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sexta-feira, 8 de julho de 2016

Perfeição Alemã, e Qualidade individual.

Talvez não exista, no mundo, uma equipa nacional tão perfeita nos posicionamentos ofensivos e nos princípios de jogo que utiliza para tentar quebrar o adversário. É incrível como em cada situação de jogo, e tendo em conta a forma como o adversário se coloca em campo, aqueles jogadores conseguem sempre encontrar uma forma dominante de se colocar em largura e em profundidade ligados por uma rede infinita de apoios entre os sectores do adversário. São a melhor equipa do mundo na forma como se colocam sem bola, e na forma de utilizar o seu jogo de posições para encontrar ou criar espaço, tempo, e vantagem numérica.



A excelência no posicionamento contrasta, contudo, com a incapacidade para ameaçar o adversário pelos corredores laterais. Claro que por principio o melhor caminho será o de aproveitar o corredor central para chegar em melhores condições à baliza. Mas repare no número de pernas que a selecção francesa (ou a esmagadora maioria das equipas que defendem com o bloco muito junto e baixo) tem a defender esse corredor. O jogo alemão seria ainda melhor se nos corredores tivesse jogadores com qualidade individual para aproveitar o espaço, o tempo, e por vezes a vantagem numérica que se criava por lá. Kimmich é um jogador fantástico, não se deixe enganar. Porém, não é do tipo de jogador que vá para cima, que ameace no um contra um, que acelere com espaço, que procure a baliza assim que recebe naquela zona. Hector movimenta-se muito bem, mas também não consegue desequilibrar com bola no pé. Muller, Khedira, Bastian, e Can, que foram os jogadores que mais se movimentaram para receber no corredor também não têm esse tipo de qualidade. Por isso, por aquilo que os jogadores conseguiam ou não fazer individualmente os corredores laterais eram utilizados basicamente como apoio, para retirar de pressão ou para mover o adversário. Com Draxler e Ozil, que têm individualmente essas competências, responsáveis pela ligação entre linhas ficou muito mais previsível o jogo alemão, e com muito menos capacidade para aproveitar as situações que melhor que ninguém eles criam.

Draxler a aproveitar a vantagem numérica criada.

Draxler a aproveitar a situação de 1x1 sem cobertura.

Os dois golos têm um denominador comum: Draxler. No primeiro lance na acção que precede a assistência, a utilizar o movimento do lateral para desequilibrar. Poderia até ter sido outra a decisão, mas jogou com o movimento do lateral para colocar o adversário em dúvida. Fixou, soltou, e golo. No segundo golo a aproveitar individualmente a situação criada. Ficaram a faltar mais jogadores com este tipo de qualidade para aproveitar a excelência no posicionamento, porque não basta por princípio criar ou encontrar condições para desequilibrar. É preciso igualmente ter jogadores com capacidade para aproveitar essas situações. E foi essa capacidade de ameaçar pelos três corredores que, na minha opinião, lhes faltou durante todo o Europeu de 2016.

Imagine que na seguinte imagem os nomes à branco eram substituídos pelos nomes à vermelho, no jogo de posições.
Parece-lhe familiar? Laterais por dentro e extremos por fora, onde é que já viu isso?

quinta-feira, 30 de junho de 2016

O contexto. Mas sempre com as ideias originais.

Todo e qualquer modelo de jogo tem de partir sempre da relação contexto (Jogadores, liga, objectivos) com as ideias do treinador. Há sempre adaptações por fazer. Não é diferente com Guardiola.


Quando fomos para a Alemanha, percebemos rapidamente que tínhamos de aprender a lidar com os contra-ataques e que o futebol era muito mais físico. Tivemos de misturar isso com o desejo de controlar os jogos através da posse de bola. O Bayern que venceu o triplete era muito mais pragmático. Com Guardiola, o Bayern controlava mais os jogos. Ajustou as suas ideias às da Bundesliga e vai fazer o mesmo na Liga Inglesa

O treinador perfeito não existe, mas Pep está próximo. Há pessoas que vão todos os dias para o trabalho e depois há pessoas que trabalham realmente todos os dias. Guardiola passa imensas horas a trabalhar e todos os que estão com ele têm de fazer o mesmo. Pode perder jogos, mas nunca é por falta de atenção aos detalhes. A sorte tem sempre o seu papel no futebol, mas tens que conseguir minimizar a importância desse fator, dando opções aos jogadores no ataque e explorando as fraquezas dos adversários. Todas as sessões de treino são uma lição tática baseada no adversário seguinte. Recordo que Guardiola, em sete anos como treinador, teve sempre as equipas que menos golos sofreram. Ele quer que as suas equipas tenham a bola, mas também quer que controlem o jogo quando não têm a bola

"Atendendo ao seu modo de trabalhar, é impossível que possa ficar num clube durante 20 anos. Há uma grande intensidade em tudo, física e mental. Os seus dias começam às oito da manhã e não terminam antes das 19 ou 20h." sobre o "é extremamente obsessivo" com que Lewandowski o catalogou.

Declarações de Torrent, membro da equipa técnica de Pep Guardiola.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Pep em entrevista. Adaptar ou obrigar ao nosso modelo?

"Quando cheguei a Munique tentei perceber a qualidade dos jogadores e deixei-os jogar para perceber o que podiam dar. E depois tentei perguntar aos jogadores o que conseguem fazer. O maior erro seria fazer: Sou o Pep e eles têm de jogar assim e este tipo tem de fazer este movimento... e ele não é capaz de fazer o movimento... mas se calhar consegue fazer melhor noutra posição... estou convencido que o mais importante é perceber a qualidade dos jogadores e ajudá-los a colocar essa qualidade ao serviço da equipa" Guardiola 

