domingo, 25 de outubro de 2015

O papa derbys

Últimos 6 anos

15 Jogos, 10 vitórias, 4 empates, 1 derrota
27 a 6 em golos.

Presente época

2 jogos, 2 vitórias, 4 a 0 em golos

A sua percentagem de vitórias e de forma tão clara em termos de domínio e controlo é de tal forma assombrosa que na Luz já havia quem pensasse que os derbys seriam (ou teriam de ser) vitórias garantidas. Quando nos anos antes à sua chegada ao Benfica, o Sporting já há alguns anos que dominava o seu rival...

P.S. - Entretanto na televisão discute-se a falta de qualidade dos laterais do SL Benfica. No café onde vi o jogo discutia-se a falta de um eventual discurso motivador de Rui Vitória no balneário. Enquanto houver tanta falta de conhecimento sobre o jogo, este blog vai fazendo sentido...

P.S. II - O SL Benfica passa de ter tido nos últimos seis anos a maior percentagem de vitórias da sua história pós década de sessenta para...


P.S. III - Em vinte minutos de derby O Sporting fez mais golos na Luz que os que havia somado nos seis anos anteriores.

P.S. - IV - Um habitual comentador televisivo que andara meses a fio a elogiar os méritos do Benfica e a ver defeitos em tudo o que era do Sporting, de repente lembrou-se de afirmar que o Sporting não é melhor que o Benfica, mas sim muito melhor. Teria piada perceber-se esta opinião com base num resultado, quando antes não fora capaz de perceber as transformações em marcha. Teria piada... não fosse esta pessoa chamada para comentar... jogos de futebol. Assim, é apenas a realidade do que temos em Portugal.

52 comentários:

Furtivo disse...

Desde há três meses atrás que o Benfica não tem fio de jogo, é das coisas mais visiveis depois de Jesus ter passado pelo clube.

Koboi disse...

Posicionamento defensivo do sporting impecável, sempre preparado para sair em ataque rápido ou contra-ataque.
Já do outro lado, o contrário. Benfica ataca como se estivesse no treino e o exercício voltasse ao início quando perdiam a bola...

Vasco disse...

E o que achas das 3oportunidades 3golos?
O Benfica entrou fortíssimo e não marcou 2vezes por Jonas porque não calhou.

R.B. NorTør disse...

Xii Maldini o que foste fazer! Então não falas do aspecto futebolísitco do minuto 70? Claro que com aqule minuto 70 ainda o Benfica vai fazer coisas bonitas. Nunca te esqueças que o Benfica está vivo e que o caminho se faz caminhando.

E que é preciso é pôr um jogador que mexa com a equipa, o treino é acessório.

R.B. NorTør disse...

Vasco..., desculpa lá a franqueza mas vai pastar caracóis! O Benfica tem duas ocasiões onde? Quantas vezes é que o Benfica entrou na área do Sporting só com o Patrício pela frente? Remates de longe em desespero, por muito perto que passem da trave não são ocasiões de golo, são desespero e é nesse modo que o Benfica joga desde que RV tomou conta do clube.

Se o Benfica tivesse a noção do que é defender o natural seria o jogo acabar empatado. Só que o Benfica não tem noção disso. Nem de defender nem de atacar. Se o único critério para se treinar o Benfica é dizer umas frases feitas, gostar muito do clube e ter um livro escrito, então eu posso ser treinador porque tenho um conto numa colectânea...

O que se passou hoje, e no Dragão e na Supertaça e em Instambul é a regra do Benfica é a regra do Benfica no novo paradigma do futebol encarnado: com equipas organizadas e cujo treinador perceba um bocadinho da poda, o Benfica leva na boca. E só não levará quando a qualidade individual fizer a diferença, casos do Estoril e do Moreirense.

Dennis Bergkamp disse...

Ponto prévio.

O que se vai dizer a seguir não tem rigorosamente nada a ver com nomes, com cores de camisolas ou com resultados finais.

Posto isto,

Uma equipa que circula 90% das vezes por fora, em segurança já que os adversários estão a defender o corredor mais importante (por ter a baliza), circula com mais facilidade e tem um aparente dominio do jogo.

Isto cria 2 problemas:

1º e começando pelos ofensivos que são mais bonitos. Circulando por fora, ficamos mais longe do objectivo, que é por a bola naquela coisa que está no corredor central chamada baliza. Para além disso, a maneira como a bola lá chega, acaba por ser muitas vezes a partir de um cruzamento e é sabido que "no ar, a bola é de todos". Sendo assim, atacar desta maneira cria uma falsa sensação de dominio do jogo, já que se tem a bola mais tempo, mas ao mesmo tempo não ajuda assim tanto na criação de situações de finalização, já que o adversário tem tempo para estar mais do que preparado para isso.

2º, defensivamente. A falsa sensação de dominio, e de espera pelo cruzamento faz com que se tenha "menos linhas" em campo, isto é, os jogadores estão dispostos em 3 ou 4 linhas, ao invés de 5 ou 6 ou as que forem. Menos é pior do que mais. A defender então, o adversário se tiver menos linhas para ultrapassar, está mais próximo de nos criar problemas.

Para "ajudar" a isto, se o que acontece mais, na "esperança" de criar uma situação de finalização é um cruzamento, estamos muito mais expostos ao erro, sendo que Erro = perda de bola.

Perder a bola com poucas linhas para defender... tem um potêncial de perigo muito muito grande.

O cruzamento já foi aqui martelado muitas vezes. Tentando explicar como se a malta tivesse 4 anos, um cruzamento é uma espécie de passe longo, que faz com que o nosso colega tenha poucas hipoteses de receber e finalizar, sendo que muitas vezes o tem de fazer de primeira.

