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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Ao final de 45 minutos de um jogo de preparação quem mais impressiona é o novo Sporting.

Ainda é muito cedo para que existam qualquer tipo de conclusões. A qualidade dos adversários - díspar - de cada um dos jogos vistos também em nada ajuda à comparação. Contudo, se alguém impressionou dos candidatos ao título foi a turma de Alvalade. E impressiona, sobretudo, por ser quem apresenta a maior mudança ao nível de todos os comportamentos colectivos que tinha num passado recente. Trabalho do treinador. Linha defensiva a jogar segundo as referências certas, a errar, mas a trabalhar para defender sempre junta em largura e em profundidade. Muitos metros a frente do que foi habituada. Percebe-se que os jogadores já procuram pelos estímulos certos. Linha média com coberturas que nunca mais acabam, e a referenciarem-se pela bola e pelo colega. Linha avançada pressionante desde os centrais, e quando ultrapassada a baixar rapidamente para fazer pressão também nas costas do portador da bola. As bolas paradas defensivas e ofensivas.

"Bola no pé!", ouviu-se repetidamente Jorge Jesus pedir aos seus jogadores a cada lance de ataque. Critério, procura ele. A colocação de tantos jogadores no centro de jogo só com Peseiro. Tanta solução de passe ao portador da bola. O aproveitamento do corredor central, com a colocação de 4 jogadores atrás da segunda linha de pressão adversária (2 avançados e 2 alas). A procura pelos espaços entre linhas. As combinações com objectivo de facilitar a finalização, com entradas com a bola controlada dentro da área, pelo corredor lateral ou pelo corredor central. Já não me lembro de uma metade de um jogo onde o Sporting tivesse feito tão poucos cruzamentos (3). Porque o resto, aquilo que se viu o Sporting fazer pelos corredores laterais dentro da área com tempo e espaço para decidir, são passes.

Há ainda muitos erros, em todos os momentos, em todos os sectores. É normal nesta fase, e o erros continuarão a suceder (ainda que cada vez menos) até ao final da época. O adversário não é o melhor para perceber como se vai adaptar o Sporting a outro tipo de dificuldades. Mas colectivamente o crescimento é imenso para tão pouco tempo de trabalho.

sábado, 4 de julho de 2015

Jesus em oposição à escola espanhola

Jesus é um treinador fantástico, com um modelo de jogo especial, e com uma capacidade ímpar de transmitir o que idealiza aos seus jogadores. É um treinador talhado para o rendimento, e dando-lhe as condições que precisa triunfará. Como bom treinador que é, é fiel ao seu ideal de jogo e de jogador. E o seu ideal de jogo e de jogador está amplamente representado por Angel Di Maria.

Numa entrevista que deu num final de época disse duas coisas: 
- O melhor jogador que treinou é Aimar, já depois da saída do genial médio ofensivo do Benfica;
- Se pudesse escolher um jogador que já tinha treinado para voltar a ter na equipa escolheria Di Maria.

Isso indicia que no dia a dia, nas contratações, na escolhas para o seu onze inicial, o seu perfil de jogador mais facilmente entrará que outros. Isso, e isso só, explica o porquê de algumas opões que foi tendo ao longo do tempo no seu Benfica, com Capdevila, Nolito, Saviola, Aimar, Ola John, Djuricic, e Bernardo. Jesus, mais do que a inteligência, é um profundo admirador de jogadores dotados do ponto de vista físico e técnico. Talvez por acreditar que é capaz de melhorar todos os jogadores ao nível do conhecimento do jogo. E essa confiança cega que tem nas suas capacidades funciona como a sua maior força, e como a sua única fraqueza. Não é no discurso para a comunicação social, na liderança dentro do balneário, na leitura de jogo, ou na vertente estratégica que Jesus perde. É sobretudo no pensar que pode mudar um jogador por completo do ponto de vista ofensivo e defensivo, e na pouca valorização dos pormenores que os mais inteligentes, e menos vistosos nas capacidades condicionais, acrescentam ao jogo.

Jesus quer para qualquer posição em campo capacidades físicas ímpares. E tecnicamente, para quem joga nos corredores (laterais ou médios ala), para o médio centro, e para um dos avançados, jogadores de condução, que tenham a capacidade para transportar a bola em velocidade, para ultrapassar o adversário em acções individuais. Para que dessa forma permitam que a equipa chegue mais à frente no jogo, fruto dos constantes duelos que vão superando nas suas zonas de acção. A excepção são o médio defensivo - que desde que seja alto, agressivo na primeira bola, e razoável do ponto de vista técnico serve -,bem como o avançado que pode só procurar zonas de finalização, e ser jogador de um toque em apoio frontal. Até para os guarda-redes a altura é o primeiro factor determinante na escolha de Jesus. Tudo isto surge em oposição à escola da pausa - temporização -, da excelência no passe  e na recepção. Da qualidade na tomada de decisão, dos desequilíbrios com o cérebro. Jesus prefere gente que em determinados momentos tem um lance genial, que se precipita constantemente para cima do adversário, e que corra muito e rápido - ainda que passe a maior parte do jogo a errar na tomada de decisão -, a gente que jogue constantemente o que o jogo dá e que não seja vistosa do ponto de vista físico. A preferência cairá, na esmagadora maioria do tempo, em jogadores que criem em condução no lugar de jogadores que criem com o passe. 

Como escrevi num artigo anterior, para a posição 8 do seu modelo, Jesus colocaria Enzo à frente de Xavi. Assim como prefere Di Maria ao melhor jogador que treinou. Porque Di Maria do ponto de vista técnico e físico representa tudo o que ele quer num jogador, ainda que peque constantemente na utilização do cérebro.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

A partir de hoje há três candidatos em Portugal

O poder de Jesus. Afirmando o que haviamos referido logo que se confirmou a sua contratação. O Sporting terá já na nova época hipoteses reais de se sagrar campeão e deixar de ser encarado como candidato apenas porque tem nome e história de grande. 

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Take 3. A exigência

Normalmente quando se caracteriza um treinador como exigente faz-se pelo que se exige aos jogadores fora do campo. Fala-se em ordens para se cumprir com determinado padrão comportamental que pouca ou nenhuma influência terá na execução das tarefas do jogo. Com Jesus isso muda. Com Jesus o Sporting vai ter um treinador obstinado com o cumprimento das tarefas que ele irá propor aos jogadores dentro do campo. E a exigência será tão grande que quem não se predispor a cumprir rigorosamente com os mandamentos do treinador vai ter uma época muita longa fora da convocatória e no banco de suplentes.



Isso é uma diferença gritante para os últimos treinadores que passaram pelo Sporting. Sejam eles movimentos ofensivos, sejam eles movimentos defensivos, o jogador que não for ao detalhe vai passar mal.  Seja ele quem for! As palavras de Paulo Fonseca são bastante esclarecedoras quanto a isso - "faz o jogador pensar o quando, como, e onde é que tem que receber a bola". Jesus trabalha no treino, no campo, para o jogo. E como diz o próprio novamente Paulo Fonseca essa forma de trabalhar, com esse detalhe, com essa exigência, não é para todos.

