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domingo, 10 de abril de 2016

Ausência de apoios frontais. Como deixar a última linha adversária confortável. Demonstra o FC Porto.

As muitas dificuldades que o FC Porto sempre encontra para criar não se podem alhear daquilo que é o seu processos ofensivo. Seja pelas qualidades e hábitos das suas individualidades ou por aquilo que não define em termos de movimentação ofensiva.

Suk na mata real simplesmente não joga. Por decisão própria ou de modelo, a verdade é que o ponta de lança do FC Porto, não sai por um instante da profundidade, do meio dos centrais para causar embaraços entre linhas. Para obrigar a última linha pacence a ter de tomar decisões (sair da linha para perseguir? Sair só após o passe?) e com isso desorganizar a estrutura adversária. 

Na construção e na criação o FC Porto joga com menos um. Não pelas suas capacidades individuais, mas porque simplesmente não é nunca referência para receber a bola. Apenas espera o momento para correr para as costas da defensiva adversária, ou para rematar à baliza depois de jogada construída e criada por outrém. O problema é que um FC Porto que já envolve pouca gente nas costas dos médios adversários, abdicar ainda assim de ter um avançado que possa desorganizar o seu opositor, é meio caminho andado para se criar muito pouco. Nos dias de hoje ter um ponta de lança preparado apenas para uma fase é demasiado curto.




segunda-feira, 4 de abril de 2016

É esconder que aqui ninguém nos vê. Porto perde com Tondela.


Um FC Porto a fazer lembrar os tempos de escola, quando a "malta" se juntava no campo de jogos. O Portador da bola ficava isolado do mundo e todos os seus colegas fugiam para a grande área à espera que pingasse qualquer coisa... 

Um processo ofensivo absolutamente inexistente do ponto de vista colectivo. Defensivamente não é melhor. 

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Benfica 1-2 Porto. Primeira parte.

O Porto que vence com uma grande exibição de Casillas, e Brahimi. Brahimi fundamental em todos os desequilíbrios que o Porto conseguiu causar. Quer pela sua movimentação sem bola a arrastar Samaris para junto da linha defensiva e a deixar Renato só no meio campo, ou a simular profundidade para criar espaço para receber no pé, quer pelo seu toque individual com ela. Não surpreende a falta de saída de bola do Porto pelo momento de menor confiança que atravessa. O Benfica tentou sair apoiado, mas a pressão do Porto acabou por levar a que se jogasse muitas vezes directo nos avançados. Não é estilo de jogo mais indicado para Jonas aparecer.


Benfica pouco agressivo a recuperar posições







Danilo também poderia ter sido mais conservador.
O primeiro golo do jogo surge de uma situação onde o Porto foi pouco agressivo na procura da recuperação de bola. A linha avançada (Aboubakar e Brahimi) pouco reactivos à bola, permitindo a Lindelof espaço para conduzir contra a linha média. Depois Lindelof bem a encontrar Renato que procura de imediato Jonas no apoio frontal. Indi bastante agressivo a reagir ao homem que recebe de costas, mas Herrera muito lento a reagir a uma segunda bola. Com isso, Renato mais rápido na reacção ganha o lance e acaba por isolar Mitroglou que consegue finalizar. A linha defensiva do Porto mal ao não ajustar o seu posicionamento à saída de um dos seus elementos.


Realçar também posicionamento de Pizzi na mesma linha que A.Almeida.

O trabalho de simulação de Brahimi a confundir completamente Samaris, e com isso a ganha espaço.

O golo do Porto acaba por surgir de forma algo inesperada. Numa situação onde a equipa do Benfica se encontra bem organizada e junta no corredor central, bascula e com os posicionamentos e comportamentos individuais que adopta permite que se crie a situação de finalização. Ainda que Herrera não remate e por não ter contenção se opta pelo passe para Corona (que se encontrava em vantagem espacial), a situação continuaria a ser de apuro para a defesa do Benfica.




