domingo, 26 de junho de 2016

A mudança de Pogba

Ao ver o jogo entre a selecção francesa e a irlandesa perceberam-se duas partes com um perfil completamente distinto. A primeira onde as acelerações foram constantes, e por isso os erros técnicos e na tomada de decisão a subirem de forma exponencial, e uma segunda parte mais tranquila onde uma equipa (a única que tinha obrigação de o fazer pela qualidade individual que goza) controlou e ditou os ritmos de jogo com bola. A mudança ocorre por vários factores dos quais me interessa citar dois: 1) O intervalo. Com os jogadores a terem tempo para esfriar a cabeça, perceberem que os erros se deviam sobretudo à velocidade constante que eles queriam dar ao jogo, e que com esse tipo de jogo não estavam a ser capazes de chegar com perigo e ainda estavam a conceder demasiado espaço. 2) A mudança de Pogba. Da primeira para a segunda parte se não tivesse a mesma camisola diria com a mais absoluta certeza que não era o mesmo jogador.

Foi a mudança de Pogba de dentro para fora do bloco, e não a entrada de Coman, que fez toda a diferença no jogo francês, e com isso a selecção ganhou um perfil de jogo completamente diferente. Ganha imensa qualidade nas acções de construção, onde ele conseguiu libertar quase sempre colegas com espaço, e também na transição ofensiva o critério foi completamente diferente. Recuperava e entregava na melhor opção, sempre pelo chão. Foi tão bom para o jogo francês como foi para Pogba porque ele tem, de facto, muita qualidade. Mas é fora do bloco que se pode tornar num caso verdadeiramente apaixonante. Insuperável na primeira bola, nos duelos, e com muita qualidade para decidir com muitos atrás da linha da bola. Entendo que pela sua morfologia se queiram aproveitar dessa característica para a primeira e segunda bola, que pela sua capacidade técnica e boa média distância se queira que apareça em zonas próximas da baliza. Mas é precisamente nessas zonas que o seu pior jogo aparece, porque sob-pressão, nas zonas de stress, erra constantemente, e mete-se em problemas que não tem competência para resolver. Acaba invariavelmente por perder a bola ou por a entregar ao adversário por erros técnicos, ou por erros de decisão, por ser um jogador que precisa de espaço para o seu melhor jogo aparecer. O critério com que a equipa francesa tentou na segunda parte atacar, ao contrário da primeira, foi completamente diferente e para isso bastou colocar um jogador importante onde as suas melhores qualidades aparecem e onde os seus defeitos se escondem. Onde tudo começa, na construção, França precisa de jogadores que acrescentem ao jogo ofensivo, que não façam apenas o óbvio, para que se crie e depois finalize em melhores condições, e tanto a equipa como Pogba sairiam beneficiados caso ele fosse o principal responsável pela construção jogando como médio mais recuado.

6 comentários:

José Moreira disse...

Por falar em Coman, não havia melhorsito? Sempre as mesmas decisões, sempre a preferir acelerar no individual, sempre a preferir conduzir em vez de soltar, sempre a cruzar... porque sim.

Não conheço a fundo, mas se passou por Guardiola e joga assim, como será no futuro?

Sui Generis disse...

Achas que o Renato podia beneficiar jogando também mais fora do bloco?

Carlos Paixão disse...

100 milhões por um gajo q só consegue jogar fora do bloco??
85 milhões por Renato qd ainda tem tantas falhas quer defensivas quer ofensivas?
Kroos, Gerard, Fellaini... No futebol valoriza-se muitas coisas mas muito pouco a qualidade do jogador...

Quanto vale DEUS INIESTA? Xavi, Modric, Matic, Enzo, Aimar???

Correr, ser forte, ter estilo nada tem a ver com a qualidade de um jogador de futebol..

Nuno disse...

Acho que é mesmo isso. É um caso claro de um jogador que melhora quando lhe restringem a liberdade. Dando-lhe a responsabilidade da construção em zonas menos povoadas, aquilo que tem de fazer a cada momento torna-se-lhe mais óbvio, e as suas qualidades vêm ao de cima. Com liberdade para pisar terrenos mais ofensivos, para inventar lances de perigo, perde-se invariavelmente em acções inconsequentes.

Blessing disse...

José, excelente questão.

Sui Generis, sinceramente não sei. O Renato é estranho. Ainda não o conheço o suficiente para poder dizer uma coisa dessas. Mas é certo que eu nunca a lhe daria a liberdade que gozou no slb, tendo em conta a quantidade de erros que comete.

Nuno, sim. E há muitos assim. Como têm uma técnica mais afinada, ou são muito fortes nos movimentos para atacar a finalização, ou rematam bem, sobem no terreno. Quando o que o jogo vai pedir deles demasiadas vezes é algo que a qualidade deles não lhes permite resolver.

Blog de Portugal disse...

Deixo aqui um vídeo com as ações do Pogba no jogo:
https://www.youtube.com/watch?v=MQb1fGJGSs0

Fora do bloco, sem dúvida que erra menos, e dá maior continuidade às ações, acabando por jogar melhor e ficar mais confiante. Contudo:

- À grande maioria dos jogadores, é normal que jogando fora do bloco errem menos, por má decisão ou falta de qualidade técnica para ações dentro do bloco. É normal errar menos fora do bloco a quase todos.

- Acho que na 2ª parte o Pogba deu continuidade aos lances, mas não o vi a fazer mais para além do óbvio. Exceção feita ao lance em que conduz e conduz e quase que rematava à entrada da área, não tivesse adiantado demais a bola.