Outras diferenças passarão pela qualidade de jogo do Sporting. O Sporting vai jogar melhor. Pode até não ganhar, mas vai jogar melhor. E como por aqui se acredita que quem joga melhor ganha mais vezes, se tiver qualidade para tal, acredita-se também que pela primeira vez em muitos anos o Sporting será um sério candidato ao título. Nas palavras do novinho Jesus - "muitos à frente da linha da bola" Defender com rigor e de forma agressiva a transição com linhas subidas, e defender como ninguém com poucos homens demasiado espaço. O que levará a um maior rendimento ofensivo por parte dos jogadores do Sporting, por a equipa jogar de forma predominante ao ataque, mais perto da baliza do adversário que da própria baliza, e com maior volume de jogo perto da área do adversário. O Sporting vai ser melhor, e com isso beneficiarão os jogadores do Sporting que também vão parecer melhores.

O legado que deixa no Benfica é pesado e as palavras de Ricardo Araújo Pereira são perfeitas para o descrever - "O Benfica é o que aconteceu já este ano, que é a gente espetar 4 ao Nacional e sair a dizer que não se joga nada... a equipa foi assobiada" - e isso não é fácil de conseguir. Colocar os próprios adeptos a questionar uma goleada, acreditem amigos não é nada fácil de conseguir.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

O melhor treinador português chega ao Sporting. Pequena preview. Take I.

A época 2015/2016 marcará definitivamente o regresso do Sporting ao lote de candidatos a Campeão de Portugal. Depois de quatro anos consecutivos sempre à frente do SL Benfica, seguiram-se seis anos sempre atrás, durante o legado de Jesus. Fica a expectativa para saber quando surgirá de novo a ultrapassagem.

A perspectiva de que terá de investir como nunca para satisfazer as necessidades do seu treinador é falsa. O plantel do Sporting não é tão inferior ao do SL Benfica como sempre se pretendeu passar, ainda que com a saída de Nani, não existam por Alvalade autênticos jokers como Jonas ou Gaitán. Em tudo o mais, sempre vimos no SL Benfica jogadores a renderem ao máximo do seu potencial por integrados num modelo de jogo extraordinário na realidade portuguesa. 

Pensar que Adrien, William, Paulo Oliveira, Jefferson, Montero ou Carrillo têm assim tão menos qualidade que Maxi, Eliseu, Jardel, Samaris, Pizzi ou Lima (e aqui está mais de metade da equipa titular campeã) é de loucos. Foi sempre o colectivo de Jesus a fazer emergir as individualidades. Por isso, sentiram sempre mais estes a partida que o colectivo benfiquista sentiu a falta de quem quer que fosse.

E se as maiores dificuldades individuais do Sporting são no sector defensivo, ninguém melhor que Jesus para não o temer. Com a sua competência tornou campeão um Benfica praticamente ao mesmo nível individual no sector mais recuado que o actual Sporting.


Possíveis figuras a emergir no Sporting no modelo de Jesus.

William Carvalho. Emerge desde logo como o grande candidato a dar o salto e tornar-se efectivamente merecedor das propostas mais elevadas. É uma posição muito valorizada por Jesus no seu modelo. William tem tudo o que o futuro treinador do Sporting aprecia. A robustez física que lhe permite ser central nas ideias do seu treinador, e a muita qualidade técnica para servir de referência para a saída de bola na construção. Em seis anos na Luz, apenas Matic tinha mais qualidade que o português.

Carrillo. Imagine aquela capacidade para desequilibrar num modelo que aproxima tanto os colegas. Que lhe permite mil e um caminhos alternativos e que não o condena ao registo único de forçar o 1x1. Carrillo deverá na próxima época finalmente cumprir todo o potencial que se adivinha e tornar-se numa das figuras de destaque da Liga portuguesa. Tem drible, tem qualidade técnica, tem imprevisibilidade, sabe finalizar. Como tantos outros extremos que no SL Benfica cresceram como não seria expectável com Jesus, o peruano deverá ser um dos grandes beneficiados da mudança.

Montero. Finalmente toda aquela criatividade, qualidade técnica, capacidade para decidir poderá ser aproveitada num modelo de dois avançados. O Jonas leonino, sabe temporizar e definir com classe. Integrado num modelo que tanto favorece quem joga na frente, porque privilegia as muitas opções ao portador, será uma das grandes figuras da Liga. Tem todas as qualidades técnicas e de decisão para ligar com qualidade o futebol do Sporting.

sábado, 23 de maio de 2015

JJ - Jonas e Jesus

Aquele que para nós foi o maior protagonista do campeonato, sobre aquele que para nós foi o melhor treinador a treinar em Portugal nesta época.

"Aprendi muito com Jorge Jesus e hoje, admito, tenho uma visão muito diferente do futebol. Acho que todos os jogadores deviam de ter a oportunidade de trabalhar com um treinador assim" 

Não há, para mim, maior forma de reconhecimento da qualidade de um treinador do que esta. O jogador perceber que o treinador o influenciou a perceber um pouco mais o jogo, que o influenciou a enquadrar melhor o que já sabia dentro do contexto onde se inseria. O jogador perceber que é fundamental para os jogadores passarem por essa experiência rica, é o maior aval que se pode dar à competência de um treinador. Jorge Jesus continua a impressionar jogadores pelo conhecimento que lhes transmite.

domingo, 17 de maio de 2015

5 milhões de visitas

O Lateral Esquerdo agradece à todos os  leitores que diariamente visitam a página, e que partilham os artigos do blogue sem qualquer incentivo nesse sentido. Tal não seria possível sem a grande contribuição de Jorge Jesus. Cinco milhões de visitantes é um número que foi permitido pela maior exposição mediática do ainda técnico do Benfica. Não confunda isto com a admiração pelo homem. É sim a admiração pelas ideias que se foram ajustando e melhorando ao longo do tempo, até chegar a este nível. Por isso, pela conquista do Bi-Campeonato, e por permitir a demonstração prática da forma como o futebol moderno pode ser jogado com qualidade todos os fins de semana em que há futebol, felicitamos Jesus. A demonstração prática entre o que se pode fazer para resolver os problemas do jogo e o que se faz normalmente só é possível por ele ter sido escolhido para treinar um grande em Portugal. 

Para o Lateral Esquerdo o destino de uma equipa que quer ter sucesso começa na escolha do treinador. E por isso para nós - treinadores - um dos maiores responsáveis pelo equilíbrio que se verifica entre os campeonatos ganhos pelo Benfica e pelo Porto desde que assinou pelos encarnados é o seu treinador. Parabéns ao Benfica, parabéns aos seus jogadores, parabéns mister Jesus.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Equipa do Lateral Esquerdo para 2014/2015

Treinador - Jorge Jesus. Pega numa equipa em hecatombe e mesmo sem a qualidade individual do principal adversário a transforma mais uma vez num colectivo fortíssimo, candidato a todas as provas internas.

Treinador Adjunto - Paulo Fonseca. Deixa o Paços na Champions e quando sai e a luta é pela manutenção. Regressa e coloca-os novamente na luta por um lugar europeu. Não só pelos resultados, mas por mostrar mais uma vez que é possível jogar de acordo com as ideias em que ele acredita, mesmo num clube sem grandes recursos. Futebol muito positivo com e sem bola.

Treinador de Guarda Redes - Julen Lopetegui. Com a qualidade individual que tinha ao dispor deveria estar a comandar o campeonato, mas a missão era difícil. Muitos jogadores novos, país cuja realidade desconhecia, clube cuja cultura e exigência nunca tinha ouvido. Desconhecimento do contexto competitivo. Estar nessas condições e ainda assim a disputar o campeonato com Jesus deve ser reconhecido.