Boa saída do Benfica pressionado pelo Porto, utilizando apoios frontais.

O Benfica teve mais alguns lances que poderiam ter sido finalizados com relativa facilidade, mas não tão interessantes do ponto de vista do processo. Deveram-se sobretudo a erros individuais do Porto. Um Benfica mais explosivo em organização ou transição, e um Porto mais pausado na procura de apoios frontais para sair de situações de pressão e criar espaço para atacar melhor. Muito interessante o crescimento da linha defensiva do Benfica, a reagir de forma coordenada.

A segunda parte AQUI!

domingo, 31 de janeiro de 2016

Equipa que joga bem e não ganha deixa de jogar bem

É essa a máxima que vai ditar o (in)sucesso de José Peseiro no Porto. Não é que a qualidade de jogo dos dragões seja admirável, longe disso. Mas nunca conseguirá tal objectivo se o caminho não foi feito de vitórias. As vitórias permitirão ao treinador incutir melhor e mais rapidamente o que quer nos jogadores, pela crença deles que é aquele o caminho que os vai levar ao sucesso. É fundamental para qualquer ideia de jogo, por melhor que seja, que o jogador tenha confiança e convicção naquilo que faz. Que não duvide. E para isso, só ganhando. E num clube como o Porto, só ganhando consecutivamente. O caso do Benfica é paradigmático. A equipa uniu-se finalmente em torno do treinador, e o resultado é uma maior coesão entre o que o treinador quer, e o que os jogadores conseguem fazer. Com isso, a melhoria da equipa, e o avolumar do resultado nos últimos jogos. A confiança dos adeptos. Tempo para trabalhar com tranquilidade sem que os jogadores se sintam pressionados a errar, ou mais pressionados quando erram. 

Foi assim o jogo na Amoreira. O Porto não fez uma boa primeira parte. Limitou-se a aproveitar os erros do Estoril (que entrou bem) e dessa forma conseguiu ir em vantagem para o intervalo. Depois, controlou com bola e no final percebeu-se uma maior confiança e conforto dos jogadores para jogar no último terço. Para não se precipitarem na decisão aí, e combinar para entrar na área com a bola controlada. Nesse final de jogo, percebeu-se o futebol que a equipa será capaz de apresentar quando estabilizar do ponto de vista emocional. Para tal, tem que continuar a ganhar. A reviravolta foi, aliás, um factor mais de reforço de confiança dos jogadores em si próprios, no treinador, e dos adeptos na equipa.

domingo, 24 de janeiro de 2016

O centro de jogo. A mudança.

Um jogo passou e já é possível perceber os primeiros sinais que José Peseiro começou a trabalhar na equipa. Regularidades que foram surgindo sempre pelas equipas que foi passando. 

A posse vertical. Que procura fundamentalmente explorar os espaços em direção à baliza, muitos apoios frontais, e se não conseguir aí circula de forma horizontal para depois voltar a alternar o ritmo de jogo. 

As bolas paradas. O trabalho ofensivo nos cantos e livres, numa tentativa de desequilibrar o adversário primeiro, antes de colocar a bola na área (canto curto). 

O centro de jogo. É aqui que se nota já uma grande preocupação do treinador. Não só por jogar mais no centro de jogo com muitas combinações entre jogadores, mas também pela forma como os seus jogadores se organizam para o jogar. O trabalho sem bola a que sujeitou, já, quem se prepara para receber é notório. Preocupação em explorar a variabilidade de soluções (apoio próximo e profundidade). X passos na profundidade e volta para receber no pé. X passos em aproximação e vai embora para receber no espaço. Movimentos estes de difícil coordenação, mas que visam a criação de melhores condições para receber, com um melhor enquadramento, com mais tempo e espaço. Na finalização. A grande preocupação em criar movimentos que permitam o aparecimento do passe atrasado. Um homem a movimentar-se sempre no sentido do primeiro poste para arrastar. Um a fingir que vai e a ficar mais atrás. Se possível, outro ao segundo poste. 

