganhar um jogo, ou 2 ou 3, mas não vai chegar para a longo prazo vencer mais jogos."

É fazer chegar isto ao Rui Vitória sff.

Benfiquista Tripeiro disse...

15v, 10e, 15d não é um eclipse, é uma sombra permanente.

DC disse...

Eh pah, deixar escapar 2 golos de vantagem e remeter isso para factores externos...
Ok, o treinador não teve culpa nenhuma. Mais uma vez azar, árbitros e qualidade individual é que têm a culpa. Foi só mais um ano de azar de jj na champions...

O Sporting foi roubado no jogo em casa sim (neste aqui se se verificar que o canto saiu mesmo não há roubo nenhum). Isso invalida que o treinador se tenha exposto à reviravolta? Alguma vez teve o jogo controlado? Tentou segurar a bola? Esteve bem em planear as substituições para o prolongamento? Esteve bem em meter o Slimani quando precisava de ter segurança na posse?

R.B. NorTør disse...

Caramba, mas nem quando o tema é o jogo jogado a malta tira as lentes coloridas, nem lhes passa a azia.

Se as estatística dos jogos ganhos/perdidos quer dizer alguma coisa, façam uma para os treinadores do Benfica na Europa entre a primeira final da Liga Europa perdida pelo JJ e a final da Champions de 90 com o Milan. São 23 anos que devem dar para entreter...

Dennis,

Sim as limitações da posse de bola no futebol são por demais evidentes quando comparadas com qualquer desses desportos e eu falava do princípio da coisa. De qualquer forma a malta vê o Messi e parece que dá no mesmo ter a bola no pé ou andar abraçado a ela! ;)

O que dizes do treino dos cantos é diferente de treinar os cantos para aproveitar uma situação específica, certo? O que quero dizer é, será mais importante trabalhar as bolas paradas como um dos aspectos do jogo e não como o pilar da estratégia, certo?

Jorge disse...

Sera possivel por um link para o artigo? Obrigado

Dennis Bergkamp disse...

Jorge,

não tenho autorização para enviar, mas o artigo é este (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25793661)

R.B.,

Sim, trabalhar as bolas paradas como um aspecto do jogo faz todo o sentido. Muito também porque os jogadores acreditam muito nessas coisas, e sentem mais segurança no processo se o trabalharem. Assentar a estratégia de jogo nisso, parece ser parvo. Mesmo fazendo altas jogadas de laboratório, é muita coisa a ter de correr muito bem ao mesmo tempo para aquilo dar certo.

É quase transformar o Futebol em Futebol Americano, com o QB a ficar no cantinho, em vez de estar de frente para a baliza.

Faz mesmo muita confusão ver que as pessoas preferem meter acendalhas e regar com gasolina do que realmente falar de futebol. Mas cada um sabe de si

Pedro Ribeiro disse...

Não consigo compreender as críticas ao JJ. Só falta dizerem que com o Lotopegue esta eliminatória era canja, lol. Tosic, Dzagoev, Eremenko, Doumbia e Musa eram titulares em qualquer equipa portuguesa. Na primeira parte o Sporting marca, cria e controla com bola. Na segunda não consegue ter tanta bola, é verdade, foi o pior período desta eliminatória. Porquê? As linhas de passe não estavam lá? Ou os jogadores não conseguiam ter bola com mais pressão do CSKA? E mesmo assim levaram um golo com a mão, o terceiro golo era difícil de evitar e só têm culpa no segundo. Jogaram sempre com a defesa subida, não se meteram no autocarro, jogaram como equipa grande, assumiram-se como equipa grande. Falharam posicionamentos (sobretudo Naldo e João Pereira). É verdade, o modelo de JJ é muito meticuloso, a mínima falha pode ser fatal. Mas cresceram como equipa, porra. E na primeira mão falharam muito.

Paolo Maldini disse...

de acordo, mas centremo-nos no post

Pedro disse...

Dennis, é exactamente isso que disse.
Essa análise aos cruzamentos faz todo o sentido.
O diferenciar remates é que não me parece fazer, pelo menos da forma exposta.

Acho que faria algum sentido a análise remates fora da área, remates dentro da área.

Agora remates bloqueados não percebo como podem ser objecto do estudo. É consequência do remate, seja dentro ou fora da área.

