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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Elefantes numa loja de cristais

"Um elefante numa loja de cristais". Foi há quase uma década que associei pela primeira vez a expressão a um jogador de futebol. Em Luisão tudo era demasiado mau. Dificuldades técnicas evidentes. Total ausência de habilidade motora. O brasileiro parecia um imóvel. Era tudo menos um jogador de futebol. Quase dez anos depois, a opinião inicial, porque não era errada, não se alterou. Foi Luisão que evoluiu. Tanto que mesmo não sendo o melhor central da Liga, é bem capaz de ser o mais importante para o modelo de jogo em que está inserido.

Se um elefante numa loja de cristais cria danos. Imagine dois.

Há quem goste assim. Dois centrais enormes, e é indesmentível que a altura é um extra importantíssimo. E podemos facilmente pensar nos golos/pontos que Onyewu já ofertou ao seu clube. Não há que o negar. O americano é decisivo nas bolas paradas. Cabe a Domingos perceber se compensará de facto não ter um mínimo de qualidade na saída para o ataque desde o sector mais recuado, para poder estar mais forte em tal momento específico do jogo.

Na Madeira dez segundos antes do Marítimo chegar ao dois a zero, um central madeirense, pressionado por Ricky bem junto à linha lateral decidiu e operou o que seguramente Onyewu ou Xandão jamais fariam. Pisou a bola, arriscou um pouco a posse, rodou por trás e fez a bola sair pelo lado oposto. É possível que noventa por cento dos centrais da Liga tivessem colocado aquela bola fora sem hesitar. O maritimista não fez o trivial. Arriscou, saiu a jogar e dez segundos depois numa jogada desenvolvida no corredor lateral oposto, o Marítimo já vencia com maior conforto.

Basicamente deve ser esta a equação que Domingos terá de fazer na sua mente. Compensará jogar com atletas que se limitam a impedir ataques. Ou terá mais a ganhar jogando com outros que mesmo perdendo em aspectos específicos se revelam capazes de mais do que roubar, recuperar e iniciar o ataque? O número de golos obtidos e a imponência defensiva nas bolas paradas que os "grandes" oferecem compensará tudo o que retiram ao jogo? Talvez por gostar demasiado da beleza do jogo, sei o que decidiria. Preferia ter André Martins ao lado de Daniel Carriço no sector defensivo, do que uma dupla de jogadores incapazes de dominar uma bola sequer.

P.S.- Xandão é um miúdo em estreia na Europa. O jogo é muito mais rápido e o central pode perfeitamente evoluir e tornar-se um jogador bem diferente daquele que parece na actualidade. Uma dúvida. Teve treinos suficientes para perceber a dinâmica da equipa e poder ser lançado de início, ou não há dinâmica colectiva definida e trabalhada, e qualquer um pode entrar em qualquer momento? Quanto da responsabilidade de Domingos há na opinião negativa que agora tenho do central do Sporting?

P.S. II - No dia em que à frente desta dupla de centrais, Domingos colocar Renato Neto, fica aqui prometido que desligo o televisor.

P.S. III - Independentemente da feroz critica à qualidade individual dos jogadores aqui mencionados, percebeu-se ontem que o Marítimo é uma equipa muito mais trabalhada que o Sporting. Desde as saídas para o ataque com a bola jogável, à mobilidade ofensiva, passando pelos equilíbrios defensivos percebe-se que há trabalho de Pedro Martins. Superior ao de Domingos, acrescente-se.

P.S. IV - Porque é que só os grandalhões é que escorregavam? Eram os únicos com pitons errados, ou tal poderá de alguma forma estar relacionado com inabilidade motora?

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O Sporting está de volta

No processo de crescimento enquanto equipa há pormenores que fazem toda a diferença. Os jogadores precisam de confiar no trabalho do treinador. Ao nível elevado a que se joga, é determinante que estes reconheçam competência no trabalho semanal. Demasiadas vezes ouvimos os treinadores afirmarem que com tal jogador iriam para a "guerra". Com os atletas passa-se exactamente o mesmo. Não o podem afirmar, mas sentem-o.

É decisivo que percebam o porquê de determinados exercícios. Que percebam de que forma o treinador os está a ajudar a enfrentar a competição enquanto equipa. É geralmente quando há uma simbiose entre equipa técnica e plantel que se percebe que no relvado os jogadores dão mais. Há jogadores obstinados por natureza, que estarão disponíveis sempre. Outros, precisam de reconhecer a competência para se entregarem de corpo e alma.