Toda esta sincronização melhorará com o tempo - se os resultados assim o permitirem. O acerto do timing entre o portador da bola e a desmarcação. Até lá, e pela forma como a equipa por vezes se mostra afastada do portador da bola, por forma a preparar os movimentos que está a trabalhar, bem como a falta de sincronização dos mesmos, poderá resultar em perdas que em determinado momento do jogo podem retirar a confiança (que já não é alta) à equipa. O pormenor ainda pouco trabalhado, que por vezes pode partir a equipa com sectores muito afastados - os jogadores que vão na profundidade, não recebem, e não regressam para posições conservadoras. Esse equilíbrio, difícil de conseguir, entre o que o treinador quer, e o entendimento que os jogadores têm do que se pede, será a chave do sucesso/insucesso imediato do novo treinador do Porto.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

José Peseiro. O retrato em algumas linhas.

Há um par de anos o novo treinador do Porto dirigiu uma palestra em Espanha, pouco depois da saída de Braga. E em linhas gerais fez uma apresentação do seu modelo de jogo, no ofensivo e no defensivo.

Características do processo ofensivo

Jogo apoiado; Mobilidade; Disponibilidade; Dinâmica

Ataque Organizado (AO) -» Ataque Rápido (AR) -» Contra-Ataque (CA)

CA -» AR -» AO

O tipo de ataque depende de: Local onde se recupera a bola; Organização do adversário; Contexto de jogo; Alternância do ritmo de jogo; Noção de equilíbrio (Ofensivo «-» Defensivo)

Referências que condicionam o processo no ataque à baliza adversária

Com vantagem temporal, numérica e espacial - Objectividade; Agressividade
Sem vantagem temporal e numérica, mas com vantagem espacial - Posse de bola; Recuperação fisiológica; Organização posicional
Sem vantagem temporal, numérica e espacial - Passe de ruptura; 1x1; Passa e vai (apoios frontais); Jogo interior; Diagonais; Equilíbrio entre desmarcações de apoio e de ruptura; Portador da bola com dois tipos de linhas de passe disponível (Apoio, ruptura); Variação do centro de jogo com alternância de ritmo; Trabalho de simulações sem bola (simula que vai e aproxima - simula que aproxima e vai); Criação de espaços; Automatismos; Criatividade

Para o processo ofensivo ter a qualidade desejada

- Recuperar a bola o mais alto possível
- Disponibilizar muitos jogadores para o ataque
- Grande mobilidade (Apoio-Ruptura)
- Maior agressividade no 1x1
- Agressividade sobre a segunda bola ofensiva (reacção à perda, ou a remates, passes, cruzamentos, desviados/defendidos pelo adversário)
- Equilíbrio ofensivo nas desmarcações
- Equilíbrio defensivo no ataque

Características do processo defensivo

Transições - Zona de pressão -» Zona -» Esquemas tácticos

Linhas curtas; Concentração; Compactação; Posicionamento; Orientação do jogo (para os corredores laterais)

O ideal é recuperar no último terço por estar mais perto da baliza adversária.
O porquê de não o fazer sempre: Ritmo de jogo; Imprevisibilidade; Dificuldades na concretização do processo ofensivo (muitas perdas); Níveis de confiança baixos; Gestão do resultado; Organização; Desgaste fisiológico

Organização Defensiva - Linhas altas. Mas quer que a equipa tenha capacidade para adaptar o posicionamento das linhas em função do contexto e das necessidades do jogo; Orientação do jogo para os corredores laterais; Pressão sobre o portador da bola e espaços determinantes; Comunicação; Capacidade mental

