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sábado, 2 de abril de 2016

O que é jogar bem? Gaitán, o melhor ontem na Luz?


Enquanto consultava alguns dos jornais portugueses do dia, deparo-me com uma análise que afirmava ter sido o argentino do Benfica o melhor jogador em campo na partida de ontem.

Fez recordar-me um texto antigo publicado aqui por altura do último Mundial, enquanto alguns indignados com a exposição de Messi não lhe percebiam as exibições.


"Voltando ao propalado desaparecimento de Messi, é importante esclarecer. Afinal, que ingredientes tem uma boa exibição individual?

Talvez porque e apesar dos belos golos que somou, ainda não driblou três ou quatro concluindo com êxito uma jogada individual muitas são as opiniões de que está desparecido.

Mas, afinal o que é jogar bem?

Observamos a participação de Messi na partida com a Bélgica e percebemos que para ter sido perfeita bastaria mudar três, quatro porcento do que fez. Se o jogo nunca lhe proporcionou situações em que pudesse ser feliz indo para cima de dois ou três, deveria o argentino ter forçado algo cujas probabilidades de êxito eram inexistentes? 

Óbvio que não. Jogar bem é tudo o que Messi tem feito a cada partida do Mundial. A tomada de decisão surge em função do contexto. E com um contexto diferente percebe-se ainda mais a inteligência do argentino. Não forçando o que está condenado ao inêxito, mas que levaria a que todos delirassem (procurar driblar todo o mundo), demonstra que cria e não se recria. A cada toque, a cada posse, sempre bem. Jogadas sempre com seguimento e praticamente sempre a transformar as situações de jogo com que se depara em novas situações com menos oposição e melhor enquadramento. Ou seja, proporciona aos colegas mais possibilidades de êxito.

Isso é jogar bem. Proporcionar situações cujas probabilidades de serem transformadas em golo são bastante maiores do que aquelas que tinha antes."

Teve recortes de genialidade. De uma criatividade incrível, que resultaram em duas, três possibilidades de finalização forte. Deu início ao quarto golo, por exemplo. Apareceu em alguns lances com muita notoriedade, fruto da sua qualidade técnica e capacidade para decidir fora da caixa. É sempre um prazer seguir Gaitán, porque a qualquer momento nos vai maravilhar. Todavia, a sua exibição na noite de sexta feira está bastante longe de o poder coroar como o melhor. E sobretudo como uma grande exibição. Teve muito erro. Se analisarmos cada toque, Gaitán foi dos jogadores da frente quem menos aproximou o Benfica da vitória. Sim, tirou dois ou três coelhos da cartola, daqueles que nos empolgam. Mas, o futebol não é só isso. Foram várias as perdas, as más decisões, as transições que custou. Os ataques que não deu seguimento. Contrastando por exemplo com o colega do corredor oposto. Pizzi esteve sempre muito acima de Gaitán, porque soube sempre identificar o timming correcto para desequilibrar ofensivamente, ou apenas guardar a posse. Gatián teve momentos. Porém, ontem esteve bastante longe de ser assertivo. Ontem Gaitán esteve mais próximo de quando há muitos anos chegou a Portugal e apresentava um jogo irregular ofensivamente, e desinteressado defensivamente.

Porque jogar bem não é colocar cerejas nos bolos. Mas sim, ajudar a construir todo o bolo. A cereja surge / surgirá no topo!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O clássico dos melhores em Portugal

Em Portugal há quatro Jokers. Quatro jogadores que nos fazem vibrar à cada toque na bola, de cada vez que se envolvem num lance. Amanhã, na Luz, será curioso verificar a diferença de momentos em que cada um deles se encontra. 

Jonas. Interpreta muito bem quando tem espaço, fantástico a criar quando lhe retiram espaço. Precisa ainda assim que lhe sejam criadas condições para aparecer de forma decisiva no jogo. De um jogo trabalhado, com bola no chão. 

Gaitan. Em organização ou transição aparece sempre. Pela qualidade em todos os gestos técnicos, pelo desequilíbrio individual. Seja como for o jogo ele estará presente. 

Brahimi. O jogador mais desconcertante no 1x1 em Portugal, e ainda finaliza com muita qualidade. Farta-se de criar individualmente, e por isso  precisa de mais pernas da mesma cor perto dele para maximizar o seu rendimento. 

Corona. É nos espaços reduzidos que se sente bem, mas nunca solicitando no espaço. Sempre no pé. Conduz, dribla, tabela, procura o passe, sempre na direcção da baliza. Sempre como os melhores. Qualidade assombrosa para o nível a que estamos habituados. 

Curiosidade. Renato. Momento fantástico do miúdo. Teste de exigência máxima. 

Benfica expectante, a procura de manter a vantagem para o Porto e a jogar no erro? Ou pressionante e de mentalidade ofensiva pelo momento de extrema confiança que atravessa? 

Porto a forçar o erro para construir mais à frente? Ou com linhas mais baixas na procura de parar o incisivo ataque do Benfica? 

A minha expectativa pessoal. Que seja um jogo de golos. 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Decidir fora da caixa / Criatividade. Gaitán.




O lance do segundo golo do SL Benfica. Autoria de Jonas.

Quantos jogadores no mundo decidiriam meter a bola onde Gaitán a colocou? Enquadrada no corredor central com o portador (Jonas) em situação de 1x1 próximo da baliza?

E quantos correriam mais dois ou três metros e cruzariam? 


Ferrari em grande velocidade no Restelo.

O cognome foi de autoria do seu ex treinador. É com Rui Vitória que os números ofensivos têm sido ainda mais avassaladores.

No Restelo mesmo antes de estar em vantagem viu-se um Benfica com os sectores tão próximos quanto o que haviam estado em Braga. Equipa muito junta no momento defensivo a colocar muita dificuldade aos adversários para jogar dentro do seu bloco.

Ofensivamente é hoje a equipa mais criativa da Liga e o regresso de um grande Gaitán a ligar com Jonas coloca a tão desejada nota artística nas exibições encarnadas.



Destaques individuais:

Mitroglou. O melhor reforço da época. Ainda que por vezes demonstre egoísmo na sua tomada de decisão, aparece com muita qualidade nas zonas de finalização e mesmo estando longe do nível dos colegas da frente na criação, acaba por perceber como pode ser útil, jogando simples e mostrando-se para tabelar. 

Jonas, Gaitán e Pizzi. Os dois primeiros bastante acima de Pizzi, mas também muita categoria do transmontano. Características identicas. Excelência na tomada de decisão, criatividade, movimentos a pedir bola no pé, e sempre fabulosos no seu trato. Gaitán, novamente a decidir fora da caixa com aquele passe interior para mais uma maravilha do incrível Jonas. 

Renato Sanches. Que qualidade! O miúdo já integra o lote dos médios centro da Europa com grande capacidade de desequilibrio. Notável a forma como quebra linhas e chama adversários a si em posse, libertando os colegas da oposição. Não prima pela criatividade, mas cada vez mais depois de atrair entrega. Mostra parecenças com outro médio muito bem sucedido na Luz, Enzo Perez. Agressividade a ocupar o seu espaço, ainda tem de continuar a evoluir sem bola. Todavia, o que aos dezoito anos já faz e com a facilidade com que faz com bola é impressionante. 



domingo, 13 de setembro de 2015

A forma mais eficiente de ultrapassar a oposição. Os melhores da Liga demonstram.

