terça-feira, 22 de setembro de 2015

Entre sectores ganha-se tempo e espaço. A melhor forma de quebrar a pressão adversária.

O jogo entre linhas tão pouco explorado no futebol nacional por ser tão pouco compreendido por quem comanda as equipas. Diz-se que jogando ali, o risco de perder a bola é maior. Concordo. Se a equipa não for trabalhada para procurar explorar esse tipo de espaços. Se não estiver habituada, treinada, para estar confortável a jogar "rodeada" por adversários, com tempo e espaço para decidir porém. Não há melhor forma para quebrar a pressão do adversário do que procurar jogar entre linhas. Cria-se dúvida no adversário, por lhe serem retiradas as referências de pressão. Veja-se a seguinte imagem.
Se a bola entra R.Neves (assinalado em branco) quem sai na bola? Samaris ou A.Almeida?
Essa indefinição que se cria, pela linha de passe se colocar entre vários jogadores adversários é o que permite o ganhar do tempo, e espaço para decidir o lance. Veja-se outra imagem.

Vamos imaginar que a bola está em posse do R.Neves, e que este decide colocar no Brahimi. Mais fácil de defender, porque a referência está lá. É o Semedo a sair sempre, sem qualquer tipo de dúvida.
Como se percebe, sequer há espaço para hesitações, e rapidamente Semedo reagirá para se colocar em contenção, retirando tempo e espaço para Brahimi executar. E saindo Semedo do lance, cria-se um espaço. Mas esse espaço está totalmente controlado pelos colegas que o conseguem visualizar de frente. Tal não significa que esse caminho não possa/deva ser eleito por vezes. Mas preferencialmente os caminhos escolhidos, deveriam ser outros. Vamos às próximas imagens. 

A bola continua na posse de R.Neves, e vamos imaginar que o Porto se posicionava da forma sugerida a azul. Neves tinha decidido procurar André André naquele espaço. Quem sai? Semedo ou Luisão?
A bola tinha sido colocada em André André, e é Semedo que sai na bola. Cria-se esntão espaço para Brahimi explorar, já com Semedo fora do lance, tendo de enfrentar Luisão, Jardel e Eliseu +GR, com o apoio de outros dois colegas. 3x3 pelo corredor lateral, com espaço. Cria-se também a possibilidade de Aboubakar e Corona explorarem o espaço nas costas entre os 3 elementos da linha defensiva, criando novamente dúvida, e eliminando também o número de jogadores a controlar o lance de frente no caso de serem eles a receber a bola de André André, ou de Brahimi. Com um passe fácil, curto, pelo chão, de execução simples, de recepção fácil, estava aqui uma situação de grande potencial por criar.
Se é Luisão a sair, cria-se um espaço enorme entre Semedo e Jardel, onde com um passe simples a bola pode entrar em Brahimi ou Aboubakar, com possibilidades de enfrentar apenas o Guarda Redes com pressão nas costas.
Entendemos por aqui, que não há melhor forma de desorganizar o adversário do que esta. Entendemos por isso que, uma equipa de vocação ofensiva, que quer ser grande, deve percorrer ou procurar percorrer estes caminhos, para provocar o adversário a sair dos espaços que ocupa, para criar dúvida sobre as referências de pressão, para facilitar a execução na construção, criação, e finalização. Os treinadores modernos, que percebem a evolução do jogo, têm esta marca bem clara nas suas equipas. Pela forma como colocam os seus jogadores em campo, e pela forma como os incentivam a procurar os espaços interiores. Há porém, quem opte por outros caminhos. O do jogar sempre por fora. Reparem no movimento de R.Neves a fugir do bloco adversário, sem que nada o obrigasse a tal. Nada que não seja o posicionamento das linhas de passe definidas pelo treinador

Por isso há os bons e há os grandes. E há um caminho que continua a ser eleito por uns e outro caminho por outros.


PS: Nas imagens, confundi André André com Corona. Mas tal nada muda em relação ao artigo.

35 comentários:

DC disse...

A única coisa que não concordo muito é que fosse fácil, nesta jogada específica, o marcano meter a bola no Rubén sem que o avançado do Benfica a interceptasse.
De resto, sim, a norma tem que ser jogar por esse caminho e o Porto não o faz.

Dipeca disse...

