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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Moutinho, Enzo, vivências e velocidade de decisão

Jogadores muito próximos em tudo o que são momentos defensivos. Muita cultura táctica e um jogo predominantemente físico em tais momentos. Velocidade de decisão na ocupação do espaço e cumprimento dos princípios defensivos do jogo, traduzida sobretudo numa agressividade ímpar.

As diferenças entre ambos são sobretudo a nível ofensivo. O desenvolvimento dos futebolistas tem tudo a ver com aquelas que são as suas características e vivências. João Moutinho não prima pela criatividade. Possivelmente se assim fosse, não seria tão agressivo, tão abnegado, tão rápido nas respostas sem bola. Por não ser um enorme talento, foi adaptando-se e tornou-se um jogador de excelência tacticamente. Cresceu no corredor central, e habituou-se desde bem cedo a tomar decisões rápidas. Boas decisões rápidas. O jogo está-lhe todo na cabeça. A bola dirige-se para si, e João já sabe para onde seguirá a seguir. É a rápida decisão e obviamente a óptima qualidade técnica, sobretudo de passe que fazem do português um jogador especial. Um, dois toques e bola fora do centro de jogo. Foi assim que cresceu, e é por isso que é quinhentas vezes superior a Enzo em tudo o que é ofensivo, para quem joga no corredor central.

Enzo cresceu no corredor lateral. Habituado a receber com pouca concentração de pernas ao seu redor. Habituado a tomar a decisão depois de receber a bola, porque assim era possível, demora eternidades a decidir quando joga no corredor central. Não é uma questão somente de privilegiar o transporte à circulação. É um jogador muito responsável, que se no corredor lateral muito raramente perdia a posse, muito menos risco corre no central. A demora que leva na tomada de decisão faz com que vá perdendo oportunidades. Linhas de passe que foram cortadas porque o passe não saiu logo, e Enzo para não perder a bola vai transportando-a enquanto espera outras opções. Quando finalmente encontra uma opção segura, já perdeu outras tantas porque demora na decisão. 

É sobretudo a velocidade de decisão expressa em qualidade ofensiva que diferencia Moutinho de Enzo no corredor central. O argentino jamais jogaria no meio campo do FC Porto, porque num meio campo a três não basta ter excelência no cumprimento das acções defensivas. Há que acrescentar algo mais ofensivamente, tal como Moutinho o faz. Porém pode perfeitamente ser e é, um jogador determinante no modelo de Jesus. Com apenas dois centrocampistas o SL Benfica não resistiria sem a cultura posicional e agressividade na recuperação que Enzo coloca na transição defensiva. 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Moutinho, Izmailov, transição defensiva do FC Porto e saber escolher

"Esperava um Porto forte, mas não tão forte" Iturra.

"O meio campo esteve bem? Foram todos os sectores. Nos começamos a defender com os avançados logo na área do nosso adversário. A nossa reacção à perda foi imediata. Sempre excelente." João Moutinho

Há não muito em conversa com um jovem futebolista colega de equipa do meu filho, que me explicava uma decisão tomada em determinado lance ("não sabia se era eu que devia ir"), respondi-lhe "És sempre tu. Se não eras, quem era vai compensar. Portanto, na dúvida és sempre tu.".

É um pouco assim a transição defensiva do FC Porto. A reacção rápida e assertiva à perda da posse só é possível porque no momento de organização ofensiva, há um privilegiar por um futebol mais apoiado, de toque curto, mantendo quatro médios no corredor central, com apoios laterais dos defesas laterais. A equipa está próxima, e perde a bola geralmente após um passe rasteiro que não chegou ao destino. 

Após cada perda segue-se um sprint rápido do jogador mais próximo da bola para a contenção (colocar-se entre o adversário com bola e a sua própria baliza) e o aproximar repentino de todos quanto os que estão próximos, cortando linhas de passe ao portador. Invariavelmente os adversários do FC Porto acabam por ter de jogar longo. Futebol sempre condenado ao insucesso pelos "monstros físicos" que a equipa azul e branca tem na sua rectaguarda. E o jogo vai sucedendo-se maioritariamente a este ritmo. FC Porto em organização, em organização, em organização. Perde, dois segundos depois já recuperou. Ou mais à frente se adversário tenta sair a jogar, ou mais atrás, se no aperto o seu adversário joga directo.

"...subitamente ganhou espaço de relevo no plantel, assumindo a titularidade. Oferece o que outros jogadores da sua posição não têm. Qualidade técnica acima da média, capacidade de remate, desequilíbrios no último passe e enorme versatilidade" Jornal A Bola, sobre Izmailov.

Incrível transferência fez o FC Porto. Sem custos, e à custa dum excedente e de outro que estaria a prazo, faz chegar ao clube um dos melhores jogadores da Liga. Sempre foi referenciado aqui como tal. Se é estupenda a qualidade de Izmailov, é ainda mais certeira a escolha azul e branca. Seria um dos poucos jogadores da Liga que poderia desde logo ter entrada no seu onze, porque é inúmeras vezes superior a Varela e porque ainda se constituiu como alternativa credível a James. Não deixa de ser curioso que ontem tenha sido o português o primeiro a ser substituído. Percebe-se que o russo ainda está um nível abaixo dos colegas na velocidade a que pressiona e se movimenta. É um tipo de jogo a que não está habituado. Porém pela sua enorme qualidade de decisão e técnica, é seguro que será um jogador determinante no desenrolar da época portista. Ainda a tempo de figurar no melhor onze da Liga.

