segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

De Jonas a Rooney, terminando no extra terrestre Messi.

"jugar bien al fútbol es hacer más acciones buenas que malas. Si pierdes 20 balones y marcas el gol de la victoria has hecho un partido lamentable"

Quem segue o blog desde sempre sabe que por cá há uma forma "diferente" do catalogar a boa ou má exibição na performance individual dos jogadores.

Com bola tudo tem a ver com a tomada de decisão e como tecnicamente há correspondência na opção seguida. Pode alguém ter feito um jogo terrível tendo somado golo(s) e assistência(s), e outrém ter realizado um grande jogo mesmo que sem notoriedade alguma? Naturalmente que sim.

Perceber uma grande exibição do ponto de vista ofensivo tem tudo a ver com a percentagem de boas acções que o jogador demonstra na partida. Se não fez golo porque não teve bola na fase de finalização, mesmo aparecendo na movimentação sem esta com assertividade como se pode catalogar negativamente a exibição de um avançado, ou de qualquer outro jogador?

Tantas vezes se ouve que X ou Y está desaparecido. Que não está bem e não acrescenta? Ideias tantas vezes demasiado falsas. Determinado jogador não aparecer em determinada fase, seja a construir, criar ou finalizar tem muito mais a ver com o que a equipa enquanto conjunto colectivo consegue produzir, ou até a ver com o que determinadas individualidades não conseguem produzir, do que relacionado com um mau momento, ou más exibições.

Lembrei-me disso enquanto via o United na partida de hoje. Rooney, desaparecido? Esteve fantástico como sempre o avançado inglês. Todas as suas acções aproximam a equipa da vitória. Mexe bem sem bola, na forma como identifica com clareza os momentos de pedir no espaço ou no pé, e com bola é sempre extraordinário. Prende quando o deve fazer, solta rápido quando assim se impõe. Vê mais que os outros e tecnicamente é quase sempre bem sucedido. Momentaneamente numa equipa que não lhe consegue proporcionar muitas situações para ter notoriedade, mas nada no seu jogo está diferente. Continua no top dos melhores avançados do mundo.

Um pouco como Jonas. O brasileiro com a capacidade de decisão e qualidade técnica que tem, dificilmente terá um mau jogo. Mesmo que assim pareça. Poderá é não ter a equipa próxima. Poderá não ter condições para se mostrar e ter notoriedade. Mas, mesmo ai, mantém o critério e joga simples. Espera pela equipa. Entrega, dá soluções e encontra caminhos.

O expoente máximo destas discussões surgiu no último Mundial. Para grande espanto a FIFA soube premiar como melhor jogador do torneio, aquele que foi o melhor jogador do torneio. Mesmo que a generalidade não o conseguisse atingir.

Por altura do Mundial foi publicado este post. Infelizmente o video já não parece disponível.

"Voltando ao propalado desaparecimento de Messi, é importante esclarecer. Afinal, que ingredientes tem uma boa exibição individual?

Talvez porque e apesar dos belos golos que somou, ainda não driblou três ou quatro concluindo com êxito uma jogada individual muitas são as opiniões de que está desparecido.

Mas, afinal o que é jogar bem?

Observamos a participação de Messi na partida com a Bélgica e percebemos que para ter sido perfeita bastaria mudar três, quatro porcento do que fez. Se o jogo nunca lhe proporcionou situações em que pudesse ser feliz indo para cima de dois ou três, deveria o argentino ter forçado algo cujas probabilidades de êxito eram inexistentes? 

Óbvio que não. Jogar bem é tudo o que Messi tem feito a cada partida do Mundial. A tomada de decisão surge em função do contexto. E com um contexto diferente percebe-se ainda mais a inteligência do argentino. Não forçando o que está condenado ao inêxito, mas que levaria a que todos delirassem (procurar driblar todo o mundo), demonstra que cria e não se recria. A cada toque, a cada posse, sempre bem. Jogadas sempre com seguimento e praticamente sempre a transformar as situações de jogo com que se depara em novas situações com menos oposição e melhor enquadramento. Ou seja, proporciona aos colegas mais possibilidades de êxito.

Isso é jogar bem. Proporcionar situações cujas probabilidades de serem transformadas em golo são bastante maiores do que aquelas que tinha antes.

Observando o video.
Logo aos 30 segundos. Situação de 3x5 bola no meio do meio campo defensivo da Argentina quando Messi lhe toca. Quando solta, 2x2 já na grande área com possibilidades de finalização.

No lance do golo. Apertado pelos dois médios belgas e na próximidade de um terceiro. De 4x7 rapidamente para 3x4 quando Di Maria recebe

Pelo 1.50 do video. Algures um 4x10? para um passe entre linhas a eliminar os quatro adversários que o rodeavam. A recepção não é perfeita, o passe ainda que elevada dificuldade podia ter saído um centímetro mais baixo. De 4x10? para 3x4?

A 2.45. De 3x6 no meio campo defensivo para 1x0 com Di Maria que puxando para o pé esquerdo ficou em 1x1

3.40. Em 3x7, individualmente dribla dois, deixando para trás da linha outros 2, ficando 2x3 e é travado em falta.

5.25. Em 3x9, passe interior a eliminar 5 adversários, 3 estavam ao seu redor. Fica 2x4 no corredor central. O árbitro apita para intervalo quando apenas mais um toque na frente eliminaria a linha de 4 defesas belgas

Em praticamente todas as outras acções mesmo não desequilibrando, sempre bem, a dar seguimento. O seguimento possível e mais adequado em função da ausência de opções.

