segunda-feira, 13 de junho de 2016

O caos, a aleatoriedade e a "estupidez de não aproveitar o jogo como um todo"

Há não muito partilhava aqui no blog as fantásticas declarações de Tuchel, o treinador do Dortmund. "...o futebol é muito complexo... é muito dinâmico. A bola está sempre a mover-se, é difícil controlar o jogo, o número de golos é reduzido e demasiado acontece de forma aleatória. Por isso é errado olhar para o resultado"sobre a forma como se deve avaliar o processo.

Pensava nesta aleatoriedade enquanto recordava um facto que o espelha. Alemanha e Espanha, selecções que nas individualidades, no colectivo e no seu estilo de posse, sempre com as decisões correctas, demonstraram o quão superiores em ataque posicional / organização ofensiva são a todas as outras que já entraram em prova... não foram capazes de chegar ao golo no momento do jogo em que mais tempo conseguem passar. Sim, conseguem. Não basta querer. 

Alemanha chegou ao golo numa bola parada e num contra-ataque. Não sendo também de negligenciar o muito perigo que foi sempre capaz de criar sempre que decidiu sair rápido em transição. Espanha com comportamentos extraordinários em ataque posicional, com gente entre linhas, criatividade, movimentos de apoio do avançado a tocar de frente nos médios já dentro do bloco adversário, com um Iniesta extraterrestre a tomar as rédeas da criação de nuestros hermanos, ainda assim, sem ter chegado ao golo dessa forma. 

Tudo porque como refere Tuchel, quando avalias o processo, é preciso saber que demasiado acontece de forma aleatória. Quer Espanha quer Alemanha as melhores em organização ofensiva não almejaram (ainda) marcar em tal momento. Mas tudo se explica pela aleatoriedade? Naturalmente que não. Será obviamente mais difícil chegar à oportunidade quando o adversário parte com dez atrás da linha da bola, do que quando se recupera a bola e sobram somente dois ou três atrás. Por isso as melhores equipas do mundo jogam consoante a situação de jogo. Capazes de em organização ofensiva manter a paciência e ter um estilo acentuado de posse como forma de desposicionar o adversário, mas também capazes de identificar os momentos para sair em ataque rápido ou em contra-ataque. Por isso, em tempos José Mourinho referiu "quem não aproveita o contra ataque é estúpido". O difícil, porém, é perceber quando se deve investir no contra-ataque e quando o parar e manter a posse. Alemanha fá-lo como ninguém. Porque tentar sair sempre em contra-ataque, independentemente do espaço e ralação numérica... é igualmente estúpido!

Importa também perceber que aproveitar o contra-ataque não se poderá nunca opor ao estilo de posse. E que quem o faz, não estará nunca a controlar o jogo, pelo simples facto de abdicar em demasia do mais importante. A bola. Tudo depende da situação de jogo. O espaço, a oposição e os colegas. É sempre a situação que determina a decisão. Há espaço e vantagem numérica impõe-se sair rápido. Perdeu-se a vantagem espacial e numérica, guarda, e troca à procura ou do desposicionamento adversário ou do chegar dos colegas aos espaços mais prometedores.

3 comentários:

Miguel Pinto disse...

"Importa também perceber que aproveitar o contra-ataque não se poderá nunca opor ao estilo de posse."
Começo pelo fim, a itália consegui provar o contrário, não achas? Por outro lado a bélgica provou que a posse ou a iniciativa de jogo pode ser inócua ou andar perto disso se não existir a tal capacidade "de em organização defensiva manter a paciência e ter um estilo acentuado de posse como forma de desposicionar o adversário".

"Há não muito partilhava aqui no blog as fantásticas declarações de Tuchel...'o futebol é muito complexo... é muito dinâmico. A bola está sempre a mover-se, é difícil controlar o jogo, o número de golos é reduzido e demasiado acontece de forma aleatória. Por isso é errado olhar para o resultado"sobre a forma como se deve avaliar o processo.'

Maldini, até tu ou a maior parte dos gajos que por aqui andam sabem disso, não é preciso puxar saco dessa maneira.

Paolo Maldini disse...

epa, traduz lá esse comentário como se tivesses a falar com um miudo de 5 anos pq n percebi nada do que disseste ou quiseste dizer

Miguel Pinto disse...

Imagina que a italia jogava com a alemanha. Certamente que iria ter muito menos posse de bola mas poderia marcar 2 golos como aqueles que fez à bélgica, não achas? Ou seja, o facto de conceder a iniciativa do jogo ao adversário, aceitando a sua superioridade colectiva no que diz respeito à valia dos seus jogadores no processo ofensivo, irá obriga-la a aperfeiçoar o seu processo defensivo e a consequente transição ofensiva. É óbvio que contra a alemanha a tarefa será sempre mais difícil de ser bem sucedida mas contra equipas como a bélgica as probabilidades de vencer serão bem maiores por força da falta de entrosamento/criatividade que evidenciaram os seus jogadores para provocarem desequilibrios na org.defensiva da italia e assim criar dessa forma oportunidades de golo.
Quanto à frase do tuchel, apenas quis referir o facto dela não ser actual (já ouço falar disso há pelo menos 10 anos) e que por isso era desnecessario cataloga-la com tal adjectivo como se o gajo tivesse descoberto a pólvora.

Não venho cá com intenção de achincalhar quem quer que seja embora fique com a impressão que tu levas as coisas que escrevo nesse sentido.

De qualquer modo espero que me tenha feito entender.