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sábado, 4 de dezembro de 2010

O trio do meio campo e a incapacidade para contra atacar do Sporting

Não está relacionado. Tende-se a considerar que o Sporting perde qualidade ofensiva por apresentar três jogadores com conotação mais defensiva no meio campo (Maniche, André Santos, Pedro Mendes). Não terá de ser assim necessáriamente. Desde que Paulo Sérgio saiba jogar com tal.

Com os três em simultâneo no campo, é evidente que se perde em criatividade, e ainda que Maniche e André Santos cheguem bem à frente, fica a faltar imaginação e talento. Aquilo que Matías promete, mas não tem conseguido cumprir.

Porém, há ganhos relevantes noutros momentos do jogo. Sem a posse da bola todos eles são bastante rigorosos e não se coíbem de se entregar ao jogo, cumprindo na perfeição todas as tarefas defensivas inerentes às suas posições. Também do ponto de vista ofensivo, têm algo para dar. São francamente bons na capacidade de passe e muito capazes de servirem os colegas mais adiantados.

Se o Sporting se tem mostrado incapaz na transição ofensiva, tal não se deve minimamente aos seus médios. Ao contrário dos rivais, o Sporting não parece ter definida qualquer estratégia, qualquer movimento base para sair no contra-ataque. No FC Porto, Hulk em primeira instância e Varela se melhor posicionado, servem como excelentes apoios para receber a bola o mais rápido possível após a recuperação da mesma. Quando a bola chega rapidamente aos seus pés, encontram invariavelmente situações com poucos defesas à sua frente e muito espaço para correr. Situações onde são exímios, diga-se. No caso do SL Benfica, em situação defensiva, Cardozo posiciona-se sempre no corredor onde está a bola, para disputar a primeira bola quando esta é "aliviada" pelos defesas. Enquanto o faz, Saviola aproxima-se para receber do paraguaio e dar início à transição. Quando a recuperação da bola é feita de forma mais capaz, conseguindo os jogadores encarnados, desde logo sair a jogar, Aimar e principalmente Saviola baixam um pouco oferecendo linha de passe suficientemente clara para receberem a bola e atacarem a baliza adversária.

No futebol do Sporting é difícil perceber se há algo mecanizado, tão díspares são os comportamentos após a recuperação da bola. Quando a recuperação de bola é feita por uma intercepção de João Pereira, a equipa até se mostra capaz de sair rápido, pela boa forma como o lateral conduz a bola na direcção do corredor central. De outra forma, não se nota que haja alguma definição sobre a forma como sair rápido. Seja pela inexistência de um jogador que sirva como referência para receber a bola o quanto antes, ou de um espaço pré determinado onde alguém o faça.

Relembre que jogadores como Hulk e Cristiano Ronaldo (nos anos de Manchester) granjearam toda a sua fama pela forma fantástica como iniciavam/iniciam os contra-ataques das suas equipas (receber a bola no corredor lateral oposto ao pé dominante, e atacar  o corredor central conduzindo a bola).

Por vezes parece que Vukcevic poderia ser a solução para tantos problemas do Sporting. E ainda que o montenegrino tenha estado a um nível patético no clássico, é impossível não pensar que poderia ser bastante útil à transição ofensiva do Sporting, assim servisse de referência para receber a bola e iniciar nas suas botas os contra-ataques leoninos. Se Varela e Hulk têm feito o FC Porto chegar ao golo por tantas vezes dessa forma, porque não pode Simon ser melhor aproveitado?!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Adivinha quem voltou

Dois pontos prévios.
i) O Levski Sófia pode ter parecido um docinho. É certo que não é uma equipa competente. Todavia, não duvide que é bastante superior a dois terços das equipas da primeira liga portuguesa.

ii) Por vezes, resultados desnivelados sucedem, só porque sim. Porque em determinado dia se esteve mais feliz na finalização. Sem que isso traduza necessáriamente uma alteração no jogar da equipa. Essa foi a razão que me levou a rever a gravação do jogo. Procurar confirmar diferenças substanciais na tendência de jogo do Sporting.

E provou-se. A diferença foi tão grande quanto o resultado demonstra. A tradicional saída da defesa para o ataque tão prevísivel e tão fácil de defender (bola no lateral, que passa para o extremo, indo desmarcar pelas costas na esperança de receber a bola mais à frente para cruzar para a área) do Sporting dos últimos tempos, não foi utilizada mais de duas, três vezes.

