A responder ao Diogo Santos, num dos posts anteriores surgiu o treino fechado como limitador da criatividade e o que podemos ir alterando para o tornar mais facilitador da identificação de estímulos que ajudem a decidir melhor.
Na primeira situação, o exercício tem zero (ou aproximado de zero) possibilidades de coisas novas. Esta definido pelo treinador, tudo o que os jogadores têm de fazer. O jogador da direita dribla 3 cones e cruza, sendo que o da esquerda passa as escadas e as barreiras e aparece sempre no mesmo sitio para finalizar. Sim, pode finalizar de cabeça ou com os pés, sendo que isto pode também ser manipulado pelo treinador para fechar ainda mais a situação.
Na segunda situação, adicionando um defesa, que deve ir escolhendo o cone em que aparece, vai obrigar em primeiro lugar ao atacante escolher outro sitio para aparecer, e a quem cruza perceber onde o colega vai aparecer para la tentar colocar a bola. Uma pequena modificação, que torna o exercício um pouco mais aberto, possibilitando aos jogadores identificarem estímulos de jogo.
Na terceira situação, ao adicionar um guarda da linha com tabela, voltamos a aumentar os estímulos de decisão. O jogador que vai cruzar tem um problema a frente, que pode ultrapassar com drible ou com tabela com um colega, e só depois tem o outro problema a resolver - para onde passar, em função do posicionamento do defesa e do atacante.
Na quarta situação, adicionamos duas balizas pequenas no corredor central. Se por acaso algum dos defesas ou o guarda redes ganharem a bola, a situação deixa de ser (2v1)+(2v1+gr) para ser GR+2v3, com a óbvia transição defesa ataque (e ataque defesa)
Isto são situações muito muito básicas, mas que permitem perceber onde se pode ir mexendo para abrir as possibilidades de decisão e acção dos jogadores. No fundo, nunca deixa de ser uma situação de cruzamento para a área, mas na situação 1, foi desenhada para robots, para treinadores que querem dominar TUDO o que se passa no treino e no jogo, enquanto que na situação 4, muita coisa pode acontecer que pode fugir ao controlo do treinador, mas que obriga a que os jogadores identifiquem estímulos para poderem decidir o que é melhor ou pior a qualquer momento.





8 comentários:
A maravilha deste tipo de posts, para quem vos segue há algum tempo, é que começa a perceber como um treino pode ser não enfadonho e ao mesmo tempo acrescentar e acrescentar à equipa.
Há uns anos um amigo meu quis correr uma maratona e arranjou uma app que lhe fazia um plano de treinos. Para meu espanto, nunca no plano de treinos ele correu os 42 km e qualquer coisa.
Acho que até começar a ver estes vossos exercícios nunca percebi como esses bocadinhos todos juntos, sem nunca representarem a distância total, permitiam lá chegar.
Mesmo que seja de interesse mais técnico, tragam isto mais vezes!
Mas o Scolari foi campeão do Mundo e treina os cruzamentos a fintar cones... :D
Dennis, mais uma vez, obrigado. Eu treino com um colega uma equipa de sub-10, e penso que são ainda novos para verem o jogo com clareza. Muitos ainda procuram o golo sozinhos, outros têm imensa falta de relação com bola, mas nós tentamos sempre que eles vejam onde estão os colegas e a melhor forma de ultrapassar os obstáculos que vão aparecendo durante os exercícios, treinos e jogos. E muito tenho aprendido com vocês ao nível do treino e de como tentar passar a mensagem que vocês passam.
Agora tenho outra questão, sobre os exercícios em cima. Quando começa a aparecer o defesa, ele escolhe um cone e fica nesse independentemente de a bola ir para la, ou pode ir depois para outro e tentar interceptar a bola?
Imaginei que essa pergunta viesse.
Acho que depende do conhecimento que tens dos miudos.
Eu nas duas ou 3 primeiras repeticoes nao deixava o defesa mexer-se, e a partir dai tudo bem. Ou.. se calhar melhor, em vez de cones, construia caixas de prai 4v4 ou assim, e dentro da caixa, o defesa podia mexer-se a vontade, mas sem sair dela.
Dessa forma limitavas um bocado a accao do defesa para favorecer o ataque, mas nao o impedias de mexer.
Dependia tambem dos objectivos, sendo que para o mesmo exercicio ele pode variar durante a semana ou seja o que for.
Nas idades que falaste, os momentos de transicao sao sempre um problema. Logo, se calhar faz sentido que o defesa ali esteja mais solto, para que (na situacao 4) ocorram muitas vezes recuperacao de bola pelos defesas para que haja transicoes.
O que eh bom hoje, pode ser trivial amanha, tens sempre de adaptar
Claro, têm-se sempre de ir mudando alguma coisa, até porque depois os mais inteligentes vão apanhando as manhas aos exercícios, e aí temos de dificultar mais as coisas.
Obrigado
Uma possivel variante para este exercicio seria alternar os flancos. Ora a bola e conduzida do lado direito ora do lado esquerdo.
Quando a bola fosse conduzida do lado direito um dos jogadores que previamente atacou pelo lado direito ataca a zona de finalizacao, juntamente com o jogador do centro. Assim pode-se dar total liberdade ao defesa para defender como bem entender, tendo os jogadores que se desmarcam, assim como aquele que cruza, ter em conta o posicionamento do defesa.
Dennis, top man!! ;)
Dando o meu contributo, até é possível o próprio atacante dirigir-se a um dos cones ou espaços para finalizar, e de repente travar o movimento, iniciando outro movimento ou não, para fugir da marcação do defesa. E quem cruza tem que se coordenar com isto também.
Uma coisinha que é acrescentar um defesa dá para imensas situações diferentes.
Contudo, deixo-vos a pergunta:
- Imaginemos que por algum motivo, queremos treinar o próprio gesto técnico do remate, com o pé. Ao fazer os últimos exercícios, a variedade de situações em que ele está posicionado, e da sua relação corpo-bola e relação espaço-tempo com o adversário é muito mais rica do que no primeiro, sem dúvida.
Mas não será que surgirão menos situações de finalização (se o defesa cortar algumas bolas) e assim treinaremos menos o remate, por o fazermos em menor quantidade (porque treinamos 15 ou 20 miúdos e temos que sair a determinada hora do campo - é a realidade).
Que dizem?
Enviar um comentário