Mostrar mensagens com a etiqueta Diogo Salomão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Diogo Salomão. Mostrar todas as mensagens

domingo, 9 de janeiro de 2011

Rei Salomão

O título não é original. Além de que é bem exagerado. Porém, se recordar que ainda há tão pouco tempo, o profissionalismo, para Diogo poderia ser apenas uma miragem, o trajecto do miudo da Amadora é bestial.

Só alguém profundamente corajoso poderá predizer que o futuro de Salomão possa passar por um dos grandes europeus, como tantos outros extremos do Sporting. A sua capacidade actual não faz prever tal cenário, e também é dificil adivinhar tal futuro no seu potencial. Tem, no entanto, todas as condições para poder ser um jogador importante no Sporting e em Portugal.

A excelente capacidade para aparecer ao segundo poste em zonas de finalização, foi algo perceptível desde bem cedo. É tecnicamente um jogador bem interessante e responsável tacticamente. É inteligente na forma como procura quase sempre soluções colectivas, conduzindo a bola na direcção do corredor central, e procurando invariavelmente colegas para tabelar.

Incremente as suas capacidades físicas (sua principal debilidade, facto a que não será alheio o tardio aparecimento numa equipa de topo) e continue humilde, procurando sempre o sucesso de todos, e seguramente que a sua hora chegará.

Diogo tem potencial e perfil para entrar na história do seu clube. Assim seja aproveitado e estimado.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Adivinha quem voltou

Dois pontos prévios.
i) O Levski Sófia pode ter parecido um docinho. É certo que não é uma equipa competente. Todavia, não duvide que é bastante superior a dois terços das equipas da primeira liga portuguesa.

ii) Por vezes, resultados desnivelados sucedem, só porque sim. Porque em determinado dia se esteve mais feliz na finalização. Sem que isso traduza necessáriamente uma alteração no jogar da equipa. Essa foi a razão que me levou a rever a gravação do jogo. Procurar confirmar diferenças substanciais na tendência de jogo do Sporting.

E provou-se. A diferença foi tão grande quanto o resultado demonstra. A tradicional saída da defesa para o ataque tão prevísivel e tão fácil de defender (bola no lateral, que passa para o extremo, indo desmarcar pelas costas na esperança de receber a bola mais à frente para cruzar para a área) do Sporting dos últimos tempos, não foi utilizada mais de duas, três vezes.

As saídas para o ataque passaram a ser feitas numa primeira instância pelo corredor central. Do central, a bola saía sempre para um dos três médios centro. Ao que se seguia diferentes comportamentos, dependendo do médio.

Zapater jogou mais simples (procurava mais Matias ou Maniche). De forma intermitente recorreu ao passe longo. Pouco feliz nesse aspecto, todavia. Maniche exagerou nos passes longos. Demasiadas vezes mal sucedido. E Matías foi o homem do jogo. Foi dos seus pés que a saída defesa ataque saiu de forma mais fluida e assertiva. Essencialmente pela sua decisão de trazer a bola na direcção do corredor central e pela primazia pelo passe curto, procurando à sua direita Postiga (que baixava e bem, no campo, servindo de apoio frontal), ou à esquerda Salomão, ou Evaldo.

Uma das grandes vantagens de sair pelo corredor central, é que mesmo que o adversário consiga pela concentração tapar o caminho para a baliza, forçando a opção pelo passe para o exterior (corredor lateral), este quando sucede, encontra o lateral ou o extremo, livre de oposição e com bem mais tempo para receber e enquadrar.

Curiosa também a boa opção pela mobilidade entre lateral e extremo, que resultou demasiadas vezes na forma como confundia o adversário. Quando Matías baixava e recebia a bola (sempre entre o corredor lateral esquerdo e o central), Salomão baixava também um pouco para receber a bola (sobre o lado esquerdo de Matías), trazendo consigo o lateral direito, ao mesmo tempo que Evaldo subia no relvado aproveitando o espaço libertado pela movimentação de Salomão. Relembre que defrontando equipas que centram o seu processo defensivo nas marcações individuais, os movimentos de mobilidade são absolutamente decisivos.