Referências do processo defensivo

- A bola como principal referência de posicionamento da equipa
- Os colegas de equipa como a segunda referência mais importante para o posicionamento
- Os espaços como principal referência de marcação
- Fechar os espaços de acordo com à sua importância
- Sistema permanente de coberturas
- Fluidez e dinâmica num processo que se pretende activo, e não tanto reactivo ou passivo
- Deslocamento em bloco (Largura e profundidade)
- Constrangimento temporal, espacial e numérico ao ataque adversário
- Atenção; Concentração; Atitude defensiva; Tempo de reacção; Solidariedade, Entreajuda; Combatividade; Espírito de sacrifício; Comunicação; Confiança









Se do ponto de vista ofensivo as equipas de Jesus são muito fortes a encontrar espaços, Peseiro sempre teve equipas especialistas em criar espaços. Nada garante o sucesso imediato pelo tempo de trabalho que é curto. Porém, com a gestão certa, e com o foco nas competições mais importantes, poderá chegar ao final em condições de disputar títulos. Não podia ficar mais expectante por ver de volta o treinador português que mais me marcou do ponto de vista ofensivo. O maior desafio que teve até ao momento, e a oportunidade de mostrar o quanto evoluiu (ou não) na forma como a sua equipa defende muito espaço com poucos jogadores, e se consegue diminuir o número de vezes que o seu guarda-redes enfrenta situações de golo eminente em cada jogo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

442 de Peseiro no FC Porto?

Em tempos parecia que o 433, com meio campo organizado com um médio defensivo e dois interiores era cultural no FC Porto. Lopetegui trouxe um sistema diferente mas ainda assim com apenas um ponta de lança. É difícil olhando para os anos transactos recordar o FC Porto com o 442 como plano A. 

José Peseiro, o treinador com o futebol mais apaixonante das últimas décadas do Sporting, chega ao Dragão para impor as suas maravilhosas ideias ofensivas, agora também ciente da importância dos momentos sem bola. Mesmo que sejam muito reduzidos ao longo das partidas.

Com aparentemente poucas soluções para a posição de avançado centro (em 442 porque não Corona na linha mais avançada?), a dúvida imediata é perceber se romperá com a tradição táctica portista, moldando a equipa aquelas que foram as suas ideias desde sempre ou se inicialmente, com um plantel não definido por si se procura adaptar ao contexto. Ou será que é possível ser o "contexto a adaptar-se", por algumas modificações nos posicionamentos habituais de alguns jogadores?

Se chegar em 442, pela primeira vez em muitos anos teremos os três grandes, quatro com o Braga, no mesmo sistema com dois avançados centro. Uma tendência que tem voltado a reinar na Europa nos últimos anos. Mesmo que o campeão europeu continue a fazer diferente e melhor.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Problemas defensivos de Peseiro em Manchester - Primeira parte

"Por todos os clubes por onde passou obteve sempre melhores resultados que qualquer outro. Porém, porque as expectativas talvez tenham estado sempre mais elevadas do que o que o potencial das suas equipas fazia antever, há uma certa descrença sobre as suas capacidades."

Este Braga, na qual eram sempre diagnosticados problemas defensivos, jogava com jogadores sem grande qualidade individual nas linhas mais recuadas, e ainda assim, com o pouco tempo de trabalho que teve, conseguiu ir a Manchester jogar com um bloco médio e com a linha defensiva a reagir a profundidade e a largura colectivamente, como não se vê, por exemplo, hoje no Sporting. Claro que há erros, mas nota-se em cada lance a tentativa da última linha se comportar como um sector, a guiar-se pela bola (pressão ou não) e pelo colega. Quando chegaram as lesões, e os remendos, tudo desabou logicamente, tão altas eram as expectativas iniciais criadas pelo futebol praticado por esta equipa. Mais uma vez Peseiro saiu desvalorizado de um projecto que ele elevou, e depois não teve a sorte de conseguir levar a bom porto.