Num texto muito antigo que faz recordar os anos que o blog já leva, havia referido que a melhor forma de ultrapassar um adversário directo é uma tabela. Quem faz o primeiro passe e desmarca na frente, receberá sempre primeiro e nas costas do seu marcador directo, isto porque quem está com o jogador que faz o primeiro passe, encontra-se de costas para o local para onde a bola será endossada. 

Sem recorrer ao drible cujo sucesso é sempre relativo, uma combinação tão simples que permite quebrar linhas. 

Atente também na movimentação de Jonas. Nunca parado para ver o que dá. Desmarca para receber nas costas, não recebe, baixa para tabelar. O brasileiro é uma verdadeira enciclopédia de como jogar futebol. Quando aqui nos pedem bibliografia para entender melhor o jogo, esta é a resposta: Sigam Jonas e descobrirão mais que em duas mil páginas.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Equipa do Lateral Esquerdo para 2014/2015

Treinador - Jorge Jesus. Pega numa equipa em hecatombe e mesmo sem a qualidade individual do principal adversário a transforma mais uma vez num colectivo fortíssimo, candidato a todas as provas internas.

Treinador Adjunto - Paulo Fonseca. Deixa o Paços na Champions e quando sai e a luta é pela manutenção. Regressa e coloca-os novamente na luta por um lugar europeu. Não só pelos resultados, mas por mostrar mais uma vez que é possível jogar de acordo com as ideias em que ele acredita, mesmo num clube sem grandes recursos. Futebol muito positivo com e sem bola.

Treinador de Guarda Redes - Julen Lopetegui. Com a qualidade individual que tinha ao dispor deveria estar a comandar o campeonato, mas a missão era difícil. Muitos jogadores novos, país cuja realidade desconhecia, clube cuja cultura e exigência nunca tinha ouvido. Desconhecimento do contexto competitivo. Estar nessas condições e ainda assim a disputar o campeonato com Jesus deve ser reconhecido.

Sistema de jogo - 1x4x4x2 de Jorge Jesus

1 - Júlio César. Por permitir a segurança que o modelo de Jesus exige fora da baliza, e por dar a tranquilidade que os colegas da frente precisam entre os postes.

2 - Danilo. Talvez a sua melhor época em Portugal, em termos estatísticos. Participação fantástica em todos os momentos do jogo, quase sempre com grande qualidade. Do ponto de vista ofensivo, fundamental nos movimentos colectivos e no aproveitamento dos corredores laterais. Fantástico nas incursões por dentro. Pelas suas características físicas e técnicas percebe-se que está a mais no futebol português.

3 - Luisão. É o treinador dentro de campo. Entende como ninguém as ideias de jogo da equipa, e estimula os colegas ao cumprimento das mesmas com rigor. Não é normal um jogador com as dificuldades que ele tinha inicialmente evoluir de tal forma que hoje se torne uma referência absoluta e incontestável, em Portugal. Para além dos aspectos defensivos, melhorou também nos ofensivos.

4 - Marcano. Uma boa surpresa pelo que ofertou à equipa com bola. Num modelo de jogo que necessita de qualidade de passe desde os guarda redes, é o único com capacidade para executar o que lhe é pedido. Com bola, melhor que a esmagadora maioria da Liga. Defensivamente não tão bem quanto outros, mas para uma equipa que passa a esmagadora maioria dos jogos com bola é aceitável.

5 - Alex Sandro. Não só é o melhor da Liga como caminha para ser um dos melhores do mundo. Em qualidade, e em rendimento. Mais uma época tremenda, onde se nota qualidade em quase tudo o que faz. Individualmente forte em todos os aspectos. Colectivamente cumpridor do que o treinado pede. Muitos dos desequilíbrios que os extremos esquerdos do Porto foram conseguindo têm mérito das movimentações com e sem bola de Alex.

6 - William Carvalho. Não tão exuberante como na época anterior pela maior dificuldade que lhe foi criada pelo modelo de jogo, e um mau trabalho do seu companheiro de sector. Ainda assim mostrou-se à bom nível. Qualidade com bola, quer para segurar, quer para entregar. Maior consistência nos comportamentos defensivos.

8 - Oliver Torres. Passará por ele e por outros dois o futuro da criação no meio campo da selecção espanhola. Foi uma alegria constante assistir a cada toque que deu na bola, e constatar que os que diziam que lhe faltava intensidade mais uma vez o faziam por manifesta falta de conhecimento. Está, actualmente, com nível para entrar em quase todas as grandes equipas do mundo. Qualidade técnica, criatividade - inteligência -, e agressividade, fazem dele o melhor médio a jogar em Portugal.

7 - Gaitan. Precisa de estar fora para conseguir desequilibrar dentro. Não é fabuloso ao nível da tomada de decisão, mas a capacidade técnica ímpar permite criar lances geniais em quase todos os jogos que participa. Em condução, em passe, em drible, ou em combinações. Conseguiu também mostrar qualidade defensiva, e entendimento de que os momentos em que a equipa não tem a bola são tão importantes como os restantes.

11 - Nani. Pelo nível competitivo a que estava habituado, veio passear a Portugal. Golos, assistências, manutenção da bola, desequilíbrios onde não existia espaço, estímulo para os colegas descobrirem outros caminhos. Qualidade em todos os aspectos que se exigem para um jogador de alto nível. É ele o principal responsável pelo melhor momento da época do Sporting.

9 - Jackson. Desde que chegou ao nosso campeonato sempre nos habituou ao mesmo. Rendimento em todos os contextos. Em todos os jogos. Em qualquer estádio, dentro ou fora de Portugal. Qualidades físicas assombrosas, sentido colectivo único com e sem bola. Inteligência nas acções. Finalização.

MVP - 10 - Jonas. A subida de qualidade do jogo do Benfica tem muitos nomes, mas um absolutamente incontornável. Poder-se-à pensar que se fala dos golos que marcou, mas longe disso. Muito longe disso. O que falta ao jogo do Benfica é criatividade nos espaços reduzidos do corredor central, sobretudo para quem joga constantemente de costas para o golo. E Jonas veio trazer tudo isso. Capacidade para segurar, permitindo à equipa subir e ter bola nesses espaços. Agilidade para enquadrar e qualidade técnica para executar em pouco tempo, que permite à equipa ter seguimento da forma como procura construir. Qualidade na tomada de decisão, que permite à equipa criar mais situações de finalização. Inteligência na forma como procura os colegas para combinar, ou como procura os espaços para finalizar. Jonas mudou o jogo do Benfica e com isso desequilibrou o campeonato.

Suplentes - Rui Patrício, Jardel, Maxi Pereira, Michael Seri, Bernard Mensah, Brahimi, Tello

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Jonas, Óliver e Nani têm pausa e os outros grandes destaques individuais da primeira volta

Jonas. Não enganou, de facto. Logo nos primeiros minutos mostrou o jogador que é. Abriu a Liga com um cabrito nos primeiros minutos que somou na Liga, e tudo o que prometeu logo ai cumpriu. Está no top 3 com Nani e Óliver da primeira volta. Um jogador completo é isto. Não se medem pelos traços individuais, mas pelo que dão ao jogo em todos os seus momentos e fases. Verdadeiramente soberbo na criação, pela qualidade técnica impressionante e forma como gere os timings de todas as suas acertadas acções. Grande qualidade na finalização, independentemente da forma como finaliza. A percentagem de acerto de todas as suas acções, independentemente do espaço que ocupa, momento, ou fase do jogo é impressionante. Avançados deste nível nas últimas três décadas em Portugal contam-se pelos dedos de uma mão. Jonas está lá.