Finalizar de primeira é mais dificil do que com toques de preparação
Finalizar com uma espécie de passe vindo do nosso lado, é mais dificil de finalizar com um passe frontal, ou em condução
Finalizar em inferioridade numérica é ainda mais díficil.

Custa então a perceber a opção por este tipo de maneiras para construir situações de finalização, mas este jogo não foi um episódio único, nem a equipa que optou por isto está sozinha no mundo.

Mais uma vez, este comentário não tem a ver com resultados, cores de camisolas ou de nomes dos defesas laterais ou dos treinadores ou de seja quem for.

Sandro Barbosa disse...

Eu por acaso acho que a leitura das oportunidades está a ser um bocado mal feita, e Samaris tocou precisamente no ponto. É uma questão de qualidade. No geral o jogo foi equilibrado, podia perfeitamente ter acabado 0-0. O problema é que quando o Sporting foi lá marcou, e o Benfica não. Isso é claro, mas porquê? Porque as probabilidades de concretizar não eram iguais.

Teo marca num 1x0, Slimani está num 1x1 com Luisão e Ruiz marca num lance de recarga, mas onde remata sem oposição (e já existia igualdade numérica no primeiro remate).A forma como Sporting cria estas situações pode ser discutida, mas o facto é que de todas as situações de finalização no jogo, mesmo que não tivessem entrado, estas continuariam a ser aquelas que teriam mais probabilidade de dar golo. E deram. Do lado do Benfica há uma em que Jiménez ganha uma bola junto à linha e faz o 1x0, mas Patrício é rei nesta situação. De resto foi remates fora da área e\ou em condições desfavoráveis.

Resumindo, "podia" ter acabado empatado. Mas é precisamente no "podia" que está incluída a probabilidade de sucesso (não só, mas também) das acções ofensivas. E como o Sporting teve mais probabilidade, teve mais sucesso.

João Duarte disse...

Bergkamp, segundo o que dizes, essas verdades são tão evidentes que me levantam uma dúvida: como é q o RV faz uma carreira sem chocar com essas verdades, e como é ninguém no clube vê isso?

Vasco disse...

R.B concordamos com os teus 2º 3 º parágrafo. Os 2remares do Jonas não contam? Aquele de 1ª e o remate arrasar a barra é desespero porquê? Ainda há o do Jimenez na 2ª parte, mas só me estou a referirem aos primeiros minutos. A DEFESA DO BENFICA É UMA MERDA, fazendo duvidar ainda mais da qualidade do quarteto defensivo. CERTO. Mas, vamos ter calma com a linguagem porque é mais que um facto q os 3 golos foram fortuitos e gratuitos. E quando assim é, parece-me abusivo falar em lição táctica.

Vasco disse...

Bergkamp, nunca te contrariei e creio que nunca o farei. Mas o teu post só mais me ajuda a explicar o quão fortuito foi mais um dos golos do Slimani....

Nuno disse...

Joao Duarte, o decisor ou decisores no Benfica nao percebem de futebol! A contratação do Jesus parece ter sido um acidente, um feliz acidente!

Daniel Soares disse...

Boas! Alguem tem link para o jogo completo? obrigado

GBC disse...

Tens razão, mas é verdade que a qualidade individual do Benfica é baixa. Tal como a qualidade no banco (equipa técnica) também é baixa, parece-me.

Sílvio, Eliseu, A. Almeida, G. Guedes... nenhum destes tem qualidade (para já) para ser titular no Benfca. E só 1 (Eliseu) o era com Jesus. Depois Jardel e Jimenez... têm de fazer mais.

João Fernandes disse...

Por curiosidade, como é que se chama o tal comentador televisivo?

Tiago disse...

Como Sportinguista, fico feliz por o presidente do benfica se ter deixado convencer pela conversa dos Pedros desta vida.

Paulo Sérgio Portugal Malheiro disse...

José Parv....digo Marinho!

Filipe Rocha disse...

Bom dia. Sou um leitor do vosso blog à algum tempo. Mas é a primeira vez que me dirijo a vocês e aproveito, desde já, para dar os parabéns pelo blog. Agora quanto ao artigo, quando li:

"P.S. - Entretanto na televisão discute-se a falta de qualidade dos laterais do SL Benfica. No café onde vi o jogo discutia-se a falta de um eventual discurso motivador de Rui Vitória no balneário. Enquanto houver tanta falta de conhecimento sobre o jogo, este blog vai fazendo sentido..."

Julgo ser um dos que consideras ter desconhecimento sobre jogo. Gostava que me explicassem qual a qualidade que encontram no lateral esquerdo (Eliseu) e se, é ou não um jogador à Benfica. Quanto ao Sílvio não considero mau (até pelo contrário), mas esteve muito tempo parado e o Nelson Semedo considero talvez dos melhores jogadores que actuou no Benfica essa época. Depois, o Gonçalo Guedes, na minha opinião ele ajuda imenso o processo defensivo (e faz bem) mas a atacar é mau e o Benfica joga com um só verdadeiro extremo de qualidade (Gaitan). Para mim, enquanto o rendimento desses jogadores assim for, o Benfica não se vai colocar no rumo da glória.
Sinceramente, ou não percebo nada de futebol e peço que me expliquem, porque é que a equipa do Benfica joga sem controlo, objectividade ou mesmo foco quando as coisas não correm bem. A ideia de jogo como equipa parece que desaparece e que se espera que o Benfica seja "salvo" por individualidades como Gaitan ou Jonas. Será o Rui Vitória na vossa opinião capaz de continuar o legado de Jesus com esse novo paradigma?