Qualquer semelhança com isto é pura coincidência :)

http://lateral-esquerdo.blogspot.pt/2013/02/fc-porto-x-malaga.html

Até Fernando jogava no bloco adversário, pq, tinha sempre linhas de passe perto.

Bom artigo

miguelborges6 disse...

Muito bom. Era bom que tivessem mais disponibilidade ainda para fazerem este trabalho público porque aprendi a ver o futebol de maneira diferente com vocês. Não sei muito mas a minha visão a ver um jogo mudou completamente desde que comecei a ser leitor assiduo deste blogue e do possedebola.

Sobre o Lopetegui e o jogo do FCP, esperava muito mais há um ano atrás, pensei que as eternas bolas longas para os extremos tentarem o 1x1 e os 3 médios fora do espaço entre-linhas/central já tivesse mudado. Tinha a esperança que fosse só uma fase de adaptação e com mais trabalho iriamos chegar lá, mas já está visto que o que vai poder decidir a favor do FCP é a grande qualidade individual que é mt superior ao SCP.

Tiago disse...

No hipotético posicionamento entre linhas do Porto, o comportamento em organização defensiva do Benfica não seria subir a linha defensiva, diminuindo assim o espaço entre linhas?

Obrigava o Porto a meter nas costas da defesa?

Blessing disse...

DC, não sendo fácil tem que haver sempre essa possibilidade. Se Imbula decide por colocar no Marcano, ele n tem apoio frontal. Se roda para Maicon, como foi o que aconteceu, idem. ele tem de estar lá, para quando houver possibilidade a bola entrar nele.

Dipeca, sim, é isso mesmo. Não coloquei no artigo, mas o termo de comparação é justamente esse. Repara-se nas imagens com o posicionamento do Fernando. Sempre a procura de receber atrás da primeira linha de pressão adversária, exceptuando quando o central sai em condução.

Tiago, o artigo trata de organização ofensiva, não de defensiva.

Islander disse...

Ao analisar estes lances o que distingue a falta de cérebro de um jogador de uma acção condicionada pelo treinador?

Blessing disse...

A regularidade. Se acontece sempre. independente do jogador que lá está. Estamos a falar de posicionamentos sem bola. Eu, com 3 semanas de treino, a treinar 3 dias durante 80 minutos, no posicionamento sem bola, enquadro os jogadores a jogar +/- como quero, na maior parte do tempo. é ver os vídeos do posse de bola. depois com bola, isso aí é que leva mto, mas mesmo mto tempo. portanto, n se admite, que treinadores com horas infinitas de treino, e recursos infinitos, não enquadrem os jogadores no posicionamento que querem. estou com isto a dizer que o posicionamento de lope é propositado. ele quer é que a bola ande muito rápido de um corredor ao outro, com o mínimo risco possível no corredor central. é esse o caminho dele, até ao momento.

Tiago disse...

Blessing, a minha dúvida era que soluções teria a equipa em organização ofensiva no caso de a equipa adversária reagir ao jogo entre-linhas com um encurtamento do espaço entre as mesmas...

Nelito disse...

Uma dúvida que o vídeo releva: O Marcano (ou o Layun, não sei) consegue meter a bola no Ruben Neves sem o jogador do Benfica a interceptar?

Com o essencial no vosso post, concordo plenamente.

Jorge Gaspar disse...

Eu sei que o artigo não trata de organização defensiva, no entanto ao ver o lance em que o RN recua ,reparei na movimentação que o Luisão e o N. Semedo fazem quando pensam que o Imbula vai passar a bola ao Corona ou ao Brahimi. Nessa situação, uma desmarcação em diagonal do Aboubakar e consequente passe do Imbula poderia-o colocar isolado.
Parece me óbvio que o Jardel e por arrasto o Eliseu estão mal posicionados. Mas aquilo que queria perceber era se aquele movimento do Luisão e do N. Semedo fazem sentido, para não dar tempo nem espaço ao Corona ou ao Brahimi no caso da bola lhes ser passada, ou se por contrário aquela movimentação cria um risco muito grande de desequilíbrios na linha defensiva e não deve nunca ser executada, ou a ser executada terá de ser através da subida de um elemento da linha defensiva e com os outros 3 a fecharem mais.

JON disse...