Óliver. Não importa o quão vistoso possa ser ou não ser. Não importa que por vezes possa passar despercebido. Como Jonas e Nani, tudo o que faz envolve uma decisão acertada. Tão novo e tanta maturidade. A construir, a criar e recentemente até a finalizar, o espanhol é um prodígio a prazo numa Liga demasiado pequena para tanto talento. Óliver joga e faz jogar. Prende, segura, atrai, solta, tudo sempre com o critério, e com uma qualidade técnica invulgar. Sabe tudo sobre o jogo e a velocidade a que interpreta cada situação de jogo é entusiasmante. "Eu tinha tudo na cabeça" referiu Zidane há não muito tempo. O espanhol é esse tipo de jogador.

Nani. Muito foi falado neste blog sobre o internacional português. Não são os dribles ou os desequilíbrios constantes que provoca que o tornam elegível. É o facto de saber enquadrar sempre as suas acções com aquilo que o jogo pede. É um desequilibrador nato que não força. Que sabe esperar, perceber os timings das suas acções. O Sporting cresceu exponencialmente em termos ofensivos com a sua presença. Mais um jogador completo pelo que oferece em cada fase do ataque. Qualidade com bola em qualquer espaço, a construir, a criar, e também a finalizar. Jogador fantástico cujo impacto foi, tal como se previu, imediato.

Gaitán. Talvez o mais apaixonante de todos os jogadores da Liga. Mas, não o melhor. Apaixonante porque transpira criatividade por todos os poros. Parece sempre capaz de inventar algo que não imaginávamos. Tem o condão de surpreender e tal tem um valor incomensurável. Não figura no top 3 porque ao contrário dos restantes três a percentagem de acções positivas não será tão alta. Arrisca sempre e nem sempre percebe que vai ser mal sucedido. Mais fantasista menos cerebral. Mas um jogador notável.

Brahimi. Mais um grande talento que chegou na presente época a Portugal. Impressionante a forma "fácil" como desequilibra partindo do corredor lateral. A demonstrar qualidades na finalização, também, teve impacto imediato. Mais vertical e menos fantasista que Gaitán. Tão objectivo como Sálvio, bastante menos cerebral que Nani. O argelino precisa de estar a um nível elevadíssimo fisicamente e tecnicamente (confiança) pois faz dos desequilíbrios constantes o ponto forte do seu jogar. Não é porém, o tipo de jogador que recorra ao 1x1 apenas porque sim. Percebe o enquadramento que as suas acções individuais devem ter, e também por ai é bem sucedido.

Jackson. O velho Jackson do costume. No final da época terá três bolas de prata em três participações na Liga. Notável a movimentar-se nas zonas de finalização. Seja a procurar a ruptura ou a responder a cruzamentos, o colombiano é com Falcao o grande goleador da última década em Portugal. A cada instante pode aparecer para desbloquear o resultado. Sabe tudo sobre movimentação e mostra também qualidade a receber e a entregar entre sectores. Ainda que tenha bastante qualidade para além da finalização, é ai que é verdadeiramente assombroso.

Salvio. Procura demasiadas vezes soluções individuais, mas a grande verdade é que é geralmente bem sucedido. Está integrado num modelo cujo jogo (linhas de passe) entre linhas é muito forte. Num modelo que acautela bastante bem as suas perdas. É um caso de sucesso num modelo que o potencia ao máximo. Com Nani e Brahimi forma o tridente de extremos com incrível facilidade em chegar ao golo. Pela forma como ataca as zonas de finalização quando a bola está no corredor oposto, e pela qualidade tremenda a finalizar. Tecnicamente e fisicamente muito dotado para uma Liga onde os laterais adversários simplesmente não têm argumentos para o travar individualmente se por trás não houver uma equipa organizada.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Nani, Salvio e Gaitán explicado para miúdos

- Maldini, porque é que o Nani esteve oito anos num clube a lutar por Ligas dos Campeões e o Salvio no final de cada uma das épocas na Liga Espanhola, numa equipa que na altura era de Liga Europa, foi despachado, se cá em Portugal eu nem consigo ver muitas diferenças entre eles?

- Porque o Nani é top mundial e o Salvio é apenas top de Liga Portuguesa. Tu não consegues ver diferenças entre eles porque isto nota-se naquilo que tu não dominas. Por isso não percebes. O Nani joga com o cérebro. Analisa o contexto, e decide em função dele. Tem mil soluções diferentes. Sabe quando segurar, ir para cima, soltar ou prender. O Sálvio vai sempre para cima mesmo que esteja em 1x3. Quando me falas do impacto que o Salvio não teve numa Liga mais forte, a razão é precisamente essa. Ele não usa a massa cinzenta e só tem uma solução. Ir para cima. É top na nossa liga porque enfrenta jogadores fracos e a sua percentagem de sucesso talvez acabe por ser compensadora. Mas se reparares sempre que no Benfica joga contra melhores equipas, melhores adversários ele é sempre péssimo. Recordas-te de algum bom jogo contra o FC Porto enfrentando um jogador fisicamente do seu nível como Alex Sandro? ou nas competições europeias? Claro que não. Porque ele só tem aquilo para dar. É forçar a jogada individual. Quando apanha adversários fisicamente ao seu nível o número de perdas é ainda maior! Sendo que já nem o coelhinho tira da cartola para as compensar. Agora imagina-o a jogar numa Liga onde todos os fins de semana os adversários são muito fortes. Pois, é uma fonte de problemas as transições defensivas a que força a equipa, para além de não criar nada, porque o insucesso no lance individual é gritante. O Nani não. O Nani é top. Joga o que o jogo lhe dá. E quando parece apagado é porque os adversários lhe sabem fechar o espaço e ele faz a bola rodar por espaços mais livres. Não força o que lhe dará insucesso. Mesmo sendo em criatividade e níveis técnicos bem superior ao argentino. Para ti está apagado individualmente porque não partiu os adversários, mas colectivamente se calhar deu coisas boas à equipa fazendo a bola entrar noutros espaços. Revê o jogo na Luz, por exemplo. Não perdeu uma bola e quando surgiu o momento, colocou o Slimani na cara do Artur. Foi uma em um. É por isso que provavelmente no final da época estará de regresso ao United para o seu 9º ano e o Salvio nem dois consecutivos conseguiu fazer na Liga Espanhola.

- Maldini, mas eu lembro-me que consideraste o Nani o melhor extremo em Portugal. Estás a ignorar o Gaitán. Deliras com as cuecas do Nani, mas viste ontem o Gaitán?