Ainda sobre escolhas e a importância de ter quem percebe verdadeiramente de futebol, e não quem pensa que percebe ou finge fazê-lo, curioso olhar para o crescimento do SL Benfica nas últimas épocas desde a chegada de Jorge Jesus. Pensar nos jogadores que escolheu, e pensar que entre outros terão sido referenciados: Alex Sandro, Danilo, James, Mangala e Defour. Não se sabe se é Jorge Jesus quem recomendou / observou, mas é seguro que não serão somente os empresários a bater à porta com as "maravilhosas" possibilidades de negócio depois dos dirigentes solicitarem um cardápio por posições. Há e haverá sempre más escolhas, porque será impossível controlar todos os factores de rendimento, sem ter a possibilidade de conviver no terreno com o jogador num período experimental. Todavia ser rigoroso e saber escolher é cada vez mais determinante no sucesso de um clube de futebol. E se terá sido péssimo perder jogadores que valerão milhões e títulos para um rival, não deixa de ser positivo saber que relativamente a um passado recente, houve um incremento muito grande de qualidade nas opções que se tomam. Também por isso o aproximar ao sucesso.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Um FC Porto mundial

Se no rescaldo da vitória do SL Benfica apelidamos de Europeu o SL Benfica, que dizer deste FC Porto?

No final da época, porque só um poderá vencer é seguro que Vitor Pereira, ou Jorge Jesus serão tidos por incompetentes. É a equipa que não aguenta fisicamente, serão os erros nas substituições ou estratégias erradas. Não que possíveis explicações não possam passar um pouco por tais crenças. Mas um pouco bem bem bem reduzido. 

Em Portugal joga uma equipa de nível Europeu e outra que se mostra de nível Mundial, assim mantenha o seu núcleo de 11,12 jogadores sem lesões. Um verdadeiro candidato a campeão europeu assim a sorte o proteja nos sorteios (evitar o Barcelona e Messi, sobretudo). O insucesso de uns será sobretudo e maioritariamente pelo sucesso de outros.

Verdadeiramente impressionante o curtíssimo espaço que o FC Porto permite aos adversários para jogar. E se o espaço já é curto, que dizer da agressividade do FC Porto dentro do bloco? Nível assombroso dos cinco mais recuados com João Moutinho. Impossível enquadrar dentro do bloco azul e branco. O Málaga tem vários bons jogadores. Porém para se ser bem sucedido contra este FC Porto é necessário nível mundial. Relembre que na Luz, num dos jogos mais complicados que enfrentou Vitor Pereira, só Matic foi capaz de ter bola contra um Porto sensacional na velocidade a que responde a cada situação nova na partida. A forma como Danilo, Mangala, Alex Sandro, Otamendi, Fernando e Moutinho se antecipam aos seus adversários não se traduz em benefícios unicamente defensivos. As dezenas de antecipações que protagonizam por partida tem o condão de desde logo deixar atrás da linha da bola o adversário que esperava para receber a bola. A agressividade defensiva acaba por garantir tantas vezes vantagem numérica na transição ofensiva azul e branca.

Ofensivamente, em jogos de Liga dos Campeões, será sempre determinante que James esteja a um nível elevado. É o toque de criatividade, decisão e qualidade técnica que ajuda a resolver jogos. Jackson beneficiará da presença do compatriota, podendo explorar ainda mais vezes a profundidade. Ele que tem mil e uma movimentações de ruptura. 


Destaques individuais:

Alex Sandro. Fantástico. Melhor lateral esquerdo, e com larga vantagem, em Portugal. Agressivo, muito veloz e com grande qualidade técnica. Muitas das suas recuperações desenvolvem-se para ataques de enorme potencial perigoso do FC Porto. Talento brasileiro integrado na cultura táctica do FC Porto. Verdadeiramente soberbo.

Mangala e Otamendi. Grande poderio físico e muita classe. Sobretudo de Otamendi, que se antecipa e começa desde logo a provocar desequilíbrios ofensivos. Os centrais do FC Porto parecem inultrapassáveis. Controlam o espaço com enorme qualidade e revelam velocidade e assertividade nas respostas posicionais de cada vez que a situação de jogo se altera.

João Moutinho. Curioso que um dos "defeitos" que lhe é apontado e sugerido como razão para não jogar numa liga diferente, seja o físico. Nada mais falacioso. O jogo de Moutinho é todo ele físico e mental. É e sempre foi, um dos jogadores mais rápidos nas suas decisões sem bola. Muito pressionante sem bola, é um verdadeiro exemplo de abnegação. Com bola, não prima propriamente pela criatividade. Todavia é rápido a  fazê-la circular, retirando-a do centro do jogo, garantindo condições de sucesso a quem a recebe. Inteligência e perseverança são os dois traços mais admiráveis do melhor médio português.

Fernando. Sempre posicionalmente bem, e sempre rápido na forma como sai para recuperar. Não é só a qualidade técnica e decisão dos jogadores do FC Porto que faz parecer que apenas uma equipa tem bola ao longo de todo o jogo. É a agressividade e cultura posicional do meio campo e defesa azul e branca que garante que ninguém consegue jogar contra o FC Porto.

Jackson Martinez. A Europa ainda não percebeu a sua enorme qualidade. Em Malaga, com James mais disponível, poderá afirmar-se. Como o finalizador de excelência que é, mas também na forma como a sua movimentação em apoio para os corredores laterais oferecerá possibilidades à transição do FC Porto.


domingo, 11 de novembro de 2012

442 Losango do FC Porto.













Notas curtas.

Não há avançado direito. Porém nunca faltam linhas de passe sobre o lado direito ao portador. É possível que a troca de Lucho por Moutinho ao intervalo, se deva à tal necessidade do interior direito fazer mais km para oferecer linhas de passe diferentes.

James oferece-se sempre para receber no espaço entre sectores do adversário, no corredor central. A sua qualidade técnica assombrosa permite-lhe receber com qualidade mesmo em espaços curtos. É um inteligente e sabe sempre quando procurar o pé ou o espaço à frente dos colegas. Desequilibra totalmente o jogo. Pelo espaço que pisa e pela qualidade que oferta quando recebe.


