domingo, 8 de novembro de 2015

Jogar a 10? Nao é para mim - Lewandowski


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Robert Lewandowski, agora jogador do Bayern Munique, revelou que quando estava no Borussia Dortmund se sentiu frustrado com Jurgen Klopp por este não o ter colocado a jogar a avançado.

«O Borussia expressou interesse em mim depois do meu primeiro ano no Poznan. Quando saí, depois da segunda temporada, queria dar o próximo passo…mas, infelizmente, estava a jogar no papel de 10. Estava muito chateado porque queria jogar na frente», começou por contar o jogador em exclusivo à edição de Dezembro de 2015 Four Four Two.

A revista revelou, esta quarta-feira, um excerto da entrevista e o jogador admitiu que depois percebeu o motivo que levou Jurgen Klopp a colocá-lo nessa posição.

«Só no ano seguinte é que percebi o quanto aprendi nessa posição. Disse a mim mesmo: “Tornaste-te um jogador melhor”. E depois compreendi o motivo pelo qual o treinador me pedir para jogar a 10, fez-me um jogador mais completo», terminou. 

O avançado leva, esta temporada, 17 golos em 16 jogos com a camisola dos bávaros e é um dos futebolistas mais falados do momento na sua posição. 



Acontece com jogadores de todas as idades. Tantas e tantas vezes que existem azias inacreditaveis, com jogadores a refilar, pais de jogadores a refilar, porque o jovem ou a criança não está a jogar na posição que mais gosta. 

Quando o que se trata nisto, mesmo em adultos como o Lewandowski, é tentar fazer com que o jogador viva experiencias que o vão tornar melhor. Mesmo que em alguns casos o rendimento da equipa sofra com isso. 

O jogador, dentro das posições em que pode jogar, tem experiencias diferentes, com solicitações diferentes.

Uma criança que apareça para jogar, que perceba zero do jogo, o mais certo é começar por jogar a avançado. E não porque se acha que dentro de 10 anos vá ser avançado, ou que seja a sua melhor posição naquele momento... mas porque para a aprendizagem do jogo, tem coisas simples no inicio para fazer : Dar linha de passe a frente da bola, e pressionar que nem um doido quando os defesas tiverem a bola.

De seguida, o mais normal é a criança passar a jogar a central, não porque va ser central dentro de algum tempo, mas porque vai conseguir ver o jogo de frente, e normalmente tem mais espaço para jogar. Espaço = tempo que precisa para controlar a bola e decidir.

O caminho seguinte sera jogar num dos corredores, para ter mais pressão do que a defesa, mas ainda assim que o estimulo só venha de um dos lados. Por fim, jogar no meio, onde acontece tudo e o estimulo vem de 360 graus.

Nada disto tem a ver com o rendimento da equipa, mas sim com o ensino do jogo ao jogador, a criança, ao jovem.. ao adulto também.



Dar ao jogador aquilo que ele precisa para crescer (ao invés de dar a todos o mesmo) não é fácil, porque muitas vezes se vai contra aquilo que o jogador espera e deseja. 

Passado algum tempo, já noutra equipa e sem necessidade nenhuma de "puxar o saco" ao antigo treinador, ter a coragem de dizer o que Lewandowski disse em publico.. vale mais do que as vitórias que se poderia ter tido por ele jogar de inicio a avançado como queria.




5 comentários:

Ruimdo disse...

Bem me parecia que aquilo de meter o Clesio a lateral esquerdo era boa ideia! Eheh
Obrigado pelo blog!
Rui

Vladimir disse...

O senhor está à frente do seu tempo, é um incompreendido. Como JJ diz: formação é até aos 30.

PP disse...

Muitas vezes, dar um passo atrás significa dar dois à frente.

Bom artigo!

Gonçalo Matos disse...

Lembrei me da história do draxler e de ter jogado a médio defensivo para aprender a defender, mesmo levando a maus resultados da equipa. Só se cresce passando pelos estímulos.
Muito bom artigo.

Fraguito disse...

Off-topic
Interessante a conversa entre o Jorge Jesus e o João Mário, durante o Arouca vs Sporting.
Não o conteúdo, porque não é do domínio público, mas a parte não verbal da comunicação:
- a segurança com que o Jorge Jesus permite que o João Mário o aborde como um igual
- a velocidade com que os dois são capazes de inteligir o que o outro disse
- a velocidade com que os dois criam conteúdo que leva o outro a ter de ponderar a resposta

Desfaz completamente a imagem que os mass media tentam passar do Jorge Jesus: um trolha que trata os jogadores como tijolos...

Que não se confunda a qualidade do discurso com a qualidade das ideias que lhe dá substância...