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domingo, 6 de janeiro de 2013

O processo de treino e o golo do Paços de Ferreira em Alvalade

"As pessoas não têm noção da velocidade a que tudo sucede e da falta de espaço que há no relvado". Pedro Henriques. Comentador e ex jogador do FC Porto e SL Benfica, em entrevista ontem ao jornal Record.

Desde sempre que o propósito do Lateral Esquerdo foi enfatizar a importância da competência da equipa técnica para se almejar o sucesso. Enfatizar a importância desmedida que a vertente táctica tem no jogo moderno.

Desde que por aqui se "descobriu" um novo método (por imagens sobretudo) de justificar o que antes já se defendia, mas apenas por palavras, que a mensagem que se tenta passar sai mais perceptível, o que por vezes pode causar a sensação errada de que o futebol é um jogo fácil. Não é. É um jogo extremamente complexo.

E é complexo sobretudo pela enorme variabilidade de situações, mas também e muito, pela velocidade a que tudo decorre.

Há dois dias atrás numa troca de impressões sugeria que Rolando, não sendo um central de valor indiscutível seria indubitavelmente um enorme upgrade no centro da defesa leonina. Garantiam-me que o problema do Sporting era colectivo. E é. Desde o início da época que por aqui se apontam erros colectivos, mesmo que com génese em algumas individualidades. O Sporting não é uma equipa de futebol. Não há ideias conjuntas, quer ofensiva, quer defensivamente. 

É nesse sentido que mais do que tudo, o Sporting precisa de uma equipa técnica que perceba a evolução que o jogo teve. Uma equipa técnica que trabalhe a equipa para ser uma equipa e não somente onze pessoas que sobem ao relvado para jogar um jogo. 

Há, porém, quem cometa o erro de crer que bastará uma grande equipa técnica para que o Sporting reentre na luta pelo titulo (mesmo que em épocas vindoiras), mesmo mantendo as actuais peças. Avancei o prognóstico de que mesmo após a entrada em funções de Jesualdo Ferreira como treinador principal, se a aposta continuar a ser no mesmo onze, o Sporting continuará a cometer erros grosseiros no centro da sua defesa. A justificação foi curiosamente algo que Pedro Henriques mencionou numa entrevista um dia depois.  "Uma coisa são pequenos pormenores para corrigires. Outra é não teres noção do que fazes em campo. Cá fora até podes começar a perceber, mas lá dentro é tudo tão rápido que demorará demasiado tempo".

Com exemplos concretos. São mais que muitos, e já são apontados desde há muito, os erros posicionais de Cédric. No jogo deste fim de semana custaram uma derrota. Mesmo que convenha e muito, perceber como se chega a uma situação de 3x4+GR com espaço para o enorme Josué decidir. Ainda assim, em última instância os últimos a ficarem atrás da linha da bola deveriam ter tido capacidade para dificultar a tarefa dos pacences. Porém, pela posição a que se candidata, o tipo de erros que comete (sobretudo mau controlo da largura) podem ser considerados corrigiveis. Depende sobretudo do saber se o jogador tem capacidade para perceber o que o rodeia à velocidade a que o jogo decorre. No outro lado da segunda circular há um paraguaio que é lateral há seis meses, passa por tantas ou mais situações com apenas quatro atrás da linha da bola quanto Cédric e nunca o vimos mal posicionado como o português. 

Trabalho do treinador. Todavia, importa também perceber se o jogador tem capacidade para interpretar o que cada situação pede à velocidade a que tudo se sucede. Parar a imagem na TV e corrigir posicionamentos é fácil. Lá dentro não será assim, seguramente. 

Aparentemente Marcos Rojo nunca foi defesa central. Como defesa lateral, denotou também imensos erros posicionais. No golo do Paços está tão mal posicionado quanto Cédric. Simplesmente a bola seguiu pela direita, quando poderia igualmente seguir pela esquerda e terminar na baliza de Patrício. Rojo, tal como Cédric poderá ter potencial para jogar com qualidade numa lateral da defesa. E tal como Cédric é no momento um jogador demasiado limitado, mesmo para corredor lateral. Importa perceber o mesmo que importa com Cédric. Para além do ganho de conhecimentos que tanto urge, há que saber como lida com a velocidade a que tem de dar as suas respostas. Já como defesa central, as duvidas sobre a possibilidade de se tornar um jogador interessante são mais do que muitas. Usar referências será sempre mais fácil que ser referência. O seu desconhecimento e a sua falta de experiência é tanta que dificilmente o argentino se tornará num central importante. 

