domingo, 5 de junho de 2016

Euro 2016. Curtas.

  1. Alemanha. Para mim, continuam a ser os grandes favoritos para vencer todas as competições em que participem nos próximos anos, e isso é reflexo do trabalho federativo. A proposta ofensiva continua a ser do melhor que há: variabilidade. Jogam em passe curto, e sem risco, como procuram jogar mais longo para surpreender na profundidade. Procuram entrar na área com a bola controlada, mas também situações de cruzamento onde os seus avançados se encontrem em vantagem (numérica, ou espacial) nas zonas de finalização. Os movimentos ofensivos dos jogadores fazem todos sentido. Quando alguém enquadra, todos na profundidade. Quando alguém é pressionado, as linhas de passe aproximam. Há sempre, sempre, jogadores a pedir entre sectores ainda que a bola não entre sempre nesse espaço. Jogam bem nos espaços reduzidos, com a largura, e com a profundidade. O maior problema são os princípios defensivos. Continuam muito macios no momento de organização defensiva, e deixam muito espaço entre a linha média e a linha defensiva. Ainda assim, são muito agressivos a recuperar posições e como em determinado momento a bola entre no último terço as linhas acabam por juntar. Onze inicial em 1433: Neuer(Gr), Hummels(Dc), Rudiger(Dc), Hector(De), Kimmich(Dd), Weigl(Mdf), Kroos(Mo), Ozil(Mo), Draxler(Ext), Sane(Ext), Muller(Av).

  2. França. Surpreendente a forma como se apresentou contra a Escócia. Mostrou uma velocidade de circulação muito alta, com constantes variações de corredor (curtas ou longas) na procura de ganhar tempo e espaço para os extremos ou laterais darem seguimento ao lance na criação. A fazer lembrar o Bayern de Guardiola. A agressividade com que atacam, e a confiança que demonstraram, mais o facto de jogarem em casa, os transforma num grande candidato à vitória final. Têm qualidade individual para isso, e parecem no bom caminho para a afinar os processos. Ainda que não aproveitem tanto o corredor central, que não para a meia distância, prometem ser uma equipa ofensiva e com capacidade para fazer golos sobretudo pelos corredores laterais, a solicitar Giroud. Defensivamente, baixam linhas e defendem no meio campo, tirando espaço e defendendo com muitos. Só Giroud à frente da linha de bola, e por vezes Pogba quando sai para pressionar os centrais. E mesmo que Pogba saia, Giroud tenta de imediato compensar para manter o meio campo com 5 elementos. Interessante a liberdade de movimentos de que Pogba goza ofensivamente, e a forma como escolhe quem pressionar defensivamente atrás ou a frente da linha da bola. Onze inicial em 1451: Lloris(Gr), Koscielny(Dc), Rami(Dc), Digne(De), Jallet(Dd), Cabaye(Mdf), Pogba(Mc), Payet(Mo), Giezmann(Me), Koman(Md), Giroud(Av).

  3. Espanha. Com o futebol de toque que nos habitou, ainda que menos fulgurante por ter perdido o grande detalhe que os fazia asfixiar: a pressão nos momentos que se seguem à perda. Sem isso, continuam a ter o melhor conjunto de individualidades europeu e, talvez, mundial, mas ficam muito mais expostos à transição ofensiva do adversário por serem menos intensos na recuperação da bola. Serão sempre candidatos enquanto mantiverem um núcleo de jogadores incrivelmente criativos no mesmo onze, porque com isso tornam-se donos da bola. E tendo a bola, mais tempo, estarão sempre mais próximos de marcar e de não sofrer. Nota para a pouca mobilidade fora do centro do jogo. Falo do extremo do lado contrário, e por vezes do lateral, que não chegam em profundidade. Onze em 1433: De Gea(Gr), Piqué(Dc), San Jose(Dc), Bellerin(Dd), Alba(De), Busquets(Mdf), Iniesta(Mo), Fabregas(Mo), Silva(Ext), Pedro(Ext), Morata(Av).

  4. Inglaterra. Conseguiu juntar um grupo de jogadores muito bons, não só nas capacidades condicionais como também tecnicamente e até na criatividade. Infelizmente continuam muito pouco maturados do ponto de vista táctico. Colocam-se mal de forma constante, e falham o momento de sair na bola. A forma pouco agressiva como pressionam também não ajuda a isso. Ainda assim, baixando as linhas e com os melhores onze em campo, são sempre uma selecção a ter em conta. Onze inicial em 1442: Forster(Gr), Smalling(Dc), Dier(Dc), Bertrand(De), Clyne(Dd), Milner(Mdf), Wilshire(Mc), Lallana(Md), Sterling(Me), Rooney(Av), Kane(Av).