- O Gaitán é top. E recordo que já fiz muitos posts com ele e com o Enzo. Não podemos de forma alguma colocar o Gaitán no lote do Salvio. Tu avalias os jogadores pelo jogo de cabeça, drible, pé direito, pé esquerdo, velocidade e força. Eu não. Eu pego nos momentos e nas fases do jogo e vejo o que rende cada um deles. Portanto independentemente das capacidades individuais de cada um deles, eu olho para o Gaitán e vejo uma classe incrível. Um jogador fabuloso na criação. Na construção cada vez mais criterioso e com maior qualidade, mas não deixo de sentir que volta e meia pode haver ali uma perda por irresponsabilidade ou excesso de confiança, e na finalização muito banal para o poder incluir no top mundial. Sai com uma qualidade tremenda nas transições, mas sinto-o a desperdiçar ainda muito lance que o top dos tops não desperdiça. Adoro vê-lo em organização. Tem uma relação com bola e criatividade fantástica. E aqui Nani não o consegue acompanhar. Sobretudo na criatividade. Mas o português é mais forte na construção. Cria com a mesma facilidade. Menos forte em organização, mas mais forte na transição. E sobretudo é muito mais apto na finalização que o argentino. Portanto, sim, eu considero o Nani o melhor em Portugal. Mas devo confessar que de uma forma bastante simplista o Gaitán está muito próximo do seu nível, mas perde na finalização. E também me parece que ainda que seja hoje um jogador totalmente diferente do que quando chegou, continua mais susceptível às perdas que o Nani.

- Eu confesso, que me fez confusão os teus prontos elogios ao Nani ainda antes dele chegar. Mas, a verdade é que parece que o impacto dele ainda é maior do que o que tu previste. Porque achas que percebeste logo isso, ao contrário de quase toda a gente?

- Isso tem sobretudo a ver com o nível da nossa Liga. E com a percepção que as pessoas têm do nível da nossa Liga. É por isso que depois exigem às nossas equipas na Europa coisas que elas não estão preparadas para fazer. Por falta de qualidade e de intensidade (no estímulo). O Nani é extremamente talentoso, isso creio que nunca ninguém o negou. Passa oito anos a treinar diariamente contra os melhores do mundo. Passa oito anos a competir com um estimulo competitivo incrivelmente alto. Se eu passasse oito anos a treinar naquele contexto e depois viesse fazer uns jogos a um campeonato como o português, até eu era jogador de futebol. As pessoas não têm qualquer noção. Eu não sei, mas desconfio que se tirássemos os três grandes, nenhuma equipa portuguesa conseguiria a manutenção numa liga inglesa, alemã ou espanhola. Nós tendemos a crer que os nossos é que são os grandes craques, porque nos habituamos a vê-los jogar com adversários muito fracos. Depois aparece um Leverkusen com um naipe de jogadores que tu desconheces mas onde do teu lote de craques se calhar não metias um no onze inicial deles. As pessoas não têm noção do quão fraca é a nossa liga. Há não muito tempo uma pessoa com um cargo importante num dos grandes do futebol português disse-me que lá fora os próprios jogadores dizem que o futebol na Europa acaba em Badajoz.

- Mas, Maldini, o Nani foi ultrapassado pelo Valência e pelo Young.

- Eu não sei porque isso aconteceu. Se calhar depois de oito anos o Nani não tinha um estimulo motivacional suficientemente forte para se apresentar ao seu nível. Mas, é óbvio que o Nani é muito superior a eles. E se calhar não podemos dar como garantidas as boas opções do United desde que perdeu Ferguson, não é? Mas, ainda bem que falas no Valência e no Young. São muito inferiores ao Nani e quando os vemos na Liga Inglesa chega a ser confrangedor. Mas, dúvidas de que na Liga Portuguesa teriam sempre um impacto do nível do do Salvio? É o mesmo perfil de jogador. Um Young ou um Valência teriam sempre um impacto forte numa liga onde a qualidade individual dos intervenientes é baixa. É a mesma história do Salvio, percebes?

- Ou seja, Maldini. Tu afirmas que o Salvio é pouco inteligente e portanto só tem impacto numa Liga onde os adversários são muito fracos. E mesmo assim tens dúvidas de que tanta perda, tanto condicionamento do ataque seja realmente compensador para o número de golos ou assistências que produz. E que o Nani é muito melhor que o argentino porque joga o que o jogo pede, e não se limita a um único perfil de decisão. Dizes-me ainda que o Nani está um nível acima do Gaitán porque como este também tem qualidades óbvias a construir e a criar, mas finaliza bastante melhor. É isto?

- Sim, de uma forma rápida e sucinta, creio que é isso mesmo que tentei explicar.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O que precisa mais de ver Jesus...



Para colocar Gaitan como avançado? Jogando na vertical, responsável por procurar espaços entre sectores. Sendo que não se pode comparar a Aimar ou a um Saviola, é o jogador que mais aproxima, neste plantel, a equipa do êxito jogando pelo corredor central, em posições adiantadas.

O que é que Talisca tem mais que Bernardo? 
O que é que Jara tem?
O que é que os de cima têm mais do que Ola John?
Jardel preocupa-me. Ter dois centrais sem competências técnicas relevantes, numa equipa que se quer dominante é bastante limitador da produção ofensiva da equipa. Bem como poderá prejudicar ao nível dos erros que poderão ser aproveitados pelo adversário.

Sérgio Oliveira é muito interessante. E num modelo como o de Fonseca, poderá sobressair como Josué há duas épocas atrás. 

Grande exibição do Paços de Ferreira, ou má exibição do Benfica? O número de lances de grande potencial que permitiu ao adversário foi anormal, tendo em conta a mais valia individual do adversário.

Aquilo que sucedeu à Paulo Fonseca no Porto, que foi ter entrado num momento péssimo, com muitos sapos para engolir, uma equipa pior que a do ano anterior, tendo de substituir um treinador que deixou a bitola demasiada elevada, ao nível dos resultados, e da qualidade de jogo, poderá acontecer com Marco Silva. Sendo que a cobrança vai ser imensa, os problemas internos multiplicam-se, e ter um presidente que acha que tem um plantel de grande qualidade poderão camuflar a imagem de um treinador competente dentro de alguns meses. Marco, assim como Paulo, e por que não Vítor Pereira quando chegou como treinador principal ao Porto, e como o homem que virá substituir Jesus no futuro, têm/tiveram/terá tarefas hercúleas.
Não é que Fonseca tenha feito um grande trabalho no Porto. Provou que não era a altura certa para dar o salto para um grande, e encontrou Jesus na frente de um Benfica, com um plantel soberbo. Porém, é um dos treinadores com mais qualidade na Liga, e tenho a certeza que vai crescer com tudo o que lhe tem acontecido, vai ficar melhor preparado, e não vai falhar caso tenha nova oportunidade num grande. Seguiremos o seu Paços de Ferreira com bastante atenção. 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

SL Benfica na supertaça

Ontem havia lançado o post ainda durante o intervalo. Estava zero a zero e assim continuaria até ao fim do prolongamento. Venceu o Benfica, poderia ter perdido, que o post estava lançado. Quem segue o blog desde os primórdios, entende o porquê. Aqui não são precisos resultados esporádicos para justificar ideias. Apresentando o que apresentou naqueles quarenta e cinco minutos iniciais, e depois nos outros quarenta e cinco que se seguiram à publicação, o Benfica vencerá oitenta ou noventa por cento dos jogos. Não aconteceu ontem. Mas isso nunca influenciará o que se pensa sobre o colectivo, as individualidades ou a prestação de um e outro.