Blessing,

só uma nota: é esse o caminho de Lopetegui desde que chegou. Não vai mudar, porque é claramente um tipo muito medroso. Essa é a principal coisa que me deixa frustrado com ele, que é preocupar-se sempre mais em não sofrer do que em marcar. O que só me deixa uma dúvida, uma coisa que não entendo mesmo.

Para que caralho foi ele buscar Bueno, um jogador que rende dentro de blocos apenas?

Não me faz sentido nenhum...

Nuno disse...

Bom posto

Como diz o outro
Se isto fosse facil...

Nuno Silva disse...

ainda no domingo me lembrei do Vitor Pereira... especialmente pelo posicionamento da equipa e pela organização da equipa na transição. não tinha criatividade na frente era certo: James sempre lesionado, saída de Falcão...

Lopetegui tentou no início da época o Quintero para fazer esse jogo interior, erradamente algumas vezes a partir da linha para dentro... tentou o Oliver, que não conseguiu dar este tipo de apoios à equipa e vinha buscar jogo atrás. Quem fazia este tipo de situações avulso era o Jackson tal como agora vai tentanto o Aboubakar.

Na verdade o treinador não tem culpa que a SAD não lhe dê um médio criativo e com qualidade para receber a bola entre médios e centrais, ter visão de jogo, conseguir provocar as àreas de marcação para prender um defesa/médio e decidir onde soltar a bola ou eventualmente fazer 1x1 e depois definir.

Só jogadores muito especiais o conseguem fazer bem e que raros são.


http://cubeupload.com/im/zQ313J.jpg

Rafael Antunes disse...

Mais um post em que apenas se pode dizer, só não compreende quem não quer!!!!

Quantos treinadores profissionais, em Portugal, têm estas ideias (ou algumas destas, ou parecidas) presentes nas suas equipas? E na Europa?

Ouve-se muito que o futebol é simples, "se o jogador tem espaço no corredor lateral, cruza, simples" citando Paulo Sérgio não há muito tempo num programa televisivo.

Grande post!!!
Abraço


Nuno disse...

Para alem claro do mestre Pep recomendo vejam o Dortmund do Tuchel este ano

Trabalho de muita qualidade entre linhas
Bom jogo este fim-de-semana vs o Bayer do Schmidt

Blessing disse...

Tiago, Subia a linha defensiva, e continuava a haver espaço entre a linha avançada e a linha média. E era nesse espaço onde a bola devia entrar, para depois provocar as outras linhas.

Nelito, já foi respondido acima. Se seguir os comentários.

Jorge Gaspar, organização defensiva é noutros artigos. E são a maioria do blogue. Aproveita-os para isso.

JON kkkkk Adrian igual. Mas numa posição mais adiantada.

R.B. NorTør disse...

Jorge, tenho partido a cabeça para tentar perceber essa movimentação toda e até agora só tenho uma conclusão: isso (e outras avenidas que se têm aberto nos últimos jogos) é consequência da marcação HxH que o RV está a implementar.

Se bem li a coisa, acho que numa lógica de tapar caminhos para a baliza o NS e o Luisão, especialmente ele, é que têm uma movimentação prejudicial (pronto o Jardel se calhar podia também não estar a recuar e colocar o 'Bakar em jogo). Repara que a avenida central se abre quando o tipo do Porto (Corona?) flecte para trás e para a linha e o Luisão dá quatro ou cinco passos para ir atrás dele antes de perceber no que se está a meter e recuar. Aliás, neste lance o Luisão parece-me bipolar. Começa a marcar ao homem, recua para tapar os caminhos, tenta ir atrás do homem e depois volta ao posicional. Confusões dessas naquela defesa foram mato na segunda parte.

Felizmente o Lop é amigo, porque se o Ruben Neves estivesse a subir e não a descer era só correr por ali adentro até que o Samaris estivesse em posição de lhe dar um sarrafo...

Vítor Cruz disse...

Sem dúvida as grandes equipas (Barcelona Bayern, etc...) privilegiam o posicionamento entre linhas na sequência de desmarcações para destruirem a organização defensiva adversária. Iniesta, Messi, Xavi etc...fazem-no permanentemente em acção dinâmica. Para implantar o processo de jogo dinâmico entre linhas só é preciso ter jogadores com muito boa qualidade técnica (recepção, temporização, passe preciso no momento da pressão adversária e uma grande leitura de jogo. Aqui os interpretes contam muito...e claro o treino. Muito bom post para quem se interessa pelo jogo.