DM disse...

@Vasco o Slimani cruzou numa situação de 1x1 com o defesa. Não foi um cruzamento para Slimani +4 defesas e 1 médio na área. É essa a diferença.

@Bergkamp, se não te importares vou usar o teu comentário para responder a alguns colegas benfiquistas que continuam a achar que o Sporting ganhou porque teve pontaria e não porque apresenta um modelo de jogo muito superior ao do Benfica de Vitória. E já agora, a alguns sportinguistas que adoravam o Marco Silva porque jogávamos pelo campo todo e faziamos 30 cruzamentos por jogo :D

Pedro disse...

Este blog faz muito sentido porque mais de 90% das pessoas não percebe um caracol de futebol. Dizer-se que o SCP ganhou porque lhe correu tudo bem é... simplesmente redutor. Ontem assistimos a um banho táctico monumental.

Mas pronto...

Abraço

Marcos Goncalves disse...

Quando vejo hipocrisias destas:
"Remates de longe(...) por muito perto que passem da trave não são ocasiões de golo"
perco logo a vontade de comentar... mas vou abrir uma excepção.

A unica coisa que pergunto ao autor da frase é: fosse isto um jogo do campeonato holandes, com equipas que não puxam pelo factor emocional e que nos levam a toldar o racicionio, será intelectualmente honesto dizer que um remate que passa a 1 metro (ou menos) da baliza não foi uma ocasião de golo?

É que vejo por ai muita boa gente, incluindo aqui no LE, a discutir "as maravilhas da posse de bola e aquilo que fazemos com ela", "as jogadas de futebol apoiado" versus aquilo que o Sporting fez com apenas 5 contra-ataques, em que apenas dois foram venenosos e deram golo. E em 3 golos 2 foram obtidos via ressaltos, que deixa sempre aquele sabor do 50%-50%, que não sabemos qual a maior parte: sorte ao trabalho de casa.

Ás vezes vejo verdadeiros "bota-abaixo" ao trabalho de Mourinho, por apostar num futebol defensivo e destrutivo, vivendo apenas de contra-ataques, bla, bla, bla... e hoje pelos vistos esse tipo de futebol é expressivo de aquilo que o jogo deve ser, pelas mãos do Messias na terra: Jorge Jesus.

E quanto temos elementos que sejam intelectualmente superiores a um qualquer tipo de conversa que ouviu no café, faz-me perguntar se esse individuo de facto treina algum clube de topo onde pode mostrar a qualidade do seu intelecto. Como bem sei que não, por aqui fico...


Pedro Simões disse...

Gostaria que comentassem a jogada do 3.º golo do Sporting e relação aos posicionamentos de André Almeida e Samaris...

Está aqui a imagem: http://2.bp.blogspot.com/-RanWyD-rpYw/Vi4L-k9PuUI/AAAAAAAAEZw/gobILcf1-FQ/s320/SLB.jpg

Leão no Porto disse...

Marcos Goncalves

- Pelos vistos não consegue perceber o conteúdo do post (ou mesmo do Blog) e da forma como a "sorte" surge no jogo ou o que são ocasiões de golo criadas e pensadas ou as fortuitas/esporádicas.

Em relação ao último parágrafo... Pode-se perceber muito de um assunto sem ter que necessariamente ser um mestre a executar (pelas mais variadas razões) Ou acha que os críticos de arte, cinema, comida, música etc são todos Picassos, hitchcocks, Jamie Olivers e Bethovens?

Perceber de um tema ou conseguir pô-lo em prática da melhor maneira são coisas completamente diferentes

Benfiquista Primário disse...

E lá veio o banana do Rui Derrota falar em 'lances fortuitos', em 'infelicidade' e no facto do 'futebol ser assim'...

Lances fortuitos???? Por definição, o que é fortuito acontece de vez em quando, não à meia dúzia de vezes em TODOS os jogos. O que é fortuito nunca se torna uma regra.

Destruíste uma equipa que atacava como um carrossel e defendia como um harmónio, Rui Derrota.

Desmantelaste um processo defensivo que era citado pela Europa do futebol, Rui Derrota.

Fizeste das bolas paradas ofensivas uma perda de tempo e das defensivas um aí Jesus, Rui Derrota.

Transformaste um patrão da defesa e eterno capitão numa barata tonta que dá várias casas por jogo, Rui Derrota.

Proibiste o jogo interior e criaste a marcação homem a linha lateral e homem a bandeirola de canto, Rui Derrota.

Deste a um clube médio um título e uma vitória na Luz como já não tinham há 82 anos, Rui Derrota.

Temos 3 derrotas em 8 Jornadas, Rui Derrota.

Uma delas com o Arouca, Rui Derrota.

Faz um favor ao teu clube, Rui Derrota: demite-te.

MaxiBeça disse...

Desde o inicio da temporada que se nota claramente que o Benfica é medíocre na primeira fase de construção. É um acumular de perdas de bola absurdo. Os centrais não são fortes nisso, e aquela dupla de médios centro nem se percebe bem qual é o objetivo. André Almeida? Haja paciência. O rapaz é esforçado mas física e tecnicamente não apresenta capacidades para ser titular. Depois com laterais como Silvio e Eliseu, meu senhor. O primeiro passa tanto tempo no estaleiro, que quando volta parece que vem da distrital. O segundo, a nível posicional é simplesmente horrível.
E depois quando chegamos aos últimos 40 metros do campo, é bola no extremo e toca a cruzar para o avançado referencia. Isto é futebol do século passado. Jogadas pelo meio, só quando Gaitán pega na bola e faz uma arrancada a descair para o centro. De resto não há jogo por aí.

