segunda-feira, 28 de setembro de 2015

São as ideias e a sua operacionalização que definem a competência. Não os resultados.

Voltamos a um tema "polémico" aqui no blog.

Recuperando algumas passagens de um texto com mais de um ano, publicado aqui.

Como podemos nós afirmar que treinador Y é melhor que X, apenas porque venceu mais um ou dois campeonatos que o seu colega de profissão? Se os dois não estiveram no mesmo contexto, com as exactas mesmas armas, como podemos concluir que X é melhor que Y porque lhe venceu? O que nos diz que Y no contexto e com as armas de X não venceria também?

Desde o fenómeno Mourinho que os treinadores são tidos como deuses. Deuses no sentido de que as vitórias, e sobretudo as derrotas passam mais por si próprios do que por quem realmente joga o jogo.

Continuam os adeptos de futebol a ignorar que há adversários. Valorosos e que também condicionam todo o jogo.

"Ao treinador compete dar armas (organização) para que os seus atletas sejam mais do que individualidades no campo, mas que se saibam relacionar entre si, com princípios colectivos. Que ocupem o espaço e se movimentem com e sem bola, ofensivamente e defensivamente, de acordo com ideias comuns. Neste espaço valorizamos os que para além de conseguirem criar estes princípios, o façam em todos os momentos do jogo. Tratem todos os momentos com a devida importância, e que como tal tenham a equipa preparada para jogar o que o jogo der. Conseguindo isso, o melhor treinador do mundo pode perfeitamente perder com o pior. É que são humanos que jogam o jogo."

Quando se escolhe um treinador, deve-se sobretudo olhar para o seu modelo de jogo. Para os comportamentos da sua equipa nos diferentes momentos do jogo e se esse jogar encaixa na filosofia do clube. 

Mourinho era uma escolha certa para o FC Porto, não porque a União de Leiria havia somado muitos pontos, mas porque jogava com ideias de clube grande. Assumia os jogos em posse, era uma equipa agressiva em organização ofensiva, e controlava como poucas as transições e os posicionamentos em organização defensiva. 

Foi por isso que há nove meses atrás surgiram alguns posts sobre um "novo" treinador português. Aqui

"Paulo Sousa não é hoje um nome muito falado em Portugal. Todavia revela qualidades muito superiores às dos que vão sendo revelações por cá."

Chegou a eliminatória com o FC Porto e a derrota copiosa no Dragão, fez chegar muitas criticas. Afinal o treinador não era assim tão bom. Nada mais falso. E porquê? Porque não é por um resultado ou um troféu que se deve avaliar a competência do treinador! As ideias são as mesmas. Se são boas, não são as derrotas que determinam a qualidade do treinador. Alguém acredita que Guardiola ficaria nos primeiros quatro da Liga portuguesa servindo o Arouca? E nesse caso, não teria capacidade para treinar um grande? Se andasse pelo meio da tabela? E como poderiamos nós perceber que teria essa capacidade...? Pelas ideias que implementa, pois claro! Pela forma como a sua equipa se posiciona em campo e reage em cada um dos momentos do jogo.

10 comentários:

R.B. NorTør disse...

Maldini, viste o Dortmund este fim de semana? Aquela defesa foi um falhanço do momento, ou a ida a Munique vai ser um fartote de golos?

RS disse...

E se um treinador adaptar as suas ideias a esse mesmo contexto e, percebendo as fraquezas do plantel que tem, jogar p.e. em contra ataque espectacular num "pequeno" com bons resultados? Acham que isso é "vender-se" ou "deixar de acreditar no seu modelo"?

slbenfica disse...

Bom texto. O treinador vê-se pelas suas ideias, forma, método e organização.
O Sousa vem fazendo isso desde o Videoton, quando comecei a ter atenção ao seu trabalho...não sei como jogava antes.
O que aconteceu ao Mourinho nos últimos anos? Algo que não percebo...
Quem contrata os treinadores saberá ver, no seu todo, que é o treinador indicado para o seu clube? Muitas vezes não...contratam pelo nome, empresário etc... Por vezes, parece um meio fechado.

R.B. NorTør disse...

Isto hoje sai tudo aos bochechos. Ali em cima aquele fartote de golos seria de parte a parte, porque me parece que são duas equipas que encaixam tipo luva (os fortes duma no menos forte da outra).

RS, acho que há vários exemplos disso. Mourinho parece claro que se vendeu há uns anos largos; JJ o ano passado nos duelos com os adversários directos adaptou o modelo, que me parece ser o que querias dizer quando falaste em «deixar de acreditar».

DC disse...

Promete o duelo com o Sarri.

Rui Lança disse...

Bom artigo...mas não iria por ali.

Questões:

- Queríamos nós comparar quem é o melhor. Mesmo no mesmo contexto, com os mesmos jogadores, contra os mesmos, há sempre coisas que alteram. Se eu ganhasse um campeonato este ano com o clube A e com os mesmos jogadores que o treinador no ano anterior tinha perdido, eu não era melhor que ele. Eu tinha sido melhor que ele. Ao fim de quantos campeonatos teria de acontecer isso para eu julgar a pessoa e não o comportamento?

Porque há sempre questões de interdependência. O que eu faço altera algo que se faça amanhã.

É um pouco como a questão de liderança. Não se trata tanto de ser melhor ou pior, mas quais os contextos onde retiro melhores resultados ou desempenhos.

BlessedCarrot disse...

Eu introduzo como adicional:
- liderança de grupo (balneário , direcção)
-de relação com adeptos
- relação com a imprensa
- reação a adversidades

B Lochrian disse...

Boa tarde,
faço este comentário não para que seja publicado mas sim para chamar a vossa atenção para o facto de n'a minha lista de blogues' estar um link nitidamente criado por alguem sob a influência de qualquer coisa, e que diz (o link) 'Badalhoco de carvalho & peido da costa...'. Sinceramente, isto nem no Record ...

anabela_mendes disse...

"Quando se escolhe um treinador, deve-se sobretudo olhar para o seu modelo de jogo."

ah... Maldini... isso era ter tanta esperança na qualidade dos nossos dirigentes... :)

João Fernandes disse...

Nada mais correcto anabela_mendes e a prova disso é o facto do Fernando Valente não estar em nenhuma equipa.