  5. Portugal. Preocupante a primeira parte contra a selecção inglesa, onde não fomos capazes de ligar um lance em organização ofensiva. Sendo que havia tempo e espaço para tal. O mau posicionamento das linhas torna a circulação mais lenta, e diminui as possibilidades de progressão com a bola controlada. Se a ideia é jogar com uma frente de ataque mais móvel, então os jogadores da frente terão de receber a bola nas melhores condições possíveis, e já com pouca oposição pela frente. É imperativo melhor o posicionamento ofensivo de toda a equipa, também por forma a defender melhor. Onze inicial em 1442: Rui Patricio(Gr), Ricardo Carvalho(Dc), Pepe(Dc), Vieirinha(Dd), Raphael Guerreiro(De), Adrien(Mdf), João Mário(Mc), Renato(Md), Rafa(Me), Nani(Av), Ronaldo(Av).


    Duas curiosidades finais:
    - Rever a proposta de jogo ofensiva da Hungria ainda antes do Euro começar. Deram indicadores muito, muito, interessantes contra a selecção alemã.
    - Curiosa a opção da esmagadora maioria das selecções por defender no seu meio campo. Com muitas pernas, e quase sem espaço na profundidade.

29 comentários:

Vasco disse...

Preferes o Adrien ao WC ou ao Danilo? :S
E se abdicarmos de Pepe e jogarmos com Danilo?

Abração

Blessing disse...

Não, não prefiro. Mas acho que hoje ele está melhor. Aliás, tirando o João Mário, Adrien me parece o médio em melhor forma. Na minha opinião, acho que não ganhas nada de significativo com o Danilo no lugar do Pepe.

Miguel Pinto disse...

O que é que a equipa ganha com o Adrien em vez do WC? E já agora, com a inclusão do Renato Sanches?

Blessing disse...

Miguel,

Na minha opinião, ganha menos perdas de bola em passes ridiculamente simples. Ganha um jogador muito mais confiante em todas as acções. Ganha, por isso, alguém que assume melhor situações de risco e tem maior probabilidade de sair delas com êxito. Nestas competições curtas, para mim, não há tempo para andar a namorar os jogadores na espera que melhorem os índices de confiança, e o ritmo de jogo.

Quanto ao Renato, parece-me que da forma como o seleccionador quer jogar pode vir a ser muito importante pelas suas características individuais.

Gonçalo Matos disse...

Viste a austria ontem? Vi a primeira parte e achei a equipa individual e colectivamente bastante acessível.

P de Politica disse...

San jose por ramos é um exagero

André Santos disse...

Patrício, Vieirinha, Carvalho e Pepe, Guerreiro; William, Moutinho, João Mário e Renato (Rafa); Rafa (Nani) e Ronaldo.

João Melo disse...

Não aprovetarias o entrosamento de JM/AS/WC, habituados a jogar juntos neste mesmo sistema? E porquê Vieirinha no lugar de Cédric?

Miguel Pinto disse...

Não concordo. Se jogarem Adrien e Renato a probabilidade de existir perdas de bola será muito maior do que se estiverem em campo Wc com JMoutinho ou com Adrien. Este tem contra si o facto de não ter jogado no Scp na posição 6 o que causa sempre algum desconforto, a não ser que penses num duplo pivot. Se assim for tambem auguro dificuldades acrescidas pelo facto de Adrien e Renato S. não serem fortes na criação de lances de ataque destacando-se o 1° pela forma como tenta fazer o mais básico (lateraliza e pouco mais) e o 2° pelos raides sobejamente conhecidos apelando à sua capacidade física (isto aplica-se caso joguem em duplo pivot)
Mesmo que Adrien jogue sozinho a 6 tambem acredito que a seleção terá enormes dificuldades em assumir o controlo do jogo. A questão dos índices de confiança, numa altura destas é um não assunto. As dinâmicas é que poderão levar a esse raciocínio porque se jogas com Wc,Adrien, Joao Mario e JMoutinho ou Nani(prefiro este)terás de certeza mais bola na 2a fase de construção, mais criatividade e mais agressividade no momento da perda de bola.

Blessing disse...

Miguel, podemos discordar. Mas o que eu vi nestes jogos da selecção, e nem preciso de ir aos do Sporting é que William e Danilo individualmente somam mais perdas de bola que Renato e Adrien juntos.

Blessing disse...

Ah, quanto ao Adrien não ter jogado a 6, não sei se viste bem o Sporting esta época. Sempre que William não jogou Adrien foi 6. Na fase seguinte foi 8 com João Mário encostado a um corredor.

Blessing disse...

Quanto ao resto, era preciso ter Moutinho e William a andarem para terem qualquer tipo de agressividade. O que dizer de correr.

Ulisses Laigeira. disse...