Contra a Lázio, para além de se perceberem upgrades individuais relativamente ao passado recente (sublime a movimentação ao atacar o primeiro poste e o gesto técnico de Ricky Wolfswinkel. Incrível upgrande também, e apesar de ter terminado a prejudicar o Sporting neste jogo, a contratação de Insua. Um jogador que pela sua capacidade técnica e percepção do jogo nos momentos ofensivos, é infinitamente superior a Evaldo), percebeu-se que a equipa está unida, motivada e com ambição.

Quando assim é, e perante a qualidade individual que efectivamente abunda como nunca num passado recente, pode-se esperar algo de importante. O jogo de Guimarães será possivelmente ainda mais complicado. Rui Vitória conhece o Sporting, e tem armas suficientes para colocar em risco o Sporting. À alegria contagiante do seu jogo (na primeira parte, foram vários os momentos em que a bola circulou com velocidade), Domingos terá que exigir concentração e responsabilidade.

P.S.- Onyewu. As primeiras impressões foram péssimas. Todavia, fomos sempre dizendo que "a sua falta de agilidade é tão latente, quanto comum em atletas da sua fisionomia, a cada início de época. Tal não significa que não seja algo alterável". Pensávamos essencialmente em Luisão. Jogador morfologicamente muito próximo de Onyewu e que também sente imensas dificuldades a cada início de época, ou a cada recomeço após paragem por lesão, mas cuja qualidade de jogo é totalmente diferente nos momentos em que fisicamente está mais rotinado. Talvez seja cedo para afirmar que Onyewu é também um upgrade em relação ao passado recente. É, porém, garantidamente um upgrade em relação ao jogador que se deu a conhecer em Agosto, e tem sido bastante útil em determinados momentos. Parece hoje bem mais dominador no jogo aéreo, e mais confortável a enfrentar a oposição, mesmo que a bola esteja na relva.

P.S. II - Comentário do ano. "A Lázio tem muitos jogadores do lado da bola e deixa o resto do campo destapado. O Sporting pode aproveitar para fazer transições rápidas por esse espaço". Nuno Luz. Ah esses nabos dos italianos, onde tinham eles a cabeça para decidirem jogar com muita gente do lado da bola.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sporting. Prémios Torneio Ramón Carranza.

Prémio Melhor Jogador. Rinaudo. Não tem só imensa força e uma abnegação, e perseverança sem limites. Fito sabe jogar à bola. Recupera, entrega e move-se garantido sempre linha de passe atrás do portador da bola. Percebe-se que é um líder e não foi por acaso que os melhores momentos do Sporting no torneio foram quando esteve em campo. Enorme reforço pelo jogador que é, e o homem que aparenta ser.

Prémio Revelação. Diego Rubio. Não é comum uma afirmação tão precoce. Ter crescido numa familia de futebolistas (são quatro os parentes directos que são/foram profissionais de futebol), seguramente que o ajudou em detalhes tão determinantes como a forma como se movimenta. Tal como o tio Zamorano, tem golos para encantar os adeptos. Movimenta-se bem, tem facilidade no remate e uma técnica assinalável. É um provável titular, ao lado de Postiga no jogo que abrirá a temporada leonina. Quem diria?

Prémio Adaptação. Pereirinha. As opiniões em torno das suas capacidades são demasiado díspares. Nao colhe unanimidade essencialmente porque não é um jogador de raides e salooms. O que se precisa de saber é que ninguém precisa de o ser para acrescentar qualidade ao processo ofensivo. Se João Pereira é óptimo para equipas que sobrevivam de impulsos individuais, num coletivo mais forte, mais cerebral, mais inteligente, Pereirinha tem mais do que valor para ser o dono da lateral direita do Sporting. Se no segundo jogo, o Sporting foi capaz de preservar com muito maior assertividade a bola, muito o deve a Pereirinha. É, todavia demasiado bom para construir carreira na lateral.

Prémio Não Serve. Onyewu. Depois de incrementar as suas capacidades físicas, talvez mereça uma oportunidade de ser revisto. De momento, e porque às debilidades na agilidade alia frequentes maus posicionamentos, é o quarto central do Sporting.

Prémio Pior Jogador. Ricky Van Wolfswinkel. Perde espaço a cada jogo que participa. Se era um homem forte de área que o Sporting pretendia, Ricky não tem o perfil desejado. Ainda que tenha estado bastante mal em Cádiz não é seguramente alguém que se deva descartar. Sabe movimentar-se e a péssima recepção que o impediu de se isolar perante o guarda redes do Málaga, engana. É melhor tecnicamente que aquilo que demonstrou. A concorrência poderá retirar-lhe minutos. É que confirmando-se que não tem características para ser o avançado mais fixo, também é dezenas de vezes inferior a Hélder Postiga, para que possa jogar em seu detrimento. A rever, ainda assim.