Muito, muito fraco. Precisa-se de um 8 capaz de transportar jogo e que reaja à perda da bola, coisa que o Pizzi nunca vai fazer a nível aceitável. E especialmente, precisa-se de um treinador decente.

É natural que a malta diga que o Sporting teve sorte e que correu tudo mal ao Benfica. Até acaba por ser verdade, afinal de contas no primeiro e terceiro golos marcam com ressaltos. Mas a sorte somos nós que a fazemos, e o Benfica pouco fez.

Cosimo Damiano disse...

Passo por aqui muitas vezes mas raramente comento.

Hoje faço-o para agradecer aos escribas deste blog tudo o que me ensinaram.
O argumentário que é usado por adeptos do meu clube (dos outros também mas só me preocupo com o Benfica) para justificar a diferença colectiva abissal no jogo de ontem poderia perfeitamente ser o meu antes de, em boa hora, ter encontrado este blog.

Peço-lhes também que continuem pois, como é dito no post, enquanto o jogo for tão mal entendido, mestres como vocês são preciosos.

Muito obrigado, senseis do Lateral Esquerdo.

Viva o Benfica!

António Gomes disse...

"(...) será intelectualmente honesto dizer que um remate que passa a 1 metro (ou menos) da baliza não foi uma ocasião de golo? (...) "

Para rir?

Já dizia Pedroto: um remate à barra ou aos postes era um remate mal executado...

Luis disse...

@Nuno: recordo-me claramente de ler os jornais da altura em que Jesus se falava para o Benfica. Jesus não foi para o Porto porque Jesualdo foi campeão apesar de não deslumbrar, longe disso. Não era uma decisão fácil para o Porto tetra-campeão despedir um treinador tri-campeão. O Sporting acabaria por nesse ano manter Paulo Bento, após quatro segundos lugares, mas só sobreviveu até ao início de Novembro.
Jesus era claramente um treinador a mostrar toda a sua valia, com excelente trabalho em Belém, consolidado em Braga, com mais um excelente trabalho. O Benfica vinha de uma época com resultados "assim-assim", com um Quique Flores correto no discurso e fraco tecnicamente (será Rui Vitória uma reencarnação de Quique? ver: http://www.dn.pt/desporto/benfica/interior/quique-flores-aplaudido-de-pe-no-adeus-ao-benfica-1242521.html).
Jesus acabou por ser a opção óbvia para o Benfica ou para qualquer outro grande português. A sorte do Benfica e da sua direção, foi mesmo o contexto em que tudo aconteceu, porque as pessoas que contrataram Jesus foram as mesmas que contrataram Quique Flores e agora Rui Vitória, com todas as diferenças técnicas existentes e já mais do que analisadas aqui no Lateral-Esquerdo. O grande mérito da direção do Benfica foi ter segurado Jesus depois do tri do Porto com Villas-Boas e Vítor Pereira. Este ano falharam. A perda de Jesus só poderia ser colmatada com um treinador contratável com provas dadas de ser capaz de o derrotar e de dar ao Benfica um futebol com estilo dominante e seguro: Vítor Pereira. Não consigo vislumbrar outro.
Posso estar enganado, mas este ano parece-me que o Lopetegui não tem um plantel suficientemente bom para esconder algumas das debilidades do seu modelo de jogo, quase todos os jogadores do plantel, apesar de serem bons, são piores do que os do ano passado. Por outro lado, o Sporting ganhou ontem um novo fôlego após os problemas da eliminação da Champions, da fraca prestação na Liga Europa e da questão da renovação do Carillo. O Sporting tem agora via aberta para fugir sozinho para o título e neste aspeto, os "velhadas" que Jesus foi buscar (Gutiérrez, Aquilani, Ruiz) podem ajudar muito a equilibrar o plantel. Um pouco à imagem do Benfica do ano passado, também muito trintão.
O Rui Vitória, pelas declarações de ontem, veio reforçar que mesmo com os problemas à vista desarmada de todos, está a assobiar para o lado, culpando a sorte e os ressaltos para o desastre que foi ontem o jogo. Quando os jogadores deixarem de acreditar nele e começarem a correr menos, pelo avolumar da diferença pontual, o problema vai ser a falta de entrega. O aspeto positivo é o tempo de jogo que está a dar a alguns jovens. Mas isso paga-se caro... A manter-se este clima também se vai embora aplaudido com 20 pontos de atraso. Isto é um pouco como a história dos sapos que não saltam da panela à medida que a temperatura vai subindo até cozerem. O Benfica vai piorando, lentamente, os resquícios do trabalho de Jesus chegam para segurar algumas coisas boas, as más vão-se instalando. Aquela defesa... nem tenho palavras para descrever como se está a degradar, parece que o problema é o Eliseu, tal é a forma como está a ser crucificado.
É interessante olhar para a história e ver como ela se repete.

R.B. NorTør disse...

Vasco, os remates a rasar que me lembro, excluindo o do GG onde aí é má decisão do jogador, são de desespero porque configuram jogadas onde com oposição de um ou mais defesas e longe da baliza, o portador/receptor da bola opta pelo remate.