Mecanizadíssimos os médios portistas no momento defensivo. Sempre contenção / cobertura e o terceiro elemento (Lucho ou Moutinho) a oferecer equilíbrio e pronto a sair à bola se esta rodar para outro espaço. 

Jackson não terá tocado mais de 5, 6 vezes na bola em todo o jogo. É a James que cabe receber a bola à frente da defesa. O avançado não entra na primeira ou segunda fase do jogo. Não participa a construir ou a criar, mas logo que a bola entra no bloco adversário mostra-se exímio na movimentação.

João Moutinho, Lucho e Defour (Fernando). Excelente capacidade de passe e primazia pela circulação da bola. Com James são todo o centro da equipa. São as linhas de passe que oferecem (sempre em redor e próximas do portador) que fazem a equipa progredir de forma apoiada. Defour é menos agressivo que Fernando, mas mostra-se também totalmente integrado do ponto de vista táctico. Inteligência é a palavra que define o meio campo do FC Porto.

P.S.- Há um erro na imagem 6. Um avançado no corredor esquerdo, outro no central. Assim é que está correcto.

sábado, 23 de junho de 2012

Portugal x Czech Republic. Second half. Euro 2012












Mudou posicionalmente na segunda parte a selecção portuguesa. Maior profundidade dos laterais, extremos a receberem dentro e procura pelos espaços centrais à frente da linha defensiva checa. Para se poder explorar a profundidade nas costas adversárias, é preciso caminhar-se no ou para o corredor central. Os extremos checos defendiam individualmente os laterais portugueses e com as subidas destes, foram retirados do jogo. Cada recuperação checa apenas encontrava Baros mais adiantado. Sem qualidade para sair a jogar, foram engolidos, numa segunda parte de sentido único.

A figura. João Moutinho. Não tanto pelo excelente cruzamento para golo, mas pelas decisões dos seus passes. Sempre a procurar os apoios no corredor central, explorava o lateral quando não havia mais espaço para entrar pelo meio. Ao contrário dos primeiros jogos, a bola segue sempre para quem deve seguir e quando deve seguir. A equipa parece ter-se libertado de jogar com Ronaldo, e com isso todos beneficiam. Especialmente Ronaldo que recebe a bola em melhores condições e mais próximo da baliza adversária.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

João Moutinho versus André Martins.

First things first. A minha resposta ao post anterior seria Aimar.

Alguns de vós, e bem, recordaram as parecenças com João Moutinho.

Comparando-os. Perceba que é uma tarefa quase hercúlea. Comparar o melhor médio português, com o melhor médio português, dará seguramente azo a diferentes opiniões e interpretações.

Com Moutinho eu ia para a guerra. É o jogador perfeito. Com bola, sem bola. Cem por cento fiável. Sabemos que jamais nos falhará. Sabemos que aquele esforço extra para garantir uma qualquer cobertura será feito. Com onze Moutinhos, sei que tudo o que idealizar estará no campo, assim eu o saiba transmitir. Com onze Moutinhos sei que se as minhas ideias forem boas, vencerei, porque tudo será feito "by the book". Sem bola ocupará o espaço como eu pretendo. Com bola sairá tudo tal como treinámos. Quase mecânico, diria. Com Moutinho iria até ao fim.

Mas, o João que é o melhor médio português, não me ensinará nada. Interroga-me, eu respondo. Trocamos ideias e no relvado confirmaremos que se eu tiver qualidade para lhe solicitar o que lhe devo solicitar, juntos iremos no bom caminho.

O André, que é o melhor médio português é diferente. Não me falhará defensivamente. É inteligente e sabe perfeitamente ocupar o espaço. Sem bola o seu comportamento será tal e qual eu pretendo. Mas com bola é diferente. Acredito que na maioria das vezes consiga ver e executar o que pretendo. Outras, tomará decisões diferentes das minhas. Daquelas para as quais por vezes o tento formatar. Todavia, não me zango com ele. Nunca. No final percebo sempre que o caminho que escolheu era melhor que o que eu próprio idealizei. Interrogo-o, mas o André não tem respostas. Não sabe porque temporizou, porque conduziu na direcção da oposição apenas para os atrair à bola para em seguida rodá-la por outro lado. Não sabe. As coisas saem com a naturalidade dos predestinados. Com o André eu aprendo. Há opções menos óbvias mas mais interessantes que as que me surgem na mente.

Quando o Moutinho marcar um auto golo, penso na pouca sorte que teve. Colocou mal o pé na bola. Acontece a todos e se há quem não mereça ter tal azar é o João. O André é diferente. Porque vê mais além, no dia em que introduzir a bola na sua própria baliza, interrogar-me-ei. Porque o fez? O que o levou a tal? Será que crê que a equipa precisava de sofrer um golo para espevitar?

O que os separa? Criatividade.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

É dos baixinhos que elas gostam mais

FC Porto back to basics.

Moutinho e Belluschi lado a lado, outra vez.

Há também Defour, e o hiper valorizado Guarin. Se o primeiro ainda não se mostrou, do segundo pode-se esperar músculo, rigor táctico e golos. Todavia, é difícil esperar de qualquer outra dupla de médios interiores, maior rendimento que quando o FC Porto joga com os baixinhos à frente de Fernando.

"Joga ali, mete assim, joga joga". Por vezes parece playstation. Se visualizar uma linha de passe, um espaço onde a bola possa entrar, é certo que eles também o descobrirão. Não são apenas jogadores rigorosos defensivamente, incapazes de baixar o ritmo ou a guarda, por um momento que seja. O baixo centro de gravidade beneficia-os até na forma como roubando a posse de bola ao adversário, saem rápido para o contra-ataque.