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Guardiola e Simeone

O jogo. Um jogo com duas partes distintas, onde só a segunda conseguiu traduzir em golos o que se passou em campo. Uma primeira parte absolutamente demolidora do Bayern. Agressividade com e sem bola. Não me lembro nunca de ter visto o Atlético, nos jogos que ganhou ou que perdeu, sentir tanta dificuldade no seu processo e estar tão desconfortável no jogo como na primeira parte em Munique. O que o Bayern conseguiu nesse período do jogo ainda não tinha sido alcançado por alguém que tenha defrontado a equipa de Simeone. Foi absolutamente extraordinário. O Bayern criou o suficiente para resolver a eliminatória aí, mas como não é o Guardiola que cria e finaliza as bolas não entraram. Os remates, as recepções, e mais uma vez as decisões. A menor exuberância individual. O que o treinador não controla, também o desnorte dos jogadores do Atlético. A intensidade era tão alta, e as jogadas sucediam a uma velocidade tal, que nem que Simeone entrasse dentro de campo mudaria alguma coisa. A segunda parte onde o Bayern não entrou tão forte. Não só por ter a eliminatória empatada, mas também por não ser possível manter o ritmo que estava a impor sem provocar um desgaste que poderia ser fatal nos minutos que se seguiam. A criação de oportunidades foi mais equilibrada, o Atlético conseguiu ter bola no meio campo do Bayern algumas vezes, e teve a fortuna de na primeira vez que conseguiu sair com qualidade do seu meio campo criar a melhor ocasião do jogo e marcar. Depois disso, a descrença do Bayern, até o golo de Lewa. Foram muito longos os minutos que passaram entre o golo do Atlético, e uma nova réstia de esperança para os bávaros. Mas aí, já o Atlético estava bem confortável e tranquilo, como habitualmente em situações de vantagem.

Os treinadores e as ideias. São completamente antagónicas as formas de ver o jogo de um e de outro. Os modelos de jogo chocam de forma extrema, e foi interessante verificar que mesmo um modelo como o de Simeone mais habituado a jogar com factores externos também sofre da doença do incontrolável, como na primeira parte. Guardiola sempre virado para o ataque, e a tentar recuperar nos momentos que se seguem a perda. Simeone sempre virado para a sua baliza, e a tentar atacar o mais depressa que consegue assim que recupera. O futebol tem-me ensinado muitas coisas, mas a mais importante aprendizagem reside no antagonismo destes dois treinadores. Dois treinadores fantásticos, porque conseguem que os seus jogadores coloquem em campo aquilo que idealizam. E o segredo do sucesso está nisso. Conseguir dotar a equipa de comportamentos que personifiquem a ideia do treinador em campo. Conseguir por parte dos jogadores um compromisso com o treinador, com as suas ideias, e acreditar que é aí que está o sucesso. No longo prazo, é isto que marca a diferença. Os dois, nisto, são fantásticos. A vender a ideia de jogo aos jogadores, a mostrar-lhes que determinados comportamentos são inegociáveis, e que há uma ideia para atacar, para defender, e é com ela que devem ir até à morte. Na verdade, Simeone é o único treinador do mundo que a jogar como joga consegue ter sucesso continuado. As prestações na liga espanhola sempre perto dos noventa pontos, colocando em cheque Real e Barça sempre que são menos regulares, os resultados nas provas a eliminar. Sem jogar o futebol que mais nos agrada por aqui, é maravilhoso verificar o que aqueles jogadores dão pelo treinador, a competitividade contra os grandes. Não é que o Atlético tenha propriamente uma equipa má, mas não se compara aos grandes de Espanha ou Inglaterra, nem mesmo ao Bayern.

Simeone resume o jogo.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

O que os treinadores não controlam. Por Guardiola.

Fala-se muito por cá sobre o que o treinador verdadeiramente controla e o que não controla. Coloca-se todo o peso do resultado nos ombros de quem não joga. Quando é o processo que deve ser cobrado ao treinador.

"Lo importante es qué has hecho para intentar ganar, lo importante es el proceso, lo que has metido en el trabajo para poder conseguir la víctoria"

"por un minuto seríamos perdedores? Pues no. Al final es que háces para poder ganar y eso es lo más importante"

Guardiola com a simplicidade de sempre no final da eliminatória com o SL Benfica revela o que o público continua a querer meter nos ombros do treinador.

"Tinhamos o jogo controlado, mas o Benfica foi lá uma vez e marcou o golo. Na verdade a este nível na Liga dos Campeões todas as equipas têm grandes avançados e a qualquer momento algo pode acontecer"

Guardiola, o maior resultadista da história do jogo

Há treinadores que ficam na história pelo que deram ao jogo. Há outros que ficam na história pelo que conseguiram ao nível dos resultados. E há um que entra numa categoria completamente distinta de todos, onde só ele está presente. Não só por mudar e revolucionar o jogo, mas por arrastar consigo troféus e uma regularidade nunca antes vista em provas a eliminar. Aquele que comandou a melhor equipa da história, e comanda há quase três anos o Bayern, mostra ter o melhor modelo de jogo na regularidade, pelos princípios que apresenta, mas também mostra ser feroz e competitivo em provas a eliminar. Claro que não se pode dissociar isso da qualidade individual que teve na Catalunha, por exemplo. Mas a realidade é que a qualidade individual continua lá, e nas quatro edições seguintes da prova a melhor equipa do mundo individualmente conseguiu duas qualificações para as meias da prova mais difícil da UEFA. Guardiola saiu, e em sete presenças soma sete sorteios nos últimos quatro sobreviventes. Não creio que tenha existido alguém com semelhante record, sobretudo se somarmos a isso os campeonatos que não venceu. Sim, os que não venceu, porque contrário de outros Guardiola não será lembrado pelos troféus que ganhou. Ele colocou a fasquia tão alta, que se falará sempre dele pelo que não conseguiu ganhar. Vítima do seu próprio sucesso, por um jogo todo o seu processo é colocado em causa. É preciso muito atrevimento para se criticar Guardiola. Ainda ontem, com Martinez, Kimmich, e Alonso, e ainda Lahm. Quatro médios com bola, quatro defesas sem bola. Não compensará ao tipo de jogo que pratica ter sempre jogadores destes a atacar, tendo em conta o pouco que defendem? Não só tem as melhores ideias para o jogo, como ainda garante resultados a curto, médio, e longo prazo. Por tudo o que deu ao jogo, por tudo o que continua a conquistar, o melhor treinador da história.

PS: Aproveito para elogiar a forma como o Benfica conseguiu competir (sobretudo na primeira mão) contra este monstro.

PS1: Revelo a minha secreta admiração pela mentalidade que Simeone consegue impor nas suas equipas. Pela forma como vende a sua ideia aos jogadores. No contexto mais difícil do mundo (Real Madrid e Barcelona), onde imperam os deuses do futebol, consegue competir.

sábado, 9 de abril de 2016

Jordi Cruyjff. O legado do pai e a actualização do génio Guardiola.