Isto seria mais fácil de explicar ao vivo e a cores, mas vou tentar: não digo que o jogador estivesse de facto desesperado, mas entre a opção de furar e tentar aparece isolado e a opção do «cá vai disto», o Benfica neste momento só não usa a segunda quando está a ganhar por dois ou mais. Claro que isto faz com que seja muito mais difícil. Isso e a aposta terrível em cruzamentos. Até se poderia apostar em cruzamentos se se conseguisse sistematicamente situações como a do segundo golo do Sporting, em que o Slimani no coração da área nem tem de tirar os pés do chão. Cabeçeou mas podia ter recebido e fuzilado, tal as facilidades. O comentário do Sandro explica isso muito bem.

Os golos do Sporting de gratuito só tiveram a forma como o Benfica os ofereceu. Se foram fortuitos foram daquela sorte que dá muito trabalho, coisa que o Benfica não tem.

NSC disse...

Luís: é simples, não é? Mas ainda assim há quem não perceba.

R.B. NorTør disse...

Marcos, não sei quantos jogos do campeonato holandês vês, mas não são desprovidos de emoção, são é desprovidos de qualidade. Um remate emocionante não é o mesmo que um bom remate, não é necessariamente uma situação de golo clara. Num comentário noutro post coloquei um link para uma notícia do Guardian onde citam o que uma empresa de estatísticas futebolísticas usa como definição. Basta dizer que de acordo com essa definição, se um remate de Jonas fosse ao ferro e se o remate do Bryan fosse ao ferro (em vez de ser golo), só o segundo era considerado uma ocasião clara de golo desperdiçada.

Porquê? O Sandro já explicou ali em cima, eu já tentei, a malta do blog anda aos anos a explicar.

Paulo Sérgio Portugal Malheiro disse...

Uma análise ao Fcp x Braga? O Braga desistiu de atacar? Estratégia ou necessidade?
O Fcp criou chances suficientes para marcar pelo menos um golo...No entanto, nota-se que o setores estão desligados, a posse de bola é estéril e os problemas do ano passado mantêm-se!

Marcos Goncalves disse...

Leão no Porto

Percebi muito bem o alcançe do artigo e também do blog. Não é o meu 1º rodeo por aqui. Só critico a dualidade de critérios, quando vejo algumas pessoas (humanas como nós) a argumentar de forma emocional de acordo com as suas preferências. E tivesse eu disponibilidade para tal, enumeraria diversos artigos que li nos últimos meses que endeusavam um determinado tipo de futebol e mandavam abaixo outro. E já sei qual é a argumentação base: "o que interessa é o conjunto de decisões que se tomam com a bola, para se chegar mais perto do objectivo final"... Nunca disse estar em desacordo com ela, mas exigo coerencia em relação ao que se passou ontem na Luz. Não houve banho de bola, houve aspectos do Sporting melhor trabalhados mas no geral não vi um desepenho táctico com que tentam endeusar Jesus (e antigamente era com Guardiola). E tudo isto achando que a sorte no jogo é 100%, repito 100%, causada por essa decisões. O que efetivamente não concordo.

Em relação ao seu argumento sobre comentadores, partilho exatamente desse ponto de vista: uns são artistas porque dominam a arte... Quem não domina mas apenas "gosta", limita-se a comentar. E muitas vezes é o que por aqui se faz.

PS - E repito, até que alguem me desmonte o racicionio, que é intelectualmente desonesto dizer que um remate perto não é uma possivel situação de golo (remate esse resultante de um conjunto de decisoes tomadas em função da situação de jogo, bla, bla, bla a lenga-lenga do costume que por aqui se usa na "estrada" que chega à baliza). Há poucos meses havia por ai algum artigo em forma de fellacio a Messi que usava essa argumentação: o argentino tinha no seu arsenal um remate colocadissimo, que aumentava o rol de situações de golo que causava ao lonog de 90min...

Marcos Goncalves disse...

R.B. NorTør,

Acho que percebeste bem o que quis dizer em relação ao campeonato holandes, mas vou traduzir para ajudar: não fosse o caso de envolver equipas da nossa predileção e treinadores da nossa predileção (como é o caso de Jesus por aqui), que se calhar seriamos todos mais racionais na análise do que efectivamente se passou.

E respeito essa análise q apresentaste. Só é pena ser usada aqui no blog pelos autores e comentaristas, apenas conforme dá jeito. Mas farei questão no proximo artigo de fellacio a algum Messi ou Guardiola de invocar novamente este tema e ai quero ver o que argumentam...

Acredita que a minha critica não se foca apenas no agora, mas com a linha editorial do blog que de vez em quando desvirtua, conforme a personagem que pretendem por no pódio...

Marcos Goncalves disse...

"Os golos do Sporting de gratuito só tiveram a forma como o Benfica os ofereceu."

Podes trabalhar posicionamento do jogador para situações de recarga, mas trabalhar um ressalto e direção da bola não. É ridiculo dizer que o ressalto é trabalho de casa...

RG disse...

"É ridiculo dizer que o ressalto é trabalho de casa..."

De facto o ressalto não é trabalho de casa. Mas por acaso ocorreu-lhe que mesmo que não houvesse ressalto,continuava a existir uma grande probabilidade de dar golo, porque o jogador estava lá para dar o último toque?

Por acaso reparou que se JC não toca na bola, tocaria Teo e faria na mesma o primeiro golo? Por esta ordem de ideia também deve considerar sorte, o facto da defesa de JC no 3º golo ter colocado a bola nos pés de Ruiz, mas por acaso reparou que se por exemplo Slimani fosse mais "jogador" e, tivesse qualidade no passe, ao invés de ter rematado podia ter colocado a bola em Ruiz que continuaria a estar numa situação de 1x0 e até mais favorável?

A sorte existe porque se trabalha para a ter. A sorte no euromilhões só aparece a quem joga, neste caso sorte na marcação de golos aparece a quem está na zona onde os pode fazer.