Uma grande exibição individual é tudo isto. Perceber a situação de jogo, o contexto e torná-la melhor, com mais possibilidades de fazer a sua equipa chegar ao golo. Não é pegar na bola e forçar quinze ultrapassagens a cinco jogadores para quem sabe se as estrelas estiverem alinhadas fazer um golo e perder por dois a um, porque das outras catorze más decisões dois contra-ataques deram golo.

Podemos facilmente concluir que a única coisa que está desaparecida é o cérebro de quem vê futebol sem perceber sequer que jogo é este que levou a que em devido tempo os alemães alertassem os brasileiros para olharem ao seu redor..."

P.S. - Terminaremos de recolher as perguntas pedidas no post anterior durante o dia de amanhã.

8 comentários:

João Silva disse...

Sem dúvida!
Pena que o que se vai escrever sobre o jogo será, algo como, "Rooney apagado falha um golo feito a acabar o jogo".

Vasco disse...

Daí o David Silva estar no top3

PP disse...

Estavas a ir tão bem até chegares à comparação do Messi no Mundial! Ainda se me falasses do Messi no Barcelona, dava-te de borla. Agora, o Messi no mundial... ser considerado o melhor da competição quando no torneio tiveste jogadores que jogaram monstruosamente como o Kroos??

gsus disse...

PP, penso que falar do Messi no mundial era precisamente para chamar a atenção dos futeboleiros que olham para os jogos e querem ver o Dimaria a driblar 4 ou 5, ou o Mascherano a fazer carrinhos no grito e a dar tudo pela bandeira da Argentina. No teu caso, e porque tenho acompanhado os posts, qualquer coisa que fosse dita do Messi, seria mal dita, até porque é um jogador como outro qualquer que teve a sorte de ter o Guardiola como treinador, senão era mais uma Quaresma desta vida.

Exibição individual tem a ver com a percentagem de decisões correctas por jogo que um jogador tem, e aqui é que se tem que dar valor, se tu (e 90% dos espectadores comuns) não consegue ver o que são decisões correctas sentado no sofá imagina o grau de dificuldade de decidir a cada segundo com uma taxa de sucesso como a de Messi. Se calhar, se o Guardiola fosse jantar a tua casa, conseguirias ver melhor ;)

Saudações aos bloggers,mesmo não concordando com tudo, revejo me em bastantes posts.

Paolo Maldini disse...

PP in the house!!!!! LOOOOL estavas a ir tão bem calado, PP!

Miguel Pinto disse...

PP, por acaso não serás o NN que comenta no post do mundial a que o Maldini se refere neste texto?

Paolo Maldini disse...

NN que escreveu isto:

NN disse...
Eh pa, nao reconhecer que o Messi já não tem as mesmas capacidades fisicas de outrora e que por consequencia a taxa de sucesso do seu drible diminuiu uma coisa parva, é ser tao cego como aqueles que quando Messi estava no seu auge, o comparavam com outros jogadores do presente e do passado, e nao percebiam o monstro que ali estava.

Não é só pelas situaçoes de superioridade numérica! Messi já nao consegue, simplesmente não consegue passar pelos adversários com a mesma facilidade. E o que levava Messi à qualidade de um extraterrestre era ter tudo tão bom como outros grandes génios, e somado a isso, e muito melhor que todos os outros, do passado e presente, o seu drible imparável! A velocidade de execução imparável! Ora Messi já não tem o mesmo drible nem a mesma velocidade de execução. E sem duvida que este Mundial será a consagraçao de Messi como o melhor de todos os tempos, mas na fase descendente da sua carreira.

Aposto com voces que nunca mais irá fazer acima de 40-45 golos por epoca(nao era o drible mas a inacreditavel velocidade de execuçao que lhe permitia aqueles numeros). Aposto com voces que nunca mais será tão determinante a criar desequilibrios como outrora foi(embora esta analise já nao se consiga fazer de forma objectiva como a primeira)

Ah e tal o Messi não dribla porque bla bla decisão. Tretas. Não sei se será possivel ter acesso a uma estatistica que nos dirá muito. Messi acumula muito mas muito mas muito mais bolas perdidas em media neste Mundial ou na ultima de epoca de Barça que no resto da sua carreira! É que ele continua a tentar, mas qualquer jogador comum consegue hoje em dia rouba-la.

A serio que cairam uns pontos na minha consideraçao com estes posts sobre ele. Pá, há coisas que são muito evidentes para voces e que eu nao consigo ver à primeira. Dpois penso sobre isso e dou-vos razao em alguns desses pontos. Neste caso, desculpem, mas para mim é muito evidente que sao voces que nao conseguem ver.






que génio

Blog de Portugal disse...

Eu até concordo que Messi tenha sido o melhor jogador do Mundial, mas duvido muito que a FIFA o tenha eleito pelos motivos que vocês escreveram.
Provavelmente, foi eleito mais por causa dos patrocínios, por questões de marketing do jogador, da Adidas e da seleção argentina, e outros dinheiros e interesses que possam ter havido.

Mas concordo plenamente com o que vocês referiram, embora seja uma ingenuidade acreditar que essa eleição de Messi foi por isso.