sábado, 9 de abril de 2016

Jordi Cruyjff. O legado do pai e a actualização do génio Guardiola.

"El dream team di padre inició una trayectoria diferente con en 4-3-3, inclusu as veces con Koeman de central, Goikoetxea de lateral izquierdo, Eusebio de lateral derecho y Guardiola delante de Koeman. Un atrevimiento bestial. Èl inició esta manera de ver el fútbol. Guardiola perfeccionó la parte de agresividad e presión sin balón, el recuperar el balón cuanto antes para poder volver a tener la pelota y tener buena circulación." Jordi.

Fantástica a descrição de Jordi. Naturalmente que também foi com Guardiola que todo o processo ofensivo atingiu a perfeição nos seus tempos de Barcelona. A excelência na tomada de decisão levada ao extremo. Uma equipa de posse quase infinita não porque não se deva "arriscar" mas porque identificava sempre os momentos óptimos para o fazer. Se lhe parecia que arriscava pouco a ruptura ou a velocidade desenfreada no seu jogo, tal era apenas porque na maior parte do tempo em que tens a bola não é isso que se impõe, sob pena de se perder a bola! Sempre foi uma questão de probabilidades. Sair em velocidade ou na ruptura terá sempre menos possibilidades de se ser bem sucedido se se impõe isso a cada instante, em vez de esperar pelo timming correcto. Em vez de se desorganizar o adversário com a circulação para posteriormente então sim surgir a ruptura. Todavia, não deixou nunca o Barcelona de Guardiola de ser a equipa que melhor saía rápido quando assim identificava que o deveria fazer ou que melhor metia a ruptura no seu jogo. A questão é que fazia-o ocasionalmente, porque o jogo (as situações que se enfrentam no jogo. Espaço onde está a bola, os colegas e a oposição) pede muito menos a profundidade a cada instante que o trocar a bola. De facto nos tempos de Guardiola em Barcelona devem ter sido batidos recordes de golos após rupturas, com finalizações em 1 ou 2 contra 0. Tentando menos fazia mais. Porque tentava sempre no momento ideal.

Porém, é impossível não valorizar o que destacou Jordi. A melhor equipa da história do jogo era também incrível porque praticamente perfeita em todos os momentos. Sem bola asfixiava. Ninguém conseguia sair em transição pela pressão imediata nas imediações da perda e pelo reorganizar rápido dos jogadores mais distantes do centro de jogo. Contra o Barcelona ninguém jogava. Porque sem bola demoravam eternidades a recuperá-la e porque com bola, a equipa de Guardiola era também próxima da perfeição nos momentos defensivos.


9 comentários:

MM disse...

"De facto nos tempos de Guardiola em Barcelona devem ter sido batidos recordes de golos após rupturas, com finalizações em 1 ou 2 contra 0. Tentando menos fazia mais. Porque tentava sempre no momento ideal."

Excelente.

Maldini, só para clarificar alguma coisa relativamente ao "risco". Tu percebeste que falei puramente do ponto de vista estético. O 1x1 que tantas vezes Laudrup forçava nesse Barcelona de Cruyff ou a ruptura que Iván de la Peña tantas vezes procurava. Vezes demais e é por isso que com Van Gaal não calçava. Mas do ponto de vista estético esta riqueza - em quantidade - não existe com Guardiola, algo que como explicas é uma virtude mas que visualmente não "empolga". E não estou também a dizer que não me empolga ou que acho as equipas de Guardiola aborrecidas. Digo é que a tentativa de chegar à perfeição deixa qualquer coisa pelo caminho e foi provavelmente (ou quero acreditar que foi) neste sentido que Trapattoni falou e consigo perceber nesse sentido o que lhe ia na mente.

Maldini é um bocadinho como João Moutinho e Carlos Martins. O primeiro era muito melhor jogador, nenhuma dúvida sobre isso, mas eu gostava mais do Carlos Martins. Espero que o futebol nunca deixe de precisar deste tipo de jogadores.

Um abraço.

Paolo Maldini disse...

Terminas com uma analogia perfeita!

Paolo Maldini disse...

para explicar o teu ponto de vista!

HY disse...

E aquela final dos campeões em que o Milan lhes deu 4, explica-se como?

Miguel Pinto disse...

Hy, realmente foi uma derrota estrondosa! Mas imagina que o Cruyff decidia questionar todo o processo que lhe tinha dado tantas vitórias só por causa dessa final. Seria essa a via mais fácil, não achas? Afinal, não é esse o pão nosso de cada dia?

Miguel Pinto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Miguel Pinto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
MM disse...

"E aquela final dos campeões em que o Milan lhes deu 4, explica-se como?"

A segunda parte do texto do Maldini remete ainda para o Barcelona de Guardiola. Não para o Barcelona de Cruyff. O Barcelona de Cruyff "iniciou esta forma de ver futebol" - afirmou Jordi em relação à equipa do seu pai, mas é Guardiola quem ele (e Maldini) verdadeiramente elogia(m). São equipas diferentes apesar de Cruyff já naquela altura entender que ter a bola na maioria do tempo era uma condição fundamental:

https://www.youtube.com/watch?v=tMYypI_-dM4

Esse Barcelona não ficou famoso por controlar. Queria a bola para procurar ir para cima do adversário e aí o 1x1 era fundamental, como diz Cruyff no vídeo. E fazia-o com tanta qualidade que ganhou um lugar ímpar na história do futebol. Levou 4 do Milan na final tal como nessa campanha levou 3 salvo erro do Dynamo em Kiev e se viu em apuros em muitas ocasiões. Também por isso se tornou famoso pelas remontadas. A evolução relativamente a essa equipa é procurar ser-se perfeito em todos os momentos do jogo e assim controlar TUDO. É isso que diz Maldini.

Hélder disse...

É ver o jogo. E ver o que era aquele Milan. Fizeram um filme à cerca disso à pouco tempo - Batman vs superman ;)