Igualmente bastante fraca até bem próximo do minuto 75.
Todos os que creêm que Portugal controlou considerarão um infortúnio o lance
que terminaria com a bola dentro da baliza nacional. Todavia, a tremenda
facilidade com que os alemães chegaram sempre com a bola dominada ao último
terço de Portugal fazia antever o desfecho.
Talvez tenha sido a opção alemã por tirar dezenas e dezenas
de cruzamentos que não lhes permitiu criar mais lances catalogados como
oportunidades de perigo. Havia de ser dessa forma, obviamente, porque o fizeram
inúmeras vezes, que se adiantariam. Mas, seria essa a melhor forma de atacar as
zonas de finalização? Lembrando até aquilo que Bruno Alves e Pepe oferecem na
resposta a tais situações.
Nunca se saberá. Cada qual com as suas convicções. O que é
certo é que ao longo os noventa minutos foram mais de vinte os cruzamentos
bastante perigosos que sobrevoaram a área portuguesa. As probabilidades de
todos eles terminarem sem finalização não seriam muitas. Portugal permitindo
tamanha facilidade aos alemães teria de esperar o golo
germânico a cada momento. E foi assim até aos setenta minutos.
Porém, poderia ter sido pior. Se chegar às zonas adiantadas
onde chegava a cada dois minutos aproximava a Alemanha do golo, foi uma enorme
felicidade perceber que os alemães terminavam os seus ataques, invariavelmente
com cruzamentos para a área. No fundo, chegavam com toda a facilidade do mundo
próximo do objectivo, mas depois de o fazerem, escolhiam o caminho que mais
beneficiava Portugal. E foi assim que Portugal foi resistindo. Mesmo que pelo
volume (não tanto qualidade) ofensivo alemão se adivinhasse o que viria a
suceder.
Diferentes os últimos quinze minutos. Mérito de uns ou demérito de outros, Portugal finalmente em ataque organizado. Os portugueses a demonstrarem qualidade técnica para jogar em curtos espaços. Duas transições bastante perigosas, ambas iniciadas no pé esquerdo do melhor português do jogo, deram a sensação de que tudo poderia ter sido diferente.
Na primeira Coentrão aproveita espaço aberto e progride na direcção do corredor central. Fixa o defesa solta em Ronaldo, posteriormente recebe mas o seu remate é interceptado. A segunda transição bem perigosa surge de um lançamento do esquerdino a procurar Nélson Oliveira em profundidade. O avançado recebe e trabalha bem. Faltou um pouco de classe ou criatividade na abordagem de Varela à finalização.
Não foi nada injusto o resultado, ao contrário do que pareceu ser crença geral. Porém, é bastante bom que Portugal saia com a moral intacta. E porque não na segunda jornada entrar com a disposição com que se terminou o primeiro jogo? Nani no meio, a pedir a bola no espaço que a Dinamarca revela maior dificuldade em controlar.
A figura. Hummels. A estratégia portuguesa potenciava a saída com bola de um dos centrais alemães. Porém, não tivesse a categoria que aparentou e teria mudado as suas decisões. Jogo tranquilo defensivamente, foi o primeiro desequilibrador ofensivo da Alemanha.
A figura portuguesa. Fábio Coentrão. Foi sempre dos seus pés que nasceram os ataques mais assertivos de Portugal. Progride quando tem espaço, procura os colegas quando fixa os adversários. Sem ele Portugal teria sido inexistente. Francamente bem defensivamente, tendo em especial relevo o facto de a estratégia portuguesa condenar os seus laterais a enfrentarem a oposição sem coberturas próximas. Ainda assim, não se recorda uma única vez em que tenha sido ultrapassado.


