Paolo Maldini disse...

grandissimo post... nao se percebe o Lopetegui... ainda para mais vem ali do lado...

sobre o lance em causa, até podia n ser fácil logo nauele momento a bola entrar no Ruben ,mas pq sai ele do bloco...? e vai dar a mm linha de passe do central... ficava lá que acabava por receber...

mas n é só ofensivamente que é mt confrangedor... a incapacidade ou falta de vontade?! de pressionar de forma colectiva é inacreditável... neste jogo se algum central se lembrasse de ficar c a bola os 90' parece q ng se lembraria q poderia ir lá tirar a bola... pq... colectivamente n há mecanismos para essa pressão!

Não é o ADN do FCP nem do SLB! Pelo menos o dos últimos muitos anos!

mais uma vez Blessing, grande post!

Mário Torres disse...

Por falar nisso...é partilhar o 1º golo do Bayern contra o Wolfsburg!!!

Blessing disse...

Obrigado Maldini. de facto nem parece espanhol. muito estranho. enfim. vamos ver para onde vai, se muda o caminho, se continua a percorrer estes.

Vasco disse...

Foda-se e, vocês q são do Benfica não têm como fazer chegar isto ao RV? O gajo fez um genocídio naquela defesa, porra!

#SaudadesBenfica

iblog4u disse...

Muita parra epouca uva. Na teoria eu deveria ser uum homem rico, na prática sou um teso, isto porque fujo sempre do bloco adversário e jogo por fora de forma segura. E o mesmo se passa aqui.

Sempre ouvi a máxima: joga simples. Neste caso em particular, meter a bola no Ruben era entregá-la ao bandido. Em segundos estaria rodeado não de 2, mas 4 adversários e perderia a bola. Aliás como aconteceu em n lances durante o jogo.

Jogar entre linhas não tem de ser feito com passes de risco, tem de ser feito com o movimento dos jogadores e com passes "fáceis" para minimizar a possibilidade de perda de bola e saída do adversario em contra-golpe, ou esquecem o DNA do Benfica de JJ?

Eu critico o jogo "largo" do Porto, mas isto também não é solução. Aliás, nem a equipa está rotinada para tal.

Jorge Gaspar disse...

R.b. referi-me ao posicionamento do Jardel e do Eliseu porque deviam na minha opinião estar mais próximos dos outros 2 elementos defensivos. Não me parece que tenham naquele caso defendido hxh. Aliás naquele tipo de situação é normal vermos um elemento da defesa sair na pressão em antecipação ao passe, mas não daquela forma a nível colectivo

Jorge Gaspar disse...

Vendo melhor, parece que o N. Semedo está a marcar o Brahimi hxh, mas o Luisão sai apenas na pressão e recua qd o passe não é feito ou qd vê o comportamento do N. Semedo.
Tendo em conta a resposta que o Maldini me deu sobre o posicionamento do lateral no post sobre o city o N Semedo devia estar dd o inicio na posição que vai ocupar qd vai atrás do Brahimi, o Luisão está bem colocado, o Jardel e Eliseu deviam estar 10 metros mais próximos do Luisão cada na mesma linha que este. O André Almeida um pouco para dentro, como vértice esquerdo do losango Jonas, GG, AA, NS. O Samaris um pouco para lá do árbitro.

Unknown disse...

Creio que não é correto apresentar soluções ofensivas diferentes, descurando o posicionamento da linha defensiva do Benfica que certamente seria diferente. De retirar a excelente análise à movimentação do Ruben neves que também não me parece a mais correta. Continuação do fantástico trabalho

Sentinela um Estremecer disse...

Ver um lateral, num jogo tão especifico, com ordens para não deixar o extremo adversário ter tempo com bola (N.Semedo e Brahimi), concluir que isso é um HxH puro e, pior que tudo, extrapolar para a maravilhosa teoria de que o "treinador está a querer implementar o HxH" na defesa toda... é o que se vai passando (em alguns casos) nesta caixa de comentários.

Edson Arantes do Nascimento disse...