Equipa extremamente bem posicionada em todos os momentos. Reacção à perda (reparou o número de perdas de Sálvio e consequentes recuperações nos quatro, cinco segundos seguintes? Só uma equipa extremamente bem posicionada consegue ter quem arrisque o que arrisca o argentino e ainda assim continuar a ter a bola o jogo todo) a fazer lembrar a primeira época de Benfica. Um pressing asfixiante, bola só para uma equipa e facilidade incrível para chegar com bola dominada ao último terço. Tudo fantástico até à fase de maior notoriedade. Na finalização tudo tão mau como bom nas fases que a antecediam.

Há sempre quem pegue no resultado para garantir que falta um avançado (Cardozo?). Tal já foi visto ainda na época passada, quando nos primeiros momentos sem golos, garantia-se que faltava o paraguaio e que sem ele não se desbloqueariam jogos contra equipas que defendessem com muitos. O resultado foi o que se viu.

O resultado é o que interessa. Mas, é o que menos interessa para aferir a qualidade do processo. Sabendo-se que no médio / longo prazo garantidamente que quem trabalha com qualidade obtém melhores marcas. Excepções haverão sempre, porque é assim o futebol. O exemplo que mais uso é sempre o mesmo. Os melhores dezasseis treinadores do mundo na mesma Liga e dois desceriam. Os piores dezasseis e um seria campeão. Isso prova o quê na verdade?

A maior prova da competência do treinador do SL Benfica ainda está para chegar. Depois de ter reerguido o clube nas suas ideias. A grande prova será vermos o que jogará e o que valerão os seus jogadores daqui por três ou quatro meses. Depois de uma pré-época em que sem tempo para se mostrar trabalho colectivo, jogando cada um por si, ficaram a nu as deficiências individuais de mais de metade do plantel. Porque não estavam inseridos num colectivo, naturalmente. De facto se o Benfica patético sem ideias da pré-época se transformar com a integração de mais novos jogadores numa ideia de jogo parecida ao que se viu ontem, poucos exemplos melhores poderão ser encontrados do que é o trabalho táctico exercido com qualidade por um treinador. É isto que tenho vindo a afirmar nestes anos todos de blog. Um grande colectivo mascara e valoriza as individualidades. Numa equipa colectivamente incapaz, as individualidades parecem bastante mais fracas. Pegando novamente em Salvio. Numa equipa sem a dinâmica da de Jorge Jesus, só o número de perdas do argentino seria suficiente para o jogo ser partido e repartido. Em posse e em situações de contra-ataque. De péssimo e prejudicial a hipervalorizado, vai um colectivo de diferença.

Não foi inocente a presença na supertaça de dez jogadores em catorze utilizados, que conhecem as ideias do treinador. E a exibição foi naturalmente totalmente oposta ao que tinha sido em todos os jogos do Benfica sem colectivo de pré-época. Talvez tenha dado para perceber o que pode significar a partida de Jorge Jesus se não for muito bem escolhido o seu sucessor. Como uma equipa sem identidade é tao diferente de uma com identidade. Sobretudo com uma boa identidade. Ofensiva. E defensivamente de topo.

Individualidades

Luisão. Nunca se fala muito nele, mas é o mais decisivo de todos. Da sua época dependerão os objectivos do Benfica. Como referiu Quim, é quem melhor conhece e interpreta as ideias do treinador. Se permanecer a salvo de lesões, o Benfica estará na luta. Sem ele, será tremendamente complicado.

Eliseu. É sempre aprazível ver jogar quem privilegia a todo o instante as combinações, o espaço interior, o fazer a bola correr. Muita qualidade. Para já é o melhor reforço do Benfica. Chega tarde, mas ainda aparenta ter muito para dar. Não solta uma bola sem uma ideia. Jesus foi seu treinador em Belém e sabe perfeitamente porque o pede há tantos anos.

Salvio. Incrível a quantidade de alhadas em que se mete. Foge para onde não deve. Vê-se cercado por contenções, coberturas. Parece sempre deitar tudo a perder. Mas, incrivelmente também sai sempre com perigo de onde se mete. Qualidades físicas e técnicas muito impressionantes. Opta mal mas é tantas vezes bem sucedido que jamais mudará. É de todos os jogadores da frente aquele que garante mais qualidade na finalização e só por ai será indiscutível.

Gaitan. Criatividade, qualidade técnica. Enfim, dinamita espaços interiores, quebra organizações. Porém, é demasiado desleixado nos momentos em que deve definir com maior rigor. Nem sempre o mais bonito é o melhor. Tivesse a frieza de Salvio na fase de finalização e estaríamos a falar de um galáctico.

Enzo. Foi Enzo. Um dos mais apaixonantes médios centros dos últimos tempos. Qualidade posicional, agressividade sobre o espaço, sobre a bola. Inteligência nas acções defensivas e um desequilibrador no corredor central, quando tem bola. Quebra contenção enquanto vê tudo ao seu redor. Parece ser sempre o melhor em campo. E talvez o seja mesmo.


Talisca. Uma aposta muito grande para ser mais um dos beneficiados com a proposta de jogo e o colectivo de Jorge Jesus. Tem potencial físico e técnico. Num colectivo forte que joga de olhos fechados terá espaço para se valorizar. O caminho será longo e árduo, porém, confirmando-se a partida de Enzo. A bitola está demasiado alta e o brasileiro está muito longe de poder responder com qualidade próxima à da exigência actual.

sábado, 2 de agosto de 2014

Emirates Cup

Muitas dúvidas e preocupações poderão estar, agora, na cabeça dos adeptos do Benfica. Mas, esqueça o resultado ao intervalo, olhe para o que se passou no jogo, tente perceber. De onde surgiram os golos? Por que motivo surgiram? O que falhou?
De seguida passarei a minha ideia sobre o momento do Benfica.

- Há poucas equipas no mundo com o potencial ofensivo do Arsenal. Ao nível das ideias, Wenger é para mim top3 mundial na organização do seus lances de ataque. Pelo que tanto golo marcado, e tanta oportunidade criada, tendo em conta a qualidade dos seus executantes, é perfeitamente normal (para o momento em que se realiza o jogo).

- Bellerín. Não conhecia, foram os primeiros 45 minutos que vi dele, e estou maravilhado. Aponte este nome. 19 anos e qualidades físicas e técnicas, mas sobretudo critério na tomada de decisão.

- Linha defensiva. Poderá ser estranho pensar-se em problemas da linha defensiva numa equipa treinada por Jesus. Mas é de facto o problema mais gritante com que Jesus se bate neste momento. E a maior dificuldade surge com estímulo de percepção mais complexa: controlo da profundidade. Que é, de facto, supra importante, tendo em conta a forma compacta e posicionamento adiantado que Jesus quer que a sua equipa interprete.
São 3 elementos novos - Sidnei, César, Eliseu/Benito - e Maxi. Todos eles sem qualquer tipo de competência táctica, ao nível dos princípios de jogo que Jesus usa. Defesa zonal: contenção, coberturas, decisões colectivas para controlar a largura e a profundidade, fora de jogo. Jogadores habituados a jogar sozinhos, preocupados apenas com a sua referência individual, obrigados a agir e reagir de forma colectiva. Também, muitos erros na abordagem aos lances de 1x1.
A forma de Jesus defender é complexa, não é de fácil interpretação, e tanto jogador novo lançado para o onze inicial ao mesmo tempo tem este tipo de resultados contra equipas super competentes ao nível ofensivo (poucas num futuro próximo do Benfica).
Com Luisão e Jardel/Lisandro, 95% dos problemas ficam resolvidos.