Sistema de jogo - 1x4x4x2 de Jorge Jesus

1 - Júlio César. Por permitir a segurança que o modelo de Jesus exige fora da baliza, e por dar a tranquilidade que os colegas da frente precisam entre os postes.

2 - Danilo. Talvez a sua melhor época em Portugal, em termos estatísticos. Participação fantástica em todos os momentos do jogo, quase sempre com grande qualidade. Do ponto de vista ofensivo, fundamental nos movimentos colectivos e no aproveitamento dos corredores laterais. Fantástico nas incursões por dentro. Pelas suas características físicas e técnicas percebe-se que está a mais no futebol português.

3 - Luisão. É o treinador dentro de campo. Entende como ninguém as ideias de jogo da equipa, e estimula os colegas ao cumprimento das mesmas com rigor. Não é normal um jogador com as dificuldades que ele tinha inicialmente evoluir de tal forma que hoje se torne uma referência absoluta e incontestável, em Portugal. Para além dos aspectos defensivos, melhorou também nos ofensivos.

4 - Marcano. Uma boa surpresa pelo que ofertou à equipa com bola. Num modelo de jogo que necessita de qualidade de passe desde os guarda redes, é o único com capacidade para executar o que lhe é pedido. Com bola, melhor que a esmagadora maioria da Liga. Defensivamente não tão bem quanto outros, mas para uma equipa que passa a esmagadora maioria dos jogos com bola é aceitável.

5 - Alex Sandro. Não só é o melhor da Liga como caminha para ser um dos melhores do mundo. Em qualidade, e em rendimento. Mais uma época tremenda, onde se nota qualidade em quase tudo o que faz. Individualmente forte em todos os aspectos. Colectivamente cumpridor do que o treinado pede. Muitos dos desequilíbrios que os extremos esquerdos do Porto foram conseguindo têm mérito das movimentações com e sem bola de Alex.

6 - William Carvalho. Não tão exuberante como na época anterior pela maior dificuldade que lhe foi criada pelo modelo de jogo, e um mau trabalho do seu companheiro de sector. Ainda assim mostrou-se à bom nível. Qualidade com bola, quer para segurar, quer para entregar. Maior consistência nos comportamentos defensivos.

8 - Oliver Torres. Passará por ele e por outros dois o futuro da criação no meio campo da selecção espanhola. Foi uma alegria constante assistir a cada toque que deu na bola, e constatar que os que diziam que lhe faltava intensidade mais uma vez o faziam por manifesta falta de conhecimento. Está, actualmente, com nível para entrar em quase todas as grandes equipas do mundo. Qualidade técnica, criatividade - inteligência -, e agressividade, fazem dele o melhor médio a jogar em Portugal.

7 - Gaitan. Precisa de estar fora para conseguir desequilibrar dentro. Não é fabuloso ao nível da tomada de decisão, mas a capacidade técnica ímpar permite criar lances geniais em quase todos os jogos que participa. Em condução, em passe, em drible, ou em combinações. Conseguiu também mostrar qualidade defensiva, e entendimento de que os momentos em que a equipa não tem a bola são tão importantes como os restantes.

11 - Nani. Pelo nível competitivo a que estava habituado, veio passear a Portugal. Golos, assistências, manutenção da bola, desequilíbrios onde não existia espaço, estímulo para os colegas descobrirem outros caminhos. Qualidade em todos os aspectos que se exigem para um jogador de alto nível. É ele o principal responsável pelo melhor momento da época do Sporting.

9 - Jackson. Desde que chegou ao nosso campeonato sempre nos habituou ao mesmo. Rendimento em todos os contextos. Em todos os jogos. Em qualquer estádio, dentro ou fora de Portugal. Qualidades físicas assombrosas, sentido colectivo único com e sem bola. Inteligência nas acções. Finalização.

MVP - 10 - Jonas. A subida de qualidade do jogo do Benfica tem muitos nomes, mas um absolutamente incontornável. Poder-se-à pensar que se fala dos golos que marcou, mas longe disso. Muito longe disso. O que falta ao jogo do Benfica é criatividade nos espaços reduzidos do corredor central, sobretudo para quem joga constantemente de costas para o golo. E Jonas veio trazer tudo isso. Capacidade para segurar, permitindo à equipa subir e ter bola nesses espaços. Agilidade para enquadrar e qualidade técnica para executar em pouco tempo, que permite à equipa ter seguimento da forma como procura construir. Qualidade na tomada de decisão, que permite à equipa criar mais situações de finalização. Inteligência na forma como procura os colegas para combinar, ou como procura os espaços para finalizar. Jonas mudou o jogo do Benfica e com isso desequilibrou o campeonato.

Suplentes - Rui Patrício, Jardel, Maxi Pereira, Michael Seri, Bernard Mensah, Brahimi, Tello

terça-feira, 28 de abril de 2015

Na área a cobertura é na linha da bola

Há poucos dias atrás, escrevia no meu facebook o que já estão fartos de me ver escrever no blogue. Jorge Jesus, este homem que não se sabe expressar correctamente na sua língua mãe, que não fez um curso superior de desporto, que não assistiu a nenhuma aula que lhe ensinasse futebol, é o grande operário da revolução defensiva desde Arrigo Sacchi. Parece impossível que se possa catalogar como génio, um tipo que não tem uma relação académica ou um vocabulário adequado, nem tão pouco que não domine todas as competências, dizem, que se exigem ao treinador. Mas na sua área de trabalho e neste momento específico do jogo - o defensivo - não há ninguém no mundo que se compare. Ele inova, revoluciona, aponta o futuro. E isso é ser genial!

Apesar do Benfica não ter estado presente no jogo entre Porto e Bayern, o golo de Boateng de imediato me levou a tecer considerações (no facebook) sobre a mais valia de Jesus para a evolução do jogo. Tendo eu mostrado em comparação um lance que ocorreu na meia final da Liga Europa, em Turim, realçado pelo grande Allas, aqui. Não há melhor forma do que a comparação para mostrar as vantagens e desvantagens de cada abordagem, e o risco que cada uma delas acarreta.

A habilidade para transmitir as ideias aos jogadores, a coragem para lhes entregar novidades que para a esmagadora maioria são apelidadas de perigosas, não tem preço. As coisas são simples, quem quiser aprender como se deve defender no futebol moderno que venha a Portugal fazer um estágio com Jesus, que ele lhes mostrará nada menos que perfeição. Neste exemplo, poder-se-ia tirar que, o Benfica o faz para aproveitar o fora de jogo nas situações de bola parada. Mas para quem está acostumado a analisar o Benfica percebe que, a ideia é superior ao momento estático e está presente em todos os momentos em que a bola entra na linha da área. Ou seja, na área a cobertura é na linha da bola. Tudo o resto é do Guarda Redes. A ideia, como sempre, como em todos os momentos, é afastar o adversário da baliza, é tirar-lhe espaço útil de jogo, é fazer campo pequeno, ainda que a maioria caia na tentação de tentar meter jogadores em cima da linha de golo quando aumenta a proximidade ao Guarda Redes. Defender da mesma forma quando bola está na área do adversário ou na nossa dá imenso trabalho.