Mais sobre José Peseiro, aqui.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Alan fora do jogo e trocado de corredor aos 62 minutos

Não terá corrido tão bem para a sua equipa, a última vez que Jorge Jesus havia dado tanta importância a uma individualidade. Geralmente Hulk. E geralmente mal sucedido. Em Braga, porque Alan não está a ficar mais novo e porque Melgarejo naquilo que lhe foi pedido fez um jogo verdadeiramente assombroso, pela reactividade e inteligência, que lhe foi seguida pela reorganização da equipa em função do espaço para o qual o paraguaio era atraído, e pela muito boa exibição de Jardel (não fantástica porque alguns erros técnicos poderiam ter mudado o jogo) sempre autoritário a cair no espaço que Melgarejo abandonava, sempre sem deixar Éder receber, muito menos enquadrar, a estratégia resultou. 

Alan neutralizado e fora do jogo, nunca foi capaz de, enquanto extremo direito participar no jogo. Éder caía no espaço aclarado, mas Jardel esteve no processo defensivo a um nível extraordinário. 

Aos 62 minutos Peseiro, bem, procurou confundir o SL Benfica dando Alan a Maxi. Já foi tarde.






sábado, 1 de setembro de 2012

Sporting de Braga, José Peseiro e Mossoró

"Agora temos mais e melhor qualidade de posse de bola. É diferente. O Rúben Amorim, o Micael e o Hélder Barbosa só querem a bola no chão." Mossoró.

Conhecemos José Peseiro desde 1998. Estávamos a entrar para a faculdade, e o Pedro, que contribui aqui para o blog, ainda que não de forma escrita, estava no seu primeiro ano de futebol sénior impressionado com o seu treinador, na altura no Oriental. Por Marvila três segundos lugares. É o treinador do quase, dizem. Contudo, depois de partir, o Oriental de três segundos, passou para último. Peseiro seguiu para a Madeira e por lá duas subidas de divisão seguidas e equipa revelação da primeira liga. 

Por todos os clubes por onde passou obteve sempre melhores resultados que qualquer outro. Porém, porque as expectativas talvez tenham estado sempre mais elevadas do que o que o potencial das suas equipas fazia antever, há uma certa descrença sobre as suas capacidades.

O Braga é a primeira grande sensação da nova época. Não pelos resultados, que poderiam e mereceriam ter sido melhores, mas pelas fabulosas exibições. 

Melhor que o Benfica na Luz (reparou como, e ao contrário dos de Jesus, os bracarenses foram sempre capazes de sair a jogar?) e sobretudo muito superior que a Udinese ao longo de todos os minutos dos dois jogos disputados, não viu traduzidas em vitórias a qualidade exibicional exibida.

No Minho, Salvador reuniu o terceiro melhor onze da Liga em capacidade actual (Muito diferente de potencial. Hoje, do meio campo para a frente, nenhum jogador do Sporting, por exemplo, roubaria o lugar a Custódio, Viana, Amorim, Mossoró, Lima(?!) e/ou Alan. E ainda há Barbosa, infinitamente superior a Capel e que no Minho vai ficando pelo banco de suplentes), com a melhor equipa técnica da Liga.

Em Braga já se percebe o tradicional futebol das equipas de Peseiro. O próprio Mossoró (que desequilibrador que tem estado. Notável!), um dos grandes beneficiados pelo actual estilo de jogo não se coibiu de o referir. Se se recordar, o estilo de jogo e as características dos jogadores bracarenses são muito próximos/as daqueles que outrora Peseiro guiou até uma final europeia.

Muita maturidade e muita qualidade no onze inicial do Sporting de Braga. Falta perceber o que Éder ou Michel podem acrescentar pós partida de Lima. Uma certeza, porém. Quem aprecia futebol, ver o Braga jogar é obrigatório. E se FC Porto ou SL Benfica baixarem um pouco a pontuação habitual nos últimos anos, quem sabe se não poderemos ter novo campeão. É algo improvável, mas uma candidatura muito forte ao podium é algo que já não se pode negar.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Campos de dimensão reduzida, mas não só.

Com pouco espaço para jogar, não é apenas a qualidade técnica que poderá fazer a diferença. Um dos maiores pormenores (pormenor porque demasiadas vezes inexistente ou invisível) do jogo é o trabalho para receber.