Pedro Ribeiro disse...

Aquilo que por exemplo aconteceu em Aveiro no passado fim de semana não foi uma sucessão de oportunidades de golo, foi simplesmente balbúrdia táctica, uma catadupa de ataques atabalhoados. Este estudo só comprova o que o Artur Semedo escreveu com toda a elegância e inteligência no seu blogue: o cruzamento é uma guerra contra as probabilidades, é um acto de fé quase. Aconselho aos que ainda não leram:

http://reflexoespicaretas.blogspot.pt/2015/08/o-sentido-da-vida-e-so-cruzar.html

firenze disse...

Caros,

Podem fazer download do artigo de forma legal em:

https://www.researchgate.net/publication/273775160_Match_statistics_related_to_winning_in_the_group_stage_of_2014_Brazil_FIFA_World_Cup

preto_nharro disse...

O facto de a malta estar aki a pedir a analise à eliminaçao do sporting é culpa vossa, andam à um mes a endeusar o JJ, a mostrar td e qq melhoria no jogo do Sporting e qt o JJ é responsavel por ela (ignorar por completo o aumento da qualidade individual por exemplo), portanto apos um jogo xeio de asneiras de um ponto ao outro, estamos todos curiosos para saber se agora vcs vao mostrar k sao realmente isentos e vao agora expor esses erros e mostrar o k falta melhorar nesta equipa do Sporting

Frigoliny disse...

Pedro:

Um remate para ser bloqueado é porque se encontrava pelo menos um defesa entre a bola e o GR. Um remate isolado (em 1x0, como agora é moda) não pode nunca ser bloqueado. Portanto quem remata principalmente isolado tem mais probabilidades de fazer golo e ganhar do que quem remata principalmente com defesas à frente.

Queres com bonecos?

Blessing disse...

Vai explicar isso aos gajos que dizem que houve mais do que oportunidades para ganhar. Lol. Faz os desenhos Frigo...

Preto_nharro, quando fizeres um comentário onde demonstres conhecer seja que aspecto for do jogo jogado faço um post com uma ideia qualquer que esteja na tua cabeça.

Ace-XXI disse...

Ainda bem que aqui vocês não valorizam a arbitragem mas neste playoff ignorar os árbitros é ignorar o jogo porque foi uma eliminatória decidida por eles.

O trabalho de JJ está agora a começar nao tenho qqr duvidas que vai levar a equipa directamente a CL na próxima época provavelmente a custa dos muitos que se estão a rir agora.,,

Torres Ferreira disse...

Não se trata de cores clubisticas quando se pede a mesma orientação e coerencia editorial aos excelentes autores deste blog. Ou seja, o Benfica perdeu em Arouca e não tivemos de esperar 2 horas para termos um post referindo-se a isso mas o SCP perde uma pre eliminatoria da Champs, um jogo importantíssimo e nada? a SÉRIO, POR FAVOR, DIGAM LÁ A ESTE BENFIQUISTA QUE TEVE O j j treinador durante 6 anos como é que ele se deixou lebvar...a ´serio, pá. preciso de saber.,

B Cool disse...

Acho que os estudos são interessantes numa perspectiva de insight, mas devem ser considerados mais como um elemento de informação do que servirem para validar ou invalidar as ideias.

Por um lado nada sabemos sobre a capacidade explicativa do modelo, nem é referida a existência ou não de colinearidade entre as variáveis explicativas... Mas não só, este modelo parece-me essencialmente enviezado por se basear em "variáveis atacantes" (20) e quase ignorar as "variáveis defensivas" (4)...

Outra questão interessante é anularem completamente os 8 jogos da fase a eliminar que não tiveram prolongamento, em vez de aumentarem o universo dos jogos da fase de grupos com os jogos da fase a eliminar que apenas tiveram 90 minutos. Aliás, estou perfeitamente convencido que um contacto com os responsáveis, ou do site que serviu de fonte, ou da empresa que tratou das estatísticas ou mesmo da própria FIFA, poderiam fornecer-lhes as estatísticas aos 90 minutos para os jogos que foram a prolongamento.

Independentemente das limitações metodológicas, é interessante ver que há factores relevantes que devem ser considerados na construção de um modelo de jogo... By the way e que tal enviarem este estudo para o Seixal ?

