sexta-feira, 13 de maio de 2016

O número 10 no Azerbaijão

Pelo número reduzido de jogos observados, no Euro Sub17, não foi possível fazer uma análise mais extensa a todos os jogadores de todas as equipas. Sendo que do Grupo C, só foi observado um jogo. Por isso fica aqui uma pequena lista daqueles que considero o Top3, tendo em conta o que consegui ver.

Brahim Díaz, o número dez espanhol. Qualidade técnica ímpar. Velocidade de execução, agilidade que lhe garante facilidade nos espaços reduzidos, condução de cabeça levantada, drible, velocidade. O que mais me impressionou nele é o facto de ser tão melhor que os colegas (neste momento), tão mais adiantado, que poderia desequilibrar o jogo todo sozinho, mas não. Opta constantemente por decidir bem, esteja no corredor lateral, no corredor central, dentro ou fora do bloco. Mostra competência para jogar em qualquer posição do ataque, e como médio ofensivo. A forma como procura constantemente associar-se aos colegas para ultrapassar adversários, as decisões dentro do bloco de costas para a baliza, foram notáveis.

Sam Schreck, o número dez alemão. Poderia passar despercebido pelo menor tempo de exposição que teve, e pelo seu perfil de jogo. É discreto, mas incrivelmente maduro. Não faz a dois toques o que pode fazer a um, segura apenas se for necessário. Faz a equipa jogar, a bola correr. Criativo nos espaços reduzidos, e com a qualidade técnica do novo futebol alemão. Dá as linhas como deve, onde deve, quando deve. É incrível a qualidade de futebol que ele já tem, tendo em conta a tenra idade. Já joga o futebol dos adultos.

Domingos Quina, o número dez português. Muita qualidade técnica, e atributos físicos bem acima dos colegas (neste momento). Tem agilidade, e velocidade, mas chama a atenção pelo toque de bola distinto. Pouco confortável a jogar dentro do bloco, mas com características técnicas e agilidade que o favorece nesse espaço. Nota-se que prefere receber de frente a jogar de costas com a possibilidade de ser pressionado por todos os lados. Mais fora do que dentro, impressiona porque não usa do seus atributos físicos para desequilibrar. Poderia ser visto em condução, a tentar quebrar linhas, porque tem essa possibilidade e certamente teria muito sucesso. Mas procura e privilegia o passe para receber em melhores condições, em zonas mais adiantadas, de forma mais segura. Tecnicamente faz o que quer, e tem uma capacidade de remate assinalável. Com a qualidade que tem poderia pensar-se que não é um jogador que se dá à equipa nos momentos defensivos, mas o ele vai buscar a bola tão depressa quanto a pede. Joga os momentos todos.

8 comentários:

7tacuara7 disse...

Que achas do José Gomes?

El Torto disse...

E João Filipe?

p1nheir8 disse...

Outro 10 que também deu nas vistas, foi o Guitane da França. Muita qualidade naqueles pés, mas aquela França era um desastre em termos de organização, apesar de ter jogadores bem acima da média. Já que para além do Guitane, também o Cuisance e o El Mokkedem mostraram ter muita qualidade.

A Alemanha tem vindo a subir de produção e contra a Aústria fez a melhor exibição colectiva deste Europeu. Foi importante a chegada do capitão Akkaynak, que esteve suspenso no primeiro, jogo. Pode jogar a 6 ou 8 e tem mostrado muita qualidade, mas quem tem deslumbrado é o Tom Baack. Incrível a facilidade com que joga a central ou a 6, mostrando qualidades impressionantes em vários capítulos do jogo. No jogo com a Áustria, começou a central e depois foi para 6, subindo o Akkanyak para 8. Selo da formação Bochum e pode estar aqui o novo Hummels.

Blessing disse...

7tacuara7, gosto muito do José Gomes. Joga muito bem com o que tem, não me parece egoísta. Serve muito bem de apoio, e dentro da área movimenta-se muito bem. Decide bem quando está de frente também. Conduz para fixar e soltar. Não me parece criativo, mas parece-me bastante competente em tudo que faz. Acho que tem tudo para dar certo.

El Torto, o JP como o Zé Gomes não os conheço daqui. Mas para mim tem estado discreto, apesar de todo o potencial que lhe vejo.

p1nheir8, não falei de outros nomes para não atrapalhar o post. Mas ia falar desses (da Alemanha), e do avançado alemão no seguinte quase de certeza. Bem como outros portugueses, e espanhóis. Há também dois holandeses, e um inglês (mas como só vi um jogo)...

p1nheir8 disse...

O avançado alemão, penso que te referes ao Dadashov, até tem sido para mim umas das desilusões da prova. Vinha rotulado como uma das maiores figuras presentes neste Europeu, mas apenas contra a Áustria mostrou um pouco mais. Com bola, pouca diferença tem feito, já sem bola tem mostrado movimentos interessantes. Juntando a isso, muitos tiques de vedeta. Acredito que tem potencial, mas esperava algo mais. Vamos ver daqui para a frente. Quem tem jogado muito na Alemanha, é o lateral esquerdo, o Gian-Luca Itter. Muita qualidade.

Da Inglaterra, os que talvez tenham mostrado mais, é o Mount e o Nelson (10 e 11).O capitão da Espanha, o Manu Morlanes, nota-se logo que joga num nível já bem acima deste. Grande classe e qualidade na posição 8.

Nunnely da Holanda tem estado bem. Pena a eliminação da Dinamarca, que tinha ali vários bons jogadores.

Portugal tem uma boa selecção e até deixámos jogadores de fora que podiam perfeitamente lá estar, como o Daniel Bragança ou o Filipe Soares.

Blessing disse...

Pinheiro, lumuenoblessing@gmail.com Manda-me um mail e falámos por lá.
Abraço

Nuno disse...

O Diaz está quilómetros à frente dos outros todos. É, aliás, uma boa notícia para Guardiola. Quanto aos portugueses, o melhor pareceu-me claramente o João Filipe.

Blessing disse...

Nuno, estou de acordo com o Diaz. É mesmo o melhor jogador que esteve no torneio a par do médio alemão. Porém, do jogo de hoje, encheu-me as medidas o Manu Morlanes. Já lhe tinha percebido grande classe. Mas a quantidade de decisões que não errou hoje não me deixaram indiferente. Incrível a quantidade de vezes que jogou de primeira a fazer lembrar Busquets, e em quase todas elas a enquadrar alguém, ou a limpar o jogo deixando a pressão para trás.

Quanto ao João Filipe, não me tem impressionado o que tem feito neste Euro por aquilo que já conheço dele. Mas é aquele em quem tenho mais esperanças quando for sénior.