sábado, 9 de julho de 2016

O melhor estará sempre mais próximo de vencer. Mas porque não vence sempre?

Não apenas pela aleatoriedade do jogo.

A falta de controlo e o lado caótico do jogo, que assim permanecerá sempre por mais que se tente reduzir ao máximo a imprevisibilidade, pela definição de um modelo que contemple posicionamentos e decisões para cada momento e fase do jogo, estará sempre presente em cada jogo.

A bola na barra que não entrou. Ou o remate que encontra alguém e engana o guarda redes. A grande penalidade que naquele dia o guarda redes defendeu a determinar demasiadas vezes vencedores.

Todavia, não é apenas a aleatoriedade do jogo de futebol que torna possível aos menos fortes vencer os poderosos.

O jogo é por norma mais fácil para os menos fortes. As situações de jogo que encontram ao longo da partida são demasiadas vezes mais benéficas do que as que a equipa mais forte tantas vezes se depara. O menor aproveitamento porque são mais fracos individualmente e colectivamente, mas não porque o jogo tenha situações mais complexas para resolver. Tudo porque há um lado estratégico que permite gerir de forma diferente o jogo.

Em tempos José Mourinho afirmava que quem não contra atacava era "estúpido".

Amanhã na final de Paris, a França porque tem melhores individualidades e porque joga em casa, assumirá a partida, preparando-se para jogar em ataque posicional uma grande percentagem da mesma. Ora, é precisamente em ataque posicional, quando enfrenta maior número de opositores nas situações de jogo, que se sente mais desconfortável. Terá bastante menos espaço e mais oposição à sua frente na final do que o que teve na semi final.

A selecção portuguesa por sua vez terá um jogo que acabará por se encaixar melhor naquilo que são as suas características. Muita gente atrás da linha da bola e esperar pelo momento em que uma recuperação acabe nos pés de Renato para então sairmos em velocidade na transição. Ganhando espaço, reduzindo o número de opositores para então ligar com Nani ou Ronaldo.

As características de cada jogo, a ditarem demasiadas vezes a possibilidade do menos forte vencer o mais forte.

Não foi surpresa a queda da melhor equipa do torneio. A Alemanha. A equipa alemã, a melhor do Europeu, tão superior individualmente e colectivamente a todas as outras, a cair pelos imprevistos naturais do jogo, mas também pelas características próprias de um jogo que proporcionava a jogadores como Griezmann, Payet e Giroud terem espaço. Enquanto que cada ataque Alemão enfrentava um sem número de opositores cuja valia é também elevada.

Como não será surpresa que a Europa se renda a Portugal. Mesmo que o mais forte esteja sempre mais próximo de vencer, há variáveis importantes que tornam este jogo tantas vezes de vencedor imprevisível. E será essa provavelmente a grande paixão do futebol.

Hora de ir a eles, rapaziada!

6 comentários:

Ricardo disse...

Permitam-me fazer de advogado do Diabo e arriscar que a França, tendo jogado contra a Alemanha como se fosse Portugal, muito provavelmente, até irá tentar, por todos os meios, forçar-nos a assumir o jogo. O discurso de não assumir de favoritismo do Deschamps poderá ser, a meu ver, um aviso que Fernando Santos terá de levar muito a sério.

João Mendes disse...

A Alemanha não é a seleção com as melhores individualidades, muito longe disso, foi conjuntamente com a Itália a melhor colectivamente e aquela primeira parte contra a França foi um hino ao jogo coletivo, depois com tempo explico melhor a minha visão desta Alemanha.

Cristiano Messi disse...

A meu ver, a melhor equipa deste europeu foi eliminada por Portugal: a Croácia.

Foram os croatas que melhor trataram a bola, desde o central que saía a jogar, ao avançado. Que equipa!

Ana Monteiro disse...

A nossa variável imprevisivel chama-se Ricardo Quaresma.

kalho disse...

E as equipas que defendem também têm sempre mais protecção dos árbitros. Só marcam penaltis quando têm mesmo a certeza e os defesas abusam. E quando um defesa é pressionado deixa-se cair e é marcada falta.

É muito mais fácil marcar falta sobre um defesa que sobre um avançado. Estas pequenas coisas também ajudam as piores equipas.

Mike Portugal disse...

A França tem mais individualidades que a Alemanha. A Alemanha só tem Ozil como fora-de-série, capaz de ir para cima e romper sozinho.

Mas de resto concordo. Hoje é tentar as transições o mais possível para aproveitar melhor as características dos nossos jogadores. Só uma achega: acho que o Renato não deve jogar de inicio, pois o jogo vai pedir precisão de passe e bom posicionamento defensivo, coisas que ele tem pouco. Depois na 2ª parte quando o jogo estiver um bocado mais partido, aí sim, ele que entre.