"El dream team di padre inició una trayectoria diferente con en 4-3-3, inclusu as veces con Koeman de central, Goikoetxea de lateral izquierdo, Eusebio de lateral derecho y Guardiola delante de Koeman. Un atrevimiento bestial. Èl inició esta manera de ver el fútbol. Guardiola perfeccionó la parte de agresividad e presión sin balón, el recuperar el balón cuanto antes para poder volver a tener la pelota y tener buena circulación." Jordi.

Fantástica a descrição de Jordi. Naturalmente que também foi com Guardiola que todo o processo ofensivo atingiu a perfeição nos seus tempos de Barcelona. A excelência na tomada de decisão levada ao extremo. Uma equipa de posse quase infinita não porque não se deva "arriscar" mas porque identificava sempre os momentos óptimos para o fazer. Se lhe parecia que arriscava pouco a ruptura ou a velocidade desenfreada no seu jogo, tal era apenas porque na maior parte do tempo em que tens a bola não é isso que se impõe, sob pena de se perder a bola! Sempre foi uma questão de probabilidades. Sair em velocidade ou na ruptura terá sempre menos possibilidades de se ser bem sucedido se se impõe isso a cada instante, em vez de esperar pelo timming correcto. Em vez de se desorganizar o adversário com a circulação para posteriormente então sim surgir a ruptura. Todavia, não deixou nunca o Barcelona de Guardiola de ser a equipa que melhor saía rápido quando assim identificava que o deveria fazer ou que melhor metia a ruptura no seu jogo. A questão é que fazia-o ocasionalmente, porque o jogo (as situações que se enfrentam no jogo. Espaço onde está a bola, os colegas e a oposição) pede muito menos a profundidade a cada instante que o trocar a bola. De facto nos tempos de Guardiola em Barcelona devem ter sido batidos recordes de golos após rupturas, com finalizações em 1 ou 2 contra 0. Tentando menos fazia mais. Porque tentava sempre no momento ideal.

Porém, é impossível não valorizar o que destacou Jordi. A melhor equipa da história do jogo era também incrível porque praticamente perfeita em todos os momentos. Sem bola asfixiava. Ninguém conseguia sair em transição pela pressão imediata nas imediações da perda e pelo reorganizar rápido dos jogadores mais distantes do centro de jogo. Contra o Barcelona ninguém jogava. Porque sem bola demoravam eternidades a recuperá-la e porque com bola, a equipa de Guardiola era também próxima da perfeição nos momentos defensivos.


quinta-feira, 7 de abril de 2016

A percepção de Guardiola. A qualidade ou falta dela no processo. Que leva ao resultado e não o contrário.

"É uma equipa que não deixa espaço entre linhas... é complicado fazer golos" Guardiola sobre os méritos do SL Benfica de Rui Vitória.

Já por aqui antes se havia reconhecido que quando decide juntar linhas, com um bloco médio - baixo, tal como fez em Braga ou Alvalade, é praticamente impossível jogar dentro do bloco do SL Benfica. Não é contudo no processo do Benfica tão elogiado por Guardiola que se pretende centrar este texto.

Mas antes no que Guardiola identifica como condição importante para uma equipa competente.

"Não deixar espaço entre linhas!"

O que nos faz recordar o texto anterior sobre o Belenenses de Velásquez, fundamentado com algumas imagens (não todas) referentes apenas aos primeiros vinte minutos do jogo, enquanto o foco estava elevado pelo empate no marcador.

"Só nos primeiros vinte minutos, para além da mão cheia de lances de golo criados pelo Sporting, o que chocou bastante mais, foi a incapacidade para travar construção e criação leonina. A cada posse o Sporting chegava ao espaço entre sectores do adversário, mesmo partindo de construção. Mesmo que a bola se iniciasse nos centrais, com todos os jogadores do restelo atrás da linha da bola, a facilidade para chegar aos tais espaços mais prometedores, perante menos oposição foi algo que ainda não se tinha visto por cá (e se tantas vezes partiu da construção, nada terá a ver com a forma como o Belenenses ataca!) E não saber condicionar linhas de passe, saídas para o ataque e fechar espaços nada tem a ver com qualidades individuais. Surgem fruto de um modelo muito fraco que por opositor encontrou um modelo cheio de virtudes, capaz de desmontar com incrível facilidade todos os modelos que não têm a minima noção de como controlar espaços. 

Não foi portanto de espantar que o primeiro golo do Sporting surja precisamente numa das "milhares" de vezes que os jogadores leoninos receberam e enquadraram entre linhas."

Portanto, é importante que se perceba que a critica ao jogar do Belenenses incide sobre o seu processo. É um mau processo (não se podendo dissociar o que tenta (umas vezes com sucesso, outras com insucesso) fazer bem em alguns momentos do que faz bastante mal noutros) que naturalmente leva a maus resultados. 

Naturalmente que se a crítica fosse centrada no resultado (que foi bastante lisonjeiro, diga-se) no passado fim de semana alguém com melhor fez pior no Estádio da Luz. Ainda assim, saiu louvado por todos. Tantas são as vezes em que o resultado não corresponde ao processo. Não se pode é esconder um mau processo apenas porque se gosta de uma parte do todo. Ou porque há de alguma forma uma afinidade escondida.

Podemos então concluir, que apoiado numa série de jogadores de mais valia (e com um perfil técnico e de decisão muito aprazível) para aquela que é a realidade da Liga portuguesa, o Belenenses procura impor um estilo de jogo que ofensivamente o aproxima do sucesso. Todavia, o facto de sem bola ser extremamente desorganizado acaba por envergonhar todos os defensores do estilo. O que é obrigatório referenciar é que tentar-se ser de decisões, de manter a posse e de fazer a bola chegar em melhores condições a melhores espaços não se relaciona directamente com maus processos defensivos e com um risco óbvio de a cada momento se poder sofrer um golo, como parece demonstrar o Belenenses! Se tal é vísivel no Belenenses é porque é uma equipa mal preparada para jogar futebol. E isso poderá acontecer com qualquer outra, independentemente do estilo. Se mudasse o seu estilo e passasse a bater na frente sem critério, a equipa azul não melhoraria o seu jogo. Pelo contrário, seria ainda pior!

domingo, 3 de abril de 2016

Se quisesses que o Herrera jogasse, que dirias? Guardiola prepara o ataque à semi final.

