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sábado, 1 de outubro de 2011

Capacidade de definição. Um dos muitos handicaps de Evaldo. Quando o Sporting esteve próximo de matar o jogo, mesmo jogando com dez.


A imagem e o video são de um lance não contabilizado como oportunidade de golo, mas cujo potencial para ter terminado em golo era incrivelmente superior a tantos outros lances que consideramos como tal.

O porquê de valorizarmos tanto a tomada de decisão, e a capacidade para definir bem os lances, está bem expresso no presente texto. Jogadores inteligentes criam situações de golo iminente só porque sabem como reagir a cada situação de jogo.


Não se encontram muitas situações potencialmente mais próximas do golo que a que Evaldo experienciou já bem próximo do fim do jogo perante a Lázio. Situação de 3x3, com bola no corredor central e imenso espaço para progredir com a bola. Ao contrário dos momentos em que o adversário está organizado e em que se impõe que a bola circule, esta é uma clara situação em que o portador da bola deve conduzir a bola atacando o corredor central, por forma a obrigar um adversário a ter de parar e sair ao seu encontro para travar a progressão. É então, já bem próximo do adversário que se fixou, que o passe deve sair para as costas de quem está em contenção. É determinante que o timing do passe seja o correcto. Se fosse, seria certo que de três jogadores atrás da linha da bola, a Lázio passaria a ter somente dois.

A imagem demonstra uma possível forma de resolução do lance. Não se pode afirmar que se resolve sempre desta forma, porque a tomada de decisão depende sempre do comportamento dos defesas. Porém, é garantido que em noventa por cento dos casos, é absolutamente determinante conduzir a bola, e fixar o adversário directo.

E o que fez Evaldo?




Em um segundo reduziu para metade as probabilidades de o lance terminar em golo. Ainda assim, depois da péssima decisão que foi colocar a bola no corredor lateral quando havia espaço no central para progredir, poderia a situação ter sido resolvida de uma forma mais eficaz?

Fica aqui uma sugestão, que garantidamente tornaria o lance bem mais perigoso.


Quando Rinaudo recebe a bola, as possibilidades de resolver com sucesso o lance já haviam diminuído. Continuava porém a ser um lance de muito potencial. Tivesse Rinaudo assumidamente atacado o corredor central, e tivesse Evaldo realizado uma desmarcação pelas costas, e ficaria completamente isolado, e ainda que sem enquadramento suficiente para poder finalizar com qualidade, teria um colega a aparecer ao segundo poste e o próprio Rinaudo a receber, posteriormente, atrás da linha da bola.

Uma situação destas com jogadores capazes de interpretar com qualidade o jogo, termina maioritariamente em golo. Quando temos alguém incapaz de definir bem o lance, são dezenas as jogadas potencialmente perigosas que nem consideramos como oportunidade.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Que campo tão curto, Domingos!

E foi esse o principal mérito e a principal diferença do novo Sporting. Repetindo o exercício iniciado durante a visualização das gravações dos jogos da época transacta, premindo o botão de pausa, e conferindo a distância entre sectores do Sporting, o resultado foi completamente diferente.

Do jogador mais avançado no campo de jogo, aos mais recuados (esqueça o guarda redes), não sobrou muito espaço para jogar. Mais que pela fraca capacidade do adversário, foi pela proximidade entre todos os seus jogadores que o Sporting foi capaz de consentir pouquíssimos ataques e remates. Não esquecendo também uma percentagem de bola já assinalável. Com todos mais próximos, torna-se bastante mais fácil recuperar a bola. E se essa mesma recuperação for realizada ainda no meio campo adversário, e tal sucedeu por diversas vezes, mais próximo continuará a estar a equipa leonina de chegar ao golo.