Alemanha, França, Bélgica, Croácia...Itália.

Marco Correia disse...

Estávamos bem até ter lido que o motivo da exclusão do William do teu onze português é a perda de bolas aparentemente simples. Para logo a seguir defender a integração do Renato que faz disso mesmo um dos seus predicados. Só mesmo por brincadeira...

Portugal esteve mal contra a Inglaterra porque francamente o meio campo não tem qualquer dinâmica. Aproveitar a que trazem William, João Mário e Adrien seria o mais fácil e traria à selecção algo que já não tem desde 2004, um bom meio campo que treinou e jogou junto durante um ano. É verdade que falta um Deco, mas não se pode ter tudo.

O Ricardo Carvalho fez um óptimo jogo e está em boa forma, como o Pepe. Guerreiro tem um tremendo potencial e uma capacidade que o poderá colocar num potencial superior ao Coentrão. Vieirinha na direita, também concordo. Na frente, Rafa, Ronaldo e Nani.

Um aparte, faz muita, mas mesmo muita falta a esta selecção um jogador como o Pizzi. É incompreensível como não foi convocado um dos jogadores mais criativos daquele que acabou por ser o campeão português. Actua bem nas alas e no meio campo e poderia perfeitamente disputar o lugar tanto com o Rafa como com o Adrien com facilidade. Falta-lhe boa imprensa, claramente.

Miguel Pinto disse...

Claro que podemos discordar, Blessing. Em relação às perdas de bola confesso que não tive essa noção mas fico com a ideia que o wc faz mais passes e recebe mais passes dos colegas que os 2 juntos(adrien e renato) embora isso não o isente de culpas nas más ou lentas decisões tomadas. Apenas noto que as dinâmicas colectivas ficam mais fortes, mais consistentes quando joga wc em vez do danilo ou do adrien. E fico com a sensação que os colegas o preferem mas isso já é um feeling daquilo que vejo nos jogos. Lembro-me há uns anos atrás quando jogava o romagnoli no scp, que o paulo bento começou a preteri-lo e a partir daí a qualidade e produtividade da equipa baixou. Associei esse facto a essa opção tomada (não sei o motivo) e que no final do campeonato se traduziu na perda do mesmo (pode não ter havido relação alguma).
Vi os jogos do scp em que wc esteve ausente e notei muito mais dificuldades na organização colectiva com adrien a 6 do que a partir do momento em que wc começou a jogar. Por outro lado percebo o teu raciocínio quando falas em andamento ou falta dele mas penso que o mais importante é que eles o tenham no timing certo e por isso os escolho em detrimento do adrien e renato porque quer o wc quer o nani(disse atrás que o preferia ao j moutinho porque entendo que poderemos ser mais perigosos na transição ofensiva) oferecem muito mais opções aos seus colegas, mais mobilidade, mais criatividade. Agora, se for para dar a iniciativa de jogo ao adversário até pode entrar também o andré gomes que o panorama não será muito diferente daquilo que antevejo para a nossa seleção, ou seja, vamos ser um pouco daquilo que vimos a grécia fazer em portugal há uns anos atrás.

Miguel Pinto disse...

Já agora sempre que o wc jogou os 90 minuto o scp empatou em guimarães e perdeu em casa com o slb. Os outros jogos em que entrou ou saiu foram no empate no boavista (entrou aos 70), no empate em casa com o tondela (saiu aos 46) e no empate em casa com o rio ave saiu aos 73. Vale o que vale

bio disse...

Blessing, uma curiosidade. São estas as tuas "apostas" para candidatos ao título?

Obrigado,
Gonçalo Mano

Dennis Bergkamp disse...

Se a bola nao eh jogada para dentro, nem por dentro.. pouco interessa a capacidade de construcao dos medios.

Mais vale serem jogadores que individualmente possam trazer alguma coisa de diferente. E ai o Renato e Gomes ganham aos outros.

So nao percebi se os centrais nao os procuram, porque nao os encontram (o WC esteve SEMPRE escondido), ou porque a opcao eh mesmo jogar por fora.

Mostrar que se consegue fazer passes por cima em diagonal eh sempre uma cena fixe.

DM disse...

Adrien a 6? Nesta seleção? Renato titular e Moutinho no banco?

Isso é que é radicalismo. Imagino o passador que seria esta defesa. Renato e Adrien a segurar o meio campo defensivo da seleção ia ser um regalo para muitas seleções europeias. Olha a Espanha, por exemplo :D

O argumento para a titularidade do Renato, já agora, é exatamente o mesmo que o caracolinhos deu para a titularidade do Quaresma. E em relação a isso eu só tenho a dizer que a 10 minutos do fim a perder 1-0 eu prefiro o Quaresma e o Renato em campo. Agora num jogo em que tudo começa em aberto, é deixá-los no banco :)

De resto, esta conversa toda só serve para dizer que são todos muito bons e no fim ganha a Alemanha :)

Tiago disse...