"Herrera é um jogador fantástico. Fisicamente é muito forte. Parece lento, mas é muito potente. O Porto tem bom olho para contratar jogadores de bom nível. Herrera é um deles" Pep Guardiola.

Portugal acordou eufórico com os elogios de Guardiola à última linha do Benfica. "O Benfica tem uma super organização defensiva e uma linha de quatro defesas como há muito não via".

Não vamos aqui agora discutir méritos ou deméritos do trabalho defensivo da equipa de Rui Vitória. A verdade é que quando decidiu baixar linhas mantendo toda a gente atrás da linha da bola como fez em alguns jogos demonstrou grande capacidade para manter a sua baliza praticamente livre de ocasiões de golo. Foi assim em Braga, na Russia ou em Alvalade, por exemplo. Independentemente de se crer que há ou poderá haver menos qualidade no trabalho do pormenor (distâncias entre jogadores, distâncias para linhas de cobertura, ou de controlo da profundidade), importa debater as afirmações de Guardiola.

Flashnews para os tontinhos. Os treinadores em público não dizem realmente o que vai na alma. Jogam antes com o que lhes poderá ser favorável.  Preparando os seus jogadores e o seu público para a adversidade... Pelas ruas da baviera esperam-se facilidades e muitos golos na eliminatória. Alguém duvida de que para os alemães foi uma felicidade ter saído o SL Benfica porque as probabilidades do Bayern chegar novamente à semifinal como que multiplicaram?! Então, que melhor do que quem está dentro do processo, para não criar ansiedades se os golos não começarem a surgir cedo e aos magotes, que preparar o público para um jogo que antes das declarações de Guardiola não esperaria? Um possível jogo de paciência perante um adversário que vai sempre defender com todos atrás da linha da bola e bem próximos? Se há meia hora em Munique o nulo persistir, a frustração será agora sempre menor para os alemães. E com isso, mais fácil manter o foco e o plano de jogo.

Vale muito a pena ouvir os melhores treinadores do mundo. E ainda esta semana tenho tido a possibilidade de saber muito mais... Mas é sobretudo quando falam em privado...

sábado, 26 de março de 2016

"O futebol é um jogo impossível de dominar a menos que sejas o Messi". Pep evoca o revolucionário Cruyff.

Vivemos anos felizes. No início do Blog quase tudo o que se defendia era "chinês". A primazia pela decisão, o como os melhores são sempre os que melhor decidem. A organização colectiva, mesmo que "desorganizada" ofensivamente na mobilidade. Os princípios do jogo. A identidade colectiva num jogo percebido por todos.

O fabuloso Guardiola sobre Cruyff, o "pai" do jogo ofensivo.

"El fútbol es un juego tan complicado que te haces entrenador porque quieres controlarlo. Crees que lo dominarás con lo que haces o con lo que dices pero es imposible de dominar excepto si te llamas Messi. Y Johan nos ayudó a hacerlo"

"Él nos ayudó a entender el fútbol. A tomar decisiones"

Un día fui a cenar con mi mujer y mis hijos y estuvimos hablando de Johan y uno de mis hijos, tanto oír hablar de Johan, al que no conocía, me preguntó quién era. Y le expliqué que es como si fueras a clase de historia, de ciencias o de matemáticas y sólo esperas a que llegue la clase de ese profesor porque te ayuda a amar el juego, a amar la clase, a amar... Y mi hijo me responde: "¿Cómo Merlín?". Pues sí, como Merlín. Nosotros tuvimos a Merlín, una persona que nos ayudó y era especial".

Uno de los primeros años jugábamos ante el Valencia, que llegaba líder. En la charla previa nos dijo que jugaríamos con tres atrás y yo pensé: "¡Qué dice este tío! Con tres atrás ante el Valencia que viene como un avión...". Pensaba que nos caería un saco y ganamos bien y ellos no pasaron de medio campo. Él te lo argumentaba y te abría los ojos. Nos ha dado incluso clases de gramática. Hablamos de cosas que él trajo aquí

No es casualidad que Zubizarreta y Txiki sean dos grandes directores deportivos. Él nos ayudó a entender el fútbol. La suya es una gran pérdida. Sus consejos eran importantes. Te animaba a seguir el instinto, la nariz. A tomar decisiones. Te decía que te guiases por el instinto, que no falla nunca"

A veces me pregunto qué haría Johan. Ante la Juventus cuando tenía la soga preparada me pasó y lo pude sacar adelante".

"Él me protegió cuando empecé como futbolista. Cada día me ponía en el sitio. Me dio una lección futbolística de cómo debía comportarme, cómo alejarme de los medios, una lección de aprendizaje. Su legado es infinito"

quinta-feira, 17 de março de 2016

O maior mérito de Guardiola

Não são os titulos intermináveis, ou sequer a sua presença assídua sempre nos quatro melhores da Europa. Que não sendo nunca obrigatórios, também nunca causaram surpresa.

O grande mérito de Guardiola é indubitavelmente a aura que conquistou. Aura tão acentuada que quem pretende desvalorizar o seu trabalho defende acérrimamente ser um escândalo (seria) que o tetra campeão Italiano, finalista da última liga dos campeões e com um plantel recheado do que de melhor há por essa Europa fora (Dybala, Moratta, Bonucci, Alex Sandro, Pogba, Marchisio, Chiellini, Mandzukic, Khedira, etc) eliminasse o seu Bayern.

Questionava o Bergkamp sobre isso. "O Bayern é assim tão melhor individualmente que seja uma vergonha ser eliminado pela Juventus?". "Só parece ser porque a sua maneira de jogar faz parecer que são muito melhores" disse-me. 

É este o legado de Guardiola a nível internacional. Um pouco como o de Jorge Jesus a nível nacional. A Jesus não importa se está numa equipa que nunca lutou verdadeiramente pelo primeiro lugar na última década em Portugal. A Guardiola não importa se há outras tantas equipas tão ou melhor apetrachadas como a sua. Guardiola, se é bom tem de ganhar.  Não importa que do outro lado se tenha Messi, Aguero, Zlatan ou Ronaldo. Se não ganhar é porque não é bom. Como se não fossem os jogadores a jogar o jogo. 