Tal perfeição em todos os aspectos defensivos só é possível pelo foco e obsessão do treinador por esse momento. Pela vivenciação constante dos mesmos princípios no treino, pela vivenciação constante desses mesmos momentos em jogo, pela exigência constante do treinador a cada lance que ocorre em jogo, pelo treinador não colocar a jogar quem não seja competente no cumprimento destas tarefas. Imaginando que o Benfica jogava como o Barcelona de Guardiola esta perfeição no momento defensivo nunca seria possível. Porque o foco do treinador seria dividido de forma diferente pelos momentos do jogo, e também os jogadores não iriam experimentar de forma constante, em jogo, o momento defensivo.

Para marcar um golo ao Benfica quando o nível de aquisição dos comportamentos colectivos é este, quando o nível de foco é este, é preciso ser excelente na forma de atacar, ou ter muita sorte. E isso diz muito da bitola actual do treinador encarnado.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Liga dos Campeões

Os finalistas da Final de Lisboa ofereceram-nos mais um espectáculo deplorável, na prova que se diz ser o melhor futebol da Europa. Mas hoje, como não estão na Final, já me é permitido criticar o futebol medíocre com que sempre nos brindaram. Se isso é o melhor que a Europa tem, algo de muito errado vai no futebol europeu. Como não acredito em nada disso, nem no futebol praticado por nenhuma das equipas que jogaram ontem, a minha Champions particular começa hoje.

Oblak está nas bocas do mundo por uma exibição fantástica, ontem no Calderón. O que muitos se esquecem é que Oblak ontem, era ainda mais fantástico do que hoje. Onde joga, actualmente, tem um modelo de jogo de equipa pequena cujas ideias o empurram para a baliza. Onde jogou, a jogar com ideias de jogo de um grande,  teve um modelo de jogo que o puxava para fora da baliza. E assim, era maior do que o é hoje. Tinha de estar mais concentrado nos pormenores, dominar o espaço entre ele e a última linha, saber jogar com o fora de jogo, ser imperial no espaço que a organização não ocupa na bolas paradas. E dessa forma, nunca foi obrigado a fazer mais do que uma/duas defesas fantásticas dentro dos postes, e era fora dele que era mais fundamental. Quem ainda não percebeu que Jesus está muito à frente de todos os outros no momento defensivo, e quem diz não pode ser um génio na área em que opera por falar mal português, por não ser eloquente, por ter uma imagem que não cativa, vai continuar a falar de jogos de futebol como fala o LiveScore.

António Tadeia, disse à RTP que o futebol do Barcelona o aborrecia. A desinformação que existe no futebol parte muito por aí. Por quem tem a suposta obrigação de informar. Se quem informa, como jornalista desportivo, não está preparado para exercer, qual é o critério que leva à que estes senhores, pagos e bem pagos, sejam escolhidos para que a sua opinião seja divulgada na imprensa? Gostava que alguém perguntasse ao senhor Tadeia o porquê do futebol do Barcelona ser aborrecido. Não é por isso de estranhar a minha desilusão com a conferência de imprensa de Guardiola. Perguntaram ao homem sobre Lopetegui no passado, sobre a final de 87, sobre a qualidade dos jogadores do Porto, sobre poder encontrar outro antigo companheiro de equipa na próxima fase, sobre o estado da produção de chinelos na Índia, e a sobre a plantação de Laranjas na Malásia. Futebol que é bom, zero. Ninguém foi capaz de perguntar em que sistema táctico ia jogar, de que forma é que esse sistema se iria articular por forma a anular o FC.Porto, ou de que forma se rouba a bola a uma equipa que gosta de a ter. Enfim. Interessa mesmo é saber se a temperatura do frigorífico em casa do homem é a adequada para não deixar congelar os alimentos.

"Enquanto temos a bola, temos possibilidade de atacar e o adversário não o pode fazer. Quando a temos, o problema é o que fazer com ela, onde a temos e porque a temos. É para estas questões que um treinador procura sempre respostas e tenta melhorar.
(...)
Evidentemente que, quando mais posse de bola, mais hipóteses temos de ganhar o jogo, mas o futebol não é uma ciência exacta. Temos que ser agressivos em posse e alternar o estilo de jogo ofensivo, com diferentes opções frente a diferentes adversários.
(...)
Uma evolução no futebol é que actualmente temos menos tempo e espaço com a bola. A evolução táctica e física do jogo leva a que os jogadores tenham menos tempo para decidir sobre o próximo passo, para receber, rodar e jogar. Os jogadores são obrigados a agir de forma mais rápida e precisa
(...)
Isto torna os jogadores melhores. Este não é um desporto que se possa medir em segundos ou em metros, como muitas outras modalidades. A evolução do futebol leva a que seja cada vez mais difícil jogar bem, criar espaços e reagir rapidamente. Esta é a principal luta das equipas
(...)
Pode ser negativo se tivermos a posse de bola e não soubermos o que fazer com ela. Em teoria, se uma equipa tiver 100 por cento de posse de bola não pode sofrer golos. Queremos ter a bola o mais possível, não por motivos estatísticos, mas para ganhar jogos
(...)
Em teoria, não podemos sofrer golos se mantivermos a bola durante todo o jogo, mas podemos perder com uma equipa que tenha apenas 20 por cento de posse de bola"
Lopetegui ensina-nos sobre o jogo, sobre futebol, sobre o seu futebol. Em Portugal, ninguém nunca pensou em perguntar-lhe sobre isto numa conferência de imprensa. 

quinta-feira, 5 de março de 2015

"Melhor estratega com quem já trabalhei" Djuricic

Ou "Benfica não encontra melhor que Jesus" Aimar.

É impressionante a tão consensual opinião entre quem trabalhou com o agora treinador do Benfica. E consesual deste os seus tempos em Belém. Quão bom tem de ser um treinador para ser praticamente unanime em todos os jogadores que passaram pelas suas mãos (com especial relevo para os que não foram opção), de que é o melhor de sempre no conhecimento do jogo.

Tal como em outras histórias, o futebol português vive uma fase "Antes e Depois de Jesus". 

Quanto da percentagem do reerguer de um colosso se deveu ao seu treinador? 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Jorge Jesus sobre a era da organização.

Dizer que Jesus não sabe comunicar é não perceber nada de comunicação. Em quase todas as conferências de imprensa em que aparece dá informação relevante sobre futebol. Muito diferente das informações que o grande público ou os jornais procuram, fazendo a adoração dos discursos eloquentes pobres em conteúdo. Nos exercícios das suas funções como treinador de futebol Jesus é um comunicador exímio, e só não aprende com ele, sobre futebol, quem não quer.

Sobre a conferência de imprensa, uma discussão que tenho tido recentemente com outros treinadores mais próximos, onde defendo que o futebol caminha para a era da organização. Esta é a minha ideia, e pelos vistos, também a de Jesus. Ainda que algumas das pessoas com quem discuto (Ronaldinho, que é treinador comigo) não concordem com essa premissa. Digo-o, porque cada vez mais vejo as equipas abdicarem dos momentos de transição para decidir os lances, optando por uma abordagem de menos risco, com maior concentração de jogadores a atacar ou a defender. E isso permite, como Jesus explica bem, aquilo que acontece em modalidades como o Andebol ou o Basquetebol, organização ofensiva seguido de organização defensiva, seguido de organização ofensiva. Ou se quiserem, organização ofensiva - transição defensiva (para colocar o máximo de jogadores atrás da linha da bola e reduzir o espaço em que se defende) - organização defensiva - transição ofensiva (para equilibrar a equipa, abrir as linhas de passe, distribuir bem os jogadores no campo) - organização ofensiva. Nas equipas que observo isto não acontece sempre para quem recupera a bola, mas para quem a perde parece-me mais que evidente. Interessa defender com muitos atrás, o que vai fazer com que quem ataca o faça sempre em organização, construção, criação. O que vai exigir cada vez mais trabalho de qualidade, do ponto de vista ofensivo, aos treinadores do alto rendimento. Diga-se o trabalho mais difícil é esse - ter um jogo ofensivo de grande qualidade. Até aqui poucos se mostram verdadeiramente competentes nesse momento, talvez por não perceberem a evolução do jogo. Mas como Jesus diz há que evoluir, há que perceber a mudança no jogo, há que olhar para o que se anda a fazer noutros lados e reflectir sobre o que se passa.