Esse 11 de Portugal é um sonho longínquo. O que acham do posicionamento do Anthony no controlo da profundidade? Acho que é uma das grandes falhas do RP, mas nunca vi um jogo do Anthony.
Quanto ao meio campo, mais cedo o Fernando Santos mete WC e o Danilo no centro, que Adrien e João Mário. Parece-me que ele colou na cabeça que as posições dos jogadores são fixas, e não os vê para outras posições que não aquelas em que jogam regularmente.

Blessing disse...

Gonçalo Mano,

França, Alemanha, Espanha, Itália. In no particular order.

Marco Correia, concordo quanto ao Pizzi.

Miguel, sempre que o Talisca foi titular o Benfica ganhou, muitas vezes de goleada, e quase não sofreu golos...

Quanto ao Adrien, e ao Renato, todos sabem (os que me costumam ler) que estão bem longe de ser os meus jogadores preferidos. Não sou fã do estilo. Mas isso não interessa nada tendo em conta o estado em que estão os outros. Olha, por exemplo, A.Gomes é outro tipo que não anda. Tem tudo para ser top, menos o andamento.

Ya DM. Renato e Adrien. Portugal só joga com dois médios.

Ulisses Laigeira. disse...

Defesa: Cedric,Pepe,R.Carvalho,Guerreiro.

Meio-campo: Danilo,Adrian,Renato

Ataque:Nani,Ronaldo,J.Mario

A formula do equilíbrio! com grande liberdade e criatividade nas movimentações ofensivas.

È lixado, mas o Renato é incontornável...a equipa com ele em campo estará sempre mais próxima de ganhar. Por mais erros que cometa, é para isso que lá estará o Danilo ou o Wcarvalho.

Na frente aquele tridente à solta. Alas rápidos, um central certinho e inteligente, e outro pronto-socorro, um Trinco forte, dois excelentes Médios centro completos, um pela sua qualidade de passe e liderança,o outro no transporte e criatividade. No banco há solução para quase tudo...menos pro Renato. O Moutinho é um adrian para pior.


Arrenka disse...

O meu 11:
Patrício
André Almeida, Ricardo Carvalho, Neto, Guerreiro
Ruben Neves
Sanches, Bernardo Silva
Nani, Ronaldo, João Mario

Sup. Marafona, Lopes, Cedric, Pepe, Fonte, Eliseu, WCarvalho, André Gomes, Pizzi, Bruma, Rafa, André Silva



O onze com este plantel:
Patrício
Cedric, Carvalho, Pepe, Guerreiro
Carvalho
Sanches João Mario
Nani, Ronaldo, Rafa

Pedro disse...

eu acho que estão a complicar o fácil. Eu jogaria com os três do sporting no meio campo não por serem melhores mas por jogarem entre eles de olhos fechados com o resultados obtidos está epoca. Mas espero que o Fernando santos invente e ponha os renatos os André gomes e danilos a jogar no primeiro jogo e tal como Scolari no euro seja depois "obrigado" a apostar e aproveitar rotinas de uma época. Daquilo que vi com Inglaterra foi mau demais dos jogos mais fracos que já fizemos frente aos ingleses, fomos uma nulidade, se a ideia para este tipo de jogos e aquela que vi contra a Inglaterra só com um milagre ganharemos um jogo desse tipo.

Luis Santos disse...

Blessing, para Portugal preferia ter o meio-campo do Sporting (WC, Adrien e JM). Pela forma que tem apresentado, apostava no Quaresma, mas perto do Ronaldo e Nani era o 4º médio (ou eventualmente Rafa). Acho que na frente não se sente muito à vontade.

Do Renato tenho sempre medo do momento defensivo. Ou está a passo ou parado.

Abraço!

Bernardo Ferrão disse...

Opção de defender mais baixo por ser mais fácil? Por demorar menos tempo a operacionalizar? Por mesmo que existam debilidades estas estarem menos expostas? Ou porque os treinadores não sabem operacionalizar defender alto e bem?

Miguel Pinto disse...

Blessing, argumentei no penúltimo comentário e dei como exemplos os jogos em que wc não jogou ou jogou menos tempo. Para mim ficou evidente que a equipa funcionava melhor do que jogando no seu lugar o adrien. O meu foco está no processo, nas dinâmicas que sucedem e que tentam corporizar a ideia de jogo do treinador, como descreve tuchel no post do maldini.

Postiga disse...

Espanha vai ganhar..

Blessing disse...

Luis, também pode ser. Mas então metia sempre o Rafa na frente.

Bernardo, não sei.