Só nos quartos de final da Liga Milionária há quatro equipas individualmente tão ou mais fortes que a sua. Barcelona, Real Madrid, PSG e City. E se tem dúvidas sobre isso... acaba de descobrir que é esse o seu maior mérito!


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Deus Guardiola

Alguns continuam a pensar que contra o Bayern a opção de baixar é sempre do adversário. Há quem até pense que Guardiola é hoje um treinador que está mais rendido ao jogo directo. Pode-o ser algumas vezes, mas na maior parte do tempo percebe-se o trabalho que o melhor treinador da história tem para meter o adversário no último terço. A organização ofensiva do Bayern, ou o ataque posicional como lhe gostam de chamar agora é assustadora!

Vamos quando os outros estiverem todos, ou quase todos, atrás da linha da bola. GR+2+3+5


Da próxima vez que virem um central solicitar um extremo na profundidade pensem que Guardiola pode querer uma de duas coisas:

 - Acelerar o processo de conquista de espaços (profundidade), colocando mais rapidamente o adversário no último terço, e por consequência mais longe da sua baliza. E aí, percebes o porquê de os extremos temporizarem, fingirem que vão para cima quando na verdade estão a esperar que os colegas subam e se coloquem no meio campo ofensivo, para aí sim começar a atacar a baliza. 

 - Como tem jogadores muito fortes no 1x1, caso se proporcione essa situação, dar liberdade aos extremos para quebrar o adversário. 

Deus, só ele

domingo, 4 de outubro de 2015

Todos queremos a bola. Mas só uma equipa a pode ter.

Desde o início do blog que se tenta passar uma visão diferente do tradicional jogo de futebol, tão comum na década de noventa. Tão comum em tantas equipas ainda na presente data!

Sobretudo o ênfase nos processos colectivos. Na forma como as equipas se movem em conjunto. Como o movimento ou opção de X determina o de Y, o de Z, etc. O ênfase na tomada de decisão do portador da bola. O procurar as superioridades. Decidir de acordo com a situação de jogo que mais aproxima a equipa do sucesso, independentemente da "fama".

Independentemente das armas (individuais) o foco sempre no processo ofensivo. Se a tomada de decisão é de excelência (como deve de ser sempre!), a posse acentua-se. O período que passas com bola é maior. Acentua-se o controlo e o domínio com bons princípios ofensivos. A sorte protege os audazes, diz-se. E querer ser ofensivo independentemente do adversário é uma virtude que é mais vezes recompensada que as que acaba por ser quem escolhe o caminho sem bola. Quem escolhe o caminho de jogar apenas em organização defensiva, e oferecer a bola após a recuperação, para que não se sujeite à transição ofensiva adversária.

Todavia, é um erro clamoroso pensar-se que por se dar maior ênfase, maior foco nos momentos ofensivos, se pode descurar o defensivo. É um erro tremendo crer-se que porque se quer ter sempre a bola, os processos defensivos podem ser rudimentares. Há uma bola para duas equipas! Mesmo que ofensivamente sejam ambas fabulosas, quando se defrontarem, alguma ou ambas, terão menos bola que o habitual!

Os melhores são capazes da excelência em todos os momentos! Mesmo que passem bem mais tempo nos ofensivos que nos defensivos! 

É errado pensar-se que preparar uma equipa de excelência nos processos ofensivos requer todo o tempo do mundo e que como tal, os momentos defensivos não são trabalhados. Afinal, retiraram tempo de treino ao que mais importa. Nada mais falso! Depende sempre da capacidade do treinador em operacionalizar o que idealiza. Mas, que treinador competente não consegue / não integra mais do que um momento do jogo nos seus exercícios? Como se treinando a organização ofensiva, não implicasse treinar organização defensiva ou transições em simultâneo!

Naturalmente que há e haverão sempre os treinadores de uma escola mais tradicional, que optam por exercícios mais padronizados, sem oposição para chegar onde quer. Naturalmente que quem o faz, trabalha cada momento, cada fase, cada situação de forma separada e ai naturalmente que pensará que ser mais ofensivo implica retirar competência / tempo de trabalho no defensivo. Também naturalmente que tais treinadores, tal como os que apenas preparam a sua equipa para um ou dois momentos do jogo, ou preparando para mais, não mostram excelência em tais situações, não são tidos por cá como de topo do futebol mundial. 

Na foto não apenas o treinador que quer e consegue! ter a bola sempre consigo. Mas também o treinador que mais controla todos os momentos. A melhor transição defensiva do mundo. Porque a seguir à posse, haverá golo ou perda. Na foto quem revolucionou todo o jogo. Deus Guardiola.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Controlo da profundidade

Não é possível fazer com que Messi desapareça do jogo durante os noventa minutos. Também não é possível controlar por inteiro tanto talento e tanta qualidade na tomada de decisão numa só equipa. Mais difícil ainda será conseguir ferir em organização ou transição ofensiva sem a qualidade técnica e a criatividade que se pede, a quem deve decidir em pouco tempo e com pouco espaço. Porém, Guardiola hoje continua a perder para Messi por trabalhar a última linha para jogar com o fora de jogo. E contra certas equipas, contra certos jogadores, tal é fatal. Hoje percebe-se que é fundamental para qualquer equipa que queira ser sempre ofensiva - que queira jogar com as linhas juntas e subidas, que queira defender com poucos e em transição, que queira defender em igualdade numérica - o controlo dos espaços em largura e em profundidade. A última linha deste Bayern não é trabalhada para retirar o espaço que concede, em alguns momentos, na tentativa de asfixiar o adversário. Não usa a bola como referência e por isso sofre. Sobretudo contra jogadores com cérebro para aguardar pelo timing exacto para meter o passe, e colegas fortíssimos a aproveitar o espaço nas costas. Assim, a última linha fica sempre exposta ao que o adversário apresentar. Controlando a profundidade continua a existir o fora de jogo, e o mesmo continua a ser uma vantagem. A diferença é que surge como consequência do comportamento colectivo de subir ou baixar consoante a bola (coberta ou descoberta) e não como um objectivo.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Na qualidade individual Barcelona é monstruoso

Foi um jogo de futebol como deveria ser sempre, jogadores contra jogadores. Aquilo que os treinadores permitem às equipas do ponto de vista ofensivo eleva o espectáculo, e entrega a notoriedade a quem a deve ter sempre. Por isso, como nunca, fomos capazes de perceber a diferença que faz ter ou não ter criatividade no último terço.

