sábado, 16 de abril de 2016

O trabalho é do treinador mas quem joga são eles.

O "mesmo" lance. Destinos diferentes. Da primeira para a segunda parte, um dos movimentos do Liverpool de Klopp. Num, demasiado arriscado por não existirem coberturas em caso de perda para o jogador que recebe no corredor lateral. Noutro, um grande lance de organização ofensiva. Coutinho primeiro, Moreno depois.  O antagonismo perfeito para quem olha sem ver.  O que mudou para que o primeiro lance resultasse numa perda de bola e consequente golo sofrido, e o segundo desse um grande lance de ataque?





Diria eu, a decisão. De quem? Do treinador? Sim. Decisão do treinador por criar essa matriz de posicionamento em termos de organização, por forma a desorganizar o adversário. Decisão dos jogadores sobre a forma de jogar com os vários momentos que o treinador lhes proporciona. Arriscado? Não creio. Porque o limite entre o "risco" e a segurança está demasiadas vezes dependente da cabeça e dos pés dos jogadores, uma vez que o jogo é jogado por eles. Se Coutinho em vez de tocar segurasse, o que se diria do primeiro lance? Se Moreno em vez de segurar tocasse, o que se diria do lance segundo lance? Afinal, nesta situação, a desmarcação circular é boa ou má? Pois.

12 comentários:

Honoris disse...

Grande grande post. Adoro este tipo de post com questões mais de pormenor.

Para o bem e para o mal, aqueles lances acontecem porque é assim que o Klopp quer. É obvio que ele n quer que os jogadores percam a bola e fiquem em situações de 5x5 em transição defensiva, mas é um risco que ele está disposto a correr de modo a desorganizar o adversário.

Não podendo controlar as decisões dos jogadores, cabe-lhe continuar a trabalhar a linha defensiva, para responder bem a este tipo de situações de igualdade ou inferioridade numérica

Blessing disse...

Obrigado Honoris

bio disse...

Viva blessing,

Pergunta parva mas aqui vai: a questão não será tanto a desmarcação circular funcionar ou não, porque depende de algumas variáveis, umas controladas pelo mister, outras não.

A questão não estará mais relacionada com a falta de preparação para o caso de correr mal?

Isto é, tendo em conta que estes não são os jogadores do Klopp e não é a época dele, não seria "mais ajuizado" correr menos riscos?

Nota: Sakho é um horror, o que se passa com o Ilori? Alguém sabe?

Gonçalo Mano

Blessing disse...

Será mais ajuizado porquê? Fundamenta isso para continuarmos por aí.
Deixo outra pergunta :como é que, por exemplo, ele vai perceber se os jogadores servem para ele sem jogarem no modelo de jogo que ele entende?

Abraço e nenhuma pergunta é parva.

bio disse...

Pelo que percebo do Klopp, falamos de uma ideia de jogo muito arriscada, exatamente para desorganizar o adversário.

Como contraponto, poderíamos falar da ideia do Leicester, bola na frente e risco zero, até porque defensivamente aquilo é um ajuntamento de pernas.

Não querendo, obviamente, que o Klopp faça o mesmo que o Ranieri, um conceito intermédio, que servisse de ponte entre o que havia com Rogers e o que ele pretende no futuro, não seria mais lógico?

Resumindo: agora implemento um modelo parecido com o que quero, mas com menos risco porque tenho que jogar com o Sakho, amanhã já escolhi os jogadores, posso finalmente implementar o meu "ideal".

Gonçalo Mano

Blessing disse...

Gonçalo, a minha questão é sobre que lógica é essa, tendo em conta, por exemplo, a questão que coloquei. Como é que ele fica a saber que o melhor jogador para o modelo dele não é Sackho, se ele jogar com Sackho num modelo que não tem a exigência do dele? Sabendo ele que o está a "proteger"? É que ele não vai dispensar o plantel inteiro, nê? E tendo que ficar com alguns terá que perceber, como qualquer outro, quais são os melhores dentro do que ele trabalha.

Vou dar-te um exemplo.

O primeiro é, quando cheguei a meio da época à equipa onde estou agora, tínhamos um jogador que foi titular durante 5 jogos. Ele dava coisas muito boas ao jogo, naquela fase. À medida que a equipa foi ficando mais parecida connosco os erros começaram a aparecer. Hoje, não calça. Porque outros, que até nem dávamos tanto por eles, dentro do que pedimos se evidenciam mais. Como é que ficaríamos a saber quem são os melhores dentro do nosso modelo, se não jogassemos o nosso modelo? Sabendo que não fomos nós a escolher os jogadores, e que não os conhecemos? Como é que os ficamos a conhecer ficando ali no "limbo"? Por isso, quando um treinador novo chega, sem influência nas contratações, acho sempre que deve seguir o próprio caminho, e romper se for preciso com o que era feito até então. Para que dessa forma, o mais rapidamente possível perceba quem são efectivamente os melhores para o jogo que se quer jogar.

bio disse...