Para qualquer equipa que se pretenda dominadora, jogar com os defesas tão próximos da linha do meio campo, é um risco claramente compensatório, se os restantes jogadores se mantiverem concentrados e capazes de impedir que o adversário tenha demasiado tempo para decidir e executar. Jogar tão alto, retira imensa capacidade para poder ser clarividente ao adversário. Ninguém, particularmente quando a qualidade não abunda, arrisca em zonas demasiado recuadas. Não raras vezes, após a perda de bola, se torna a recuperar rapidamente a sua posse, somente porque o adversário se vê obrigado a jogar longo e sem nexo, por forma a não arriscar perdas em zonas tão recuadas do campo. E esta é indubitavelmente a fórmula correcta para subjugar os adversários. Mesmo em dias menos inspirados, estar sempre tão próximo da meta, poderá revelar-se determinante.

Destaques individuais:

Rinaudo. Se ao campo curto juntarmos a agressividade sobre a bola do argentino, teremos rápidas recuperações de posse da bola. Na senda dos grandes médios defensivos argentinos, Rinaudo promete não deixar tempo nem espaço para os adversários decidirem e executarem na sua zona de acção. Interessante o jogo de coberturas ofensivas (linha de passe atrás do portador da bola) a dar seguimento aos ataques. O segundo golo nasce de uma bola que volta atrás, para dos seus pés sair na direcção de Postiga, antes de Schaars solicitar Ricky.

Schaars. Recebe, passa, procura linha de passe. Jogador de processos simples. Aparentemente culto tacticamente, pela facilidade que parece demonstrar nos gestos técnicos, e disponibilidade para oferecer opções de passe aos colegas, promete tornar-se num jogador importante no novo Sporting. Uma espécie de relógio suiço. Jogador fiável e com extraordinária capacidade de colocar a bola. A rever.

Hélder Postiga. O melhor. Os golos fazem-lhe tão bem. Não precisa deles para ser útil, mas são os golos que lhe dão confiança para tudo o resto. O golo cedo libertou-o. Bastante forte a oferecer linhas de passe e a dar seguimento à bola de cada vez que a recebia, está também na origem do segundo golo. É ele que baixa para receber a bola de Rinaudo. De patinho feio a titular importante é apenas um saltinho, que dependerá apenas da confiança com que abordar cada lance.

Izmailov. Joga muito. Esteve pouco participativo, mas percebe-se que a qualidade continua toda lá. Será determinante, assim continue com as capacidades intactas.

Ricky. Pouco participativo. Demonstrou potência num remate interceptado e mais técnica que a que poderia ser expectável face à sua fisionomia. A rever.

Evaldo. Que consiga ser útil a defender, porque a atacar é um desastre. Tal como todos os laterais de terceira divisão, tem a irritante mania de passar o jogo todo a passar a bola somente para o extremo esquerdo, mesmo que o deixe em apuros, apertado entre a linha lateral e o adversário directo. Já foi feliz com Domingos, e se não comprometer defensivamente, mesmo prometendo ser o elo mais fraco, poderá não ser um entrave à ambição leonina.

André Martins. Pouco tempo em jogo, mas o suficiente para se perceber que o miúdo mexe na bola! Possível candidato a surpresa, assim fique no plantel.

Yannick Djaló. Nunca será um extremo de qualidade. Se algum dia render o suficiente para justificar fazer parte de uma equipa do nível do Sporting, será a avançado, explorando a profundidade nas costas da defesa adversária.

P.S. - Não irrita um bocado chamarem "cicatrizes" ao holandês!? Respondam-me os entendidos. Será mesmo assim que se pronúncia!?

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Evaldo. Podendo estar a ser injusto.

Parece verdadeiramente vergonhosa a abordagem que o defesa leonino, em risco de falhar o derby na jornada seguinte, tem feito a cada lance defensivo em que participa desde que o jogo começou. "Fugir com o rabo à seringa" nunca pareceu algo digno de um profissional de mão cheia.

De resto, é só mais um prego num caixão há muito fechado. O brasileiro não tem categoria para jogar num Sporting que se pretenda mais ambicioso. A qualidade técnica, devia ser um critério prioritário na selecção de jogadores para representar um clube grande. Aparentemente, não o é.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Adivinha quem voltou

Dois pontos prévios.
i) O Levski Sófia pode ter parecido um docinho. É certo que não é uma equipa competente. Todavia, não duvide que é bastante superior a dois terços das equipas da primeira liga portuguesa.

ii) Por vezes, resultados desnivelados sucedem, só porque sim. Porque em determinado dia se esteve mais feliz na finalização. Sem que isso traduza necessáriamente uma alteração no jogar da equipa. Essa foi a razão que me levou a rever a gravação do jogo. Procurar confirmar diferenças substanciais na tendência de jogo do Sporting.