Bola no pé, cabeça levantada. Moutinho e Belluschi são do que mais admirável podemos ver no futebol português. Estilos próximos, um com um jogar mais "mecânico", outro mais capaz de descobrir soluções inesperadas, mas ambos jogadores de rendimento. Pouco floreado, muita objectividade.

Talvez Guarin volte ao onze inicial. E talvez o colombiano volte a demonstrar a justeza da decisão. O jogo torna-se mais belo com os baixinhos em campo, porém.

P.S. - Não foi seguramente por acaso, que para o jogo que se afigurava como o mais complicado do FC Porto, e depois de fechada a janela de transferências, Fernando tenha voltado ao onze.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Curtas da Supertaça e o espaço de Hulk

Genialidade de Moutinho, ele que é um extraordinário jogador, mas que nem prima por encontrar soluções inesperadas à velocidade a que o fez, beleza no gesto técnico de Hulk e eficácia na finalização de Rolando. Aos três minutos de jogo, ninguém pôde deixar de pensar que Machado voltaria, como é costume nos jogos recentes com FC Porto e SL Benfica, fora de sua casa ser goleado.

Não foi assim, todavia. E não fora a exibição fortissima, plena de domínio e segurança (traída por ineficácia e erros individuais) contra o Lyon, e estariamos aqui, provavelmente a tirar conclusões, quem sabe precipitadas, de que este não é o FC Porto de Villas Boas.

O Vitória tem vários bons jogadores. Mas, não é comum vermos o FC Porto a consentir tanto espaço entre sectores, quanto o que permitiu aos de Guimarães criar mais ataques, que aqueles que provavelmente um Lyon recheado de craques criou. Não fôra também Fernando ter estado ausente durante quase todo o último jogo de preparação, e seria fácil afirmar que Sousa tendo mais qualidade na forma como progride com a bola, não tem (e não tem mesmo) a influência do polvo. Não liga tão bem a equipa, não ocupa o espaço com a assertividade de Fernando e não parece tão agressivo na saída ao portador da bola. O seis no FC Porto tem um papel decisivo e há que continuar a observar Sousa para perceber se pode ser tão determinante quanto sempre foi Fernando.

Varela evoluiu como seguramente poucos esperavam. Sabe usar a sua velocidade e potência, mas não será nunca um jogador de boa técnica. Confiante, disfarça-o bastante bem. Como tem golos nas botas, tornou-se um jogador interessante. Confiante, repita-se. É que ontem foi muito pelo seu desacerto que o FC Porto foi menos perigoso que o habitual.

Hulk evoluiu na época passada. Villas Boas conseguiu filtrar comportamentos e torná-lo mais capaz de se relacionar com a equipa e com o jogo. Mas, não tanto assim. Mais do que uma alteração notória nas suas decisões, Hulk tornou-se substancialmente mais forte onde já era fortissímo. Na potência, na velocidade, nos duelos individuais. Com meio campo para correr e somente com um, dois adversários à sua frente, é imparável. Tão imparável quanto Ronaldo, por exemplo. É todavia, um produto inacabado. E assim permanecerá para sempre, desconfio. Está no contexto e no enquadramento ideal para se poder tornar um mito. Campeonato português e corredor lateral esquerdo de uma equipa capaz de lhe fazer chegar a bola em dois, três segundos após a sua recuperação, não dando tempo ao adversário de se reposicionar no campo de jogo.

E corredor lateral porquê? Essencialmente porque é o espaço no campo onde se torna mais fácil enquadrar com a baliza adversária, logo na recepção. A recepção no corredor central exige sempre um gesto técnico mais cuidado, desde logo porque não só a proximidade como a quantidade de adversários é maior. Jogar no corredor central, exige desde logo uma excelência na tomada de decisão substancialmente diferente, da que é exigida a quem ocupa os espaços laterais do campo. Se retirarmos Givanildo do corredor lateral com o actual enquadramento, não só se perderá alguém capaz de por si só resolver jogos atrás de jogos, como não se ganhará um mínimo de qualidade no corredor central, comparativamente ao que Micael ou Beluschi podem ofertar.

Mas, não é assim que pensa o mui estimado Rui Santos, da Sic Noticias, que nos garante que Hulk deveria jogar a líbero, nas costas de Falcao e Kléber. Líbero?! Até concordo, mas só se Vitor Pereira também colocasse Hélton como trinco, na baliza do FC Porto...

P.S. - Muito provável que tenha sido somente displicência e não menor capacidade. Mas, que ninguém negue que não foi o FC Porto de Villas Boas que ontem entrou em Aveiro.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Um Porto muito forte

Ao contrário da derrota averbada pelo Sporting, que serviu para demonstrar que há, ainda, um caminho longuíssimo a percorrer, o FC Porto tem ilações bem positivas a retirar da partida com o Lyon.

A capacidade de pressionar o adversário é sublime. E mesmo uma equipa recheada de grandes jogadores como os franceses, não se mostrou capaz de sair para o ataque por mais de uma mão cheia de vezes. O pressing portista é interessantíssimo, porque à semelhança do que se faz, por exemplo na catalunha, não deixa nunca a equipa desposicionada em campo.

Muito bom, em organização ofensiva o trabalho dos médios interiores, ora a baixarem, ora a subirem colocando-se entre sectores do adversário, sempre com o intuito de receber a bola. E claro, como de costume extraordinário o FC Porto na transição ofensiva. Sempre que é capaz de em três, quatro segundos, após a recuperação da bola, fazê-la chegar a Hulk, há lance de perigo iminente. Os próprios cantos contra o FC Porto, revelam-se momentos óptimos para colocar em sentido o adversário. Bater um canto para o raio de acção de Helton, é uma péssima decisão.

Foi bastante impressionante a exibição dos azuis e brancos. Parte, claramente, bem à frente da concorrência.