Uma coisa é certa, os tempos de lançar onze jogadores para o campo de qualquer forma estão cada vez mais longe. E cada vez menos a incompetência técnica vai ser premiada. O futuro está aí, e quem o continuar a recusar vai continuar a cair.

sábado, 10 de janeiro de 2015

"O Talisca tem qualidade técnica. O resto sou eu que tenho de lhe ensinar" Jorge Jesus

Faz lembrar alguma coisa a declaração do treinador do SL Benfica?

Ainda o post da passada quinta feira. 

"O controlo do treinador. Jogadores que cresceram na frente a jogar atrás. E porque há pouco do contrário.

Jorge Jesus nunca transformou um jogador defensivo em ofensivo. Fez sempre o contrário [...] reparem que quando questionado sobre o sucessor de Enzo, Jesus falou de Pizzi, de Talisca e de João Teixeira mas nunca referiu Samaris" Carlos Daniel.

Quase tudo o que o treinador controla refere-se ao trabalho sem bola dos seus jogadores. E por sem bola, inclui-se naturalmente qualquer momento ofensivo, também. A um nível elevado, os ganhos técnicos são praticamente nulos e não é nada fácil alterar a tomada de decisão dos atletas. Ainda que dentro de um modelo de jogo seja possível condicioná-los a procurar mais vezes umas opções que outras em situações que se repetem. Por exemplo: "nesta situação prefiro que procures tabelar com o avançado e não que esperes a desmarcação das costas do lateral para jogar com eles").

Ou seja é fácil mexer com os comportamentos sem bola ("movimentas-te assim... estás aqui com bola ali... Baixas quando a bola entra ali... tu dás linha de passe à esquerda aqui, e ele à direita... etc"), e muito difícil mudar tudo o que envolve a parte técnica e decisão com bola.

É por isso que tantas vezes extremos dão melhores laterais que os próprios jogadores que cresceram como laterais. Por norma, desde bem cedo os jogadores mais aptos tecnicamente e até fisicamente (velocidade) são colocados em posições avançadas. Ou seja, naquilo que o treinador não consegue controlar, o jogador é melhor (tecnicamente / fisícamente) que o(s) colega(s) de uma posição recuada. Porque o comportamento táctico é muito mais fácil de alterar. Não é assim tão complicado pegar em quem tem a base que não dá para tocar, e ensinar, rotinar, treinar, alterando a posição do atleta, e naturalmente que aprendendo a parte que dá para tocar (táctica), dará sempre um jogador melhor que outro menos apto tecnicamente e fisicamente. 

Esta é a principal razão pelo qual a afirmação de Carlos Daniel é totalmente verdadeira. Para Jesus e para qualquer outro treinador. Ao contrário, todavia, da imagem que talvez se possa querer passar, não é porque Jesus ou qualquer outro treinador domina melhor a parte defensiva que a ofensiva. É porque os jogadores que adapta a posições mais defensivas têm boas características naquilo que não é possível de alterar (sobretudo a variável técnica). E no que é possível, o treinador tem ferramentas para o fazer evoluir. 

Um exemplo seria imaginar uma adaptação de qualquer defesa do SL Benfica para que pudesse jogar num sector mais avançado. Seria possível? Obviamente que não. E não tem a ver com as capacidades de qualquer treinador. Nenhum tem qualidade técnica / decisão para poder ter qualidade suficiente para jogar onde tem de fazer a diferença nesses campos. E essas são as variáveis que não são possíveis alterar. O treinador até poderá ter o condão de tornar o atleta muito forte ofensivamente sem bola, mas no final do dia, se a relação com esta e a criatividade for diminuta, não será por estar onde deve estar que terá impacto ofensivamente.

E esta é a razão pela qual Jesus e qualquer outro treinador conseguem muito mais facilmente adaptar jogadores que cresceram em posições mais ofensivas em jogadores que ocupem posições mais recuadas no campo de jogo. Tem tudo a ver com o que é possível de alterar nas capacidades dos atletas e não com os conhecimentos que os treinadores têm do jogo. 

P.S. - É claro que se Messi tivesse nascido como defesa seria muito fácil adaptá-lo a uma posição mais ofensiva. Contudo, nenhum, ou pouquíssimos talentos extraordinários (perceptível na decisão com bola, capacidade técnica e capacidades condicionais) cresceram como defesas. Esses são desde bem cedo colocados a jogar do meio campo para a frente."

Esquecendo a forma, poucos no mundo do futebol têm a vontade e ou capacidade para (tentar) ensinar sobre o seu ofício como Jorge Jesus. As suas conferências acabam por fugir sempre à vulgaridade, no que se refere ao conteúdo. Soubessem aproveitá-lo mais nas questões que colocam e todo o público teria mais a perceber do jogo que ama.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

De Enzo a Matic, o modelo de Jesus no corredor central.

Não tive oportunidade de ver o jogo do Benfica no dia de ontem, e enquanto seguia o resumo alargado do jogo oiço o comentador convidado Rui Pedro Braz - Autor de alguns livros da bola - dizer que Matic é muito mais difícil de substituir que Enzo, por Jesus ter agora mais opções, do que durante a transferência do brilhante sérvio para Londres. Diz ele que tem Samaris, tem Pizzi, e que tem Talisca. Três opções que, na sua opinião, vão garantir uma substituição mais pacífica do que na altura em que Matic rumou ao Chelsea. A ideia do comentador, parece-me também seguir a linha generalista do facto de Matic ser globalmente melhor que Enzo. Mas isso é o problema de analisar as coisas de forma geral, sem pensar na especificidade de cada caso. Seria isso verdade se a ideia fosse pegar em onze jogadores e os soltar sem qualquer fio em campo. Mas a ideia, e o fio, é o modelo de jogo de Jorge Jesus.

Ora vejamos, no modelo de jogo de Jesus o meio campo é composto por uma linha de quatro jogadores. Desses quatro, com bola, há dois médios ala e dois médios centro. Todos atacam e todos defendem. Mas há três que atacam mais - assumem mais acções de risco - e um que ataca menos. Focando nos dois médios centro, no modelo de Jesus, um dos médios assume mais as coberturas, e tarefas defensivas de frente para o jogo, por estar na maior parte do tempo atrás da linha da bola, e outro assume mais riscos aparecendo mais vezes à frente da linha da bola. Jogar de frente para o jogo é mais fácil no ataque e na defesa. É mais confortável porque se consegue ler todo o jogo. 

Defender atrás da linha da bola é mais fácil, porque não exige tanto do ponto de vista físico e proporciona  por isso maior sobriedade para que se possa ajustar à situação de forma adequada. Com bola, sempre de frente para o jogo, é mais fácil por haver mais tempo e espaço para decidir e executar. Estás mais longe do adversário, e mesmo que ele esteja perto há muitas referências de passe, pelo que se torna difícil não entregar com qualidade. Assim, se percebe que na posição 6 - ou posição 4, como ele gosta de chamar - de Jesus mais facilmente se consegue adaptar as circunstâncias ofensivas e defensivas do momento. 