Semelhanças. Jogo dividido em posse. Duas equipas a tentar conseguir chegadas com a bola controlada ao último terço.

Diferenças. Onde uns precisavam de um toque outros precisavam de dois ou três, onde uns tinham capacidade para segurar outros falhavam recepções, onde uns tinham capacidade para sair e ir embora outros perdiam constantemente a bola. Barcelona tem Piqué, tem Alba, tem Alves,  Iniesta,  Busquets, Neymar, e Messi. Todos eles criativos. O Bayern tem Thiago e Alonso.

Primeira parte 

O primeiro lance de algum potencial surge ao minuto 6, onde um mau controlo do espaço (distância entre a última linha e as restantes), permite a Messi ganhar uma bola na profundidade entre Boateng e Bernat e soltar para Suarez, que de frente para os últimos três do Bayern em posição frontal (2x3) atira para Neuer defender. No minuto seguinte, surge o primeiro lance em que uma equipa consegue sair da pressão, de forma segura. O Bayern com uma combinação na saída de bola, sempre em passe curto, consegue libertar Bernat. Inicialmente aproveita muito bem o espaço conduzindo a bola para dentro, mas depois em situação de 4x3 (com perseguição) não conseguiu aproveitar o que os colegas lhe estavam a oferecer. Tivesse libertado em Thiago, e seguido em desmarcação pela esquerda, e estava quase que garantida a criação de uma situação de finalização. Mas contra a última linha, e muitos colegas, Bernat não foi competente. No minuto seguinte, Alonso erra o passe e Piqué de primeira enquadra Rakitic que, depois de uma tabela com Messi, fica numa situação de 3x2 (com perseguição) e não define da melhor forma. No seguimento deste lance, o Bayern recupera, e Alonso enquadra Lewa que acelera em condução para uma situação de 3x3 (com perseguição) mas não opta por trazer o lance para dentro, acabando assim por prejudicar as suas próprias hipóteses de sucesso com o lance.
A primeira grande ocasião de golo, numa altura em que o Bayern ainda jogava com três na última linha, resulta de um mau domínio do espaço desses três elementos. Mais preocupados em gerir individualmente os 3 da frente do Barcelona, a última linha permite que uma bola de Ter Stegen para Messi (que ganha a primeira bola) isole Suarez. 1x0 que não aproveita.
Ao minuto 11 o Barcelona, novamente em transição ofensiva. aproveita o mau posicionamento de Benatia (percebeu que devia ter adoptado um posicionamento mais conservador, junto dos seus colegas de sector, fechando o espaço interior).. Neymar limitou-se a aproveitar o espaço, soltou para Alba que de imediato enquadra Suarez no corredor central para uma situação de 4x3 que o uruguaio desaproveita. De seguida o Bayern acalma o jogo. O Barcelona coloca todos atrás da linha da bola, e novamente em construção a equipa de Guardiola consegue encontrar uma situação que procurar muito no seu modelo de jogo (igualdade numérica na grande área). Com passe curto, a bola entra no corredor lateral e Bastian percebendo do posicionamento de Lewa e Muller (2x2) cruza e o avançado polaco não consegue finalizar.
A segunda grande ocasião de golo surge numa altura em a equipa de Guardiola ajustava o sistema, mudando de três para quatro na última linha. E por uma série de ressaltos e ajustes no posicionamento Suarez ganha a bola dentro da área e coloca em Neymar, que dentro da pequena área chuta contra Rafinha. Ao minuto 17 o Bayern cria a sua melhor ocasião do jogo. em construção, desta vez adopta o jogo directo da linha defensiva para Muller, que ganha muito bem a primeira bola para Lewa. O polaco, no meio de 4 jogadores do Barcelona, descobre muito bem o movimento de Muller e inicia ele a marcha para atacar a finalização. Muller entrega, e Lewa só com Stegen pela frente não consegue desviar, nem deixa passar para Thiago que entrava ao segundo poste.
No minuto 23, depois de uma recuperação de bola na zona do meio campo, Muller encontra Lewa que perde no 1x1 com Pique no corredor central. No minuto 25 o Barcelona consegue finalmente em construção criar um lance com potencial. Busquets tratou de aproveitar o posicionamento adiantado da defesa do Bayern, que sem contenção não se preparou para controlar a profundidade. Alba, com a linha defensiva batida, faz o passe para dentro da área, onde apareciam Messi e Neymar, mas Boateng que vinha a recuperar ainda consegue o corte na pequena área.
Decorria o minuto 38 quando Guardiola sofreu pela primeira vez por uma dinâmica que ele muito trabalhou enquanto esteve no Barcelona: o aproveitar do movimento contrário da defesa. Bola vem da linda de fundo para a entrada da área, obrigando por isso a defesa a subir. Iniesta, de primeira, aproveita para colocar Alves em boa situação para finalizar apesar da dificuldade da recepção.
A terminar a primeira parte Alonso consegue depois de uma recuperação a meio campo enquadrar Bastian. 3x3 novamente mal aproveitado. Bastian não conduz para obrigar alguém a sair e entrega de imediato a bola, e depois de a entregar não foi capaz de oferecer a linha de passe que o seu colega precisava.