Destaques individuais.

Hulk. Villas Boas, e agora Vitor Pereira, tornaram Hulk, uma espécie de Cristiano Ronaldo dos tempos do United. Corredor lateral contrário ao pé dominante. Mais que preocupar-se em cumprir um papel específico do ponto de vista defensivo, ao brasileiro cabe ser a referência para a recuperação da posse da bola. É dos melhores jogadores do futebol mundial a jogar em 3x4 em meio campo, que é precisamente a maior parte das situações que o FC Porto encontra quando sai com assertividade para o contra-ataque. Na segunda parte revelou, porém, alguns vícios antigos. Não tem, obviamente a mesma preponderância nos momentos de organização, e precisa de continuar a evoluír para que em determinados momentos não assuma o jogo sozinho.

Kléber. Excelente no lance do golo, a demonstrar versatilidade. A opção por jogar simples e rápido em quem está de frente para o jogo, não demonstra incapacidade para outros comportamentos, como provou. Mas, sim, inteligência. Se Falcao partir, será uma das grandes figuras da Liga.

Rúben Micael, João Moutinho e Beluschi. Excelente tecnicamente os baixinhos. Correm kms, recebem e passam bem. Estão sempre disponíveis. São o motor do FC Porto.

terça-feira, 21 de junho de 2011

A capa do jornal Record e o alegado interesse em João Moutinho


Não deixa, no entanto, de ser curioso que João Moutinho possa vir a jogar ao lado de um jogador, que celebrou ontem o seu tregésimo terceiro aniversário e com o qual já tecemos algumas comparações. Frank Lampard.

Dentro do relvado, seja a treinar ou a jogar, seguramente que não há português neste mundo que se possa sequer comparar com João Moutinho. Só alguém com um entusiasmo muito grande pelo treino, e com um sentido de profissionalismo muito próprio, consegue passar épocas a fio a jogar sempre a um nível elevado, sem parar. Obstinado e preparado para no relvado fazer tudo, mesmo que o tudo acabe demasiadas vezes por passar despercebido, em prol de uma entidade colectiva, só mesmo João Moutinho.

O pequeno grande jogador do FC Porto, pode não ter a potência de remate do inglês, todavia pelas suas qualidades, é seguro que está apto para partir para um grande da Europa.

domingo, 5 de junho de 2011

Paulo Bento é primeiro, com muita categoria, mas pouco espectáculo.

Muita categoria, pela forma brilhante como manteve quase sempre o adversário bem longe da sua baliza. Menos espectáculo que aquele que se poderia supor, porque não foram muitas as situações de finalização, ainda que Portugal tenha chegado com relativa facilidade às imediações da grande área adversária.

Sempre se percebeu que a entrada de João Moutinho na equipa incrementaria o rendimento global da equipa. A sua ausência no Mundial foi uma das decisões mais atrozes de que há memória, só passível de ser tomada por alguém ou demente, ou ao serviço de outrem. O enorme jogador do FC Porto, impõe uma dinâmica elevadíssima em todas as acções.

Muito acertada também, ainda que não surpreendente, a utilização de Raul Meireles como jogador mais recuado do meio campo. Meireles, ainda que não faça o seu futebol primar pela criatividade, é um jogador notável em aspectos tão simples, como a recepção, o passe, e a assertividade com que faz a bola correr. Não admira o pouco tempo que prende a bola consigo, para tanto jogo que lhe passa nas botas. Com a Noruega, para além da simplicidade e categoria com que joga com bola, impressionou igualmente a inteligência e disponibilidade revelada na forma como compensou diversas vezes o posicionamento dos colegas. Ainda que num breve momento não tenha sido feliz, Meireles foi provavelmente o jogador mais importante no jogo que levou Portugal ao primeiro lugar.

Muito bom o trabalho da dupla de centrais ao longo de quase todo o jogo. Ainda que o lance da segunda oportunidade de golo dos noruegueses, tenha revelado um pouco de inépcia, não acção de Bruno Alves, na forma como não só não garantiu uma correcta cobertura defensiva (posicionamento imediatamente atrás do jogador que está com o portador da bola), como não atacou devidamente o jogador que recebeu a bola nas costas de Fábio Coentrão. É nesta posição que Portugal se encontra melhor servido.

Sinal menos para Nani. Quem segue os noventa minutos das partidas, consegue perceber porque é que mesmo sendo português, é suplente de um coreano, e de um equatoriano. O seu talento é inversamente proporcional ao tamanho do cérebro. Repare, Nani nem sequer prima por decidir invariavelmente mal. O problema parece ser outro. A percepção que tem de que é bastante melhor, do que realmente é. Tal percepção prejudica-o de sobremaneira, tal como prejudica a sua equipa. São mais que muitos os lances em que não solta a bola, preferindo fazê-la chegar ao destino, depois de três dribles, quando a mesma, se fosse por um passe, teria chegado cinco segundos mais cedo. As perdas de bola, mesmo quando tem apoio livre para receber e dar seguimento à jogada, sucedem-se a um ritmo maior que o que seria desejável. Nani parece crer que tem de ser o próprio e de forma individual a resolver os jogos. Está a perder-se um talento extraordinário. É de lamentar.

No corredor oposto, é também de lamentar que apesar de individualmente termos o melhor corredor lateral esquerdo do mundo, não se aproveite o mesmo para criar desequilíbrios. E aqui, a "culpa" terá de ser toda atribuída a Cristiano Ronaldo. Tantas e tantas vezes, optou por não dar seguimento às tabelinhas e às desmarcações do "caxineiro". Sem jogo de equipa, aquele corredor fica entregue apenas à inspiração momentânea de um e outro. Ronaldo garante desejar Fábio no Real. Não se percebe bem porquê. Na selecção raras são as vezes em que lhe dá a bola, e com tantas e tão boas oportunidades que tem para o fazer. Também Coentrão, quando refere que apenas trocaria o Benfica pelo Real, deveria ser bem mais inteligente do que isso. Fábio seria o jogador perfeito num modelo de jogo como o Barcelona. A forma como privilegia a troca de bola e as tabelinhas no corredor lateral, numa equipa como a dos catalães, onde o colectivo está sempre acima dos egos pessoais, fariam de si, pelo talento e persistência que tem, um dos melhores laterais esquerdos da história do jogo.

