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sábado, 21 de janeiro de 2012

O caso Bojinov

Talvez por ter "ouvido" na rádio em directo o que se passou, e só depois ter visto as imagens, não creio que seja algo que deva ter a importância desmesurada que Domingos e os dirigentes do Sporting lhe atribuem.

Preparado para o pior, depois de um "agressão entre colegas de equipa" radiofônico, as imagens não me pareceram extraordinárias. Não consigo vislumbrar qualquer acto de agressividade por parte de Bojinov. Insubordinação com a decisão do treinador, sim. Agressividade ou mau trato por colocar a mão no peito do colega, dando a entender que aquele penalty era para ele, não.

O búlgaro merece internamente um reparo por desrespeitar uma indicação do treinador, mas situações idênticas são às centenas. Com a diferença de que a bola entra e já ninguém quer saber.

Parece-me claro que a decisão de afastar Bojinov poderá estar muito mais relacionada com o rendimento obtido e o esperado, até pelos valores seguramente elevadissímos que o búlgaro aufere, que propriamente pela gravidade da situação.

O acto de Bojinov foi seguramente bem menos gravoso que a forma como João Pereira em Aveiro desrespeitou Matias, sem sequer lhe tocar. Estou seguro que quem andou lá dentro percebe em que situação Matias se sentiu mais melindrado.

P.S. - Se a bola entra, é possível que se estivesse a falar da reabilitação de um jogador. Não estou certo que Domingos deixasse o caso tomar a proporção que tomou.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Pressão para Domingos

Nunca nos anos mais recentes, teve o Sporting a possibilidade de formar um onze com a qualidade individual que promete vingar em Alvalade na presente época.

A pressão e a responsabilização sobre o treinador será, e terá mesmo de ser, maior que nunca. Há, porém, que garantir uma forma correcta de avaliar o seu trabalho, para além dos troféus que almejar. Se Domingos mostrar competência estará mais próximo de ser feliz, mas não há garantia de que bastará a sua competência para levar o Sporting aos títulos.

Se numa Liga juntarmos os melhores dezasseis treinadores do mundo, os que ficarem nos últimos lugares são incompetentes? E se juntarmos os piores. O campeão passará a ser competente?

A Domingos deve ser exigido futebol. Uma equipa segura a defender, próxima e solidária. E ao mesmo tempo, ser ofensivamente capaz de chegar com assertividade, qualidade e frequência às zonas de finalização.

Se pudesse entrar naquela mente, esqueceria imediatamente a linha de quatro médios ofensivos nas costas de um avançado, e prepararia o quanto antes o tradicional 4x3x3. Crê-se que jogadores como Schaars ou Elias beneficiariam imenso a jogar uns metros mais recuados, e a levar o jogo de trás para a frente. E o brasileiro até parece ter uma chegada à área adversária bem interessante.

E seria com Rinaudo a trinco, uns metros à sua direita e esquerda, com Elias e Schaars (ou Izmailov), Jeffrén a extremo esquerdo, tal como na maioria dos minutos que somou em Barcelona, e Izmailov (ou Capel) a extremo direito, com Bojinov a avançado, que iniciaria o que falta da presente época. Sabendo que fora do onze, há ainda várias opções interessantes, com capacidade para poder mudar a ideia inicial.

A Domingos não deve ser exigido o título. É indesmentível que disputa o troféu com adversários mais apetrechados. Deve, todavia, ser exigido um jogar totalmente diferente do que nos foi apresentado no início de época. Daqui por um mês, qualquer resultado menos bom terá de ser uma fatalidade, e não fruto da incapacidade da equipa em produzir jogo.

P.S. - Sobre as ocasiões de golo. Diz-nos o site da Liga que o Sporting é a equipa que mais ocasiões cria. Vinte e três, contra dezoito de Benfica e dezassete do FC Porto. Talvez o problema seja englobar todo e qualquer lance que termine com remate perigoso à baliza, em ocasião de golo. É que exceptuando o golo de Izmailov no primeiro jogo, o mal anulado de Postiga, e a incrível perdida de Capel em Aveiro, é difícil recordar onde esteve o Sporting mais próximo do golo, do que Hulk quando cobrou dois penaltys, do que Nolito quando isolado só com o guarda redes do Gil Vicente fez golo, e quando sem ninguém ao seu redor, já próximo da pequena área rematou para a baliza deserta do Feirense, do que Cardozo quando praticamente na linha de golo encostou para o segundo golo no jogo com o Feirense, do que Saviola que recebe um passe atrasado rasteiro a menos de um metro da linha da pequena área, quando chega ao golo em Barcelos, ou do que Bruno César que percorre toda uma avenida e termina a finalizar em zona central só com o guarda redes à sua frente na Madeira. Considerar que estes lances têm a mesma dificuldade de finalização que um qualquer remate que apesar de desenquadrado, e ou feito de fora da grande área, saiu bem e obrigou o guarda redes a defeder, não faz sentido. Contra o Maritimo, mesmo os golos do Sporting se ficaram a dever mais à excelência de Izmailov e à fortuna momentânea de Jeffrén, do que propriamente à capacidade do Sporting para gerar lances de perigo iminente.

P.S. II - Ainda sobre as oportunidades de golo. Procure ver os dois golos leoninos frente ao Wolfsburg no Next Generation Series U19. Quando os seniores perderem pontos depois de desperdiçar oportunidades como as criadas nos tais golos, saberemos que mais do que da construção das situações de finalização, o problema do Sporting estará na própria finalização.

domingo, 3 de julho de 2011

Futuro ponta de lança de Sporting e SL Benfica?


Trinta e três golos. É esta a soma do número de golos marcados por Bojinov, em conjunto com Bendtner nas últimas quatro épocas, nas Ligas em que participaram.

Até aqui, onde nem se valoriza em demasia determinados dados, como o número de golos e assistências obtidas, ficamos preocupados. Os números podem ser de facto assustadores. Mais ainda se pensarmos que o jogador que o SL Benfica tem preparado para substituir Cardozo, obteve nas últimas quatro épocas menos golos (vinte e um) que os que o paraguaio somou somente na última. Ou se nos recordarmos que se crê que Postiga não serve, precisamente porque não é um finalizador de excelência.

Os dados não podem, obviamente, servir para traçar a qualidade dos jogadores. Não é a capacidade de finalização que determina o valor do jogador. Essa deve ser vista como um extra. Todavia, se nos recordarmos do perfil de avançado que quer Sporting, quer Benfica pretendem, não serão os alvos definidos verdadeiros tiros nos pés?

Jorge Jesus já referiu inúmeras vezes que gosta de ter um avançado que sirva como referência na área. Alguém capaz de finalizar com elevada qualidade o caudal ofensivo, criado por outrém. Domingos se pretende de facto outro avançado, dificilmente tal não pode ser dissociado da percepção que terá da menor capacidade de finalização de Hélder Postiga. É que o português é bastante apto em tudo o mais.

Importante reforçar que o texto não pretende, de forma alguma desvalorizar o valor quer de Bojinov, quer de Bendtner. Como poderia tal ser verdade, se nunca foi possível assistir a um minuto que fosse de um jogo em que o búlgaro tenha participado. E de Bendtner, a imagem guardada até é extremamente positiva.