- Artur. Ou Jesus contrata um Guarda Redes capaz de defender a profundidade, e diminuir o espaço que pode ser aproveitado atrás da linha defensiva. Ou então não pode jogar com a linha defensiva tão subida, uma vez que Artur não se mostra corajoso o suficiente para se expor a situações mais complicadas.

- Rio Ave. Não se deixe enganar, ainda que os elementos da linha defensiva se mantenham, são poucas as equipas a nível interno com reais capacidades para aproveitar de forma sistemática o ainda fraco desempenho da linha defensiva encarnada.

- Eliseu. 18 minutos que me surpreenderam, ao nivel da tomada de decisão. Procura dos colegas para combinar, entrega fácil em colegas no corredor central.

- Ola John. O melhor do Benfica a conduzir para fixar e soltar. O melhor a temporizar para melhorar as condições em que o colega recebe o passe.

- Gaitan. Parece que Jesus esteve a ler o Posse de Bola. A ideia era Bernardo. Mas ficando Gaitan também apostaria nele para a posição de segundo avançado. E viu-se durante a primeira parte tudo o que Gaitan pode fazer ali. Combinações, condução, quebra da contenção, facilidade em enquadrar, agressividade no ataque da defesa contrária, facilidade de passe, qualidade nas decisões.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Enzo e Nico

Coração e talento dos jogadores do ano em Portugal numa reviravolta altamente improvável. Depois da terrível asneira de Siqueira.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Criatividade e desequilíbrios entre sectores. Markovic e Gaitán.

"Com Salvio e Sulejmani em simultâneo o que ganha em condução para a profundidade e capacidade de finalização, perde e muito em criatividade e inteligência no espaço entre linhas o Benfica. Uma espécie de trocar dois extremos móveis, modernos, capazes de desequilibrar em todo o espaço intersectorial adversário, por dois extremos mais tradicionais, mas que ainda assim finalizam. " Aqui.


Exemplo prático:



quarta-feira, 9 de abril de 2014

Pensar como um dez. O passe que antecede a assistência, e o passe que antecede o passe que antecede a assistência. Tão importantes quanto a assistência. Mesmo que com menor notoriedade.

"Remato pouco porque procuro sempre a melhor opção. Penso sempre o jogo como um dez" Gaitán.

Curiosa a afirmação sobre as suas decisões com bola. Pensa sempre como um dez. É esta a diferença que temos apregoado desde o início do blog há seis anos atrás, do futebol idealizado nas décadas passadas para o jogo moderno. 

O pensar como um dez é uma óptima afirmação num sentido figurado. Na actualidade, todos os que pisam o relvado devem ter tal preocupação. Pensar como um dez. A cada momento em posse ao atleta cabe perceber qual o melhor caminho. Importante interpretar o "pensar como um dez" com o anterior "procuro sempre a melhor opção" e não como o pensamento de Carlos Martins e outros que tais, sobre como deve pensar um dez. Isto é, só ver e procurar passes de ruptura e notoriedade a cada posse.

Os melhores laterais, os melhores centrais, os melhores trincos, os melhores avançados, os melhores extremos. Os melhores jogadores. Todos pensam como um dez. Se há quem esteja em melhor posição (mais dentro? menos oposição? mais espaço? mais tempo?) para receber a bola, esta tem de entrar lá. 

Pensar como um dez, não é de forma alguma restringir a individualidade e ou criatividade. De facto, quem nos segue há bastante tempo percebe que o que está em causa não é o discordar com o drible ou com a iniciativa individual. Pelo contrário, tais iniciativas devem até ser estimuladas, desde que integradas num contexto colectivo. Porque se elogia tanto a progressão de Enzo? O que está em causa é integrar as acções onde elas devem ser inseridas. Identificar o tempo e espaço óptimo para as acções. Sejam elas o passe, a condução ou o drible.

Pensar como um dez deve ser apanágio dos onze jogadores de cada equipa. Procurar sempre a melhor opção significa garantir melhores possibilidades de sucesso. Por vezes tal afasta-te da notoriedade. Porém, aproxima a equipa do golo. Um exemplo muito grande no último jogo do SL Benfica é até o passe que antecede a assistência de Gaitán. Sílvio, provavelmente involuntário, porque pareceu uma má recepção, mostrou o melhor caminho. Com milhares de outras equipas e outros jogadores, sabe o que teria acontecido? O lateral recebia, esperava pela desmarcação do extremo para a linha. O extremo desmarcava pelas costas, recebia e cruzava para um qualquer corte de um defesa. Naturalmente que tal caminho teria sempre algumas probabilidades de terminar em golo. Porém, imagine vinte vezes o lance a seguir por ai e outras vinte a seguir pelo caminho que os jogadores encarnados lhe deram. Qual aproxima muito mais a equipa do golo? Decidir bem, é uma questão de aumentar as probabilidades de fazer feliz a equipa.

Pensar como um dez é valorizar toda e qualquer acção que aproxime a equipa do golo e não procurar a notoriedade a cada toque. Não procurar ficar na ficha do jogo a qualquer preço. Mais do que qualquer outra característica a diferença dos grandes para os medíocres é a forma como privilegiam o sucesso colectivo independentemente da notoriedade pessoal.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Tomada de decisão / Critério. Gaitán, Markovic e claro, Enzo.

"...era difícil contrariar, frente a uma equipa com a qualidade do Benfica. O Benfica define com muito critério" Nuno Espirito Santo.

E tudo feito a uma velocidade incrível para aquela que é a realidade do campeonato português. Foram 45 (os que pude assistir) minutos de enorme qualidade. Defensiva, no pressing asfixiante que valeu inúmeras recuperações de bola alta, e ofensiva na forma como após a recuperação o Benfica chegava rápido e bem às imediações da área adversária. 

Gaitán e Markovic completamente "domados" ("se ele me cria uma vez e perde a bola, se me cria duas vezes e perde a bola, sistematicamente colocando em causa o que é o colectivo, ai isso para mim não é criatividadePara mim ele está a recrear, não está a criar para a equipa." Vitor Pereira) deram um salto qualitativo enorme. O argentino de época para época faz o seu melhor ano no SL Benfica (há não muito havíamos referido que ter perdido tudo num curto período de tempo e a desilusão inerente a tal, fez o argentino crescer enormidades. Finalmente percebeu prioridades). E impressiona que um miúdo de 19 anos, primeiro ano de sénior, com tantas qualidades individuais tenha tido a humildade de perceber que o mundo não gira à sua volta e se tenha entregue à equipa da forma como Markovic o fez. Será uma estrela do futebol mundial se mantiver as prioridades direitas. 

Não há no futebol do Benfica quem o emperre. Mesmo que por vezes as decisões não sejam as melhores, todos procuram jogar para a equipa e não para si. A bola circula em largura, em profundidade. A todo o instante se procura o colega em melhor posição para receber, e a todo o instante há várias opções de passe, fruto de um modelo extremamente bem trabalhado e consolidado. Excelência total de quem o idealiza (ao modelo) e momentos de excelência de quem o interpreta.

Os génios somam. Estão no colectivo. São onze jogadores, e não 10+1.

