domingo, 4 de outubro de 2015

Todos queremos a bola. Mas só uma equipa a pode ter.

Desde o início do blog que se tenta passar uma visão diferente do tradicional jogo de futebol, tão comum na década de noventa. Tão comum em tantas equipas ainda na presente data!

Sobretudo o ênfase nos processos colectivos. Na forma como as equipas se movem em conjunto. Como o movimento ou opção de X determina o de Y, o de Z, etc. O ênfase na tomada de decisão do portador da bola. O procurar as superioridades. Decidir de acordo com a situação de jogo que mais aproxima a equipa do sucesso, independentemente da "fama".

Independentemente das armas (individuais) o foco sempre no processo ofensivo. Se a tomada de decisão é de excelência (como deve de ser sempre!), a posse acentua-se. O período que passas com bola é maior. Acentua-se o controlo e o domínio com bons princípios ofensivos. A sorte protege os audazes, diz-se. E querer ser ofensivo independentemente do adversário é uma virtude que é mais vezes recompensada que as que acaba por ser quem escolhe o caminho sem bola. Quem escolhe o caminho de jogar apenas em organização defensiva, e oferecer a bola após a recuperação, para que não se sujeite à transição ofensiva adversária.

Todavia, é um erro clamoroso pensar-se que por se dar maior ênfase, maior foco nos momentos ofensivos, se pode descurar o defensivo. É um erro tremendo crer-se que porque se quer ter sempre a bola, os processos defensivos podem ser rudimentares. Há uma bola para duas equipas! Mesmo que ofensivamente sejam ambas fabulosas, quando se defrontarem, alguma ou ambas, terão menos bola que o habitual!

Os melhores são capazes da excelência em todos os momentos! Mesmo que passem bem mais tempo nos ofensivos que nos defensivos! 

É errado pensar-se que preparar uma equipa de excelência nos processos ofensivos requer todo o tempo do mundo e que como tal, os momentos defensivos não são trabalhados. Afinal, retiraram tempo de treino ao que mais importa. Nada mais falso! Depende sempre da capacidade do treinador em operacionalizar o que idealiza. Mas, que treinador competente não consegue / não integra mais do que um momento do jogo nos seus exercícios? Como se treinando a organização ofensiva, não implicasse treinar organização defensiva ou transições em simultâneo!

Naturalmente que há e haverão sempre os treinadores de uma escola mais tradicional, que optam por exercícios mais padronizados, sem oposição para chegar onde quer. Naturalmente que quem o faz, trabalha cada momento, cada fase, cada situação de forma separada e ai naturalmente que pensará que ser mais ofensivo implica retirar competência / tempo de trabalho no defensivo. Também naturalmente que tais treinadores, tal como os que apenas preparam a sua equipa para um ou dois momentos do jogo, ou preparando para mais, não mostram excelência em tais situações, não são tidos por cá como de topo do futebol mundial. 

Na foto não apenas o treinador que quer e consegue! ter a bola sempre consigo. Mas também o treinador que mais controla todos os momentos. A melhor transição defensiva do mundo. Porque a seguir à posse, haverá golo ou perda. Na foto quem revolucionou todo o jogo. Deus Guardiola.

7 comentários:

Miguel Pinto disse...

"Os melhores são capazes da excelência em todos os momentos! Mesmo que passem bem mais tempo nos ofensivos que nos defensivos!" Maldini

Acrescento, mesmo que a bola teime em entrar ou mesmo que ela entre na nossa baliza porque o processo, esse está presente, está instituído, está assimilado, mesmo que o resultado seja por vezes adverso e possa contaminar a mente dos mais cépticos. A aparente simplicidade 'dessa' ideia de jogo dá muito trabalho, sobretudo na desmistificação de certas crenças enraizadas na mente de muitos jogadores. De facto chego à conclusão que muitos deles não passam de umas autênticas marionetas que vão entretendo os seus treinadores à medida das suas fantasias ou devaneios futebolísticos tão somente porque mudam a sua "filosofia" de jogo como quem muda de camisa. Mas a vida é assim mesmo, e apenas agradeço aos (poucos) que ousam mudar esse paradigma porque dá um gozo tremendo assistir a espectáculos como aqueles que, por exemplo, o bayern de Pep Guardiola nos brinda semanalmente.

Excelente post

Abraço


Mágico Gonzalez disse...

Grande post ;)

A ideia da Posse, hoje em dia para muitos continua a ser associada a coisas "vitais", como quem comandou o jogo, quem teve a bola mais tempo, quem isto, quem aquilo, mas negligencia-se a Inteligência Emocional de quem tem a bola em Posse e com ela decide. Esse teu ultimo parágrafo diz muito, quase tudo, sobre a evolução do Jogo hoje em dia: Jogo Padronizado X Jogo Emocional. A Posse não é o fim em si, é o Meio com o qual se atinge um fim e o importante, para mim e que partilho contigo de opinião a 1000%, é que do modo mais básico e, entretanto, subestancial do jogo como eu o vejo, da Perda da Posse so surgem possibilidades, ou de re-ganhar a bola e com isso abrir outro tipo de espaços, linhas, opções ou até criar situações de constragimento á baliza adversária ou situações das quais surgem comprometimentos (que se querem de curta escala) á nosa organização. Tudo são possibilidades que abrem portas e, na minha opinião, só quem tem medo é que não as abre. Viver num mundo padronizado, sem influência emocional detriora a essencia de quem ali habita, dado que não ha evolução associada á alteração do contexto. Guardiola veio, no seguimento de muitos outro que outrora o fizeram e de bandeira em punho a liderar muitos que ainda o fazem, apresentar o não-medo, o não-conformismo e sobretudo o resultado pelo risco do não-resultadismo em primor do Bom Futebol. Medo de pensar ninguém tem, medo de arriscar alguns têm, medo de ter sucesso ao fazê-lo, muitos.

Vasco disse...

O QEQ É ISTO CRLH?!

http://paradigmaruivitoria.blogspot.pt/search/label/José%20Mota

Rui Lança disse...

No meu próximo livro...estarão lá! :) No doutoramento tb.

Abraço

MPinto disse...

@Vasco

Isso é um blog satírico

emanuel melo disse...

off topic: Depois de tanto elogiarem o trabalho de Fernando Valente, o mesmo já arranjou emprego. Fantástica escolha dos dirigentes do clube dos Açores, o Santa Clara. Vamos ver se lhe é dado tempo e espaço para poder cimentar as suas ideias.

Paolo Maldini disse...

Abraço, Rui :)