Bruno Pereira disse...

Marcos Gonçalves,
Vou então perder 2 mins a desmontar o raciocínio intelectualmente "desonesto".
Nem todos os golos advém de situações claras de golo. Um remate não enquadrado, com defesas à frente, do meio do nada, que dê golo é uma ocasião clara de golo? Não é. Caso não percebas, vamos extremar. Um GR defende um remate; ao pontapear a bola, esta sai enrolada para trás e dá golo. Era uma situação clara de golo? Se ainda não percebeste, não vale a pena.
O SLB teve uma ocasião clara de golo pelo Jimenez(e mesmo assim fortuita).
Foi um baile de bola porque o SCP controlou SEMPRE o jogo. O SLB jogou o que o SCP deixou q o SLB jogasse (bolas nas laterais e pouco mais...). Se quiseres continuar a aprender, continua a passar aqui, caso contrário, o Visão de Mercado é bueda bom pra ti ;)

R.B. NorTør disse...

Pronto, devias ter falado do campeonato albanês ou assim!

Claro que o ressalto não se treina, mas a forma de evitar que um adversário lá esteja para o aproveitar treina-se. Pelo menos parece-me que é isso que dizes. Ou no caso do Benfica, devia-se treinar. Voltamos sempre à mesma lenga-lenga: o Júlio César teve mais adversários isolados na cara dele nos primeiros sete jogos do campeonato, do que ele e o Artur juntos a época passada toda. O Benfica tem, em paralelo, menos capacidade de entrar na área adversária. O Benfica não consegue ter a sorte de golos de ressalto como os do Sporting ontem, porque simplesmente não consegue colocar ninguém em posição de poder ter sorte.

O banho de bola táctico que ocorreu ontem foi o mesmo que ocorreu na supertaça e que o Benfica só não levou ainda do Belém, que foi simpático e não colocou dificuldades. Só quem não tem visto o Benfica este ano se pode permitir ficar chocado com o que se passou.

Olha a Vitória em Madrid, se o Oliver, que estava a esfrangalhar o meio campo do Benfica, continua em campo, achas que o Benfica segurava calmamente o jogo?

escritor de pacotilha disse...

Marcos:

o 1o golo do Sporting nasce de um posicionamento do Adrien que não é inocente - pressionar o André Almeida, sem dúvida o mais fraco médio do Benfica a construir jogo, e rapidamente queimar a linha defensiva do Benfica com um passe para onde nem Luisão nem Jardel a buscariam. É verdade que há um ressalto no pé do Teo, mas se Júlio César não chegasse antes à bola era golo na mesma (vá, com 90% de certeza).

O 2o golo nasce de uma jogada que aqui é muito criticada por quem não percebe que o cruzamento não foi para ser disputado: Slimani poderia ter recebido, dominado e rematado com o pé (tivesse ele capacidade para tudo) porque tinha uns bons 3 metros quadrados à sua volta para o fazer. Este cruzamento é um passe para o espaço e nasce do conhecimento de que a defesa do Benfica, e nomeadamente os seus centrais, andam às aranhas.

Pode referir que no 3o golo é sorte que a bola vá parar ao pé do Bryan. Certo, mas nega que há mérito na reacção e no posicionamento do costa-riquenho?

O Wenger, que sou insuspeito de gostar muito, é que a sabe toda: a sorte no futebol não existe; o que existe é uma incapacidade de alguns em ver, processar e fazer melhor que os outros, nomeadamente nos ressaltos.

Marcos Goncalves disse...

RG, contei dois "ses" no raciocinio: um para o Teo e outro para o Slimani. Como eu funciono com factos que tiveram lugar e não com "ses", os mesmos são futorologia desastrada para quem quer dar a volta ao texto.

Bruno, obrigado pela parte que me toca, mas hoje em dia já pouco se aprende aqui, no entre10, posse de bola e na visão de mercado. Como em tudo na vida, existem artigos bons e maus.

Não confundas fanatismos de opiniões com quem apenas te está a dar outra perspectiva sobre o mesmo assunto. Respeita a minha e eu respeito a tua.

Gonçalo Matos disse...

1o golo do scp, teo esta em 1x0.
Segundo golo do Sporting o sli e teo estão em 2x3 na área.
3o golo, há um 2X2 e depois ruiz fica em 1x0.
Há quem ache sorte ou coincidência. O Benfica teve uma.oportunidade de jeito, um 1x0. De resto foi 0.

RG disse...

"RG, contei dois "ses" no raciocínio: um para o Teo e outro para o Slimani. Como eu funciono com factos que tiveram lugar e não com "ses", os mesmos são futorologia desastrada para quem quer dar a volta ao texto."

Meu caro não falei em futurologia....falei em coisas concretas. Não havendo ressalto, havia 99% de dar golo na mesma. Infelizmente abrir os olhos torna-se complicado quando não o queremos fazer.

O melhor então é ficarmos com análise "real" do jogo: O SCP teve muita sorte, nada fez para marcar 1 golo quanto mais 3. Se a sorte fosse ao contrário o SLB não só tinha ganho, como até construído uma goleada história, como? Não se sabe, pois tirando no lance de Jimenez ao min 70 só dei por Patrício quando o jogo acabou e foi agradecer ao público.

Quanto a remates desenquadrados serem oportunidades de golo, quando era jovem e jogava o FIFA 97 contra amigos, os meus passes do meio campo que eram mal direccionados e, iam ter ao GR, apareciam na estatística de final de jogo como remates à baliza...como eu ficava contente, mesmo perdendo, com isso. Sempre dava para falar em azar com a ineficácia. Infelizmente o jogo de ontem foi real e não no FIFA 97.

