Muita categoria, pela forma brilhante como manteve quase sempre o adversário bem longe da sua baliza. Menos espectáculo que aquele que se poderia supor, porque não foram muitas as situações de finalização, ainda que Portugal tenha chegado com relativa facilidade às imediações da grande área adversária.
Sempre se percebeu que a entrada de João Moutinho na equipa incrementaria o rendimento global da equipa. A sua ausência no Mundial foi uma das decisões mais atrozes de que há memória, só passível de ser tomada por alguém ou demente, ou ao serviço de outrem. O enorme jogador do FC Porto, impõe uma dinâmica elevadíssima em todas as acções.
Muito acertada também, ainda que não surpreendente, a utilização de Raul Meireles como jogador mais recuado do meio campo. Meireles, ainda que não faça o seu futebol primar pela criatividade, é um jogador notável em aspectos tão simples, como a recepção, o passe, e a assertividade com que faz a bola correr. Não admira o pouco tempo que prende a bola consigo, para tanto jogo que lhe passa nas botas. Com a Noruega, para além da simplicidade e categoria com que joga com bola, impressionou igualmente a inteligência e disponibilidade revelada na forma como compensou diversas vezes o posicionamento dos colegas. Ainda que num breve momento não tenha sido feliz, Meireles foi provavelmente o jogador mais importante no jogo que levou Portugal ao primeiro lugar.
Muito bom o trabalho da dupla de centrais ao longo de quase todo o jogo. Ainda que o lance da segunda oportunidade de golo dos noruegueses, tenha revelado um pouco de inépcia, não acção de Bruno Alves, na forma como não só não garantiu uma correcta cobertura defensiva (posicionamento imediatamente atrás do jogador que está com o portador da bola), como não atacou devidamente o jogador que recebeu a bola nas costas de Fábio Coentrão. É nesta posição que Portugal se encontra melhor servido.
Sinal menos para Nani. Quem segue os noventa minutos das partidas, consegue perceber porque é que mesmo sendo português, é suplente de um coreano, e de um equatoriano. O seu talento é inversamente proporcional ao tamanho do cérebro. Repare, Nani nem sequer prima por decidir invariavelmente mal. O problema parece ser outro. A percepção que tem de que é bastante melhor, do que realmente é. Tal percepção prejudica-o de sobremaneira, tal como prejudica a sua equipa. São mais que muitos os lances em que não solta a bola, preferindo fazê-la chegar ao destino, depois de três dribles, quando a mesma, se fosse por um passe, teria chegado cinco segundos mais cedo. As perdas de bola, mesmo quando tem apoio livre para receber e dar seguimento à jogada, sucedem-se a um ritmo maior que o que seria desejável. Nani parece crer que tem de ser o próprio e de forma individual a resolver os jogos. Está a perder-se um talento extraordinário. É de lamentar.
No corredor oposto, é também de lamentar que apesar de individualmente termos o melhor corredor lateral esquerdo do mundo, não se aproveite o mesmo para criar desequilíbrios. E aqui, a "culpa" terá de ser toda atribuída a Cristiano Ronaldo. Tantas e tantas vezes, optou por não dar seguimento às tabelinhas e às desmarcações do "caxineiro". Sem jogo de equipa, aquele corredor fica entregue apenas à inspiração momentânea de um e outro. Ronaldo garante desejar Fábio no Real. Não se percebe bem porquê. Na selecção raras são as vezes em que lhe dá a bola, e com tantas e tão boas oportunidades que tem para o fazer. Também Coentrão, quando refere que apenas trocaria o Benfica pelo Real, deveria ser bem mais inteligente do que isso. Fábio seria o jogador perfeito num modelo de jogo como o Barcelona. A forma como privilegia a troca de bola e as tabelinhas no corredor lateral, numa equipa como a dos catalães, onde o colectivo está sempre acima dos egos pessoais, fariam de si, pelo talento e persistência que tem, um dos melhores laterais esquerdos da história do jogo.
Referência final para Hélder Postiga. Muito boa a movimentação. Muito boa mesmo. Quer nos apoios frontais, ajudando a selecção a chegar mais à frente, quer na forma como caía nos corredores laterais, para oferecer mais opções de passe ao portador da bola, essencialmente em situações de contra-ataque. Menos bem nos gestos técnicos. Por mais de uma vez, foi a sua incapacidade para receber bem a bola, que o impediu de chegar ao golo. Também algo que deva ser considerado e alterado no seu jogo, é a forma como recentemente passou a optar por rematar sem critério. Somar remates somente para a estatística é apenas parvoíce! Não sendo uma enorme mais valia, Postiga é de longe o melhor avançado português.