sábado, 2 de julho de 2016

Miúdos atrevidos que roubam a cena. Take II.

Em Setembro do ano transacto escrevia-se por aqui.

Fomos perdendo, em Portugal, ao longo dos anos a capacidade que tinhamos de fazer chegar ao alto rendimento os miúdos mais atrevidos. Normalmente são também os mais talentosos. Os que valem os milhões todos e mais o preço do bilhete. Na referência no texto sobre Gelson falava-se de Nani, Quaresma e Ronaldo como os últimos.

Ser atrevido não implica não saber decidir ou ser anárquico. Talvez implique dar maior trabalho ao treinador. E implica seguramente ter aquela personalidade própria de quem adora os holofotes mais do que o medo que tem de falhar. Implica jogar demasiadas vezes fora da caixa. No fim do dia, tantas são as vezes que são esses que fazem toda a diferença.

Sobre a escassez de jogadores portugueses com traço de personalidade tão aprazível, é dentro da selecção nacional perceber quem foram os únicos quatro de toda a selecção que se predispuseram a assumir o risco de bater os penaltys contra a Polónia. 

Os três de quem se falava como exemplo no texto de Gelson!... e... Renato. De uns para o outro são quase dez anos de distância. 

Do atrevimento e da criatividade de outrora (que melhor equipa teremos que quando juntámos Figo, Barbosa, Rui Costa, Deco, Capucho, Paulo Sousa...) a um período de apenas relógios. Tudo porque se forMATOU. Felizmente há novas gerações a chegar que prometem diferente.

16 comentários:

Redheart disse...

Supreendido? Ainda vão ter de escrever muito mais sobre ele. Incrível como gente do futebol não consegue ver o que é tão evidente. Ainda falta escreverem muita coisa.

Redheart disse...

E mais, o Renato Sanches não gosta de holofotes. O Renato Sanches é o holofote. Quando entra em campo tudo se ilumina. Essa a diferença entre ele e todos os demais. Agora quererem que um jogador como ele com 18 anos tenha de ser cobrado pelas tarefas defensivas? Ainda têm muito que aprender. Como é que vocês querem promover jovens talentos no futebol português com essa cobrança gratuita? Se Portugal está hoje nas meias-finais de um campeonato da Europa deve-o a esse miúdo de 18 anos que ninguém queria na selecção.
Não me esqueço que ele não entrou em nenhuma das vossas equipas da época. Ele que foi só o responsável pelo título de campeão do Benfica e o melhor jogador do campeonato de longe. Publiquem se quiserem.

Redheart disse...

Engraçado é ver também onde está o Gelson hoje e onde está o Renato Sanches. Veremos até onde chegará Gelson. Talvez consiga ir aquecer o banco da Real Sociedade.

Paolo Maldini disse...

De longe!

Paolo Maldini disse...

De longe!

José Esfola disse...

Redheart, não fosse o nick tendencioso e ainda achava que estava a falar a sério. Percebo o excitex com o rapaz, mas não só não foi o melhor do seu Benfica este ano como também foi o melhor do campeonato. E também não estamos nas meias finais do Euro "só devido ao jogador que ninguém queria levar ao Euro", há muitos momentos cruciais (não descurando aquilo que Renato tem dado ao jogo).

Bruno Sousa disse...

Cada vez tenho menos dúvidas de que nos dias que correm, o Rui Costa e o João Pinto (entre muitos outros que fizeram história no futebol português) seriam dispensados nos escalões de formação por não encaixarem no 4-3-3 clássico...

Fernando Colaço disse...

Após a "geração de ouro", os papás deste país "descobriram" as escolas de futebol e vá de desatar a meter os meninos para se tornarem vedetas da bola. Felizmente que várias décadas (e gerações) depois, perceberam que afinal nada disso aconteceu. Hoje (também por culpa da crise) já não se dá tanta importância a essas "escolas" e começam de novo a aparecer os "putos da rua".

R.B. NorTør disse...

Fernando, não tem nada a ver com os "papás" e o que os "papás" descobriram, porque muitas vezes os papás apenas descobrem o que os filhotes lhes pedem.

Os putos de rua não aparecem. Basta seguir aqui a conversa para perceber que o puto de rua é uma espécie em vias de extinção. E fica difícil que apareça quando as contingências da vida e da escola dificultam o puto de rua.