B Cool disse...

@Torres Ferreira
Se não compreendeste nos vários anos da Champions que alterações em elementos defensivos e a integração de novos jogadores com o necessário tempo para a assimilação do modelo originava descoordenações fatais, porque aquele não é o nível da Liga Portuguesa, dificilmente os autores te poderão dizer algo de novo...
É um modelo eficaz quando está bem oleado, mas quando não está causa erros e ao nível Champions esses erros pagam-se muito caros. A Juventus eliminada em Turim, pouco diferia da que no ano seguinte foi finalista da Champions, mas uma coisa é jogar em Abril, outra é jogar antes do Natal.

Paolo Maldini disse...

grande comentário bcool

ferreira, qt aos timings... isto n é o meu trabalho... nem o trabalho dos outros autores. Se calhar em Arouca estava de fds fora e com tempo e se calhar 4a estava a trabalhar... já pensaste nisso? que pode ter sido isso e não vontade de malhar num ou não malhar noutro...?

R.B. NorTør disse...

« isto n é o meu trabalho... nem o trabalho dos outros autores. Se calhar em Arouca estava de fds fora e com tempo e se calhar 4a estava a trabalhar... já pensaste nisso? que pode ter sido isso e não vontade de malhar num ou não malhar noutro...?»

Para lá disto ainda se poderia perguntar «mas qual dever de imparcialidade»? Imparcialidade é para jornalistas e árbitros, esses sim têm o dever de se serem imparciais. Malta de um blog sobre futebol, que dever é que têm?

Quanto ao como o JJ se deixou levar. Porque é que foi o JJ que se deixou levar e não uma sucessão de erros individuais dos jogadores? Porque é que o insucesso se deve exclusivamente ao JJ? Foi ele que colocou jogadores do CSKA em jogo? Que falhou passes? Que sofreu golos? Se queres discutir o falhanço do JJ, pega nos exemplos (que são muitos) de imagens neste blog e faz as tuas montagens para esse jogo em que JJ foi comido...

@BCool, esse exemplo de jogar em Abril vs jogar antes do Natal é aplicável à mesma temporada, ou estás a querer focar-te na evolução que uma equipa tem de um ano para o outro?

Trovador de Bancada disse...

Para vos ajudar na melhor compreensão do jogo, reuni algumas das explicações do Rui Vitória para o falhanço num pequeno vídeo.

http://abolanaotempulmao.blogspot.com/2015/08/a-arte-da-guerra-segundo-rui-vitoria-i.html

Por exemplo:
"Hoje é daqueles dias que parece-me que, por mais que rematássemos, batia sempre em alguém, havia sempre um pé... acho que acaba por ser isso"
"isto, o futebol é assim [encolhendo os ombros]"
"Cá estaremos de cabeça levantada"

Espero ter contribuído para que todos percebamos um pouco mais disto agora. :)

Dennis Bergkamp disse...

bcool,

se tiveres oportunidade de ver o estudo vais encontrar resposta a algumas coisas que disseste. Eu não tive paciencia para meter aquilo tudo aqui, transcrevi/traduzi só um pouco do abstract.

Giro que fiz um estudo muito semelhante para o ano em que o City venceu o campeonato no ultimo segundo, e os resultados não são muito diferentes, apesar de os testes utilizados serem. (não posso ainda publicar nada sobre isso).

Jorge disse...

Maldini:


Se bem que a ideia do artigo seja interessante, a analise estatistica apresentada e muito rudimentar, baseada em pressupostos discutiveis e nao permite tirar grandes conclusoes. Com os metodos analiticos correntemente disponiveis acho que com a base de dados disponivel poderia ter sido feito um trabalho muito mais rigoroso e credivel.

Pedro disse...

Frigoliny, tudo o que servir para explicar/educar é sempre bem vindo.
Percebo essa lógica mas se um gajo rematar com 10 jogadores à frente e a bola passar, onde entra esse remate? Continua a ser designado como remate bloqueado?

Talvez a designação do "remate bloqueado" não tenha sido a melhor, talvez um "remate com oposição" vs "remate sem oposição" fosse melhor.

Blessing disse...

Pedro para ti isso é igual :)

Frigoliny disse...

