terça-feira, 28 de junho de 2016

O futebol é um lugar estranho. Alguns dados do Euro 2016.

Não tenho dúvidas de que naquilo que considero os ingredientes para uma equipa de sucesso, o passar imenso tempo em Organização Ofensiva será sempre um indicador importante.

E dentro desta ideia de boas decisões a proporcionarem um jogo paciente com bola em Organização, será melhor quem conseguir chegar com bola nas costas dos médios adversários, enquadrado com a última linha adversária. Combinações entre linhas adversárias, como o motor mais relevante para se chegar ao sucesso no momento do jogo mais complicado de o ter. Mais complicado porque a oposição será sempre muita e consequentemente o espaço diminuto. A percentagem de golos que se obtém em organização ofensiva correlacionada com o tempo que é necessário passar nesse momento para chegar ao golo é naturalmente muito diferente da percentagem de golos em transição.

Os métodos defensivos estão cada vez mais evoluídos e os menos aptos têm hoje, por isso mesmo, possibilidades maiores de serem bem sucedidos. Também por isso, em termos ofensivos é determinante não descurar momento algum do jogo. Após a recuperação cada vez mais é obrigatório sair em contra ataque ou ataque rápido. E naturalmente, perceber o momento em que as probabilidades de sucesso diminuem drasticamente para decidir segurar e iniciar o ataque posicional.

Se há algo que me impressiona na selecção Alemã, tal é a ideia de grande. As muitas armas que apresentam em ataque posicional. Os movimentos, os posicionamentos, as decisões. Ao contrário naturalmente daquilo que a nossa selecção demonstra, onde fica sempre uma sensação de incapacidade para desmontar equipas em organização defensiva.

Todavia, o jogo depende de tantas variáveis e é de tão difícil controlo que mesmo não mudando um pouco aquela que são as minhas crenças, ficam aqui alguns dados estatísticos até à presente data no Europeu que demonstram como é um lugar estranho este jogo que amamos.

Portugal - 3 golos em organização ofensiva. 60 por cento dos golos da equipa de Fernando Santos a surgirem dessa forma!

Com maior percentagem de golos em organização ofensiva somente: França - 66.6 por cento. Outra selecção cuja falta de criatividade e incapacidade para criar sucessivamente dificuldades aos adversários nos seus momentos de organização ofensiva é latente! E por fim, e desta feita sem surpresa, a Espanha. Com 80 por cento dos golos a chegarem no momento de organização ofensiva. Espanha e Inglaterra, as únicas equipas das teoricamente mais fortes que sairam do torneio sem qualquer golo em Transição.

A poderosa nos momentos ofensivos Alemanha com apenas 33 por cento dos golos no momento em que passa praticamente os jogos todos. Metade dos golos alemães chegaram de bolas paradas.

E alguns dados interessantes. Croácia, uma equipa que demonstrou uma capacidade fantástica de preservar a bola e de criar, a chegar maioritariamente ao golo (60 por cento) em transições ofensivas (Portugal retirou-lhe tal momento). Ainda com percentagens de golos relevantes em transição, Gales (42 por cento) e a Bélgica (50 por cento dos golos em transição ofensiva, 25 em bolas paradas e outros 25 em organização ofensiva).

Por fim, dados curiosos da Itália. Aquela que menor relevância estatística apresenta num único determinando momento nos golos que almejou. 40 por cento em Organização Ofensiva. 40 por centro em Transição Ofensiva e 20 por cento nas bolas paradas.

Dados que na verdade não revelam absolutamente nada para além de que o futebol é um lugar estranho, o controlo nem sempre é possível e perceber o processo será sempre mais importante para nortear o caminho.


9 comentários:

DF disse...

De onde retiraram os dados? E pergunto eu... será apenas por acaso que as unicas que nao marcaram em contra ataque já tenham ido embora? Honestamente nao me parece...

André disse...

interessa também escalpelizar o conceito de organização ofensiva, pq para mim aquilo que a Alemanha e a Espanha fazem é "organização ofensiva"....aquilo que Portugal faz é um algo parecido a isso mas sem muita organização =)

Nuno disse...

Andre,

Isso he o que eu acho tambem.
Parece que qinda estamos um pouco na fase do "vamos dar a bola aos nossos craques e eles que resolvam"


Ainda ontem a Italia foi muito o triunfo do trabalho do Conte. O triunfo do treino e da preparacao.
Os jogadores sabiam os movimentos necessarios dois passos ha frente nos varios momentos do jogo. Na Espanha olhavam uns para os outros confundidos. He muito bonito ter grandes jogadores mas o Conte vingou a importancia do treino e do treinador...e de que maneira. Impactante.

Blessing disse...

DF, recolhido pelo Maldini.

André, curiosamente durante a recolha dos dados eu disse ao Maldini, em tom de brincadeira, para apertar o critério e separar os golos em organização ofensiva dos golos em desorganização ofensiva (ou seja sorte). Nem tanto nos golos portugueses, mas em alguns franceses, e muitos das ilhas britânicas.

Paolo Maldini disse...

Metade dos golos que observei em org of foi charutada lol

Nuno disse...

Mesmo as charutadas podem ser trabalhadas...ou nao:

https://twitter.com/esttoper/status/747586796440125440

Pedro disse...

E porque a organização ofensiva que me ensinaram nas camadas jovens é progredir decidindo entre o momento que se pode transportar a bola para mais perto da baliza adversária e o passe com o mesmo objectivo com o intuito de marcar golo e o que se vê muito hoje em dia, concordo que temos muito momento defensivo no meio campo adversário!

Abraço,
Pedro

Luis Barroso disse...

E a Polónia? Dados?

Paolo Maldini disse...

estou fora! qd chegar ao pc digo-te!