E provou-se. A diferença foi tão grande quanto o resultado demonstra. A tradicional saída da defesa para o ataque tão prevísivel e tão fácil de defender (bola no lateral, que passa para o extremo, indo desmarcar pelas costas na esperança de receber a bola mais à frente para cruzar para a área) do Sporting dos últimos tempos, não foi utilizada mais de duas, três vezes.

As saídas para o ataque passaram a ser feitas numa primeira instância pelo corredor central. Do central, a bola saía sempre para um dos três médios centro. Ao que se seguia diferentes comportamentos, dependendo do médio.

Zapater jogou mais simples (procurava mais Matias ou Maniche). De forma intermitente recorreu ao passe longo. Pouco feliz nesse aspecto, todavia. Maniche exagerou nos passes longos. Demasiadas vezes mal sucedido. E Matías foi o homem do jogo. Foi dos seus pés que a saída defesa ataque saiu de forma mais fluida e assertiva. Essencialmente pela sua decisão de trazer a bola na direcção do corredor central e pela primazia pelo passe curto, procurando à sua direita Postiga (que baixava e bem, no campo, servindo de apoio frontal), ou à esquerda Salomão, ou Evaldo.

Uma das grandes vantagens de sair pelo corredor central, é que mesmo que o adversário consiga pela concentração tapar o caminho para a baliza, forçando a opção pelo passe para o exterior (corredor lateral), este quando sucede, encontra o lateral ou o extremo, livre de oposição e com bem mais tempo para receber e enquadrar.

Curiosa também a boa opção pela mobilidade entre lateral e extremo, que resultou demasiadas vezes na forma como confundia o adversário. Quando Matías baixava e recebia a bola (sempre entre o corredor lateral esquerdo e o central), Salomão baixava também um pouco para receber a bola (sobre o lado esquerdo de Matías), trazendo consigo o lateral direito, ao mesmo tempo que Evaldo subia no relvado aproveitando o espaço libertado pela movimentação de Salomão. Relembre que defrontando equipas que centram o seu processo defensivo nas marcações individuais, os movimentos de mobilidade são absolutamente decisivos.

Notas individuais:

- Matías. Por tudo o que foi referido anteriormente;

- Postiga. O Sporting voltou a jogar com onze. O avançado não serviu somente para aparecer em zonas de finalização. O segundo golo nasce de um apoio frontal de Hélder Postiga, que com o corredor central ocupado solicitou Simon na direita. No terceiro assiste Salomão. O quarto golo é da sua autoria. E curiosamente é um lance onde nem sequer decide de forma assertiva. A jogada nasce novamente nos pés de Matías, que serve Salomão. O jovem tabela com Postiga e preparava-se para aparecer isolado na cara do guarda redes adversário, assim recebesse a bola. Importante perceber que a decisão de rematar de tão longe, ao contrário da opção mais correcta, que teria sido colocar Salomão numa situação de 1x0, não será alheia ao facto do jogo estar ganho e de, por certo, haver um normal sentimento de que havia que corar uma boa exibição com algo que fosse mais agradável aos olhos do público;

- Maniche. Não tem a mesma capacidade do colega do lado, e abusa demasiadas vezes do passe longo, que mesmo que bem sucedido, pode não trazer nada de novo. Contudo, mostrou-se bastante dinâmico. Beneficia imenso por ter um médio mais defensivo em campo, isto porque tem facilidade em aparecer nas imediações da grande área adversária;

- Simon e Salomão. Excelente a decisão de trazer a bola para o corredor central de todas as vezes que a recebem. Simon bastante melhor, pois foi sempre capaz de dar seguimento às suas jogadas. Menos bem Salomão. Demasiados ataques perderam-se nas suas botas. A primeira parte foi catastrófica. Porém, com a confiança de ter feito um golo, incrementou bastante a sua prestação;