As saídas para o ataque passaram a ser feitas numa primeira instância pelo corredor central. Do central, a bola saía sempre para um dos três médios centro. Ao que se seguia diferentes comportamentos, dependendo do médio.

Zapater jogou mais simples (procurava mais Matias ou Maniche). De forma intermitente recorreu ao passe longo. Pouco feliz nesse aspecto, todavia. Maniche exagerou nos passes longos. Demasiadas vezes mal sucedido. E Matías foi o homem do jogo. Foi dos seus pés que a saída defesa ataque saiu de forma mais fluida e assertiva. Essencialmente pela sua decisão de trazer a bola na direcção do corredor central e pela primazia pelo passe curto, procurando à sua direita Postiga (que baixava e bem, no campo, servindo de apoio frontal), ou à esquerda Salomão, ou Evaldo.

Uma das grandes vantagens de sair pelo corredor central, é que mesmo que o adversário consiga pela concentração tapar o caminho para a baliza, forçando a opção pelo passe para o exterior (corredor lateral), este quando sucede, encontra o lateral ou o extremo, livre de oposição e com bem mais tempo para receber e enquadrar.

Curiosa também a boa opção pela mobilidade entre lateral e extremo, que resultou demasiadas vezes na forma como confundia o adversário. Quando Matías baixava e recebia a bola (sempre entre o corredor lateral esquerdo e o central), Salomão baixava também um pouco para receber a bola (sobre o lado esquerdo de Matías), trazendo consigo o lateral direito, ao mesmo tempo que Evaldo subia no relvado aproveitando o espaço libertado pela movimentação de Salomão. Relembre que defrontando equipas que centram o seu processo defensivo nas marcações individuais, os movimentos de mobilidade são absolutamente decisivos.

Notas individuais:

- Matías. Por tudo o que foi referido anteriormente;

- Postiga. O Sporting voltou a jogar com onze. O avançado não serviu somente para aparecer em zonas de finalização. O segundo golo nasce de um apoio frontal de Hélder Postiga, que com o corredor central ocupado solicitou Simon na direita. No terceiro assiste Salomão. O quarto golo é da sua autoria. E curiosamente é um lance onde nem sequer decide de forma assertiva. A jogada nasce novamente nos pés de Matías, que serve Salomão. O jovem tabela com Postiga e preparava-se para aparecer isolado na cara do guarda redes adversário, assim recebesse a bola. Importante perceber que a decisão de rematar de tão longe, ao contrário da opção mais correcta, que teria sido colocar Salomão numa situação de 1x0, não será alheia ao facto do jogo estar ganho e de, por certo, haver um normal sentimento de que havia que corar uma boa exibição com algo que fosse mais agradável aos olhos do público;

- Maniche. Não tem a mesma capacidade do colega do lado, e abusa demasiadas vezes do passe longo, que mesmo que bem sucedido, pode não trazer nada de novo. Contudo, mostrou-se bastante dinâmico. Beneficia imenso por ter um médio mais defensivo em campo, isto porque tem facilidade em aparecer nas imediações da grande área adversária;

- Simon e Salomão. Excelente a decisão de trazer a bola para o corredor central de todas as vezes que a recebem. Simon bastante melhor, pois foi sempre capaz de dar seguimento às suas jogadas. Menos bem Salomão. Demasiados ataques perderam-se nas suas botas. A primeira parte foi catastrófica. Porém, com a confiança de ter feito um golo, incrementou bastante a sua prestação;

- Evaldo. Em termos individuais foi um dos grandes beneficiados pelo facto de a bola deixar de sair pelos seus pés. Sem a responsabilidade de ter de iniciar a saída defesa-ataque, onde a sua pouquíssima técnica o expõe ao erro, Evaldo apareceu no momento ofensivo numa fase mais tardia. Quando recebia a bola, estava já bem próximo da área adversária e esta vinha do corredor central. Com tempo e espaço para o fazer, parece logo um jogador diferente. A sua boa capacidade física permitiu-lhe aparecer inúmeras vezes solto no corredor lateral. Infeliz nos cruzamentos, todavia.

P.S. - A propósito do golo de Postiga. Muitos de vós irão garantir que quando se marca um golo, é sempre porque a opção foi boa. Não é assim. A resposta está aqui. Pelo que não debaterei sequer esse assunto. Quando se decide bem, somos felizes mais vezes. Quando se decide mal, menos. Mas, tal não significa necessáriamente que seremos sempre felizes quando a decisão for boa, ou que uma má decisão esteja sempre condenada ao insucesso.