Na posição 8 os estímulos são muito diferentes e bem mais complexos, uma vez que pede do jogador maior velocidade, e resistência, em todos os sentidos. Com bola, exige grande qualidade técnica por jogar mais próximo dos adversários, dentro do bloco e muitas vezes de costas para a baliza. Requer grande criatividade para ter sucesso nos espaços curtos, pensar e executar rápido. Exige capacidade para romper a contenção, e acelerar para o espaço que se criou. Exige grande capacidade de aceleração, ou de passe, por ser a referência para iniciar a transição ofensiva. Exige capacidade para chegar rapidamente ao último terço nos lances de ataque rápido. Sendo que no modelo do Benfica o ataque rápido é uma constante, exige uma capacidade ímpar para resistir a esforços de grande intensidade, e alguma duração. Sem bola, por estar mais vezes à frente da linha da bola, exige grande capacidade de resistir ao esforço (manter a sobriedade) para que consiga ler o lance de forma adequada (dada a velocidade a que adversário ataca), e ajustar consoante as circunstâncias do jogo. O esforço para recuperar posições neste caso é bem maior, e por vezes os jogadores não chegam ao lance com o discernimento necessário para o resolver da melhor forma. E por isso, é muito importante que consiga resistir aos esforços sobre-humanos que essa posição específica do modelo de Jesus pede.

Em suma, na posição 6 o treinador tem bastante influência naquilo que é, e poderá vir a ser, o rendimento do jogador. Na posição 8 o rendimento depende, e dependerá, sobretudo, da qualidade individual. E é por isso, e por isso só, que Enzo é, era, mais importante que Matic na era Jesus.

Matic é de facto um fenómeno, e chegou a um nível onde Enzo nunca chegará. Tanto que com Matic Jesus foi obrigado a dar mais liberdade ao que tinha pré-definido no seu modelo, por forma a tirar o maior proveito do Sérvio. Mas as características de Enzo, e o modelo de jogo de Jesus são uma combinação perfeita. Falando mal e depressa, se me perguntassem entre Enzo e Xavi que jogador eu preferia para jogar no modelo de Jesus eu nem pestanejava: Enzo!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O que é que Jesus e qualquer treinador vê mais que todos?

O modelo de jogo, obviamente. Como seria de esperar, Jesus, em jogos decisivos, a jogar sempre de acordo com a sua ideia de jogo. Sempre com gente que tem mais tempo de trabalho com ele, e que por isso, conhece melhor os movimentos ofensivos e defensivos da equipa. Sabendo-se que era um jogo onde o Benfica não ia ter muita bola, era vital que todas as peças fossem bastante competentes no momento defensivo. Talisca e Samaris com mais tempo de trabalho, e mais jogos, dentro da ideia de jogo de Jesus. Lima absolutamente fundamental dentro disso. Independentemente de marcar golos, ou não, ainda que seja avançado. O que mais importa para um treinador com ideias e um modelo bem definido nunca serão os golos ou as assistências. Mas sim o cumprimento individual das tarefas colectivas.


"Mas sabia que ele ia fazer as coisas melhor que qualquer um deles, principalmente quando a equipa não tivesse bola"

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Benfica fora da Europa

Depois da derrota do Benfica na Rússia e vitória do Mónaco, fica a eliminação de uma das boas equipas da Europa das provas europeias. Num grupo forte e equilibrado, onde qualquer equipa poderia passar, e qualquer uma poderia ficar de fora, calhou a fava aos portugueses. Estimei, na altura em que saiu o sorteio, que nenhuma equipa iria acabar com menos de sete pontos. Caso o Benfica ganhe ao Leverkusen, confirmar-se-à essa estimativa que representa o equilíbrio entre as equipas do grupo, umas pela qualidade individual, outras pela qualidade colectiva e dedo do treinador. Diga-se também que, em conversa com o Maldini offline na altura do sorteio enviei-lhe um sms a dizer: "o Leverkusen joga muito. Pressão, e com bola muito bons. Qualidade técnica e física soberba", e resposta dele foi: "O Benfica este ano nem à Liga Europa vai". Um Zenit fora do alcance de qualquer uma das equipas do grupo, ao nível da qualidade individual. Um Leverkusen que junta qualidade individual e colectiva. E um Mónaco ao nível do Benfica, mas que pelo modelo de jogo conservador de Jardim, parece bem encaminhado para seguir em frente na prova. Modelo esse que serve muito bem para jogos a eliminar, provas curtas, mas que não deixa ganhar com regularidade na liga. Porque o modelo da liga é o mesmo que o da Champions.
O Benfica não tem nível para esta prova. É equipa de Liga Europa, assim como o é o Sporting. Não teve foi a sorte de ter no grupo duas equipas do mesmo nível (Bate, Bilbao, Maribor, Schalke). Mas os adeptos nunca vão achar normal ir-se para provas onde o adversário é superior fazer o papel que o Benfica faz outras equipas passar no campeonato.

Sobre o jogo, só vi a primeira parte. E o Maldini só viu a segunda. Mas do que vi, do resumo da segunda parte e tendo eu visto a primeira: quantas ocasiões de golo teve o Zenit? Quantas ocasiões de golo teve o Benfica? Tendo em conta a qualidade individual do outro lado, onde só entravam Enzo, e talvez J.César e Gaitan, o Benfica fez ou não mais do que a obrigação, que era tentar competir com uma equipa bastante superior? Do que eu vi, teve, pelo menos, as melhores ocasiões para marcar e em mais quantidade.

A questão que ficou - Numa altura em que dominava o jogo, Jesus abdicou de um elemento do meio campo e colocou um avançado - mas se o domínio do jogo se deveu a essa presença de mais um jogador no meio campo, por que é que esse mesmo domínio não existiu na primeira parte?! E quem é que disse que Talisca não estava a jogar com o mesmo posicionamento que Lima adoptou, depois da entrada de Derley?! E de onde é que veio a ideia de que o golo surge por falta de homens no meio, ou falta de mais uma unidade defensiva no controlo do meio campo do Zenit?

Para desmontar o golo, chamei André Almeida para explicar o que aconteceu nesse lance:




PS: E um pequeno bombom para os adeptos do Benfica, que muito adoram a história, e estatística.

- Antes da chegada de Jesus. 15 anos e 5 entradas na fase de grupos da Champions.

- Depois da chegada do mau treinador ao nível da Europa, 5 anos e 5 entradas na fase de grupos da Champions.

- Antes de Jesus, 15 anos e 1 campeonato. 10 classificações abaixo do segundo lugar. E se quisermos igualar o registo de Jesus, vamos ao décimo sexto campeonato. Mas seguindo até ao décimo oitavo os números continuam iguais, ao décimo nono é superado.

- Depois de Jesus 5 anos 2 campeonatos. Sendo que Nunca ficou abaixo do segundo lugar.

