A época vai demasiado curta, mas
já hoje é impossível não imaginar onde vão chegar João Mário, Carrillo e Paulo
Oliveira.
Nenhum treinador do mundo
consegue fabricar um talento que não tenha potencial para lá chegar. Todavia,
como sempre fomos afirmando ao longo dos últimos muitos
anos, os jogadores que
beneficiavam de estar integrados no modelo de Jesus saíam extremamente
valorizados enquanto individualidades. Aquele jogo apaixonante, de várias
linhas de passe próximas, em apoio, em profundidade, à esquerda, à direita, no
apoio frontal ou na cobertura potencia uma tomada de decisão mais fácil e
consequentemente mais acertada. Naquele modelo de jogo todos se arriscam a
crescer como nunca se previu. O segredo esteve sempre no modelo que Jesus
trabalha. Por isso o vimos, sempre com razão, afirmar que era indiferente jogar
X ou Y. O modelo faz crescer. O seu modelo é o segredo.
Nos últimos seis anos, ao
contrário do seu rival Sporting, o Benfica somou transferências inacreditáveis.
Hoje é fácil prever que também o Sporting num futuro não muito longínquo poderá
entrar numa espiral muito positiva também nas verbas que somará com
transferências.
João Mário. Enormíssima
qualidade. Sempre a uma rotação elevadíssima, como se exige a quem ocupa o
espaço central no 442 de Jesus. Qualidade técnica assinalável, sempre a decidir
rápido. A mudar o centro de jogo, a progredir quando há espaço. Agressividade
na ocupação e a sair para a contenção. Não há muitos médios na Liga com mais
qualidades que o português. Está no
local certo há hora certa para crescer como nunca.
Carrillo. Finalmente todas
aquelas capacidades individuais encontram um colectivo que potencie toda a sua
criatividade. Recebendo no corredor central, entre linhas, conforme impõe o
modelo de Jesus aos seus extremos, é um verdadeiro quebra cabeças. Define com
qualidade. Sempre mostrou capacidades também na decisão. Faltava-lhe apenas um
modelo ofensivo bem definido como o que encontra agora. Drible, remate,
decisão. Candidato a uma das figuras do ano.
Paulo Oliveira. Cresceu muito com
o contexto competitivo que encontrou no Sporting. Hoje prepara-se para crescer
individualmente naquilo que é mais complicado para um defesa perceber.
Distâncias para a bola em função do contexto em que o portador tem a posse. (de
costas? Com pressão? Corredor lateral? Corredor central?) Grande qualidade a
interpretar o que o rodeia, bem demonstrada na capacidade para se antecipar.
Muito potencial tem o jovem português.
Ruiz. Qualidades que encaixam
bastante bem no modelo ofensivo do Sporting. Qualidade técnica assinalável que
lhe permite jogar por dentro, como é pedido aos extremos leoninos. Decisão
rápida e fácil. Capaz de desequilibrar mas também de equilibrar pela forma como
percebe o espaço a ocupar e os momentos em que o fazer. Sabe quando acelerar ou
temporizar. Jogador de classe, Ruiz é um dos bons reforços da Liga portuguesa.
Aquilani. Alguns minutos em campo
a fazerem perceber toda a sua qualidade. De frente para o jogo mexe com toda a
equipa. Capaz de colocar a bola onde mete os olhos, o italiano vê tudo e tem
qualidade técnica para impor no relvado o que a mente vislumbra. Será decisivo
no início das transições, mas também em organização pela forma como o seu passe
quebra linhas.
