sábado, 17 de outubro de 2015

Jogar bem e ter oportunidades.

Não é só a generalidade dos adeptos que não tem a noção do que é verdadeiramente jogar bem e justificar o lugar. Ou ter oportunidades.

Há poucos dias atrás Bebé, afirmava "Penso que merecia mais. Se não tiver oportunidades não consigo mostrar valor".

Tal pensamento parte logo de uma premissa errada e demonstra desde logo a percepção que o português tem do jogo. Acabando quase desde logo por justificar ter tido poucos minutos. Totalmente diferente de não ter tido oportunidades para mostrar valor.

Bebé pensará que não teve oportunidades porque não faz ideia do que é jogar bem. Tal como noventa por cento das pessoas que até seguem futebol não o fazem. Bebé crê que se tem jogado mais minutos poderia ter feito um golo num dos seus fortes remates, e como tal jusficaria jogar mais no encontro seguinte e por ai diante.

Acontece que jogar bem não tem nada a ver com acertar com uma bola na baliza ou fazer um passe para golo, ou roubar quatro bolas. Jogar bem é estar bem na larga maioria de acções em que intervém. Com bola e sem bola. Bebé poderá fazer dois golos de antologia no mesmo jogo mas se em todas as outras acções decidir mal, passar mal, perder a bola, ou mesmo não a perdendendo, com a sua decisão afastar a equipa do sucesso, Bebé terá feito um jogo de nível fraco. Porque fez dois golos, mas impediu a sua equipa de poder fazer mais nove ou dez. 

É isto que ainda hoje tantos jogadores não percebem. As oportunidades eles têm. Todos os dias têm oportunidade de mostrar no treino ao treinador que são melhores que os colegas. Essa é a verdadeira oportunidade. Colocar alguém em campo apenas porque de X em X tempo um remate seu pode terminar no fundo da baliza, quando em todas as outras acções só prejudica, não é uma questão de mera fé do treinador. É mesmo parvoíce. 

Todos os dias Bebé tem oportunidade de mostrar valor. Mesmo que não ao grande público. Se não mostra é porque o valor que tem não será o que pensa que tem. 

E justificar jogar ao fim de semana tem tudo a ver com mostrar que consigo em campo a equipa está mais próxima de lá chegar. Porque sabe decidir. Sabe aproximar do sucesso. E não porque ocasionalmente até faz um bom passe ou um bom golo, passando o restante tempo a somar disparates.

12 comentários:

Joao Migueis disse...

Excelente análise!
O exemplo de Bebé é perfeito mas na minha opinião, a exibição de Mehdi Carcela Gonzalez no Vianense-Benfica, também assenta como uma luva nesse perfil:
Um golaço de primeira e alguns lances vistosos "para a bancada"; somados a um acumular de erros e más decisões...
Parabens e continuem o bom trabalho!

José Lopes disse...

Parece que alguns jogadores ainda não intendem que teem é de se mostrar nos treinos...

João Fernandes disse...

A exibição dele na visita do Rayo ao Camp Nou de hoje ajuda a perceber isso. Mesmo sem ser rigoroso na contagem, tenho a certeza que os dedos de uma mão chegam para contar as acções do Bebé que aproximaram a equipa do sucesso. Outro exemplo é o do Bangoura, também ele muito rápido, muito forte fisicamente mas com uma taxa de acções inteligentes muito reduzida. Uma pena que o fantástico modelo de jogo que o Paco Jémez idealiza, tenha que ser interpretado por jogadores tão fracos ao nível das boas decisões e ao mesmo tempo tão fortes nas decisões que afastam a equipa do sucesso.

Aza Delta disse...

Mas a questão é? quantos treinadores são capazes de identificar isso num jogador? Serão poucos os que exigem esse tipo de "show-off" dos jogadores?

O próprio Jesus ostracizou o Ola John pq n agitava o jogo da forma que ele queria, a título de exemplo.

joao marçal disse...

João migueis até que enfim vejo alguém a concordar comigo. No perfil dum comentador da sportv quando digo que este é um dos piores jogadores que já vestiu a camisola do Benfica tal como o Talisca senti-me sozinho a defender essa opinião

JFC disse...