E depois há...o melhor de todos. Enzo Perez. É quem mais desequilibra. A facilidade com que quebra a primeira linha de pressão é assustadora. É o argentino quem desequilibra todo o adversário, porque a si chama sempre jogadores de outros espaços que tiveram de sair e compensar quem foi ultrapassado. Jogando contra Perez, cortar linhas de passe não é opção porque o argentino pega na bola e vai embora em condução. Pressioná-lo é deveras complicado e deve ser feito com pinças. Uma abordagem mais reactiva e fica-se para trás porque ele sai pelo lado contrário, sempre em condução. Somando tudo à sua agressividade defensiva e cultura posicional e temos o melhor jogador da presente Liga. 


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Silva vs Gaitan



Estava a ver o jogo com o Maldini e lembrei-me logo disto

Quando chegou, Gaitan era um brinca na areia com um potêncial tremendo. Com o passar dos anos transformou-se num jogador fantástico, que cada vez mais dá tudo pela equipa. Sabe que o colectivo é o mais importante e percebeu que o sucesso da equipa é também o seu sucesso.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Um belo reforço de 26 anos no SL Benfica

Difícil saber o que despertou o click. A maturidade com a idade seguramente que ajuda bastante, e ou talvez a frustração pela ausência de troféus tenha tido também direito a uma reflexão pelo próprio, que é hoje incrivelmente mais jogador do que quando chegou à Europa.

Não é apenas o posicionamento sem bola. Outrora porque é inteligente Gaitán já era cumpridor. Hoje, ao imenso talento que lhe permite continuar com enorme classe a presentear-nos com pequenas maravilhas saídas das suas botas, o argentino junta bastante maior responsabilidade. Não expõe a sua equipa às suas decisões.

No rescaldo do derby com o Sporting haviamos escrito: "Gaitán. É sempre um prazer aquele toque de bola. Também o argentino cresceu imenso. Mais preocupado em vencer e menos em aparecer. Bastante cumpridor defensivamente e mais responsável com bola nos pés. Está num momento extraordinário, porque de uma vez por todas parece ter percebido que a equipa é a prioridade."

O argentino prova-o a cada jogo. Hoje é até um jogador agressivo e culto na transição defensiva.

Se há duas, três épocas atrás visualizasse este pequeno video. Acreditaria?





O lance trazido não foi caso único. O argentino cresceu bastante, e todas as criticas que lhe fomos fazendo ao longo dos anos aqui no blog, parecem hoje injustas. É todavia um caso em que foi o próprio jogador a mudar e não a nossa opinião. Ultrapassou defeitos manteve qualidades. Poderá ser um dos homens do ano em Portugal.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Destaques individuais do Derby

Enzo. O argentino é mesmo de alta cilindrada. Agressividade defensiva, cultura táctica, enorme qualidade técnica e inteligência. Foi a figura do derby. Se defensivamente é totalmente fiável, ofensivamente garante sempre saída pelo corredor central, quebrando linhas adversárias. Uma espécie de extremo mas que desequilibra no corredor central. Imagine a valia disso. Vai ser uma ausência tremenda na próxima jornada.

Luisão. O comandante da linha defensiva do SL Benfica. São muitos anos com as ideias de Jesus, e o capitão encarnado sabe sempre quando subir para encurtar espaço e colocar em fora de jogo, ou baixar para controlar a profundidade. A sua valia em termos de posicionamento de toda a equipa é inegável.

Fejsa. Seguramente um dos seus melhores jogos pelo SL Benfica. Boa ligação com os centrais em termos defensivos, ao estilo de Javi Garcia. Sempre bem posicionado e desta feita a revelar qualidades na saída para o contra-ataque que ainda não haviam sido perceptíveis. Sem medo de ter a bola e segurança, mesmo quando foi apertado.

Markovic. É certo que será um dos grandes futebolistas europeus da próxima década. Tem crescido imenso com Jesus. Cada vez mais regular dentro do próprio jogo, com bastante mais critério. Tem melhorado imenso a sua tomada de decisão para deixar de ser um jogador que aparece apenas a espaços. Com tamanha velocidade e qualidade na condução vai sempre ser um desequilibrador. Agora que sabe fechar espaços e que reduziu os erros em posse, está bastante mais completo.

Gaitán. É sempre um prazer aquele toque de bola. Também o argentino cresceu imenso. Mais preocupado em vencer e menos em aparecer. Bastante cumpridor defensivamente e mais responsável com bola nos pés. Está num momento extraordinário, porque de uma vez por todas parece ter percebido que a equipa é a prioridade. 

Adrien. Péssimas abordagens aos lances com Enzo. O principal defeito que um jogador de futebol pode ter, é crer-se bastante melhor do que o que realmente é. A forma como o português abordava cada disputa com Enzo demonstrava que não conhece minimamente as suas limitações. A Enzo havia que sair, encostar apenas para não deixar enquadrar, esperando que o argentino devolvesse o passe ao central. Adrien ou não encostava para criar dificuldades ao enquadramento (Jardim terá responsabilidades...?) e quando encostou, entrou sempre para desarmar e o argentino foi sempre embora pelo lado oposto. Como se não bastasse a recuperação para trás da linha da bola sempre feita a velocidade cruzeiro. Qualquer jogador adversário foi sempre mais rápido mesmo a transportar a bola que o português sem bola. Péssimo a restabelecer equilíbrios. Jardim também o abandonou no seu plano de jogo.



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Trabalho de Jesus é táctico


"No último jogo o Benfica ficou com menos um jogador a meia hora do fim. Quem saiu foi o lateral-esquerdo, acabando por ser eu a fazer a posição. Essa situação era impensável quando estava no Boca, mas entretanto cresci muito tacticamente."

Uma das grandes qualidades de Jesus é o potenciar da capacidade de muitos jogadores. O crescimento dos jogadores que passam pelas suas mãos, dentro daquilo que ele melhor controla (Trabalho táctico defensivo), tem sido fabuloso. Tem conseguido transformar os mais "selvagens" atletas, em futebolistas extremamente competentes ao nível do rigor no posicionamento e agressividade defensiva.
Sendo que na Europa nem todos trabalham com o rigor defensivo de Jesus, Gaitan deixa sinais claros que na Argentina o trabalho que teve não passou por aí.

"Em termos de marcação é ‘tramado’, nada fácil. Tento sempre ajudar a equipa. Posso jogar bem ou não. Compete ao treinador corrigir as movimentações e a mim... melhorá-las. "

No treino, onde não nos cansamos de dizer que 80% do trabalho é feito, Jesus corrige os erros do jogo anterior. Cria contextos de variabilidade (dentro dos exercícios) necessários para um maior transfer dos princípios de jogo. Obriga a agir e reagir, a adaptar e readaptar, cada comportamento (sobretudo defensivo) a determinado contexto. Sabendo o quanto Jesus é exigente com o cumprimento posicional, o resto fica sob responsabilidade de quem tem o privilégio de aprender com ele.
Fica mais uma referência às aprendizagens que o treinador do Benfica possibilita aos que consigo trabalham.

"Tenho de estar atento à forma como jogam os colegas, mesmo os laterais e centrais, pois nunca se sabe o que vai suceder no jogo"

Exacto. O jogo é caótico. E independentemente do espaço, e posição, que ocupamos mais vezes no decorrer do jogo, as estruturas modernas organizam-se por forma a que todos os jogadores, num determinado contexto, pisem terrenos desconhecidos. Exige-se, dessa forma, que todos os jogadores conheçam o funcionamento global da estrutura. Isso, para que se possam integrar em todos os momentos, sem comprometer a estabilidade e relação harmoniosa da organização.