Porque haverá jogadores que conseguem enquadrar sempre que recebem? Será apenas pela qualidade do gesto técnico na recepção? Indubitavelmente que tal é fundamental. Há porém algo tão determinante quanto o gesto técnico para garantir o enquadramento com a baliza adversária, após cada recepção. E relembre a importância do enquadramento na recepção, para a progressão da equipa no campo.

Diz-nos o PMCR, que há alguns anos atrás foi jogador do José Peseiro, que com o treinador português havia uma rotina definida para alguns momentos do jogo. Dois passos em aproximação, significavam que a bola deveria ser colocada na profundidade. Quatro passos na direcção da baliza adversária significavam que o jogador iria voltar rapidamente para receber no pé.

A simulação é uma das mais importantes acções no jogo moderno. E está presente tanto com bola, como sem ela.

Em Santa Maria da Feira, Nolito poderá ter um papel importante no processo de construção do SL Benfica. É que em Portugal ninguém é tão bom quanto o espanhol neste tipo de acções.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Sporting de José Peseiro


Tal como o Benfica de Fernando Santos, o Sporting de Peseiro poderá não perdurar na história como uma equipa vencedora. Porém, jamais será esquecido.

Poderá José Peseiro, que acabou escurraçado de Alvalade, e que é tido pela generalidade dos adeptos, independentemente das cores clubísticas como um problema, e nunca uma solução, ter sido vitima de uma tremenda injustiça?

Apesar do indesmentível excelente futebol proporcionado pelo Sporting da época, os criticos garantem haver uma dicotomia. Jogar bem, em oposição ao vencer. Tal permissa, falsa quanto judas, foi sempre a principal forma de inferiorizar a qualidade do trabalho de Peseiro.

Contudo, é importante perceber, que no futebol, jogando-se melhor, está-se sempre mais próximo de vencer. Ainda que em determinados momentos possa não acontecer.

Na vertente táctica, a falta de equilibrio que por vezes a equipa exibia, foi sempre um dos principais defeitos no modelo de jogo adoptado. Em cada minuto, em cada ataque, parecia não haver meio termo. Ou marca ou sofre. Se por um lado, os pressupostos ofensivos inerentes a tais ideias permitiram aos adeptos leoninos, festejar, só no campeonato nacional, mais 27 golos que o FC Porto. Sim, 27. Por outro, terminar a Liga apenas como a 8a melhor defesa da prova, foi uma "proeza" quase impensável para um candidato ao titulo.

Peseiro sai com a imagem de um fraco perfil de liderança, fruto de diversos episódios absolutamente lamentáveis com alguns importantes jogadores.

Tão importantes quanto ingratos. Claro. Muitos, se tiveram oportunidade de disputar uma final europeia, a Peseiro devem agradecer.

Não acrescentou troféus às vitrines de Alvalade. Certo. No entanto, se questionarem qualquer adepto leonino, sobre a melhor memória das últimas décadas, Alkmaar, com Peseiro ao leme, por certo, jamais será esquecido. Não valerá tal memória bem mais que uma qualquer Taça da Liga ou Supertaça?

Na mente de Peseiro, três lances, que definem uma época inteira, perdurarão eternamente como "SES".

- E se Liedson não comete, nos últimos momentos do jogo que antecedeu a visita á luz, o (estranho) disparate de pontapear, propositadamente, uma bola para longe? Disparate esse, que lhe valeu a ausência no mais decisivo jogo do campeonato. Mas, que por outro lado, lhe permitiu estar um pouco mais disponível físicamente para a final da Taça Uefa...;

- E se Ricardo, a 6 minutos do fim da partida na Luz, na penúltima jornada do campeonato e com o Sporting em 1º lugar, tem decidido socar a bola?;

- E se a bola rematada por Rodrigo Tello, 20 segundos antes do 3º golo do CSKA, após bater nos dois postes de Akinfeev, nobre guardião Russo, tem entrado na baliza?