segunda-feira, 13 de junho de 2016

A Itália de Conte e a profundidade.

Olha-se para a selecção italiana e percebe-se o dedo do treinador. Os mesmos movimentos que realizava na sua Juventus, mas sem a qualidade de passe e de decisão das grandes individualidades que dispunha. Ainda assim, é impossível dissociar a forma como esta selecção joga, em termos de sistema e de dinâmica daquilo que Conte nos habituou no passado. Para o bem e para o mal é este o modelo de jogo em que acredita, e vai com ele para tudo.

Beneficia do facto de ter trabalhado com os três de trás mais Buffon durante muito tempo. E da forma como obstinadamente repete os movimentos ofensivos e defensivos para que se traduzam no comportamento da equipa em campo. A pressão, a forma como tenta sair, mostram que tudo tem o seu dedo. Muito por melhorar, mas o trabalho está lá.

Muito forte a dinâmica dos dois avançados, e de um médio que se movimenta por diversas vezes para receber na profundidade. E esse é um dos movimentos que trabalha mais difícil de parar. Difícil porque um dos avançados se movimenta para receber entre sectores, enquanto outros tentam explorar o espaço nas costas. Os avançados a servirem ambos como apoio frontal, por forma a atrair elementos da última linha e depois libertar nos alas. Bonucci a solicitar movimentos de ruptura com demasiada qualidade para ser verdade. A forma notável como esperam pelos laterais que aparecem de uma linha mais recuada, e variam o jogo interior com o jogo exterior. Os laterais a aparecerem muito bem a dar largura, mas sempre a fechar a desmarcação aproximando-se da baliza quando assim se impõe. Notou-se alguma desorganização defensiva onde muitos jogadores não sabiam para onde ajustar, por não ser o sistema mais equilibrado e fácil de trabalhar.

5 comentários:

Furtivo disse...

5-3-2 é porreiro nos barbecues, o defesa do meio papa a carne toda enquanto os colegas trabalham, eu gosto!

Hélder disse...

A assistencia é de uma qualidade incrível...

Gary Lineker disse...

Muito interessante - independentemente dos gostos - a Itália em organização defensiva. Sendo extremamente eficaz a fechar espaços no corredor central, parece-me que o maior problema é obrigar a equipa a defender muito baixo pelo espaço para progressão que deixa do lado oposto (sobretudo porque o ala junta na linha dos centrais). Quando a bola entra no corredor oposto, e a Bélgica fê-lo algumas vezes, a equipa é obrigada a reequilibrar-se já muito perto da baliza e isso poderá ser problemático contra equipas mais competentes. A rever.

Cumprimentos,

Riccardo Averini

Cristiano Messi disse...

Será que vai resultar no Chelsea?
Na Liga Inglesa??
3 centrais com Van Gaal Correu mal. Será que Conte vai fazer melhor?

Blessing disse...

Gary, sim. Esse é um problema, mas a mim parece que o principal problema é o ajuste quando um jogador é batido. Ficam muitos sem saber para onde ir, e o gajo que foi ultrapassado também. Outro pormenor são os quilómetros que os 3 do meio têm que correr. Fecham também eles a largura. Quase criminoso.