Referência final para Hélder Postiga. Muito boa a movimentação. Muito boa mesmo. Quer nos apoios frontais, ajudando a selecção a chegar mais à frente, quer na forma como caía nos corredores laterais, para oferecer mais opções de passe ao portador da bola, essencialmente em situações de contra-ataque. Menos bem nos gestos técnicos. Por mais de uma vez, foi a sua incapacidade para receber bem a bola, que o impediu de chegar ao golo. Também algo que deva ser considerado e alterado no seu jogo, é a forma como recentemente passou a optar por rematar sem critério. Somar remates somente para a estatística é apenas parvoíce! Não sendo uma enorme mais valia, Postiga é de longe o melhor avançado português.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

E tudo o Villas Boas levou

Do clássico de domingo haviamos dito ter sido um dos mais desequilibrados de sempre. Pois bem, eis que ontem no Estádio da Luz, tal voltou a acontecer.

Não é possível gostar da versão revista e aumentada (pela interligação que Javi faz com a linha defensiva) do 442 de Quique Flores. Haviamos referido que as lesões de Gaitán e Sálvio poderiam ser benéficas, se levassem Jorge Jesus a optar por um triângulo a meio campo. Não o fez, contudo. De que serve ter alas se não é nos corredores laterais que decorre o jogo. Ainda para mais quando sendo incapazes de provocar um único desequilibrio (Peixoto) não têm apoios perto. Ou mais grave, quando oferecem incessantemente, pela má tomada de decisão contra-ataques ao adversário (Jara).

Parecia óbvio que a possibilidade de equilibrar o jogo teria de passar pelo aproximar de Martins e Peixoto a Javi, deixando Aimar nas costas dos dois avançados.

Não se concentre porém a análise ao jogo da Taça de Portugal, nas debilidades do SL Benfica. É que do outro lado esteve uma equipa absolutamente fantástica!

Mérito para Villas Boas. Tacticamente, o FC Porto chega próximo da perfeição. Deixa o adversário sem tempo nem espaço para poder sequer respirar. Sem bola, o campo fica tão curto, que nem mesmo os mais talentosos jogadores conseguem encontrar espaços. O bloqueio às saídas para o ataque do adversário funciona na perfeição (reparou como a bola não saiu por Javi uma única vez?). Todavia, na segunda parte, foi o comportamento com bola que impressionou. A velocidade com que a partir de determinado momento o FC Porto foi capaz de circular a bola, só tem paralelo em equipas de Ligas muito superiores. Fazer rápido é possível. Fazer bem, também. Rápido e de forma tão assertiva, são poucas as equipas na europa que o conseguem. A permanente troca de bola, o explorar de todas as opções, estejam elas no corredor central ou nos laterais, o jogar colectivo bem presente na forma como ninguém precisa de levantar a cabeça para saber onde estará o colega, dizimou por completo a equipa de Jorge Jesus.

Nos três clássicos ganhos de forma superior, foi possível aferir a competência deste FC Porto. A lamentar a ausência na Liga dos Campeões. Com todo este futebol e com sorteios favoráveis (essencialmente no evitar de Barcelona e Real Madrid) esta equipa poderia ter chegado ainda mais longe.

P.S. - Quando Villas Boas partir, João Moutinho será muito provavelmente o primeiro pedido especial ao novo presidente.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Curtas europeias

- Três jogos, três vitórias. Performance fantástica em termos de pontuação. Porém, não abre as mesmas expectativas para a segunda mão aos três clubes. O FC Porto como que garantiu o apuramento, num campo difícil e num jogo com um adversário terrível. Resultado não menos extraordinário obteve o Sporting de Braga. Somente a diferença abismal de valores individuais nos permite pensar que o Liverpool continua favorito, apesar de tão interessante resultado bracarense. Menos bom o SL Benfica. Ainda que parta em vantagem na eliminatória, é impossível não pensar no quão difícil será o jogo em Paris. A mesma estratégia de Estugarda precisa-se.

- Com demasiados jogadores a um nível bem diminuto (Gaitán, Salvio principalmente) valeu ao SL Benfica ser uma equipa bem organizada tácticamente. Não fosse a boa distribuição posicional pelo relvado a cada momento, e exibição tão medíocre de tantos jogadores poderia ter senteciado a eliminatória, em desfavor dos encarnados.

- A força do colectivo encarnado ficou bem patente na forma como mesmo com as individualidades em sub rendimento, a equipa conseguiu chegar à vitória. Todavia, é impossível dissociar o melhor momento do Benfica no jogo, com a presença de Pablo Aimar. O argentino é bem capaz de ser o melhor jogador do SL Benfica a ter pisado o relvado do novo estádio da luz. Deixar Aimar sair no final da época será um erro tremendo. E Gaitán não acrescentará um terço da qualidade de definição de Aimar, tão importante naquela zona do campo.

- Muita qualidade e opções variadas no meio campo do FC Porto. A arte de Beluschi, a disponibilidade de João Moutinho, a força de Guarin ou a simplicidade de Rúben Micael, são opções credíveis e valorosas de Villas Boas.