O que mais me impressiona é o constante espaço (enormeeeeeeeee, gigantesco) entre centrais cada vez que a bola entra no corredor. E sejamos honestos: tem acontecido em todos os jogos do Benfica. Ou seja, é um padrão. Ou seja, acontece porque é assim que o treinador "ensina". Que chatice.

Américo Nogueira disse...

Parabéns amigo, muito bom artigo, obrigado pela partilha. Forte abraço

Carlos disse...

e o Ruben Neves poderia fazer o mesmo que o Fernando fazia ?
é que talvez não sejam bem jogadores iguais ...

cobra2 disse...

A minha questão é: o Benfica está a apresentar comportamentos colectivos melhores?ou seja embora lento, nota-se algum progresso?

Na minha análise de amador, achei que existiu uma melhoria na reacção à perda da bola, e no controlo da largura. Em detrimento continuo a achar o controlo da profundidade mau, e a prova disso são as constantes situações de jogadores adversários isolados contra o Júlio César.

No ataque o que já foi aqui falado várias vezes, faltam muitas linhas de passe para quem leva a bola, principalmente no centro do campo. Do que compreendo também a distância entre a linha da frente e a linha defensiva (aqui incluo o A. Almeida e o Samaris) é enorme, dificultando o passe entre linhas.

LGS disse...

Blessing

"...enfim. vamos ver para onde vai, se muda o caminho, se continua a percorrer estes."

Já não posso ouvir falar em "caminho" páh!

PTM disse...

Não sei se estão interessados mas como é o assunto do Post aqui fica a análise do jogo entre linhas do Dortmund e como Weigl - 20 anos -tem jogado na posição mais importante no movimento de construção de jogo.

http://www.timpalmerfootball.com/julian-weigl-borussia-dortmund/

Blog de Portugal disse...

Excelente artigo. Nunca tinha pensado na perspetiva dos defesas, de levar a que os defesas deixem de controlar o jogo de frente para os espaços importantes.

E faz todo o sentido: se a bola entra no Brahimi, no seu posicionamento original da imagem, os DC estão mais confortáveis, porque vêm todos os espaços importantes de frente.

Mas se a bola entra entrelinhas no A. André, com Semedo a sair e a bola a entrar no Brahimi, bem colocada no espaço, já estão de frente para a sua própria baliza, não têm os apoios bem colocados, e tudo se torna mais difícil. Além de que apanhariam certinho com desmarcações de rutura nas suas costas.


Só queria acrescentar duas coisas, que parecem básicas mas super-importantes, ao jogo entrelinhas:

1 - O jogador que vai receber nesse espaço procurar estar +/- à mesma distância dos adversários, senão não cria a tal indefinição.

2 - O jogador que vai receber tem que conseguir olhar para o colega sem nenhum adversário no meio dos dois.


Além disso, trago para a discussão este aspeto: noutro dia o G. Neville afirmou que era importante os jogadores aparecerem nesse espaço entrelinhas e não estarem lá. Penso que se referia apenas ao espaço entre linha média e defensiva do adversário. Qual é a vossa opinião?

Nuno Silva disse...

no bayern ou no barcelona... o jogador aparece no espaço entre os centrais e médios, não está lá, não espera. e tanto pode ser um dos avançados como um dos médios, porque se de uma vez se movimenta um avançado a essa zona e o passe não sai, logo de seguida terá que ser outro jogador a fazê-lo.

há depois um outro movimento que não se fala tanto que é a atracção com bola. Com esta atitude, o jogador em posse da bola vai prender a acção defensiva de um adversário, não soltando a bola antes de lhe provocar uma deslocação... ao contrário do que vemos muitas vezes se fazer por pressa ou por falta de confiança com a bola. na verdade é quase um 1x1 controlado, com menor risco, o objectivo não é continuar com a bola, mas soltar no preciso momento em que o adversário vem fazer contenção.

Nas costas do movimento desse adversário é o sitio ideal para a bola entrar, ele desloca-se e a zona fica mais livre. com 2 jogadores fortes em posse é relativamente fácil fazer disto um carrossel, provocando sucessivamente as marcações, mesmo que nunca se faça um drible 1x1 com o risco de perder a bola. se consegues fazer isso na zona dos DC então fantástico se tiveres a equipa em bloco alto com apoios, alguém entra nas costas ou no espaço entre o lateral e o central assim que se deslocar.