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sexta-feira, 8 de julho de 2016

Perfeição Alemã, e Qualidade individual.

Talvez não exista, no mundo, uma equipa nacional tão perfeita nos posicionamentos ofensivos e nos princípios de jogo que utiliza para tentar quebrar o adversário. É incrível como em cada situação de jogo, e tendo em conta a forma como o adversário se coloca em campo, aqueles jogadores conseguem sempre encontrar uma forma dominante de se colocar em largura e em profundidade ligados por uma rede infinita de apoios entre os sectores do adversário. São a melhor equipa do mundo na forma como se colocam sem bola, e na forma de utilizar o seu jogo de posições para encontrar ou criar espaço, tempo, e vantagem numérica.



A excelência no posicionamento contrasta, contudo, com a incapacidade para ameaçar o adversário pelos corredores laterais. Claro que por principio o melhor caminho será o de aproveitar o corredor central para chegar em melhores condições à baliza. Mas repare no número de pernas que a selecção francesa (ou a esmagadora maioria das equipas que defendem com o bloco muito junto e baixo) tem a defender esse corredor. O jogo alemão seria ainda melhor se nos corredores tivesse jogadores com qualidade individual para aproveitar o espaço, o tempo, e por vezes a vantagem numérica que se criava por lá. Kimmich é um jogador fantástico, não se deixe enganar. Porém, não é do tipo de jogador que vá para cima, que ameace no um contra um, que acelere com espaço, que procure a baliza assim que recebe naquela zona. Hector movimenta-se muito bem, mas também não consegue desequilibrar com bola no pé. Muller, Khedira, Bastian, e Can, que foram os jogadores que mais se movimentaram para receber no corredor também não têm esse tipo de qualidade. Por isso, por aquilo que os jogadores conseguiam ou não fazer individualmente os corredores laterais eram utilizados basicamente como apoio, para retirar de pressão ou para mover o adversário. Com Draxler e Ozil, que têm individualmente essas competências, responsáveis pela ligação entre linhas ficou muito mais previsível o jogo alemão, e com muito menos capacidade para aproveitar as situações que melhor que ninguém eles criam.

Draxler a aproveitar a vantagem numérica criada.

Draxler a aproveitar a situação de 1x1 sem cobertura.

Os dois golos têm um denominador comum: Draxler. No primeiro lance na acção que precede a assistência, a utilizar o movimento do lateral para desequilibrar. Poderia até ter sido outra a decisão, mas jogou com o movimento do lateral para colocar o adversário em dúvida. Fixou, soltou, e golo. No segundo golo a aproveitar individualmente a situação criada. Ficaram a faltar mais jogadores com este tipo de qualidade para aproveitar a excelência no posicionamento, porque não basta por princípio criar ou encontrar condições para desequilibrar. É preciso igualmente ter jogadores com capacidade para aproveitar essas situações. E foi essa capacidade de ameaçar pelos três corredores que, na minha opinião, lhes faltou durante todo o Europeu de 2016.

Imagine que na seguinte imagem os nomes à branco eram substituídos pelos nomes à vermelho, no jogo de posições.
Parece-lhe familiar? Laterais por dentro e extremos por fora, onde é que já viu isso?

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Hecatombe da nação do futebol

Tanta é a desorganização nesta competição que a minha motivação foi sempre muito pouca. Mesmo as equipas que se apresentaram organizadas não foram nada de especial, tendo inclusivamente, algumas delas, ido para casa bastante cedo. Ontem, porém, aconteceu algo que tem de ficar para a história. A Alemanha, independentemente do resultado da final, deverá ficar como a melhor equipa deste torneio. Pela qualidade dos seus processos, pela organização que demonstrou, pelas vitórias contundentes contra equipas com potencial individual e processos colectivos inexistentes, pela melhor exibição colectiva deste campeonato do mundo, pela vitória sobre a desorganização que reina neste mundial!


O melhor desta goleada é que todo o mundo viu esta meia final. O pior é que muitos vão continuar sem perceber e dizer que foi um acaso. O banho colectivo que o Brasil levou, mais uma vez, demonstra tudo o que vem sendo defendido por aqui. Uma equipa não é um conjunto de onze individualidades lançadas para o campo ao mesmo tempo. É preciso organizar-se para atacar, e sustentar esse ataque com uma forma de defender congruente com o futebol ofensivo que se pratica. É preciso que as onze individualidades tenham uma ideia comum de jogo. É preciso percorrer os melhores caminhos para se chegar mais vezes ao golo, ainda que esses não levem a notoriedade de quem finaliza. O futebol mudou, evoluiu, está diferente, está mais complexo. Quem continuar a recusar-se a aceitar a evolução vai continuar a ser ultrapassado.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Controlo da profundidade

A importância de ter um Guarda Redes que é mais um jogador em campo. Hoje, em grandes equipas, que joguem com um bloco altíssimo, é essencial que ele faça parte das tarefas defensivas. E que esteja contemplado no modelo de jogo por forma a controlar melhor o espaço nas costas da última linha defensiva. Sem esquecer a importância que ele tem na primeira fase de construção, por forma a contornar a pressão adversária. Procurando os colegas melhor colocados em posições adiantadas, servindo constantemente como linha de passe (cobertura ofensiva) aos colegas da última linha. Ter Neuer é ter metade do trabalho feito.
As impressões do primeiro jogo contra Portugal, bem como no jogo contra o Gana, mantêm-se. Gosto dos princípios ofensivos, exceptuando a falta de largura, como havia afirmado algures na caixa de comentários após o jogo com a selecção nacional.