sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A evolução dos jogadores de futebol. Processo de treino mas também predisposição do atleta.

"Aboubakar mostrou características importantes, a humildade e a inteligência para aprender" Lopetegui.

Tanto se disserta sobre potencial dos atletas e a forma como uns chegam mais longe mesmo apresentando menos potencial, e tantas vezes se ignora um catalizador determinante para a evolução. A personalidade do jogador. A sua predisposição para a aprendizagem. A capacidade para ouvir e reproduzir o que é proposto.

Não há potenciar ao máximo se o processo de treino não é cuidado. Se não promove as repetições em número suficiente dos vários estímulos. Se não envolve intensamente na tarefa o jogador. E tudo isto é obrigação do treinador quando planeia o treino. Não haverá evolução individual quando o estímulo (em tempo e variabilidade) é reduzido.

Há, porém, tantos os casos de quem tendo tudo para lá chegar, se fecha no seu umbigo, insdisponível para aprender, ou para se ligar ao colectivo. Experiências anteriores bem sucedidas (que porventura poderiam ter sido ainda mais bem sucedidas se o conhecimento do jogo e das suas próprias capacidades fosse maior) são sempre um factor determinante em quem se fecha no seu jogo, ignorando processos conjuntos ou ensinamentos (movimentos sobretudo, mas não só) novos. 

Quem se fecha, geralmente até tem carreiras agradáveis. Porque o faz, sobretudo porque sabe que tem qualidade. A questão é, até onde poderiam chegar tantos bons jogadores, se a predisposição para evoluír fosse como a de Aboubakar segundo os relatos de Lopetegui?

Numa era em que desde bem cedo todos os meninos, mimados pelos pais, têm demasiada pressa, ignorando que nem todos têm as mesmas capacidades para lá chegar, e que o futebol é um jogo altamente selectivo, saber esperar, aproveitando a espera para trabalhar, ouvir e evoluír é uma virtude tremenda. 

5 comentários:

Paulo Reixa disse...

Nélson Oliveira e Vuckecvic, acho, falaram sobre o assunto.

É uma questão pertinente, o confronto entre o que o jogador julga que sabe ou consegue fazer e o que os treinadores julgam na mesma medida.

Será uma questão de humildade do atleta e a respectiva vontade de aprender e evoluir ?

O Bryan Ruiz, diz que o jogador que mais o impressionou foi o João Mário, pela qualidade futebolística mas também pela capacidade de saber ouvir.

Cpts

Gonçalo Matos disse...

E o JJ diz que O Ruiz tem uma Capacidade de aprender e executar também Impressionante

Blessing disse...

Enorme post!

Filipe Freitas disse...

Que grande post, mais uma vez! Cada vez mais se começa a ver logo nos primeiros anos de formação a capacidade, ou não, de um jogador para aprender e tentar executar o que é proposto.

Aí já se começam a formar egos, ou seja os pseudo vedetismos dos atletas. E é aqui que muitas vezes, atletas com grande capacidade de trabalho dão o salto para a próxima etapa na sua formação. Enquanto que outros com mais qualidades mas capacidade de ouvir e trabalhar inferior se vão mantendo por este patamar.

Um exemplo espetacular de como o futebol de alta competição pode influenciar os jovens futebolistas em formação

Blog de Portugal disse...

Para quem lida com jovens de qualidade, próximos de chegar uma primeira ou segunda liga, isto é tão verdade! A evolução dos que ouvem e tentam cumprir e dos que não o fazem, é uma diferença que pode ser assustadora.

No caso dos portugueses, lá está, tem muito a ver com os (pseudo)egos, os empresários e pais a encherem a cabeça de merdices, a personalidade do jogador e até a educação que (não) teve em casa. Este tipo de jogadores nem se apercebe do mal que faz a si próprio.

E mesmo para quem lida com jovens mais novos, mesmo em divisões inferiores, é também verdade.

Se há muitos Tonys por aí fora em bons campeonatos, existem uns poucos Quaresmas por aí. E estes últimos, na sua grande maioria, ainda podiam ser muito melhores, enquanto os Tonys não dão mais que o que mostram.