Romário quando fala de Pélé é que tem razão...

R.B. NorTør disse...

RG, o problema do Rui Vitória é que é mais velhot e e jogou esse portento que dava pelo nome de Italia90. Quem jogou percebe!

RG disse...

R.B. NorTør,

O Itália 90.....esse portento que tanto tempo me tirou :D

Paulo Matias disse...

Antes de mais, queria dar-vos os parabéns pelo excelente blog, muito útil para malta como eu que quer aprender mais qualquer coisa sobre esta história do futebol...

Li com alguma atenção o que se foi escrevendo por aqui sobre o derby e gostaria de deixar apenas umas notas:

- O segundo golo do Sporting acontece ao terceiro cruzamento em 20 minutos, isto em 4 ou 5 abordagens à baliza do Benfica, um desses cruzamentos foi do Slimani que descaiu para a ala.
- Aos 5 minutos, há um cruzamento do Silvio para o Jonas em tudo idêntico ao do segundo golo do Sporting, a diferença é que o Jonas executa mal e o Slimani não.
- Entendo que o Benfica tenha sido estrategicamente empurrado para as alas, mas ao rever o jogo, conto pelo menos 4 situações de perigo junto à baliza de Patricio nos primeiros 20 minutos em que bastaria a "sorte" que Teo teve no primeiro golo para que tudo fosse diferente, os jogadores estavam lá, o Jonas por 3 vezes (o cabeceamento, o tal remate de execução difícil e um cruzamento do Gaitan de primeira em que a bola passa a centímetros do Jonas), a outra foi o André Almeida à entrada da área a rematar em rosca.
O meu ponto é, perante situações emocionais idênticas, até que ponto esta estratégia mais tarde ou mais cedo não daria resultado... É apenas um "se", naturalmente...
- Após os primeiros 20 minutos de jogo, concordo que houve um autêntico banho de futebol, era incrível como havia sempre espaço para os homens de verde e nunca havia espaço para os de vermelho.

Sobre o Rui Vitória, na minha visão do futebol não acredito que seja um treinador incompetente ou fraco, aliás, não sei se concordam, mas irrita-me um pouco como se banaliza de forma tão ligeira qualquer agente envolvido no mundo do futebol, aquela teoria do bestial a besta e vice versa...
Acredito que esteja a sentir bastantes dificuldades em se adaptar a uma realidade completamente diferente, para além de que Jesus está naturalmente numa posição privilegiada quando defronta o clube onde trabalhou 6 anos e em que o novo treinador tem apenas 4 meses de trabalho.

Mas um treinador que já lançou no campeonato Português jogadores como Diogo Figueiras, Bruno Gaspar, Paulo Oliveira, João Amorim, Josué Sá, João Afonso, Nelson Semedo, Bura, David Simão, Cafu, Andre André, Tiago Rodrigues, Pizzi, Josué, Bernard Mensah, Ricardo Pereira, Hernâni, Alex, Alexandre Silva, Valente, Marco Matias, Ivo Rodrigues... E nem vou falar de Nuno Santos e Victor Andrade que ainda não os considero lançados, nem sei se alguma vez serão... Nem mesmo o Gonçalo Guedes que teve 30 minutos (??) no ano passado... E sempre com os respectivos objectivos desportivos cumpridos! Desculpem, mas não pode ser fraco.
Acredito que se ninguém se precipitar, Rui Vitória vai acabar por demonstrar a sua competência, ainda que o contexto seja diferente, o trabalho feito em Guimarães foi simplesmente fenomenal, ninguém desaprende assim de um momento para o outro, quanto muito pode ou não conseguir adaptar-se a contextos diferentes!

R.B. NorTør disse...

Paulo, nem o trabalho em Guimarães foi fenomenal nem o que se passou no Domingo foi um caso isolado. O que se passou em Guimarães? As expectativas eram baixas, o clube não era obrigado a ganhar nem a assumir jogos e qualquer ponto ganho era uma vitória. Quanto ao trabalho no Benfica, as fraquezas e forças são genericamente as mesmas desde o início da pré-temporada. Se alguma coisa mudou foi uma maior insistência em colocar a bola em Gaitán. Tirando Gaitán do jogo tiras o Benfica.

Outro ponto onde discordo de ti é na questão da competência. Por muito crítico que eu seja, acho RV um treinador muito competente. Ele é é fraco, para o clube onde está. Na questão da competência ele tem sido muito competente a colocar a equipa a defender como ele quer e a atacar como ele quer. É o conceito de futebol dele que não se ajusta aos objectivos do Benfica. Nesse aspecto ele já demonstrou quer a sua competência quer o quão desajustado está da realidade que o rodeia.

Paulo Matias disse...

Discordo sobre a avaliação que fazes ao trabalho feito em Guimarães, não eram só as expectativas que eram baixas, era o orçamento também... Basta olhar para a lista de jogadores que ai coloquei em cima.
Resultados? Qualificação para a Europa 2 vezes em 3 anos e uma Taça de Portugal.
A minha grande dúvida é se apesar de todos estes erros que vocês, e bem, identificam no futebol do Benfica, será isto apenas uma questão de tempo, até ele conseguir finalmente implementar as suas ideias de jogo e integrar-se neste novo contexto de equipa grande, com toda a pressão que isso implica?
Custa-me avaliar o trabalho de um treinador assim com tantas certezas após 4 meses de trabalho, só isso.

R.B. NorTør disse...