A questão subjacente é mesmo a inexistência de uma política desportiva generalizada, que acompanhe e estimule o desportista desde as "escolinhas" passando pela formação e culminando na (alta) competição. Desengane-se quem pensa que isso é um mal exclusivo da FPF. Ou dito de outra forma, uma cultura de actividade física que potencie o aparencimento de desportistas. Veja-se o caso da Holanda, país da mesma dimensão que Portugal, que nem ao Euro foi, e não deixa de gerar bons futebolistas (apesar de ter uma liga niveladíssima por baixo), da mesma forma que produz atletas de topo noutras modalidades.

Não sei se foi aqui ou no Facebook, mas alguém fez uma contabilidade das medalhas olímpicas (Jogos de Verão) dos vencedores do Europeu de Futebol. Até a Grécia nos dá muitos a (quase) zero!

Vitor Gomes disse...

Dê-se lhe todo o mérito que o puto merece, faz coisas que mais ninguém faz. Para alem da capacidade de transporte parece-me o único que consistentemente dá e movimenta-se para receber, que se aproxima do portador para dar opções de passe. E isso é o Bê-A-Bá do futebol de posse, e não me parece que tenha sido a formação do Benfica que lhe tenha dado isso.

Mas infelizmente só é o holofote porque resolve aquilo que a equipa não sabe resolver como colectivo, em particular numa equipa que têm Moutinho, William, João Mário e André Gomes no miolo. Qualidade abunda.

Será culpa de uma geração que, como dizes Maldini, se "forMATOU" ou culpa de quem está no banco?

GV disse...

De facto assumir o risco de marcar o Penalty é mesmo "à Renato", Maldini.

Algures na 2ª metade desta última época comentava com amigos meus que, o Renato, o Lindelof e o Ederson do Benfica, eram os "putos sem medo". Sem medo de falhar, sem medo de se aleijar (normalmente isso vai mudando com a idade) e entram em qualquer estádio, em qualquer jogo, aparentemente que seja, a gerir as emoções como num qualquer jogo treino algures num qualquer campo de treino sem espectadores. Essa confiança faz muita, mas mesmo muita, diferença!

Em relação ao Ederson e ao Lindelof, até acho o Renato o que tem menos decisões corretas, o que erra mais, porque arrisca mais. Para além de serem posições diferentes, o Renato parece-me, dos três, o que tem mais por aprender. Mas o Renato tem 18 anos e o Lindelof e o Ederson 21 e 22, respetivamente, penso eu - é normalíssimo o Renato ter muito para aprender e é brutal ter sido, com 18 anos, um dos "putos sem medo" que muito ajudaram a mudar a aparente má época que o Benfica poderia ter tido.

Também não me parece que se possa dizer que o Renato foi o melhor jogador desta época do Benfica nem que o esteja a ser nesta seleção. Mas a forma como o Renato mexe com o jogo, é fantástica desde logo pela irreverência! A forma como desbloqueou a aparente falta de resposta do modelo do Benfica à necessidade de fazer incursões/transições que desequilibrassem os adversários, a forma como assim suscitou a atenção do Bayern ao ponto de avançarem desde logo para a compra, a forma como já fez exatamente o mesmo na seleção (quando joga no meio, diga-se), é espetacular!

Não sei exatamente como se podem "criar" mais valores destes nem o porquê de não terem aparecido nos últimos anos, mas acho que quando surgem, é de os meter a jogar!

Redheart disse...

No caso do Renato Sanches existem duas coisas que ele tem que não se compram no supermercado:
1. Personalidade. Todos os relatos o dizem. E os factos o comprovam.
2. Atributos físicos. Não é o ginásio que dá a um miúdo de 18 anos tudo aquilo que ele é em termos físicos.
Depois existe o talento. Mas o talento existe em muito lado como bem sabemos.

Barbosa disse...

Mas repara, a minha ex-mulher também tinha muita personalidade e excelentes atributos físicos, mas não percebia nada de jogar à bola.

O que há mais no mundo é jogadores com físico e personalidade. Banalíssimo.

Paolo Maldini disse...

e deixaste fugir Barbosa? looooool

Captain Redheart disse...

O Futre escreveu muito bem sobre o que representa marcar aquele penalti do modo que o Renato o Sanches o fez. Primeiro assumindo. E depois executando. E depois explicando o que lhe passou pela cabeça. É essa a personalidade de que se fala aqui. Banalíssimo Barbosa?! O Futre não acha assim e eu também não. Mas a minha opinião não conta. Apenas me limito a constatar factos.

R.B. NorTør disse...

Se calhar não deixou. Se calhar foi como na música dos Mamonas e ela "deu bola para um alemão". ;)