Mas num modelo (vamos chamar assim) transitório os erros não apareceriam na mesma, mas mais passíveis de não serem corrigidos sem serem penalizadores?

Isto numa óptica de preservação do posto de trabalho, se é que me entendes...

Usando este exemplo, o Liverpool até ganhou, mas poderia perfeitamente ter sofrido uma derrota histórica.

Usando um modelo menos arriscado não estarias a emprestar um cunho pessoal ao teu jogo, com a consequente avaliação que precisas de fazer, mas, ao mesmo tempo, evitar estares de tal maneira exposto que não consegue começar a época?

Estou a colocar-me nos olhos e cabeça do presidente.

Se hipoteco esta época toda à luz dum modelo desajustado para esses jogadores, não estarei a ser excessivamente idealista para um mundo excessivamente resultadista?

Até porque imagino que o Klopp já terá uma ideia bastante próxima de quem sai e de quem precisa entrar.

Gonçalo Mano



bio disse...

Atenção, conseguiste vender bem a tua ideia eh eh eh

Eu gosto é de discutir isto, apesar de concordar, principalmente após o exemplo que deste da tua equipa.

Gonçalo Mano

Blessing disse...

Gonçalo,

A minha questão é precisamente a que tu colocas. Como é que sem risco, ou sem tanto risco, ficarias a perceber como é que o jogador reage com risco? Faz-me confusão isso. O número de situações que terias para avaliar seriam incomparavelmente inferior. Ou seja, a amostra seria sempre curta. Na minha opinião, claro.

Quanto à preservação do "posto", não estou a ver uma direcção contratar um treinador a meio sem ser a pensar logo na próxima época. E por isso, com abertura total para o trabalho do treinador. Foi por exemplo, o que aconteceu com Mourinho no Porto.

Achas mesmo que poderia ter sofrido uma "derrota histórica", com base em tudo aquilo que foi o jogo? Ou só analisando uma das partes?

Voltando ao risco, e à exposição, bem não sei bem como avaliar isso. É uma questão mais ideológica do que outra coisa qualquer. Por exemplo, na equipa que entrei a equipa tinha várias goleadas sofridas. Sofria com frequência de quatro golos para cima. E o modelo era muito, mas mesmo muito, mais conservador do que agora. Agora, arriscando mais, mesmo contra os adversários mais fortes (Benfica, Sporting, Belenenses) estamos sempre em jogo. Houve apenas um em que não competimos de todo até ao final. Quem tem razão? Os que arriscam ou os outros? Não sei. São ideias. E se formos pelo resultado dos jogos andamos sempre a mudar.

De resto, voltámos à questão inicial: como é que sabes que o modelo é desajustado para aqueles jogadores, sem lhes dares a possibilidade de jogar esse mesmo modelo? Não estarás a hipotecar mais a época seguinte, ficando nesse limbo, e por exemplo teres resultados? Um pouco como aquele miúdo que jogou nos primeiros cinco jogos? Não sei. Tenho muitas dúvidas. Quanto ao ele agora já ter ideia, logicamente que sim. Mas só a tem porque está a implementar, na minha opinião, o jogo dele e não outro jogo qualquer. Sabe como eles reagem no jogo, e no treino ao trabalho dele. E não ao trabalho de outro qualquer.

Blog de Portugal disse...

Sublinho só que no segundo vídeo só consegui perceber à terceira qual era a situação do Moreno que estavam a falar.

Porque o que nos fica na retina é a tabela entre Coutinho e Milner.

Convém salientar que é a situação em que o Moreno recebe e alguém entra pelo corredor esquerdo. Se não me engano, é essa a situação no 2º vídeo.


Excelente post. Nunca tinha pensado nisto, mas concordo com o que escreveu o Honoris, e que claramente não foi demonstrado pelo Liverpool neste lance, onde vi pelo menos duas boas oportunidades de evitar uma boa situação de finalização do Dortmund.

Nuno disse...

Para alem do J Teixeira o Ilori tambem foi titular em jogos da FA Cup...tinha acabado de vir do Aston Villa e sem andamento...no primeiro jogo teve de sair com caimbras

Hélder disse...

Klopp é isto:http://lebuzz.eurosport.co.uk/viral/no-you-really-work-in-sports-jurgen-klopp-savages-journalist-for-daniel-sturridge-question-13673/