Fala-se do Benfica como um clube de grande tradição europeia, mas não o é. Com a televisão a cores pelo menos não. Fala-se de um clube grande em Portugal, mas as classificações, até então, eram de um clube de segunda linha mesmo no nosso pequeno país. Eu não me lembro de um Benfica grande, sem ser com a televisão a preto e branco. Jesus compete onde deve competir, nas competições internas. Outros preferem quem compete na Europa, por preparar um modelo para essa prova, e depois no ano seguinte têm sérias dificuldades em entrar na prova para o qual tanto se prepararam. Espero com ansiedade o momento da saída de Jesus da Luz, por saber que será muito difícil para o próximo que vier. A história e a competência de Jesus assim o dizem.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Futebol é isto

Jogas, competes, trabalhas durante a semana para melhorar, e ganhas, empatas ou perdes.

Seguramente um dos melhores treinadores do mundo na actualidade. Seguramente o treinador que mudou completamente o rumo do Dortmund. Poderá ser dito, e é verdade, que nunca houve tanto investimento na equipa como actualmente. Mas também, nunca tinha sido conseguida uma percentagem tão elevada de vitórias sobre derrotas e empates, com a televisão a cores.

Todos os anos o Dortmund tem perdido os seus melhores jogadores, para os grandes (do ponto de vista financeiro) europeus. Todos os anos Klopp lhes diz que, lá não vão aprender mais do que aqui. Não são clubes melhores que o Dortmund, apenas pagam mais. E assim, o treinador, ano após ano, procura inventar soluções e procurar alternativas para colocar o clube a competir, e tentar ganhar, sem as mesmas condições de outros.  O Dortmund forma, para os grandes levarem quando eles tiverem prontos para render todos os jogos. No ano passado, uma devastadora onda de lesões. Este ano, os problemas iniciais com os seus melhores jogadores. O modelo de jogo está lá, tem imenso valor, é ofensivo e defende com qualidade. É de difícil interpretação para os jogadores, pela grau de exigência ao nível do posicionamento. É o segundo melhor plantel, ao nível da qualidade individual do seu campeonato, mas está muito perto de entrar em zona de despromoção na tabela classificativa. Não obstante disso, tem três vitórias na Champions, sem qualquer golo concedido (15 sofridos no campeonato em 9 jogos).

O que se diria de Klopp se estivesse no campeonato em Portugal? Que só ganha os jogos contra adversários de maior ou igual valia individual?! O que se diria de Jesus se estivesse quase a pisar os lugares de despromoção, e fosse em primeiro lugar na Champions, tendo pelo caminho ganho o jogo contra o Sporting?
É só mais um ano onde Jesus, como Klopp, não tem a melhor equipa a nível interno, não tem tantas soluções como os seus adversários, tem muitos problemas com lesões dos seus melhores executantes, e ainda assim se acha que eles podem competir em todas as frentes de igual forma.

Em Portugal ainda se pensa que os treinadores usam de fórmulas mágicas, e que têm poderes sobrenaturais, que os fazem jogar pelos jogadores. Um dos efeitos negativos da arrebatadora passagem de Mourinho por Portugal. Hoje, pergunta-se a Mourinho sobre a sua história, e ele responde: no Porto, no Chelsea e no Inter tinha a melhor equipa. Tinha de vencer o campeonato, porque não tinha ao nível interno adversários para competir. E assim foi. 
E quando há adversários do mesmo nível? As vezes ganhas, as vezes empatas, as vezes perdes. E quando o adversário é superior? Ganhas poucas vezes, empatas algumas, perdes a maioria. E o que importa, aí, é que consigas competir. São dinâmicas do desporto, do futebol, dos jogos.

Seguramente que Jesus é melhor do que muitos dos candidatados seleccionados pela FIFA. Seguramente que Klopp também o é, não tendo conseguido uma tão forte dinâmica de vitórias na época anterior. Nos últimos cinco anos, Jesus e Klopp andaram juntos pelo TOP dos treinadores mundiais, e talvez só sejam reconhecidos quando começarem a ser de forma regular COMPRADORES, e mantiverem todos os anos os seus melhores jogadores. Talvez, quando treinarem quatro/cinco jogadores que lutem pela Bola de Ouro se consiga perceber a real qualidade destes dois fantásticos treinadores.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Ontem vi na TV

Momento raro em que ligo a televisão para ver um programa desportivo e está Vítor Pereira a comentar. Não podia ficar mais satisfeito, pois como sabem é um treinador que muito admiro pelo seu trabalho, e pelas suas ideias para a sua equipa. É também, pelos motivos acima citados o meu treinador português de eleição. Pelo menos era enquanto em actividade.

Contudo, fazia ele a análise do Benfica (contra o Arouca) e pareceu-me que a realidade não corresponde ao que citou. Disse ele que o Benfica continuava a arriscar muito no momento ofensivo, com demasiados jogadores a frente da linha da bola. Tanto nos momentos de saída de bola como nos de ataque continuado em zonas mais adiantadas, com os dois laterais completamente projectados. Não podia estar mais em desacordo, e por isso fui rever (pela terceira vez) a primeira parte do Arouca na luz.









Poderia exemplificar com muitos outros lances, onde Lisandro, Samaris e Talisca aparecem com posicionamentos muito pouco habituais com Jesus. Os lances de perigo do Arouca foram 90% das vezes causados por isto. Falta de competência de alguns elementos do Benfica, por ainda não estarem a trabalhar a tempo suficiente com Jesus. Os restantes 10% são erros em posse, onde o portador da bola não tem a melhor decisão, colocando a organização da equipa em causa, em momentos em que ela ainda se está a reorganizar.

Acredito imenso na competência de Vítor Pereira e Jorge Jesus, como acredito muito em outros treinadores. Mas não é por isso que aceito tudo o que eles dizem, ou que concorde sempre com eles. Portanto, os que têm visto Vítor Pereira na televisão (ou outro qualquer) muito cuidado na aceitação, porque depois vêm para cá debitar o que ouviram, e acham que por ter sido um treinador que muito admirámos a dizer, que vamos aceitar como se fosse uma verdade absoluta. Questionem mais, caros amigos. Questionem mais.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O que precisa mais de ver Jesus...



Para colocar Gaitan como avançado? Jogando na vertical, responsável por procurar espaços entre sectores. Sendo que não se pode comparar a Aimar ou a um Saviola, é o jogador que mais aproxima, neste plantel, a equipa do êxito jogando pelo corredor central, em posições adiantadas.

O que é que Talisca tem mais que Bernardo? 
O que é que Jara tem?
O que é que os de cima têm mais do que Ola John?
Jardel preocupa-me. Ter dois centrais sem competências técnicas relevantes, numa equipa que se quer dominante é bastante limitador da produção ofensiva da equipa. Bem como poderá prejudicar ao nível dos erros que poderão ser aproveitados pelo adversário.

Sérgio Oliveira é muito interessante. E num modelo como o de Fonseca, poderá sobressair como Josué há duas épocas atrás. 

Grande exibição do Paços de Ferreira, ou má exibição do Benfica? O número de lances de grande potencial que permitiu ao adversário foi anormal, tendo em conta a mais valia individual do adversário.