Há treinadores capazes de retirar o potencial máximo de cada jogador. Todavia, se a experiência e capacidade para interpretar a grande velocidade o que os rodeia não tivesse a importância que tem, qualquer jogador de futsal, com o treinador correcto poderia facilmente tornar-se um jogador importante. Tem a técnica, tem a velocidade, tem a força. A táctica dá o treinador, não é? Não. Aprender, ter o conhecimento é determinante, mas saber usá-lo no campo não é para todos.

Boulahrouz foi treinado por José Mourinho. É certo que os conhecimentos deverá ter. Dar respostas é que é pior. E por alguma razão foi defesa lateral nas últimas épocas no Estugarda.

Conforme sugerido no post anterior, aqui fica a sugestão de um posicionamento diferente para defender a situação de jogo que culminou com o golo do Paços de Ferreira. Quatro atrás da bola.


Sugestão próxima (diferença está no posicionamento da bola) da que havia sido dada para a mesma situação (quatro atrás da linha da bola) num post bem antigo, sobre a Premier League



P.S. - Os problemas são colectivos, e importa reforçar que mais do que tudo o Sporting precisa de encontrar urgentemente uma grande equipa técnica. Mas não se pode negligenciar que jogadores diferentes darão resultados diferentes. Não foi por acaso que após o jogo com o SL Benfica aqui referimos que a simples troca de jogador (Dier por Cédric) corrigiu as lacunas posicionais no lado direito da equipa de Alvalade. 

P.S. II - Josué joga muito!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Há defender e há correr à toa. Você decide o que mais gosta. Curta do Derby.

Uns sobem e reduzem o espaço, outros descem. Um para uma cobertura afastadíssima com a bola tão próxima da baliza e outro para trás do guarda redes. Decida você o que na actualidade é bizarro e o que é bem feito.


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Comportamento defensivo dos defesas e trinco do Sporting

O péssimo posicionamento defensivo dos centrais, frequentemente desposicionados e sem a mínima percepção do que estão a fazer em campo, já foi por diversas vezes aqui abordado. Referimo-nos ao inenarrável Marcos Rojo ainda antes de começar a hecatombe. Talvez por ter passado algum tempo lesionado, Boulahrouz foi escapando à critica. Até determinado momento.

É absolutamente horrível a linha defensiva do Sporting. Aparentam ser um grupo de amigos que se junta ao fim de semana, sem qualquer noção, nem treino sobre o jogo. A ausência de princípios colectivos, desvaloriza ainda mais as individualidades, que ainda assim cometem erros que qualquer equipa dos escalões de formação leoninos não cometeriam. 

Os lances nas imagens seguintes, todos recolhidos da primeira parte do jogo da Liga Europa, não resultaram em qualquer perigo. A razão pelo qual os identificámos foi para garantir que o Sporting a qualquer momento pode sofrer golos. Muitos golos. Não são os adversários que estão a aproveitar os erros. Os erros acontecem a cada segundo, e muito feliz tem sido o Sporting por consentir tão poucos golos. 

O jogo de hoje com a Académica foi inacreditável do ponto de vista defensivo, tendo culminado com um avançado da briosa a receber a bola na entrada da área leonina, num momento em que os centrais estavam abertos. Tudo isto durante a organização defensiva do Sporting.

Identificou muito bem um dos problemas, Oceano. Mesmo durante o jogo, para quem seguiu o jogo pela TV foi perceptível a sua preocupação com a proximidade das linhas. Todavia, os problemas vão muito para além da falta de qualidade do controlo na profundidade. Também na largura há imensos problemas posicionais. Não há equilíbrios. Não há quaisquer princípios. É a equipa mais desorganizada de que há memória em Alvalade.








quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O legado de Sá Pinto. Take II, ou uma das piores equipas a defender do futebol europeu.

Alguns lances poderão eventualmente, estar descontextualizados. Não me foi possível, ainda, rever o jogo, e os lances são retirados deste resumo.

Os resumos não mostram na totalidade o que leva a determinadas situações em termos posicionais, pelo que  é possível que sejam cometidas algumas injustiças de julgamento em um ou outro lance. Todavia, e pelo histórico de erros posicionais da defensiva leonina, o mais provável é que não haja mesmo qualquer injustiça. Em termos colectivos, defensivamente este é o pior Sporting da última década. Também por isso, Rojo e Boulahrouz parecem a pior dupla de centrais leonina a que a memória nos faz chegar. Mas, os laterais têm-se juntado ao rol de disparates defensivos. A culpa terá de ser atribuída a quem não treinou minimamente a interpretação e coordenação dos seus defesas às diversas situações de jogo. Cada um joga por si e o resultado são jogadores na fogueira. Justamente? O tempo o dirá.