Segunda parte

A segunda parte começa com Boateng a explorar bem o espaço atrás da pressão do Barcelona, colocando em Muller que recebe mal, mas ganha o ressalto, A bola acaba por sobrar para Lewa que não tendo o melhor enquadramento com a baliza preparava-se para rematar já dentro da área, tendo sido parado em falta. Ao minuto 56 novo erro em posse que acaba depois de uma série de ressaltos nos pés de Messi que inicia a progressão interior, tabela com Neymar e remata em posição frontal na zona da meia lua. Dois minutos depois, Neymar recebe no corredor lateral e chama a si cinco jogadores do Bayern em condução/drible, depois não consegue soltar em Suarez que ficaria em excelente situação para finalizar, dentro da área. 
Passados mais dois minutos, nova perda do Bayern, que não foi agressivo a recuperar defensivamente, e a bola cai nos pés de Messi que trabalha com Alves. Messi transforma um 3x4 num 1x0 que Neuer corta por uma má recepção de Neymar.
No minuto 63 o Barcelona tentava sair em organização, mas o Bayern recupera. A forte reacção à perda do Barça, depois de um série de disputas, permite recuperar à entrada da área, onde Messi enquadra Rakitic (4x3) que deveria ter conduzido para provocar o 2x1 com Neymar. Solta logo o passe, permite que Rafinha se coloque entra a bola e a baliza, mas ainda assim Neymar consegue enquadrar e rematar dentro da área. Ao minuto 70 num lance bem construído Bernat enquadra Thiago à entrada da área, que podia ter aproveitado o mau posicionamento da última linha do Barcelona para colocar Lewa em excelente situação para finalizar (1x0), ou Lahm com a bola controlada atrás da linha defensiva. Opta pelo remate, em posição frontal, que acaba nas mãos de Stegen. Quatro minutos depois, Thiago coloca na profundidade em Lewa que passa de cabeça para Lahm. Este de primeira coloca em Muller (4x3) que com tempo e espaço não ataca Pique, optando por tocar de primeira em Bastian, que também não esboça a mínima intenção de atacar a última linha passando novamente para Lahm. Quando a bola lhe chega, apenas existe a opção do cruzamento ao segundo poste, onde Muller estava só. Mas aí já os jogadores do Barcelona estavam o suficientemente perto para apertar e condicionar o cruzamento, e já a situação tinha deixado de ser tão vantajosa em termos de número e espaço, apesar da bola estar dentro da área.

O primeiro golo de Messi surge de novo erro individual na primeira fase de construção. Alves recupera e enquadra Messi que à entrada da área, desta vez, não perdoa. O segundo golo de Messi dois minutos depois é inarrável. Três minutos depois surge uma transição ofensiva de mais um passe falhado de Boateng. Neymar em boas condições para colocar Suarez num 1x0 erra o passe e obriga o colega a travar a corrida, que ainda assim, com a dificuldade da recepção consegue rematar mas não nas melhores condições. No último minuto de jogo, quando o Bayern voltou a estar perto da área do Bayern, o Barcelona recupera e coloca em Suarez que é travado em falta. Mas caprichosamente a bola vai parar aos pés de Messi, o arbitro deixa seguir, e se há alguém que sabe como criar 1x0 é Messi. A bola entra perfeita em Neymar, que frente a Neuer não perdoa.

Mais uma vez, como no Dragão, a equipa de Guardiola evidenciou dificuldade naquilo que normalmente costuma ser forte - aproveitar as costas da pressão. Espaço que o Barcelona deixa na tentativa de gerir os homens mais adiantados do Bayern. Construiu melhor em organização, mas sofreu imenso com as transições pelos erros que cometeu em posse. Na segunda parte melhorou o controlo do jogo mas teve menos chegada. Cometeu menos erros, talvez, por ter tentado menos acções de risco Foi uma fase onde o Bayern até teve mais bola, mas nunca a conseguiu manter no meio campo do Barcelona durante muito tempo, obrigando-os a defender. Por outro lado, o Barcelona não mostrou excelência na construção, nem no futebol apoiado. Apesar de não ter sido excepcional a defender teve uma boa capacidade de concentração. Aproveitou os erros individuais, saiu bem em transição ofensiva, e tem um fenómeno em campo. Se a eliminatória ficou quase fechada é por ter individualidades tão fortes, e enquanto as tiver será sempre candidato a ganhar tudo. 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

O melhor de sempre contra o melhor de sempre

Aguardei ansiosamente pelo dia em que a ironia do futebol ditasse o confronto entre os melhores que este jogo já viu. O melhor a pensar o jogo contra o melhor a jogar o jogo. Aqui pode ler-se, "A história do jogo ditou que os dois melhores que o mundo já viu tivessem de se cruzar e construir juntos o maravilhoso futuro do jogo.
E assim foi, durante largos anos, a simbiose perfeita. Messi criava para Guardiola aplaudir." E ainda a pouco tempo Guardiola esteve lá, uma vez mais, para o aplaudir pela sua genialidade. Será tão divertido ver Messi como das últimas vezes? Uma coisa é certa, para quem gosta de futebol, de futebol a sério, vão ser dois jogos para ficar na história.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Curtas sobre o verdadeiro futebol europeu

Incontestavelmente o melhor futebol da Europa esteve em acção ontem. Aproveitem por isso, e não deprimam hoje, tal vai ser a diferença entre a qualidade dos jogos de um dia para o outro. O futebol é diversidade, é de várias ideias e concepções de jogo, dizem. Jogar contra o Bayern com linhas subidas e levar 6 é suicídio, jogar com Bayern e levar 6 com linhas baixas é estratégia. A diferença entre a estratégia e o suicídio está na cabeça de quem acha que no futebol só existe estratégia na defesa. Muito por culpa dos novos filósofos do futebol, que acham que até podem ter 1% de posse de bola, desde que ganhem, está tudo bem. É só ir para a conferência de imprensa, dizer que controlaram o jogo, que souberam gerir as próprias expectativas, que não permitiram oportunidades de golo, que criaram o suficiente para ganhar, que estrategicamente foi assim que prepararam o jogo e todos dizem que sim. Fala-se bem, com eloquência, e vai-se destruindo o futebol e jogadores verdadeiramente talentosos porque o treinador não acompanha nas ideias a qualidade dos jogadores. Não se diz que a jogar em casa o adversário criou mais do dobro das ocasiões e só não teve a sorte de as finalizar. Assim serão jogados os jogos de hoje, nada divertidos, interessa é ganhar. Enfim.

Hoje o mundo acorda normal. Mais uma grande demonstração de Guardiola, mais um dia em que os profetas do final do melhor futebol - treinador - do mundo ficam enfiados num buraco. Não há nada melhor do que fazer calar os seguidores do treinador especial 95% do tempo, dando-lhes três semanas de falsa alegria e 10 meses de sofrimento real. 

O terceiro golo do Bayern é o golo do Lateral Esquerdo - Treinador com ideias de qualidade, jogadores inteligentes na execução. Assim caminha a melhor equipa do mundo ainda que não tenha os melhores jogadores. Se tiver que escolher, continuo a preferir Lewandowski. Se Jackson é top 5 este é top 3.

Por falar em méritos, tenho a certeza que Guardiola treinou Muller para chutar contra Indi, sabendo que Fabiano tinha dificuldades e ia comprometer; e ainda treinou a pressão sobre Marcano, sabendo que ele ia chutar contra Lahm, preparando o posicionamento para posteriormente aproveitar o lance como no quinto golo. E espantem-se, a estratégia deu frutos!

