terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Jogo de posse ou transições? Jogo de decisões!

 "A estratégia de Guardiola passava por ter 60/70% de posse de bola"

Quando escasseiam ideias / temas, costumo seguir um conselho de quem escreve por cá há mais tempo. Espreitar um espaço humoristico (ainda que o seu autor não tenha noção que dirige / dirigia um espaço de humor) na web para retirar ideias para possíveis textos. Foi lá que encontrei num comentário a frase citada.

Não, os treinadores não definem estratégias que quantifiquem percentagens de posse de bola, ao contrário do que as crianças possam pensar. Na verdade, nem sei bem como alguém o pode crer. E como se transformaria isto no relvado? Talvez em algo como Guardiola virar-se para os seus atletas e: "...felizmente os nossos adversários não pressionam a nossa fase de construção, e como tal vamos ficar a trocar a bola entre centrais para chegar à percentagem de posse que idealizamos, e depois de estarmos já bem dentro do intervalo definido, chutamos para fora".

Há quem nos dias de hoje ainda tenha este pensar porque não conhece o jogo. Ninguém define estratégicamente ter determinada percentagem de bola. E muito menos Guardiola. O espanhol, à frente de todos os outros, procura a competência máxima em todos os momentos do jogo. Com bola, seja em organização ou transição tudo se define pela boa tomada de decisão. E esta depende também dos adversários. Num caso extremo, imagine que a cada posse a equipa adversária respondia não tendo defesas centrais. Naturalmente que a cada posse sairia sempre um passe a isolar o ponta de lança e de forma bem rápida não fossem os adversários lembrarem-se de ocupar aquele espaço. Em suma, retiraria posse, acrescentaria golos. Ou acredita que algum treinador diria "Não, não isoles o teu colega! Fica a passar ao guarda redes até chegarmos aos setenta por cento de bola". E o golo é sempre a meta. A questão é que demasiadas vezes o melhor caminho para lá chegar não é o de uma linha recta, e com qualidade nas decisões e na performance individual e colectiva, a posse tenderá a aumentar nas equipas que têm melhores jogadores. 

Se as equipas de Guardiola e em suma todas as melhores equipas dos seus campeonatos acabam por ter mais bola, essa é muito mais uma consequência de serem melhores do que o meio para serem melhores.

Se há competência máxima colectiva e individual em cada um dos momentos, naturalmente que quando se está em organização ofensiva se perderá menos a bola, se aumentará o tempo de posse. Tempo que se retira ao adversário se a tal competência for máxima também nos momentos defensivos!

Por isso em tempos saiu um post do Maldini que referia que o seu jogo não era o da posse ou o das transições. Era o das decisões. Ser o mais rápido possível a chegar à frente quando há espaço e condições para tal, ou menos rápido e mais pausado quando a oposição aumenta e se fecha. Tudo depende do que o jogo pede! O jogo é que deve determinar as decisões e o estilo.

ADENDA

Xavi, "o rei da posse" mostra a ruptura quando a ruptura se impõe.




25 comentários:

Honoris disse...

Ainda ontem, "discutia" com um colega sobre o ADN do Barça e sobre o Barça do Guardiola. Ele dizia que formavam os jogadores para jogar apenas um estilo de jogo e que quando são obrigados a jogar noutra equipa, noutro estilo sentem dificuldades, ao que eu respondia "Não. Eles formam os jogadores, para jogar o que o jogo dá. Se há espaço jogam de uma maneira, se n há jogam de outra, etc etc"

Excelente post e timing xD

Paolo Maldini disse...

Quase ninguém percebeu sequer o Barcelona de Guardiola, Honoris. Tantos que dizem que era um jogo pouco objectivo e enfadonho e vais ver não só o número de golos mas a forma... e nenhuma equipa no mundo, que EU ME LEMBRE, marcou tantos golos, e tantos após rupturas! Em situações de 1x0 ou 2x0.

Não havia nada de pouco objectivo ali. Apenas uma optimização do identificar de quando jogar no pé ou no espaço! É que o jogo pede mil vezes menos que se jogue no espaço do que no pé. E era isso que faziam... mas nunca deixavam de fazer outras coisas quando era isso que devia ser feito! Claro que se em 90 porcento o jogo pede que troques a bola para o adversário caia no engodo, ficas ligado só ao jogo de posse... mas nunca foi posse pela posse sem a meta na mente!

Blessing disse...

Excelente post. Mas é tão difícil de fazer isso.

Marco Van Basten disse...

se é de perceber imagina fazer lol

cobra2 disse...

Cada vez que leio um post vosso fico sempre a pensar como via o jogo dantes e como o tento apreciar agora (se bem que não tenho conhecimento profundo do que leva a esses resultados , o treino). No entanto fiquei com algumas dúvidas. Se um jogo onde se privilegia as melhores decisões, não é um jogo de mais posse obrigatoriamente? Tenho mais bola, o meu adversário tem também menos chances de marcar.
Ou poderá ser também a melhor decisão dar a bola ao adversário e explorar as transições rápidas?
É suposto serem os jogadores a decidirem no momento ou o estudo prévio do adversário é que deve condicionar a estratégia?