Notas individuais:

- Matías. Por tudo o que foi referido anteriormente;

- Postiga. O Sporting voltou a jogar com onze. O avançado não serviu somente para aparecer em zonas de finalização. O segundo golo nasce de um apoio frontal de Hélder Postiga, que com o corredor central ocupado solicitou Simon na direita. No terceiro assiste Salomão. O quarto golo é da sua autoria. E curiosamente é um lance onde nem sequer decide de forma assertiva. A jogada nasce novamente nos pés de Matías, que serve Salomão. O jovem tabela com Postiga e preparava-se para aparecer isolado na cara do guarda redes adversário, assim recebesse a bola. Importante perceber que a decisão de rematar de tão longe, ao contrário da opção mais correcta, que teria sido colocar Salomão numa situação de 1x0, não será alheia ao facto do jogo estar ganho e de, por certo, haver um normal sentimento de que havia que corar uma boa exibição com algo que fosse mais agradável aos olhos do público;

- Maniche. Não tem a mesma capacidade do colega do lado, e abusa demasiadas vezes do passe longo, que mesmo que bem sucedido, pode não trazer nada de novo. Contudo, mostrou-se bastante dinâmico. Beneficia imenso por ter um médio mais defensivo em campo, isto porque tem facilidade em aparecer nas imediações da grande área adversária;

- Simon e Salomão. Excelente a decisão de trazer a bola para o corredor central de todas as vezes que a recebem. Simon bastante melhor, pois foi sempre capaz de dar seguimento às suas jogadas. Menos bem Salomão. Demasiados ataques perderam-se nas suas botas. A primeira parte foi catastrófica. Porém, com a confiança de ter feito um golo, incrementou bastante a sua prestação;

- Evaldo. Em termos individuais foi um dos grandes beneficiados pelo facto de a bola deixar de sair pelos seus pés. Sem a responsabilidade de ter de iniciar a saída defesa-ataque, onde a sua pouquíssima técnica o expõe ao erro, Evaldo apareceu no momento ofensivo numa fase mais tardia. Quando recebia a bola, estava já bem próximo da área adversária e esta vinha do corredor central. Com tempo e espaço para o fazer, parece logo um jogador diferente. A sua boa capacidade física permitiu-lhe aparecer inúmeras vezes solto no corredor lateral. Infeliz nos cruzamentos, todavia.

P.S. - A propósito do golo de Postiga. Muitos de vós irão garantir que quando se marca um golo, é sempre porque a opção foi boa. Não é assim. A resposta está aqui. Pelo que não debaterei sequer esse assunto. Quando se decide bem, somos felizes mais vezes. Quando se decide mal, menos. Mas, tal não significa necessáriamente que seremos sempre felizes quando a decisão for boa, ou que uma má decisão esteja sempre condenada ao insucesso.

domingo, 25 de julho de 2010

Sporting X Tottenham


Ponto Prévio. Duas equipas extremamente desfalcadas, a jogar perante um calor assolador, nunca poderiam proporcionar um espectáculo inolvidavel. Carlos Manuel, o comentador de serviço da Sportv, com uma incrível experiência como jogador referiu-o por diversas vezes. Dadas as circunstâncias do jogo, dificilmente os jogadores entregariam a mesma disponibilidade do momento ofensivo, no defensivo.

MAIS

- Vontade e capacidade, ainda que em zonas relativamente baixas do campo, para jogar um futebol apoiado. A excepção é Miguel Veloso. Porém, com tamanha qualidade de passe longo, não raras vezes opta bem.

- Atributos técnicos de Valdés e Matías.

- Decisão por um pressing mais alto (ainda que em determinados momentos, não tenha sido respeitado por todos os jogadores. Logo, condenado ao insucesso).

- Vitória no torneio. É de pequenas conquistas, e da sede por mais, que se parte para algo mais valoroso.

MENOS

- Coordenação da linha defensiva. Uma linha que se pretende rigorosa não pode ter jogadores mais à frente que outros, tão pouco resistirá ao facto de não haver proximidade entre os quatro defesas. Ao longo de todo o jogo, a defesa do Sporting parecia um grupo de amigos perdidos em campo.

- Coordenação do sector defensivo com o meio campo. Simplesmente não existe. A desvantagem de não ocupar o espaço imediatamente à frente dos defesas centrais, é o permitir o jogo entre sectores ao adversário. Com apenas um passe vertical, para um avançado em apoio frontal, a situação de jogo passa para um 3 (avançados)x 4 (defesas). Ou seja, um simples passe para as costas do meio campo, permite ultrapassar seis jogadores. Aconteceu demasiadas vezes. Quando tal sucede, e se o avançado tiver capacidade para enquadrar com a baliza adversária, sucedem-se os lances de perigo, quer pelas penetrações dos alas, quer até pela própria possibilidade de remate do portador da bola.

- Ainda que desprotegidos pelo colectivo, as exibições individuais de todos os defesas leoninos, assim como a forma como Rui Patricio é batido no segundo golo, foi obviamente negativa.

MAIS OU MENOS

- Porque não apresentar a (quase) tempo inteiro, o onze para o primeiro jogo oficial? Que será já o próximo.

- Irreverência, nem sempre bem sucedida de Diogo Salomão.