Aquilo que sucedeu à Paulo Fonseca no Porto, que foi ter entrado num momento péssimo, com muitos sapos para engolir, uma equipa pior que a do ano anterior, tendo de substituir um treinador que deixou a bitola demasiada elevada, ao nível dos resultados, e da qualidade de jogo, poderá acontecer com Marco Silva. Sendo que a cobrança vai ser imensa, os problemas internos multiplicam-se, e ter um presidente que acha que tem um plantel de grande qualidade poderão camuflar a imagem de um treinador competente dentro de alguns meses. Marco, assim como Paulo, e por que não Vítor Pereira quando chegou como treinador principal ao Porto, e como o homem que virá substituir Jesus no futuro, têm/tiveram/terá tarefas hercúleas.
Não é que Fonseca tenha feito um grande trabalho no Porto. Provou que não era a altura certa para dar o salto para um grande, e encontrou Jesus na frente de um Benfica, com um plantel soberbo. Porém, é um dos treinadores com mais qualidade na Liga, e tenho a certeza que vai crescer com tudo o que lhe tem acontecido, vai ficar melhor preparado, e não vai falhar caso tenha nova oportunidade num grande. Seguiremos o seu Paços de Ferreira com bastante atenção. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Avaliação do trabalho dos treinadores. Os resultados e o processo. Dificuldades para Marco Silva, e Jorge Jesus superior a José Mourinho.

Desde sempre, mas talvez com maior relevância desde o fenómeno Mourinho que o público em geral tem a tentação de elevar os treinadores à condição de deuses. Não necessariamente no bom sentido, mas no sentido de que as vitórias e as derrotas passam apenas pela sua performance, ignorando que são homens / mulheres que jogam o jogo e não máquinas comandadas por estrategas.

É por isso que nas caixas de comentários continuam os argumentos de que X é bom porque venceu 3 campeonatos, ou Y é mau porque em 5 anos apenas venceu 2. Como se o jogo fosse treinadores contra treinadores, quando são jogadores contra jogadores.

O treinador deve ser avaliado pelo processo. Pela organização da sua equipa. Nunca pelo resultado, não ignorando que com organização garantidamente que obterá bons resultados para o contexto que exerce.

Na época transacta, por exemplo, viu-se Jorge Jesus ser considerado responsável pelos únicos pontos que perdeu em toda a segunda volta até se sagrar campeão nacional. Num jogo em que o seu avançado falha um penalty no último minuto. E se Cardozo tivesse acertado na rede. O treinador era bom? Ou o exemplo perfeito. Quando há dois anos Vitor Pereira foi incompetente durante uma época inteira depois de Jackson ter perdido 4 pontos em penaltys, para voltar a ser um bom treinador, depois de Artur Moraes ter tornado um belíssimo treinador num incompetente (que perdeu um jogo em trinta e contra uma das melhores equipas de toda a história em Portugal, que alinhava com Hélton, Danilo, Alex, Mangala, Otamendi, Lucho, Moutinho, Fernando, James, Jackson, Varela. Coisa / Milhões pouca / poucos). Para o público em geral só há um treinador bom por cada Liga. E só se percebe quem é o bom quando acaba o campeonato. Nada mais errado, obviamente. Estes erros de avaliação grosseiros revelam não só um total desconhecimento do que é o trabalho do treinador, como surgem maioritariamente associados a uma incapacidade gritante para perceber a qualidade dos jogadores. Normalmente os “seus” jogadores são todos craques e melhores que os do adversário. Logo, a incompetência será sempre do treinador. Por exemplo, Jesus foi tornado réu por não ter sido campeão num ano em que do seu plantel inteiro só um, dois, máximo dos máximos três jogadores do seu onze entrariam na equipa de quem se sagrou campeão. Claro que na altura bateram muito por aqui. Sobretudo quando se elegia James como estratosférico e o melhor da Liga. Hoje, apenas porque alguém pagou um valor estapafúrdio talvez já seja bom. Antes não era…

Ao treinador compete dar armas (organização) para que os seus atletas sejam mais do que individualidades no campo, mas que se saibam relacionar entre si, com princípios colectivos. Que ocupem o espaço e se movimentem com e sem bola, ofensivamente e defensivamente, de acordo com ideias comuns. Neste espaço valorizamos os que para além de conseguirem criar estes princípios, o façam em todos os momentos do jogo. Tratem todos os momentos com a devida importância, e que como tal tenham a equipa preparada para jogar o que o jogo der. Conseguindo isso, o melhor treinador do mundo pode perfeitamente perder com o pior. É que são humanos que jogam o jogo.

E é em função disso, que ainda na época passada, naquilo que será garantidamente um choque para quem não vê o jogo com olhos de ver, declarei aqui que Jorge Jesus é bastante superior a José Mourinho enquanto treinador de futebol. Porque as suas equipas estão muito mais preparadas para o jogo que as do mais titulado treinador português.

Se alguém se der ao trabalho de analisar jogos de um e outro perceberá facilmente que ofensivamente as equipas de Jesus têm movimentações que permitem mais linhas de passe ao portador, que oferecem mais, mais variadas e mais próximas soluções para prosseguir as jogadas (em apoio, em ruptura, à esquerda, à direita, em cobertura). Que defensivamente o jogo de controlo da profundidade que permite a equipa manter-se mais compacta, mais próxima e ainda assim não consentir bolas nas costas é bastante superior em Jesus do que o que é nos últimos vários anos de Mourinho. O controlo da largura. Não há um momento do jogo em que Mourinho se superiorize a Jorge Jesus. Mourinho que continua ano após ano a pescar jogadores saídos dos colectivos de Jesus, para que pouco depois pareçam apenas banais nas suas equipas.

E é porque a generalidade do público não percebe o que é o trabalho do treinador que o futuro de Marco Silva no Sporting pode tornar-se preocupante. Em poucos dias, viu-se organização. Ideias. Jogar colectivo. Enfim, competência. Todavia, a herança pontual e de classificação é demasiado grande para a qualidade individual da sua equipa. Se Leonardo Jardim entrou (e saiu) na hora perfeita, Marco Silva fá-lo num dos anos mais difíceis de agradar à massa adepta leonina. Não interessa se naquilo que o treinador controla Marco mostra credenciais. Se pela qualidade individual que têm os jogadores do Sporting não conseguirem a percentagem de pontos da época transacta (e tal não se afigura nada fácil), o mais fácil será pedir-se responsabilidades a um treinador que até apresenta mais argumentos que o seu antecessor. Não desprezando qualidades óbvias que Jardim tem.

Quem segue o blog há muitos anos recordará os textos com imagens a expor a falta de organização do Sporting de Sá Pinto. Tudo aleatório, jogadores sem se relacionarem entre si, enfim, tudo à deriva. Total desvalorização das individualidades porque não haviam ideias. Bastava ver aquela organização para se poder classificar de mau o trabalho do treinador. Independentemente do resultado dos jogos. Marco Silva por seu lado mostra qualidades precisamente porque naquilo que controla mostra organização. Se há décima jornada tiver zero pontos, a opinião será a mesma. Há organização. Naquilo que o treinador controla o treinador do Sporting é bom. Mas, não é o treinador que joga. Falta só perceber-se os detalhes (restabelecimento de equilíbrios, um pouco de maior encurtamento do espaço em largura, e jogo posicional de controlo da profundidade na última linha, defensivamente. E número de caminhos (movimentações) para a baliza adversária, ofensivamente) que são no fundo o que separa os bons dos óptimos.



P.S. - Mourinho gera amores e ódios. Não tome a opinião actual sobre o trabalho de Mourinho, como algo relacionado com a sua personalidade. Apenas o que mostra no campo. Para que perceba que não há amores / ódios, basta consultar as etiquetas com o seu nome para perceber a influência grandiosa que teve em tudo o que por aqui se escreveu / escreve desde sempre.  E era mais fácil elogiá-lo agora que priva quase diariamente com um dos autores que iniciou o blog comigo.