- Confirmando-se a eliminação de Manchester City e Zenit, a Liga Europa fica cada vez mais apetecível. Villareal e Liverpool (!?) serão os maiores obstáculos a uma presença portuguesa na final de Dublin. Mas, o SL Benfica ainda tem uma final para disputar em Paris, antes de poder fazer contas.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Paulo Bento forever. Curtas da selecção que volta a apaixonar o seu povo

- João Pereira é bastante melhor que Ricardo Costa;

- João Moutinho é desde 2006 o melhor médio português. Pelo seu futebol de toque curto e de apoio rápido, confere uma dinâmica ofensiva extraordinária às suas equipas. Para além de ser inexcedível no cumprimento das tarefas defensivas;

- Raul Meireles é um trinco de origem. Pepe não. Tão pouco tem agilidade e competência do português, para iniciar com qualidade as transições. Muito menos qualidade no critério como decide sair rápido para o ataque, ou segurar a bola;

- Postiga é o avançado certo para a selecção. Podemos não esperar que continue a fazer golos. Mantendo o critério com que decide temporizar, tabelar, e servir de apoio frontal, ou conferir mais uma opção de passe sobre o exterior, contribuirá e muito para o caudal ofensivo da selecção (a propósito, o ESPN tem repetido o Portugal - Inglaterra de 2000. Nuno Gomes era um avançado soberbo);

- A fraca capacidade de passe de Carlos Martins contrasta um pouco com os colegas de sector. Mas, é voluntarioso, remata bem e talvez não haja quem possa acrescentar mais que ele (ainda que fosse importante ver Tiago na mesma posição);

- Ronaldo e Nani, quando não jogam para o seu umbigo são soberbos. Todos o reconhecemos;

- Paulo Bento é o treinador da moda. É muito fácil suceder a alguém tão incompetente e com escolhas tão condicionadas quanto Carlos Queiroz. Mas, é impossível não conceder crédito ao novo seleccionador nacional. Jogam os melhores. E como jogam!

P.S. - Acredite ou não. O titulo do post estava pensado desde o momento em que Nani invalida o golo de Ronaldo. Ainda com zero zero, e quem sabe, com boas chances de o jogo não terminar com um bom resultado. Mas, provavelmente já tinhamos chegado à área adversária mais do triplo das vezes do que haviamos feito no Mundial.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Quatro treinos, três pontos.

O título não pretende sugerir que Paulo Bento é tão qualificado que quatro treinos foram suficientes para vencer o mais conceituado opositor do grupo H. Apenas validar a crença de as características de um bom treinador de clubes, não são necessariamente as mesmas das de um treinador de selecções.

Sem tempo para treinar (a excepção é o estágio pré grandes competições), a competência táctica deixa de ser o ponto mais decisivo para chegar ao sucesso. A um seleccionador cabe escolher bem. Boas e independentes escolhas é o factor primordial para chegar ao sucesso. Os traços enquanto líder e a capacidade para mobilizar todos os jogadores em torno de um objectivo comum, são também características a não descurar.

Paulo Bento, por tudo o que se conhece do seu profissionalismo e da sua personalidade, tem tudo para ser o homem certo. No imediato, é inegável que a selecção voltou a conquistar o respeito de todos nós.

P.S.- Em relação às opções técnicas, explique quem souber. Porque é que poucos meses volvidos Portugal apresenta (e bem) um onze com três jogadores que não estiveram sequer no Mundial. E porque é que voltámos a ter um centrocampista à frente dos defesas centrais (parece finalmente não haver obrigatoriedade de Bruno Alves jogar de início). Das duas uma. Queiróz não era um treinador independente, capaz de pensar e decidir por si. Ou é um incompetente. Qual dos traços é mais abominável, decida você.

P.S. II - João Moutinho joga muito. Tudo o que precisa é de uma equipa ao seu nível.

P.S. III - Discutir se Ronaldo é o melhor jogador português é uma discussão nada absurda. Então se comparada com a dúvida sobre quem é o melhor do mundo, faz até imenso sentido.

P.S. IV - "Os jogadores estão contentes".


domingo, 26 de setembro de 2010

João Moutinho. Um relógio suiço no meio campo.

63 toques na bola.
58 passes.
51 passes certos.

As estatísticas retiradas do jornal 'A Bola' não parecem reais. Não parece muito credível que com apenas 63 toques na bola tenha efectuado 58 passes. Para tal, teria de ter passado os noventa minutos a jogar a um toque. Sem receber sequer a bola. Porém, apenas revendo o jogo se pode aquilatar da veracidade ou não de tais dados.

Mesmo que não sejam precisos, e desde que aproximados, os dados são no entanto reveladores da primazia que João Moutinho aplica ao seu jogo. Bola a circular. Tal como se pretende.

Defensivamente, já se sabe, João sempre encantou pela sua enorme disponibilidade para o jogo. Não se coíbe em momento algum de correr mais metros, para garantir uma qualquer cobertura defensiva. Não se coíbe nunca de ser mais rápido quando tem de sair para pressionar alguém. Moutinho é um exemplo ímpar de entrega e profissionalismo. Esse seu traço foi sempre a razão pela qual faz as delicias de qualquer seu treinador. Foi sempre essa a principal diferença que nos leva a considerá-lo bastante mais jogador que o mais talentoso Miguel Veloso.

Tivesse mais criatividade e maior capacidade nos momentos de finalização, e seria bastante improvável que pudesse prosseguir carreira sem experimentar um clube grande noutro campeonato.

domingo, 8 de agosto de 2010

Partidos ao meio. Mérito ou demérito?

É muito ténue a fronteira que separa o mérito do demérito de uns e outros. Na partida da Supertaça, houve obrigatóriamente muito de ambos.

Mérito:

- Excelentes saídas do FC Porto para contra-ataque. Hulk e Varela servem como boas referências para receber o primeiro passe após a recuperação da bola.