O mais difícil de treinar, em organização/transição defensiva são os ajustes. Ou seja, o posicionamento que se deve adoptar consoante o colega que saiu na bola, ou que foi ultrapassado, nas situações em que temos menos tempo para agir/reagir.

Situação de treino. Exercício em situação de jogo

Momento do jogo: Organização defensiva e transição defensiva.

Objectivo geral: Tomada de decisão na organização do processo defensivo. Tomada de decisão em transição defensiva.

Objectivo específico: Criação de losangos e triângulos defensivos, de contenção e cobertura. Agressividade inteligente na contenção. Critério na contenção, defendendo sempre os espaços interiores. Baixar rapidamente para trás da linha da bola.

Critério de êxito: Defender bem, sem sofrer golos. Com a bola no corredor central, cumprimento rigoroso do posicionamento zonal, fechando linhas de passe, à esquerda, à direita, e apoio frontal, ao portador da bola. Cumprimento rigoroso do posicionamento zonal quando a bola está no corredor lateral, formando triângulo defensivo. Ocupação racional dos restantes espaços, fechando sempre os espaços mais importantes. Criação de zonas de pressão nos corredores laterais, em bolas divididas, nos passes para trás. Reacção forte à perda de bola, pressionando logo o portador. Recuperação rápida para trás da linha da bola. Critério na contenção, com objectivo de não deixar enquadrar, progredir, ou rematar. Em inferioridade numérica leitura correcta da situação, e bom timing de contenção/pressão.

Forma: GR+7x7+GR.

Espaço: Dois terços do campo.

Tempo: 20 minutos.

Condicionantes: O jogador que mete a bola fora sai para ir buscar. A equipa adversária segue com qualquer uma das bolas dispostas corredores laterais. O jogador que foi buscar a bola deve coloca-la no local de onde a equipa adversária seguiu a outra bola, por fora do campo, para não atrapalhar quem está dentro. Depois de colocar a bola no sítio certo, volta para dentro de campo. Cada vez que uma equipa fizer um golo, o GR da equipa que sofreu deve pegar nessa bola e coloca-la na baliza adversária. A equipa que marcou segue com a bola da sua baliza. O GR da equipa que saiu com bola não pode fazer golo, enquanto o GR adversário estiver a repor a bola. Caso a equipa, sem GR, sofra um golo antes que este tenha conseguido voltar para à baliza, deve ir outro jogador qualquer repor essa bola na baliza adversária.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Curtas de Napoles, Aveiro e Alvalade

- Jogo muito fraco do SL Benfica naquilo que costuma ser mais forte, na forma como cria ocasiões de golo. Trocar Gaitán por Markovic não pareceu em nada uma boa ideia. Perde-se o que de melhor tanto um como outro têm para dar;

- Sílvio que até nem estava a ter um mau jogo num único lance soma um erro técnico (mau corte) a um erro táctico (não recupera rapidamente para a linha dos colegas) e permite a justa vitória do Napoli. Depois do erro táctico de Cortez na anterior partida com São Paulo, agora Sílvio. Talvez por comparação se perceba melhor agora os elogios a Melgarejo;

- Pela primeira vez fez-se notar a ausência de Cardozo. Ao contrário do que se pensa não é no número elevado de golos que marca que o paraguaio faz a diferença sobre Lima e sobretudo sobre Rodrigo. Por cá até temos a ousadia de crer que quer um quer outro se forem apostas regulares como ponta de lança até farão mais golos que Cardozo. É a receber e a dar seguimento às bolas que recebe entre sectores que Cardozo faz bastante diferença. Pode "apanhar" menos bolas, mas as que lhe chegam saem com muita qualidade. É muito bom também na fase que antecede a finalização. E foi ai que em Nápoles o Benfica nunca se impôs;

- 4x3x3 na segunda parte. Melhor controlo da transição adversária, no momento do jogo em que o Benfica realmente controlou um pouco mais o jogo. Todavia, percebeu-se que a táctica foi transmitida oralmente. Sem qualquer trabalho de campo prévio, pela forma como não havia princípios comuns de actuação nos 3 centrocampistas (Enzo, Matic e Amorim). Um novo sistema para Jesus aperfeiçoar para determinados jogos?

- Licá a demonstrar as qualidades que o levaram a ser primeira opção. Mais agressividade defensiva e mais critério com bola relativamente a Iturbe e Kelvin tornaram-o num titular não tão inesperado. Há na actual selecção gente com menos qualidade;

- Lucho sensacional. Poderá jogar onde quiser. Quem tem o conhecimento que o argentino tem do jogo será sempre um jogador notável seja qual for o espaço que ocupe. Continua a demonstrar que as competências intelectuais são o que de mais importante se requer na actualidade. Os talentosos Quintero e Josué que aproveitem o ano para assimilar tudo o que houver para assimilar com El comandante. Se souberem aproveitar bem terão carreiras ainda melhores;

- O fabuloso Jackson por Portugal continua. Incrível como consegue o FC Porto descobrir jogadores desta qualidade em países que se pensa terem pouco para oferecer ao futebol. Assombroso na agressividade a atacar a finalização e imensa qualidade em tudo o mais. O FC Porto está preparado para o perder, mas tal não significa que o colombiano não seja, com larga margem, o melhor avançado em Portugal;

- Do Sporting x Fiorentina sobrou a mesmíssima análise ao jogo anterior, que havia sido aqui abordado com um pouco mais de cuidado. Quer individual, quer colectiva. O 442 em momento defensivo, que impede desde logo os centrais adversários de sairem a jogar tem a vantagem de no plano teórico oferecer mais bola ao Sporting. Não se deixe enganar, todavia, pelos golos alcançados frente aos viola. Nenhuma equipa da Liga, excepção a FC Porto e SL Benfica vai ousar sequer arriscar um milímetro em espaços tão recuados. E essas pelo recuar de um médio centro e pelo maior afastamento dos centrais contornarão de forma mais fácil a primeira pressão só com dois elementos. Curiosidade para ver como Leonardo Jardim em tais jogos preparará a equipa para reagir ao assumir cedo do jogo por Matic ou Defour;

- Também Montero deixou no segundo jogo a impressão que havia deixado no primeiro. Bastante boa. A par do treinador é o ponto de maior incremento de qualidade em relação à época transacta;

- Sporting totalmente diferente do que há um ano se preparava para iniciar a época. Há um ano organização zero. Hoje há ideias e procura-se um jogar colectivo, assimilado por todos. Princípios comuns a qualquer um dos jogadores que subam ao relvado. Não dá para ficar demasiado optimista se tal for pensar numa entrada directa na Liga dos Campeões da próxima temporada. Mas é expectável um pontuação bastante superior;

- Porque não Carrillo no lugar de Wilson Eduardo?Ou André Martins com Adrien em detrimento de William Carvalho? Ainda que o pequeno craque acrescente critério no corredor direito;

- Estará a chegada de Slimani relacionada com o ofertar do papel de segundo avançado a Montero? Só observando se poderá perceber se tal faz ou não sentido. Todavia, ainda que contra o que parece ser a corrente, o colombiano parece fazer muito mais sentido tal como está a jogar do que no papel de Wilson Eduardo.