- Evaldo. Em termos individuais foi um dos grandes beneficiados pelo facto de a bola deixar de sair pelos seus pés. Sem a responsabilidade de ter de iniciar a saída defesa-ataque, onde a sua pouquíssima técnica o expõe ao erro, Evaldo apareceu no momento ofensivo numa fase mais tardia. Quando recebia a bola, estava já bem próximo da área adversária e esta vinha do corredor central. Com tempo e espaço para o fazer, parece logo um jogador diferente. A sua boa capacidade física permitiu-lhe aparecer inúmeras vezes solto no corredor lateral. Infeliz nos cruzamentos, todavia.

P.S. - A propósito do golo de Postiga. Muitos de vós irão garantir que quando se marca um golo, é sempre porque a opção foi boa. Não é assim. A resposta está aqui. Pelo que não debaterei sequer esse assunto. Quando se decide bem, somos felizes mais vezes. Quando se decide mal, menos. Mas, tal não significa necessáriamente que seremos sempre felizes quando a decisão for boa, ou que uma má decisão esteja sempre condenada ao insucesso.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Soltas do clássico


Soltas do derby eterno. O melhor jogo do mundo.

- O palpite avançado na semana passada tornou-se real. Era altamente improvável o Sporting ter sucesso no Estádio da Luz. Este SL Benfica, independentemente do que a actual classificação nos revela é bastante superior no plano técnico-táctico ao actual Sporting;

- Jogo enorme de Saviola. Revendo o clássico, há algo comum a todas as jogadas perigosas do SL Benfica. A participação assertiva e determinante do argentino;

- Como justificar a quantidade quase pornográfica de bolas perdidas pelos defesas e centrocampistas (André Santos à cabeça) do Sporting? E a cada uma delas seguia-se sempre um ataque rápido do SL Benfica bastante perigoso;

- Técnicamente, Evaldo é do pior que já se viu de leão ao peito. Tem muita força e velocidade q.b. Porém, tal é insuficiente para se poder afirmar como jogador importante nos processos ofensivos de uma equipa que pretende ser dominadora. Jesus explicou a estratégia. Bloquear as saídas do João Pereira, obrigando o Sporting a sair pela esquerda. Percebe-se porquê;

- Cardozo foi o homem do clássico. Tivesse sido eficaz como Paulo Sérgio sugeriu e o resultado teria sido uma catástrofe. As suas duas perdidas antes, e duas perdidas depois dos dois golos, desmentem o treinador leonino;

- Ao contrário dos jogadores do Sporting, os do Benfica sabem sempre qual o melhor comportamento a adoptar nas diversas situações. Nada parece fruto do acaso. Como reagir ao colega que é driblado? Como ocupar o espaço em determinada situação? Se ter conhecimento táctico do jogo pode não ser garante suficiente para o sucesso. Relembre que não basta saber, é preciso aplicar bem. É no entanto inegável que sem tal base, as dificuldades crescem exponencialmente;

- Peixoto voltou à lateral esquerda. Se é verdade o que Jesus garantiu. "Em termos colectivos Peixoto não erra", é indesmentível que a ausência de um desiquilibrador (Simon?) desde início no seu corredor facilitou imenso o jogo a Peixoto. Afinal, é nas situações defensivas de 1x1 que César encontra mais dificuldades;

- É possível que Nuno André Coelho não tenha feito a exibição atroz que lhe é atribuída. Já aqui referimos que o colectivo não está preparado para reagir às diversas situações (relembre o post anterior). Só por isso os jogadores leoninos ficam mais fragilizados e expostos aos erros;

- Liedson já era. E não é por não ter sido capaz de transformar em golo o único lance verdadeiramente perigoso do Sporting em todo o jogo;

- A muita posse de bola do Sporting foi bastante estéril. Contam-se pelos dedos de uma mão os passes que entraram em apoio frontal, na zona à frente dos centrais do SL Benfica.