Paulo, eu estou longe de ter certezas, mas a regressão no Benfica é de tal ordem que até aqui o ceguinho as vê. Infelizmente quando falas de 2 qualificações para a Europa ignoras que uma delas foi por via dessa tal Taça de Portugal e não pelo que fez no campeonato, aí, exptuando um ano, o Vitória não passou da banalidade. Meter uma lista de jogadores que ele "lançou" e misturar aí os jogadores de 3 clubes também tem muito que se lhe diga. O que é isso de lançar? É dar minutos de jogo por dar minutos de jogo, ou porque o orçamento simplesmente não dá para mais? Se é isso, então como disse noutro comentário, qualquer catapulta serve...

Eu sou crítico do trabalho em Guimarães não porque seguisse a carreira do Bitória, mas porque dos jogos que via do Guimarães (que é como quem diz, jogos com o Benfica e o ocasional jogo com o Porto), nunca vi nenhuma ideia de clube grande. Nesse sentido, tinha bem mais futebol de grande o Paços do Paulo Fonseca, por exemplo. E isto independentemente do resultado! Aquela Taça que ele ganha ao Benfica, sem os erros individuais clamorosos (o chamado erro não forçado do ténis), com o Artur à cabeça, se calhar estaria noutra vitrina, ou não? Revê esse jogo e diz-me, onde estão essas ideias de clube grande que o Bitória meteu em campo.

Isto leva-me para o dar tempo ao treinaddor. Não compreendo bem essa conversa do implementar "as ideias dele", porque acho que parece mais um não querer ver. Se o Benfica ataca e defende de uma forma radicalmente distinta do que fazia no passado, se ele já leva 3 meses de treinos, se os problemas em vez de desaparecerem se mantêm e em alguns casos crescem de jogo para jogo, as ideias de jogo são de quem? Não Paulo, as ideias do RV estão mais do que implementadas, nós os benfiquistas é que nos recusamos a aceitar que elas sejam as do Benfica.

João Fernandes disse...

Paulo Matias, por mais transcrições, explicações ou exemplos que os autores deste blog possam dar-te, continuas a teimar em querer pertencer à elevada percentagem de pessoas em Portugal que fazem justificar a existência deste blog, tal como é referido no artigo.

Paulo Matias disse...

Mais uma vez, não concordo com essa desvalorização do trabalho feito no Guimarães, aproveitou os erros dos adversários nessa final da Taça? Também o Ruiz e o Teo aproveitaram este domingo, certo? Não esquecer que eliminaram também o Braga nesse percurso.
Com o orçamento disponível, foi simplesmente fantástico a quantidade de jogadores vindos do CNS e equipa B que ele lançou no futebol profissional, assim como conseguir nos 3 anos estar sempre bem longe da classificação onde provavelmente vão andar este ano com um investimento superior na equipa...

Quanto ao futebol que a equipa mostra atualmente, concordo com a generalidade do que aqui leio, a única situação em que volto a insistir é na possibilidade de existir um problema de adaptação a um contexto diferente, a uma pressão diferente, a um balneário diferente, etc etc.

João Fernandes disse...

Paulo diz: "Quanto ao futebol que a equipa mostra atualmente, concordo com a generalidade do que aqui leio, a única situação em que volto a insistir é na possibilidade de existir um problema de adaptação a um contexto diferente, a uma pressão diferente, a um balneário diferente, etc etc."

Definir como "problema de adaptação a um contexto diferente" a criação de um modelo de jogo onde não existem movimentos de aproximação ao portador da bola, deixando o mesmo complemente ao abandono, onde tanto os laterais como o avançados não são instruídos para aparecer nos espaços interiores ou mesmo para baixar no espaço entre linhas ou onde é definido que deve tentar ocupar o máximo de espaço no terreno possível quando não se tem a posse, é uma opção válida como todas as outras, já que não existe certos nem errados no futebol. Mas existem formas que aproximam mais as equipas do sucesso do que outras.

R.B. NorTør disse...

Paulo eu não desvalorizo o trabalho do Guimarães, só acho que o trabalho que ele fez no Branquinho não justifica de forma alguma que lhe metam um Benfica nas mãos. Não é uma questão de ser bom ou mau, é uma questão de para um clube como o Benfica não serve, não chega, é pouco.

Repara, o Benfica não teve frente ao Sporting um jogo mau, o jogo frente ao Sporting foi simplesmente mais um jogo mau, a juntar ao outro jogo frente ao Sporting, ao jogo com o Estoril, ao jogo com o Arouca, ao jogo com o Moreirense, ao jogo com o Galatasaray ou ao jogo com o Porto. Mesmo nos jogos com o Astana e o Paços a equipa esteve longe de ser brilhante. E mesmo a vitória histórica em Madrid, a minha parte benfiquista aceita já ganhar todos os jogos assim até à final, mas tenho o realismo de perceber que aquilo resolveu-se não pelo tipo de sorte que dá trabalho, mas pelo tipo de aleatoridade que tanto faz com que a moeda caia de caras ou de coroas.

Proponho-te um exercício simples. Olha para o Benfica agora e escreve num papel três ou quatro coisas que queiras ver a equipa a fazer daqui a sete jogos. A condição é, a equipa vai perder esses jogos, mas tu queres dizer que ao menos viste uma evolução. Depois de fazeres isso, recua ao início do campeonato e aplica essa lista de requerimentos. Agora compara a evolução do Benfica nesses 7 jogos. Como conclusão responde, de uma forma sustentada à pergunta "o Rui Vitória precisa de mais tempo?".

Baresi disse...

O Benfica não é o Vitória...