Pedro, entra no tive uma granda sorte, ou no sou muita bom. Mas até o Messi marca mais isolado que com 10 jogadores à frente.

B Cool disse...

@Bergkamp, li um pouco mais do estudo no link que aí foi colocado por outro leitor, vi as variáveis e as tabelas, vi os intervalos de confiança, mas não vi os pontos que discuti - multicolinearidade e poder explicativo. Não ponho em causa os méritos do estudo, no entanto acho que variáveis como (n.º de foras de jogo da equipa adversária, número de recuperações de bola (seja total, seja no meio-campo adversário), etc. poderiam equilibrar um pouco mais a análise entre as variáveis defensivas e ofensivas, mas vocês, os treinadores, mais do que eu podem saber que comportamentos consideram que mais vos aproximam do sucesso e verificar se há variáveis que não sendo as correctas podem ser uma proxy para o comportamento desejado - agressividade na reacção à perda de bola, defesa zonal, coberturas defensivas e ofensivas, etc. etc.

Quando publicares o teu paper, podes partilhá-lo pelo blog?

@RB NorTor
A sensação que eu fquei foi que em termos de evolução a Juventus pouco evoluíu na forma de jogo de uma época para a outra (Abril vs Abril), ou seja com os mesmos jogadores e o mesmo treinador as rotinas estariam perfeitamente assimiladas, mas concedo que possa estar enganado. Ao invés, o Benfica de Jesus e pressuponho que o Sporting de Jesus, mostra uma grande dentro da própria época pois o seu modelo assenta na excelência dos comportamentos defensivos com poucos jogadores e que há sempre um elemento novo na linha defensiva que necessita de tempo para assimilar esses comportamentos e até lá há erros naturais que acontecem mais frequentemente no início da época por esse novo elemento não ter uma reacção rápida de acordo com o modelo e com os outros companheiros da defesa.

Dennis Bergkamp disse...

Jorge,

O publicado no blog é um excerto do abstract.

Jorge disse...

Dennis:

Eu li o artigo.
Acho que analises estatisticas deste nivel nao servem para tirar grandes ilacoes sobre o que quer que seja, quanto muito indicam coisas que seria interessante analisar de uma forma correcta e aprofundade, atraves da recolha de mais dados e da utilizacao de metodologia estatistica mais adequada.
Voces defendem um modelo de futebol e de treino que e racional, consistente e apoiado por analises inteligentes. Nao seria este tipo de analise que me levaria a deixar de acreditar no vosso modelo, de uma forma mais extrema seria como dizer que o Mourinho ganha campeonatos por isso o modelo dele e o melhor, nao ha qualquer tipo de controlo de outros factores que possam contribuir para que as equipas do Mourinho ganhem campeonatos. Eu acredito na evidencia empirica atraves de analises estatisticas exaustivas, o que nao e o caso. Eu diria que esse trabalho esta para a estatistica como o Scolari esta para o futebol...
Eu nao sou perito em estatistica ou econometria mas trabalho de perto com especialistas na materia e se fizeres trabalho estatistico aconselhar-te-ia a conjugares esforcos com um perito.

Blog de Portugal disse...

Fico contente por saber que os autores deste blog lêem artigo científicos relacionados com futebol, mesmo que seja muito esporadicamente.

Relativamente ao drible, a minha pergunta para debate é esta:

- Totalmente de acordo que é melhor resolver os problemas do jogo de forma coletiva do que individual. Mas, ao mesmo tempo, não devemos na formação (seja sub12 ou sub18), incentivar os nosso jogadores a arriscar, a ir no 1vs1, sobretudo aqueles que são ais dotados nesse aspeto?
Já participei numa análise a grandes avançados e extremos do futebol atual com um treinador algo conhecido. E uma das caraterísticas comuns a quase todos é que com bola arriscam, vão para cima dos adversários, quer seja 1vs1 ou 1vs2!
Evidentemente que não o fazem sempre e só nos estamos a restringir aos top15 de cada posição. Mas não devem ser esses as nossas referências para desenvolver jogadores de qualidade?

Tudo isto, para afirmar que no caso do drible, julgo que na formação não deve haver tanta preocupação com o decidir pelo drible e optar pela solução coletiva (com bom-senso, claro). Porque poderemos estar a inibir um jovem jogador com futuro no que ele é forte e a falharmos na nossa missão de desenvolver jogadores de qualidade.