Paolo Maldini disse...

na minha opinião, um jogo e melhores decisões torna-se sempre um jogo de posse! é isso que o Van Basten escreve por ai paginas tantas qd diz que se é de boas decisões e de competência em todos os momentos... entao consequentemente tens mais tempo em organização pq n perdes a bola rápido (nao estão sp a aparecer espaços...os adversários n abrem as pernas nem se desviam...)... e se és super competente na transição defensiva... tb recuperas rápido! Tornando o jogo como um jogo de posse! Mas isso é uma consequencia de se jogar bem! Não se guarda a bola só porque sim... por isso vimos neste Barcelona a equipa que mais golos marcou na ruptura! e era a equipa q mais bola jogava no pé em toda a história do jogo! Curioso, n é?

DF disse...

Texto maravilhoso! Aprende-se sempre aqui!

Marco Van Basten disse...

Estava a rever o video... vejam no minuto 1.51: Xavi rouba a bola e menos de um segundo depois isola o colega! Porquê? Porque dava para isolar o colega... se tivesse fechado... jogava diferente! Mais claro que ver o próprio Xavi a jogar não existe!

Martelo Pneumático disse...

Quem foi o burro que escreveu isso?

Excelente post! ... e se restarem dúvidas, ele próprio explica com desenho a cores:

"I loathe all that passing for the sake of it, all that tiki-taka. It's so much rubbish and has no purpose. You have to pass the ball with a clear intention, with the aim of making it into the opposition's goal. It's not about passing for the sake of it.
[...] the secret is to overload one side of the pitch [...] You overload on one side and draw them in so that they leave the other side weak. And when we've done all that, we attack and score from the other side.
That's why you have to pass the ball [...] to draw them in and then to hit them with the sucker punch."

Rafael Antunes disse...

Palavra da salvação!!!!

AMEN!!!!!

Diogo Ribeiro disse...

Boa noite agradecia muito se fizessem o favor de por o meu blog na vossa lista de blogs.

Desde já obrigado pela atenção e o link do meu blog é

http://tudosobreoglorioso.blogspot.pt/

O MISTER disse...

A percentagem da posse de bola ne sempre resumo um jogo, por vezes a equipa teve 30% ou 40% ou menos e ganha o jogo...

Pois apesar de ter pouca posse de bola, teve eficácia na hora da finalização;

Mais que ter a posse de bola é ter noção do que se fazer, conhecimento do jogo e do seu ritmo e gerir a posse nesse sentido.

Conclusão, a posse de bola é uma ferramenta de gestão do ritmo de jogo tanto defensivo como ofensivo e não de garantia de sucesso no jogo.

Benoit disse...

Mais uma vez uma boa posta como sempre.
Acho engraçado quando muita gente diz que "o jogador de futebol é burro" só porque não possui um canudo ou porque simplesmente não articula uma frase ao estilo de Manuel Machado. Xavi é de uma inteligência brutal, em segundos e fracções de segundo tomando aquelas que se afiguram ser as melhores opções/decisões para aproximar a equipa do objectivo.
Triste ver que em Portugal um jogador como André Martins no Sporting, continua apenas a ter oportunidades em jogos da Taça da Liga e afins...ainda ontem frente ao Paços voltou a mostrar aquilo que o define bem (e confesso que vi o jogo aos bochechos), ou seja, a inteligência. Como falhou dois golos choveram criticas...nada de novo.

Tim disse...

"Quando escassam ideias": escassam? Muito bom!

Diogo Santos disse...

Marco Van Basten, esta qualidade de passe do Xavi e da inteligência de ler o jogo e saber quando deve fazer um passe de rutura é algo que se possa treinar, ensinar a um jogador, ou é algo próprio do jogador, uma aptidão inata, por assim dizer? Há muitos jogadores com esta qualidade de passe de rutura que ponham os colegas em constante posição de 1x0? Penso que o seu sucessor mais próximo será o Thiago Alcantara. Ou estou enganado?

Bernardo Ferrão disse...

Van Basten, já disse e volto a dizer. Xavi é o meu preferido. Não por ser o melhor mas por ser o q mais me marcou. Por me fazer ver um futebol diferente

Blessing disse...

Obrigado Tim. Tá corrigido

Marco Van Basten disse...

Onde é que eu tinha a cabeça para escrever "escassam"!!!!!!

Obrigado Tim, Se puderes ir corrigindo todos os erros... não só ortográficos mas também na construção de frases agradeço! Estou disponível e interessado em melhorar o meu português!

abraço

Marco Van Basten disse...

Diogo, se isto fosse só ensinar e aprender... haviam muitos, ne?

Miguel Pinto disse...

Ainda vou ouvir gajos a dizer que o Guardiola é muito forte na posse de bola de bola entre os 55 e os 60 minutos da partida...enfim...

Bom post
(podes apenas corrigir a palavra 'estrégia', não vá chegar algum tipo a dizer que és um fanfarrão)

Abraço

Marco Van Basten disse...

olha, nem tinha visto! nem eu nem o Tim! vou mudar...

Marco Van Basten disse...

ahhh, mas o estrégia não fui eu!!!!

http://pt-br.tinypic.com/view.php?pic=2ldf0h5&s=9#.VoQqffmLTIU

foi copy paste!!!!

Blessing disse...

Hahahaha Entraste de carrinho no Blogue holandês voador

Blessing disse...

Tenho agora que andar a fazer de explicador e corrigir os teus erros fds. Vai estudar mas é oh

aimarbenfica disse...

Muito bom, passa se bom tempos aqui.