sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Deus Guardiola

Alguns continuam a pensar que contra o Bayern a opção de baixar é sempre do adversário. Há quem até pense que Guardiola é hoje um treinador que está mais rendido ao jogo directo. Pode-o ser algumas vezes, mas na maior parte do tempo percebe-se o trabalho que o melhor treinador da história tem para meter o adversário no último terço. A organização ofensiva do Bayern, ou o ataque posicional como lhe gostam de chamar agora é assustadora!

Vamos quando os outros estiverem todos, ou quase todos, atrás da linha da bola. GR+2+3+5


Da próxima vez que virem um central solicitar um extremo na profundidade pensem que Guardiola pode querer uma de duas coisas:

 - Acelerar o processo de conquista de espaços (profundidade), colocando mais rapidamente o adversário no último terço, e por consequência mais longe da sua baliza. E aí, percebes o porquê de os extremos temporizarem, fingirem que vão para cima quando na verdade estão a esperar que os colegas subam e se coloquem no meio campo ofensivo, para aí sim começar a atacar a baliza. 

 - Como tem jogadores muito fortes no 1x1, caso se proporcione essa situação, dar liberdade aos extremos para quebrar o adversário. 

Deus, só ele

13 comentários:

Ricardo Abreu disse...

Desculpem a pergunta, sou leigo nisto, mas assim não abdica da transição ofensiva ou a transição ofensiva neste caso é o ataque posicional?

fabio disse...

Ricardo abreu,neste caso na transiçao ofensiva,guardiola dá prioridade á segurança,ao temporizar e manter a posse de bola para a equipa atacar em bloco

Filipe disse...

Ricardo, transição ofensiva não é sinónimo de contra-ataque rápido. Transição ofensiva é simplesmente o processo que sucede a recuperação da bola e antecede a organização ofensiva. Pode ser feita de forma rápida ou neste caso, a temporizar, deixar a equipa subir e o adversário descer.

No mesmo raciocínio, a transição defensiva nao é necessariamente correr para trás. Aliás, neste Bayern é simplesmente sufocar instantaneamente o portador da bola de forma a recuperá-la longe da baliza. Outras equipas preferem descer imediatamente entrar logo no momento de organização defensiva. Pep nao trabalha muito a sua organização defensiva por isso mesmo: tem uma transição defensiva tão forte e como está a maior parte do tempo em organização ofensiva, que as suas equipas só estão em organização defensiva num pequeníssimo espaço de tempo.

Jorge Carolo disse...

Sempre a procura de mais e mais.

Único!!

http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=581224

Hélder disse...

Então se a TD é forte, não será porque é trabalhada e bem?

Blog de Portugal disse...

Apesar de haver um padrão no seu jogo, para mim o Bayern é a equipa mais difícil de decifrar, de analisar.

Isto porque faz sempre adaptações conforme o que irá fazer o adversário, e mesmo durante o jogo faz normalmente 2/3 alterações na dinâmica ofensiva da equipa.

Vi o jogo contra o Arsenal e lembro-me perfeitamente que aos 8/10min entrou logo ali um plano B, em que o Muller começou a ficar muito mais no centro, parecendo praticamente 2 AVs com o Lewa, e se não me engano era o Lahm a subir muito mais. Mas o porquê disso, não faço ideia.

É de certeza a pessoa que pensa o futebol mais à frente em todo o mundo. Sem dúvidas. Por isso é que é quase obrigatório ver o Bayern.

Filipe disse...

É, o Pep trabalha-a muito. isso é inclusivamente realçado no livro do Martin Perarnau sobre o 1º ano do Pep no Bayern.

Cantinho de Todos disse...

A TD do Guardiola é forte pq "é trabalhada e bem" mas tb pq o momento anterior (Org. Ofensiva) é caracterizado por muita posse que "obriga" o adversário a recuar e a cansar-se com permanentes basculações. Assim no momento da perda existem um conjunto de situações que facilitam a TD do Bayern:
- equipa adversária ganhou a bola mas está cansada;
- equipa adversária ganhou a bola mas n tem referências ofensivas para efetuar a TO o leva a que muitas vezes simplesmente se chute para os centrais ou GR do Bayern;
- o Bayern aproveitou o tempo de posse para subir todas as linhas tendo sempre muitos jogadores perto da zona de perda para condicionar as ações do adversário.

Em relação à TO do Bayern penso que a mm é facilitada pelo facto de a maioria das equipas optarem por não pressionar o portador da bola e limitarem-se a fazer basculação. Se virmos o video mm nas transições mais apoiadas o Arsenal limitou-se a ir baixando que é o que a maioria das equipas fazem. Ao "eliminar" o contra-ataque do adversário basicamente retira aleatoriedade ao jogo principalmente pq na grande maioria das ocasiões tem para além da superioridade coletiva uma enorme superioridade individual (nem é o caso contra o Arsenal).

Miguel Pinto disse...

Uma ideia parecida com outros intérpretes é a de Laurent Blanc.

Veja-se o vídeo (psg vs r.madrid) neste blog que também gosto de ler, a partir do min. 2.35'. Também parece um GR+2+3+3+2, coisa pouco vista, mas o que interessa são mesmo as dinâmicas criadas pelo deslocamento dos jogadores em função do portador da bola. O PSG foi muito forte no corredor central, na forma como ganhou e criou condições para chegar perto do golo. O lance que falo, não fosse a má decisão do di maria, redundaria numa clara situação de golo do maxwell.

http://segunda-bola.blogspot.co.uk/

Abraço

Zizou disse...

O jogo com o Arsenal é um hino de futebol ofensivo, um jogo posicional sem paralelo em mais nenhuma equipa no planeta desde o Barcelona de... Guardiola.

http://i.imgur.com/2tnaErD.png

Nunca um treinador conseguiu proporcionar comportamentos colectivos tão elevados nas suas equipas. Guardiola tem um modelo de jogo superior a qualquer outro, mas é igualmente fora de série na operacionalização do mesmo.

Enquanto por exemplo Mourinho está loucamente à procura dum caminho para voltar às vitórias, Guardiola procura novas formas para continuar a ganhar e de forma cada vez mais imperial e dominadora.

Guardiola é um idealista, inovador e perfeccionista. E como quase todos os que assim são, no tempo em que vivem normalmente não são entendidos ou verdadeiramente valorizados pela maioria. Mas a história nunca falha e no que toca a Guardiola o lugar dele está reservado, e como pratica o futebol do futuro, em 20 ou 30 anos será visto como o maior revolucionário do futebol moderno.

Abraço
Zizou

Blessing disse...

Zizou, acrescento zero! Perfeito.

Filipe disse...

Sim, de facto ao ver este Bayern sentes que há ali uma fluidez de processos extraordinária, muito difíceis de prever. Estão lá os princípios base que aprendi ao ler este blog e outros blogs. Mas enquanto que vendo outras equipas com bons processos (Fiorentina por exemplo) já consigo analisá-los e percebê-los em grande parte, ao ver este Bayern tenho uma dificuldade enorme em definir por completo o modelo. Como se tratasse de um quadro abstrato, em constante mudanças mágicas, a roçar cada vez mais a perfeição.

Antonio disse...

Acho curioso que dois dos melhores treinadores da actualidade, terem sido extraordinários médios: Guardiola e Paulo Sousa.
Obviamente que tenho de salvaguardar as óbvias diferencas que existem entre um mestre e um aprendiz, mas Paulo Sousa só agora começa a ter matéria prima para poder dar largas à imaginacao