Que acham?

Dennis Bergkamp disse...

@ blog de Portugal,

Muito esporadicamente damos por nós a ler artigos relacionados com futebol.

Artigos de investigação, bibliografias de jogadores e treinadores, até as 50 sombras de Grey servem para pensarmos no que fazer e como adaptar ao treino e ao jogo.

Um dos mais interessantes nos ultimos tempos foi este https://www.youtube.com/watch?v=5LlQNty_C8s

Blessing disse...

Estudos científicos e não científicos :) tudo serve!

Paolo Maldini disse...

Fodasse, eu é que me lixo sempre. Não sei ler... será que assim já não fica contente comigo? :( :( :( :(

Blog de Portugal disse...

Não, meu fofo, eu fico contente contigo à mesma ;)

Mas quanto ao que referi ao drible, qual é a vossa opinião?

Dennis Bergkamp disse...

Blog de Portugal,

Sobre o drible, é preciso contextualizar as coisas como deve ser.

Alguém com 10 anos, que consegue ultrapassar 3 jogadores sozinho, força.

O treinador o que tem de fazer é mudar os adversários, seja o numero seja a qualidade, para que ele tenha mais dificuldades.

Se aos 16 anos, continua a existir malta, que consegue ultrapassar em drible 3,4,5 gajos... força. O que o jogo tem de lhe ensinar (e o treinador deve ser catalizador disso), é que há alturas em que isso é bom, e alturas em que isso é mau.

Porque o jogo é diferente todos os dias. Há miudos, com 10 anos, que se juntares 2 + um guarda redes minimamente competentes... eles vencem a maioria das equipas da AFL da mesma idade. 3x7 e vencem. Porque conseguem resolver sozinhos os problemas do jogo.

O problema do drible, e o estudo aponta para isso, é quando a probabilidade de ter sucesso baixa para os 50%.

E isso acontece porque o nível dos adversários é superior, e porque o nivel do gajo com bola não é tão bom assim.

O problema do "assume!!!!!" é que isso não é para todos. Se juntasses com 10 anos Patricio+Cristiano+Quaresma... limpavam 90% das equipas da AFL.

Eu próprio tive a felicidade de ver miudos destruir completamente os adversários.. quase sozinhos.

Mas não é para todos, a avaliação de competências é das coisas mais importantes no drible. Porque permite que o portador da bola saiba a probabilidade de ultrapassar o adversário.

Mesmo com essas coisas todas em cima, em rendimento.. 2v1 é quase sempre mais fácil de resolver do que 1v1. Só não é mais fácil do que o 1v1 se o defesa fechar a linha de passe, e mesmo isso... é o jogo que mostra a solução. E é viver muitas vezes essa situação que ensina ao jogador o que decidir.

A cena do "assume!" perde valor por causa disso, quem tem de decidir é o jogador, não é o treinador a 20 ou 30 metros de distancia.

Paolo Maldini disse...

uff...

Blog de Portugal disse...

Esclareceste-me bastante, Bergkamp.

Criando uma situação hipotética:

- se tiveres um miúdo de 16/17 anos que tem muita qualidade no drible, encorajá-lo a ir 1vs1 e até 1vs2, possivelmente.

Mas ao mesmo tempo incentivá-lo ainda mais a procurar a melhor decisão, que seria uma situação de 2vs1. Construindo exercícios que o forcem a analisar se é melhor passar ao colega ou seguir com a bola, mostrando-lhe por vezes imagens de treinos e jogos, certo? (Isto num cenário ideal).

Com o tempo, e se conseguimos manter uma intervenção boa, continuará a ser um jogador que procurará 2vs1, e provavelmente procurará também 1vs1 com alguma frequência, mas em que nesses casos as hipóteses de sucesso será de 70%, por exemplo.

Sam disse...

Em nenhum momento com o meu comentario desvalorizei o trabalho de JJ, nem a sua competencia como treinador. Continuo a considera-lo o melhor treinador portugues. Mas que gostaria de ver uma analise vossa aquele jogo, e aos jogos menos bons do sporting nos ultimos jogos. Isso queria. Ao inves disso continuo aqui a ver posts sobre o Gelson, que é já hoje a proxima joia do nilo...