Lopetegui diz, e bem, que o Porto não conseguiu ter bola na primeira parte e pagou isso caro. Mas não devia ter pensado nisso, o treinador, quando decidiu lançar a equipa no jogo como a lançou? Ainda está, para mim, difícil de digerir o postura tão menos agressora (com e sem bola) do Porto em Munique. Mas nem tudo é mau. Jackson continua a valorizar-se, apesar de Guardiola ter, desta vez, trabalhado o posicionamento de Alonso para que não fosse tão pressionado pelo colombiano, com bola Jackson continuou a mostrar o nível elevadíssimo a que se pode exibir. Mesmo quando a equipa não aparece para o acompanhar, ele aparece sempre para puxar pela equipa.

O PSG, fraquíssimo colectivamente como já se tinha afirmado por aqui, deu mais uma prova da sua enorme categoria futebolística ao permitir à Iniesta criar um golo digno de Maradona. Dizia eu que 1x1 já não existia no futebol, que era coisa do século passado, que o futebol tinha evoluído e que as melhores equipas já não deixavam esses espaços. E quando pensas que já nada pode surpreender surge Blanc a demonstrar exactamente o contrário. Diz ele que tem grandes jogadores, mas que para fazer frente ao Barcelona é preciso estar a 120%. Eu digo que para fazer frente ao melhor jogador espanhol de sempre é preciso ser forte colectivamente. Alguém acha, de verdade, que aquele lance é de um grau de dificuldade elevado? Exceptuando o último passe, não há nada ali que qualquer outro jogador que saiba conduzir a bola não consiga fazer. 

David Luiz diz que na próxima época o PSG vai lutar pela Champions. Contigo da defesa, David, isso é que vai ser uma luta hein!

Pirlo, não abandones já. Mas quando fores está garantido que o lugar fica bem entregue. Até lá, ficarei a torcer pela oportunidade de ver-vos juntos em campo mais tempo. Por isso, por vocês, estou disposto a fazer um esforço por ver o horrível futebol que se pratica em Itália. Do filme Anões que Apaixonam, Verrati surge a jogar com a cabeça e a dançar com os pés.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Só um Porto de grande nível poderia condicionar a equipa de Guardiola como na segunda parte

Na ante-visão do jogo, aqui, Vítor Pereira dizia que seria um jogo da agressividade contra a posse. Venceu a agressividade, sobretudo porque na segunda parte conseguiu condicionar com a pressão o jogo de passe do Bayern, levando os alemães a perderem o discernimento, cometerem muitos erros, e em muitos momentos a permitirem recuperações de bola em zonas recuadas. A primeira parte foi diferente (atípica), e mais de acordo com aquilo que seria de esperar. Mas a entrada do Porto na segunda parte, desequilibrou completamente o jogo, deixando Guardiola sem reacção. Pressão, pressão, pressão. Depois, com bola, o Porto teve critério, como é habitual, tentando sair com qualidade para o ataque. Assim, com critério e qualidade, é que se enfrentam e se derrotam equipas deste tipo. Lopetegui não desistiu de pressionar como faz normalmente, não desistiu de reagir forte no momento da perda, não desistiu de tentar jogar como o faz normalmente com bola, e teve frutos.

Para um Porto destes aparecer, só com jogadores de nível mundial como Jackson e Oliver. Já não há palavras que sobrem para descrever estes dois monstros que actuam, hoje, na mesma equipa do pequeno campeonato português.

PS: Um jogo não são jogos, e por isso a segunda volta será duríssima!

sábado, 31 de janeiro de 2015

A derrota que espantou o mundo

Ontem, no regresso da Bundesliga Guardiola e o mundo foram brindados com um resultado desnivelado, quando nada o fazia prever. E o que mais se vê, por aí, é a felicidade do mundo por Guardiola se mostrar mais perto dos mortais do que aquilo que verdadeiramente está. O mundo não tenta perceber o que se passou por forma a tirar algo de positivo daí, e apenas está interessado em demonstrar toda a grandeza de Guardiola, tentando apagar tudo o que de novo este trouxe ao jogo. Tentado, no fundo, coloca-lo ao nível dos cumuns mortais, que ganham, perdem, e empatam ao sabor do vento. Mas ele não. Ele ganha, ganha, ganha, e ganha, a jogar um futebol nunca antes visto. E por isso cada derrota é tão rara que é celebrada de forma efusiva pelo mundo que está farto de o ver ganhar, e sempre com uma aparente facilidade que irrita. Percebo que irrite. Mas o que o mundo não percebe é que esta foi mais uma grande oportunidade para se perceber que ninguém precisa de meter um avião na baliza para ganhar a um grande, ninguém precisa de não jogar futebol, de recorrer constantemente a falta, ao insulto, ao chuto na frente sem sentido, para ganhar aos melhores. Contra os melhores, é preciso jogar futebol. É esse o caminho, e é isso que o mundo não viu. Combate-se o futebol com futebol. Alguém que me diga uma melhor forma de ganhar a este Bayern do que a forma como o Wolfsburg soube ter a bola? Não, eles não jogaram em posse. Limitaram-se sim a fazer alguma coisa cada vez que tinham a bola. Alguém sabe uma melhor forma de aproveitar os espaços que o Bayern deixa nas costas do que sair com qualidade da sua zona de pressão, e só depois definir o lance? O Wolfs ontem mostrou a cada transição o que é preciso fazer: sair com a bola controlada da primeira zona, e depois sim procurar o espaço. O melhor espaço, o espaço livre. Com 2,3,4 jogadores pela frente, com tempo e espaço para definir, é tudo muito melhor. Sem uma organização defensiva de top, ontem ganhou quem atacou melhor. E para atacar melhor não é necessário ter a bola mais tempo, só é necessário fazer alguma coisa com ela quando se recupera. Sair com qualidade, sair com ela controlada. Mas isso o mundo não viu, porque o mundo pouco se interessa pelo jogo. O mundo só quer é ver o resultado, sem necessidade do processo. O mundo está contra Guardiola, porque Guardiola obriga a pensar, desfaz mitos, traz novidades, muda as regras, mostra o processo, eleva o nível de jogo. Assim como o Wolfs ontem mostrou o caminho que ninguém quer ver... jogar futebol.