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segunda-feira, 28 de março de 2016

Desenvolver não é coarctar. Deixar expressar a individualidade precisa-se.

Há não muito numa espécie de tertúlia futebolistica explicava sucintamente e de forma pouco elaborada a minha opinião. Ir no 1x3 é errado porquê? Se a percentagem de sucesso é significativa nada mais desequilibra o jogo que de uma vez eliminar tanta oposição e desorganizar de forma tão evidente toda a estrutura adversária.

Recordei hoje a tertúlia após ler o excelente artigo do Expresso que cita o melhor de todos. Francisco Silveira Ramos.

"Se eu vejo o Renato Sanches a passar por todos, vou dizer-lhe para largar a bola? Claro que não! Se ele consegue, então vamos pô-lo a jogar em inferioridade numérica em vez de igualdade numérica, ou então pô-lo a jogar com os mais velhos, para ele continuar a desenvolver as suas capacidades com a bola." 

"O João Vieira Pinto, por exemplo, contou-me que, a determinada altura da carreira, perdeu à vontade perante os adversários, porque os treinadores tantas vezes o obrigavam a jogar a um e dois toques, a ter de largar a bola rápido, que ele acabou por perder a boa relação que tinha com a bola."

"Hoje há muitos treinadores com conhecimento, que apresentam demasiados constrangimentos aos miúdos. Costumo dar este exemplo: se há um cirurgião que sabe todas as técnicas médicas, mas só lhe aparecem pacientes saudáveis, ele vai aplicá-las na mesma?"

"Isto acontece nos treinadores, que sabem muito sobre modelos de jogo e organização coletiva, e quando começam a carreira, normalmente na formação, vão aplicar isso nos miúdos, mas não deviam

“No outro dia vi o professor Sidónio Serpa escrever, com razão, que ficava muito preocupado quando ouvia um treinador referir-se a crianças de 10 anos como ‘os meus atletas’. Nas idades mais jovens, temos de preservar a origem lúdica do jogo, porque é aí que se desenvolve a criatividade. Há que separar no percurso de formação o jogar à bola do jogar futebol. Deixem os meninos jogar à bola”

sábado, 29 de junho de 2013

Francisco Silveira Ramos. Um dos melhores treinadores do futebol mundial fala da formação em Portugal.


"Portugal tem estragado alguns talentos ao trabalha-los demasiado. Não podemos querer ter jogadores de futebol aos 10, 11, 12, 13 anos de idade. Temos jogadores de futebol aos 20 anos. Nesta idade são só jogadores da bola. Se quisermos queimar etapas e introduzir táticas muito sofisticadas, reduzir a participação individual dos miúdos, podemos estragar este talento".

"O que caracteriza os jogadores de topo nesta idade é ter uma grande expressão individual. O que se tem passado em Portugal é termos os jogadores muito formatados. Alguém é responsável por isso. Temos jogadores muito amarrados a processos muito rígidos. Se nesta idade não são todos iguais e daqui a 5 anos forem, há algo errado neste processo" 

"Andam todos à procura de jogadores inventivos, criativos, com capacidade de improvisação. Nós temos esse jogadores em Portugal, não os podemos estragar. Não podemos castrar essas competências individuais, sobretudo do domínio ofensivo, e transformá-los todos em peças de uma máquina. O futebol é um jogo coletivo, mas é feito de individualidades e temos até que fomentar essas individualidades"



"Vimos aqui variadíssimos jogadores com características muito boas para jogar a pontas de lança agora é preciso que o trabalho para eles seja rico e criativo. O ponta de lança é alguém que tem muitos problemas para resolver no jogo. É toda a gente a querer bater-lhe, roubar-lhe a bola... Ninguém resolve problemas com uma cabeça cheia de constrangimentos e de táticas muito rigorosas. Tem de ter uma grande versatilidade de soluções e não pode estar amarrado a soluções pré-definidas". Francisco Silveira Ramos


Temática outrora abordada aqui. E de uma forma mais geral na etiqueta Futebol Jovem.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Jorge Castelo. O adjunto de Sá Pinto.

Sei que uma das pessoas que conheço mais capacitadas em termos de compreensão do jogo e operacionalização no treino para chegar ao que pretende no jogo tem uma opinião francamente negativa do Castelo. Contudo, e isso é algo que procurarei esclarecer o quanto antes, a negativa opinião pareceu-me prender-se bastante mais pela forma como Castelo teoriza em demasia as suas preleções, do que propriamente sobre o conhecimento que tem sobre a forma como Castelo operacionaliza o processo de treino.

Fomos alunos na faculdade onde Castelo viria a leccionar uns anos mais tarde. Não chegámos, portanto, a ter o prazer de conviver, trocar ideias ou beber dos seus conhecimentos.

Supondo-se que a Castelo caberá operacionalizar no treino / exercício, as ideias de Sá Pinto, parece claro que o perfil é bastante correcto. O perfil. Não necessariamente a figura de Jorge Castelo, que repetindo, não tivemos o prazer de conhecer.

Pudéssemos nós intervir no processo de escolha de um adjunto para Ricardo Sá Pinto, escolheríamos exactamente o mesmo tipo de perfil que o Sporting procurou, porque é certo que a parte mais difícil de tudo isto, é precisamente aquela em que duvidamos seriamente da competência do actual treinador do Sporting (a operacionalização no exercício). Se Jorge Castelo é o homem certo no lugar certo, não sabemos. Se escolhêssemos nós? Garantidamente o mesmo perfil, mas e porque desconhecendo a competência efectiva de Castelo, o primeiro nome a ser contactado seria garantidamente, Francisco Silveira Ramos!