- Varela. Não simpatizamos com o jogador, aquando do momento de organização ofensiva. Porque tem dificuldades técnicas e visíveis deficiências na recepção de bola. Em espaços curtos tal é determinante. Porém, com meio campo quase totalmente livre e espaço para correr de sobra, é e foi um verdadeiro perigo. Foi o MVP do jogo de Aveiro.

- João Moutinho. Só alguém muito mal intencionado pode considerar que alguém que cumpre épocas a fio sem falhar um único jogo, jogando sempre a um ritmo elevado é mau profissional. Só um jogador que treina sempre nos limites consegue esta performance desportiva. Não só não é mau profissional, como é um caso único em jogadores portugueses. Uma espécie de Lampard do ponto de vista da entrega à profissão. É o melhor médio do FC Porto, e fez um jogo enorme. Ahhh e Queirós é um asno!

- Falcao. Raçudo e verdadeiro homem de área. Pode fazer golos a qualquer momento.

- Belushi. É bastante criativo e não se coíbe de cumprir as tarefas defensivas. Quando sair para entrar Micael, o FC Porto ficará a perder.

Demérito:

- Jorge Jesus. Fábio Coentrão tem de jogar a lateral esquerdo. É nessa posição que faz a diferença, mesmo em termos ofensivos.

- Carlos Martins. Perdeu demasiadas vezes a posse da bola. Em termos defensivos, não tem como competir com Ramires. Já aqui o haviamos referido, sem o queniano, o Benfica parte-se em dois. Ficam somente 5 jogadores para defender e o sexto (Ramires) já não vai aparecer... A principal razão para tantos e tantos contra-ataques adversários prende-se com esse facto. Com Martins a equipa está sempre próxima de sofrer golos. Não jogando com um jogador capaz de assegurar uma boa transição defensiva, os jogos do SL Benfica fora de casa serão bastante mais interessantes.

- Jara. Terrível no período que esteve em campo. Perdeu a bola de todas as vezes que a tentou receber.

- César Peixoto e Hulk. Duelo de horrores. Peixoto move-se à velocidade de um caracol. Toda aquela capacidade técnica e inteligência já não são suficientes para assegurar um lugar no onze de uma equipa que pretenda sagrar-se campeã. Porém, que dizer de Hulk? Não ganhou um único lance de 1x1 contra o defesa mais lento da história. E se ele persistiu e forçou essas situações...

Notas finais:


- O FC Porto demonstrou uma superior capacidade nas transições ofensivas. Tal não significará necessáriamente que a equipa está no ponto para atacar a Liga. Relembre que será em organização ofensiva que o FC Porto terá de desbloquear 90% dos jogos...

- O SL Benfica, independentemente de uma exibição péssima, continua a ser a melhor equipa em organização ofensiva, e continua muito provavelmente, a ser o principal candidato ao titulo. Porém, há que corrigir a transição defensiva. Agora que Ramires partiu, muito dificilmente Jesus terá uma época com tantos jogos tranquilo.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Javi Garcia

Duas exibições decisivas na mesma semana. Javi é, a par de Fernando, o melhor trinco da Liga Sagres. Bastante forte fisícamente, quer ao nível da morfologia, como das capacidades condicionais, o espanhol tem na capacidade táctica a sua mais admirável característica. Se no momento defensivo, confere sempre, o equilíbrio que o SL Benfica tanto precisa, em situação ofensiva, demonstra inteligência na forma como percebe as suas limitações, optando por jogar a um, dois toques, fazendo a bola circular de corredor a corredor. Decisivo nas bolas paradas. Ofensivas e Defensivas. O seu 3º golo na Liga, garantiu os tão desejados três pontos.

MENOS

Hulk

Não é embirração. Também você, um dia, o perceberá. Aos vinte minutos de jogo já tinha mais perdas de bola que as que Matías e Aimar darão na Liga inteira. Não há equipa que resista à presença de um jogador cujo principal traço é servir o contra-ataque adversário. A sua capacidade de definição dos lances é desastrosa. Fica na retina a situação de 3x1, ainda na primeira parte, em que optando pelo drible permitiu à defesa madeirense recuperar metros no campo de jogo. Com ele, a bola dificilmente circula.

MAIS OU MENOS

João Moutinho

O capitão leonino tem ínumeras qualidades. Ágil, boa técnica, simplicidade de processos, excelente capacidade táctica, quer ao nível da ocupação do espaço, quer pelo cumprimento dos princípios do jogo, e predisposição para contribuir, seja de que forma for, para o sucesso colectivo. Todavia, a cada ano que passa parece menos alegre. É um dos prejudicados pelo mau momento e pelo atípico futebol produzido. São jogadores como Moutinho e Matías que nos fazem crer que é possível bastante mais.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Paulo Bento, Izmailov e Moutinho, deram-lhes asas


Há ainda Romagnoli, portador de uma excelente capacidade técnica, jogador capaz de decidir quase sempre bem e com um sentido táctico muito acima da média, mas cujas caracteristicas físicas o impedem de ser mais decisivo e melhor jogador.

Mas, é sobretudo à custa da excelência táctica, das fantásticas tomadas de decisão, da boa capacidade técnica e física, e da forma como Izmailov e João Moutinho se dão ao jogo, que o Sporting de Paulo Bento entrou pela primeira vez na sua história nos primeiros 16 da Europa.

Paulo Bento, não será, por certo, um poço de virtudes enquanto treinador, mas tem, até ver, a equipa mais bem organizada da liga portuguesa. Só não se sabe se isso será suficiente para se sagrar campeão, perante tamanha ausência de talento na maioria dos seus atletas.

Para finalizar, há também Liedson, que é um jogador da bola, tão forte, tão forte, que para além de ter conseguido atingir o profissionalismo, ainda consegue ser titular numa equipa de topo, e mais do que isso, ser decisivo em vários jogos!