E o cristante e o djuricic porque nao tem oportunidades? Maldini, qual e a tua opiniao sobre o guedes? Abraco e obrigado

Pedro disse...

A minha pergunta é sobre o caso inverso. Quando um jogador decide a maioria das vezes bem, pelo menos nas vezes que joga, e ainda assim fica de fora? Posso estar enganado mas o André Martins parece um caso assim.

Paolo Maldini disse...

JFC, a verdade é que o Cristante o ano passado qd jogou foi mt mau! Eu sei q dizem q tem potencial e tal... mas nos j q jogou o ano passado, era o principal criador das equipas adv! Sp a perder bolas para a transição! Lembro-me de um jogo, q até acabou 0-3 em Penafiel... q esteve mt complicado graças as acções dele.

Djuricic tem mt talento, mas tb n mostrou nada q se visse! Pouquissimo agressivo com e sem bola! (com - tocar rápido, decidir rápido, virar rápido)

Sobre o Guedes... estou a descobrir! Podia ser mais irreverente ao estilo do Gelson... mas claro q tem mt potencial! é mt mt mt novo!

Paolo Maldini disse...

Para concluir, JFC, isto não significa que não tenha potencial (quem trabalha com eles saberá!) mas o rendimento qd tiveram oportunidades foi sp mt mt abaixo (na minha opinião)

R.B. NorTør disse...

O Cristante para mim só é surpresa porque a mais valia dele, o passe longo, encaixa que nem uma luva naquilo em que se tem visto o Benfica a fazer desde a pré-temporada.

O Bebé é uma anedota, mas na hora de «escolher» jogadores, orçamentos dos clubes também contam e não esquecer que este Bebé que se queixa de falta de oportunidades já passou por ManU e Benfica e está longe de ser uma «jovem promessa».

Quanto ao Carcela, não vi o jogo, mas como a generalidade da imprensa diz que esteve muito bom, eu tendo a acreditar que é mais um adepto do paradigma...

ReD_WinG disse...

Hint para este post: Trocar o nome Bebé por Talisca. De nada!
E tendo este texto como premissa, como se entende a preferencia de JJ pelo Chuta-Chuta em detrimento de Nolito?

gsus disse...

Bastante pertinente o post, todos os jogadores têm oportunidade nos treinos de demonstrar se são realmente capazes de tomar as melhores decisões para a equipa. A minha pergunta é, será que temos profissionais competentes para identificar esses momentos nos treinos/jogos?

Vou dar o meu exemplo prático, durante 19 anos joguei futebol, fiz formação numa das grandes escolas e joguei vários anos na 3ª Nacional nos patamares mais altos da Regional. Durante anos e anos, fui "promessa" mas nos últimos anos o conflito mental Treinador/jogador fez com que tomasse a decisão de deixar como jogador. Isto porque se como jogador antes de ser treinador era o típico jogador de 1x1, 1x2, 1x5 se fosse preciso e quando comecei a treinar cheguei À conclusão que estava a sobrepor me aos valores da equipa tendo por isso mudando aos poucos a minha forma de estar dentro do campo. O que vi foi que à medida que ia crescendo no jogo e na equipa, ia "descrescendo" individualmente e perdendo protagonismo, perdendo o lugar isto aos olhos dos adeptos e treinadores. Isto acontece nestas divisões, mas também nas superiores e sobretudo na formação. Damos importância a acções individuais "vistosas" em detrimento da decisão inteligente. É urgente mostrar às crianças que formamos que o caminho para o sucesso é saber distinguir a criatividade de individualidade (conceitos muitas vezes baralhados pelos próprios treinadores).

Concordo por isso com o post e opinião, mas num mundo utópico onde os treinadores têm realmente a capacidade de distinguir o Bebé do André Martins. No mundo real, continuamos a formar "wannabes" de Quaresmas quando deveríamos procurar formar Iniestas, Modrics ou Gotzes, jogares com qualidades individuais, criatividade mas acima de tudo, que usem essa capacidade em prol da equipa, em prol do jogo.