Prémio Estou maluco para te ver jogar de novo. Jéffren. Não impressionou minimamente quando teve a bola. Mas, demonstrou ser um jogador e tanto sem ela. Trabalha como ninguém para receber, facto que lhe permitirá ganhar tempo e espaço para enquadrar e dar seguimento às bolas que lhe passarem pelas botas, e mostrou ser bastante activo no pressing (ao contrário de toda a restante equipa). A forma como trabalha sem bola, permite perceber a sua origem. Fica o forte desejo de o rever. Assim demonstre a mesma qualidade com a bola nos pés, e será também um dos candidatos a jogador do ano em Portugal. Assim a época corra a preceito à sua equipa.

domingo, 24 de julho de 2011

Adivinha quem voltou


E foi, novamente, nos momentos defensivos que o Sporting voltou a demonstrar alguns períodos de excelência.

Exactamente como na partida anterior, a defesa bem subida e o campo bem curto permitiu somar um número considerável de recuperações de bola, muitas das quais ainda no meio campo ofensivo. Esse foi, indubitavelmente, o principal catalizador para a percentagem avassaladora de posse de bola que se verificava ao intervalo. Não esquecendo, todavia, a importância que o critério e a capacidade de passe de Schaars e Rinaudo tiveram na preservação da mesma.

Jogar tão alto tem necessariamente riscos. Relembre o golo de Del Piero, e mais uma ou outra bola bem colocada entre as costas da linha defensiva do Sporting. É, todavia, um risco claramente compensatório. Mesmo nos dias de menor inspiração (e há que realçar que com bola, o Sporting ainda não entusiasma), jogar tão próximo da baliza adversária catapultará a equipa para o golo. Mais bola, significará mais livres, mais cantos, mais remates, e seguramente que mais golos. Se pensar no quão frágil é a qualidade da Liga portuguesa, ainda mais compensatório o risco parecerá. Não será nada fácil em Portugal, ter muitas equipas a conseguir coordenar bons passes longos, com boas desmarcações nas costas da defesa leonina.

Claramente que este é o caminho. Obviamente que há ajustes a fazer. É importante obrigar o adversário a bater o pontapé de baliza longo, e há que ser mais pressionante sobre a bola quando esta está no lateral adversário (uma saída que se revelará ser relativamente fácil para colocar a bola nas costas da equipa do Sporting, passará por fazer a bola chegar a um lateral, que aproveitará a desmarcação do avançado adversário, através dum movimento horizontal deste, ao longo da linha defensiva, nunca caindo em fora de jogo, mas beneficiando de já se mover a uma velocidade considerável para chegar primeiro à bola quando esta for colocada nas costas da defesa. Exemplo. Bola no central adversário, enquanto este faz o passe na direcção do defesa direito, o avançado percorre em corrida o caminho que vai desde o central direito (Carriço?) ao central esquerdo (Oniewu?). Se o lateral não for suficientemente apertado, e revelar-se capaz, não será difícil colocar a bola nas costas entre o espaço do central e o lateral esquerdo leonino, onde aparecerá o colega já em passada rápida, contrastando com a posição mais fixa e expectável dos defesas).

Destaques individuais.

Rinaudo. Excelente surpresa o argentino. Não só é forte e agressivo como tantos outros trincos, como sabe passar a bola, e mover-se para criar apoios para a saída desta. A nível individual é um dos grandes responsáveis pelo domínio que o Sporting vem exercendo sobre os adversários.

Schaars. Uma espécie de Hugo Viana do Braga de Domingos. Muito assertivo e capaz no passe e no trabalho para receber a bola. Menos criativo que o formado em alvalade, mas mais presente no jogo. Schaars não se esconde e não tem medo de mostrar disponibilidade para receber a bola, mesmo que apertado. Pelo seu critério em posse, tal como Rinaudo é determinante para a elevada percentagem de posse que o Sporting vem almejando.

Yannick. Muito difícil emitir opinião sobre Djaló. Quando menos se espera, aparece. De facto, ser mexido e aparecer é algo que não se lhe pode negar. A sua inconstância e incapacidade para aparecer qualitativamente de forma regular, mesmo que numa visão mais colectiva, será um entrave à entrada no onze. É que ninguém saberá qual será o dia "Sim" de Yannick. Difícil confiar num jogador assim.

Onyewu. Não se percebe o rol de críticas a que foi sujeito durante a transmissão televisiva do jogo. Talvez Luís Freitas Lobo o conheça como ninguém, e tenha partido com uma ideia pré-concebida, que possívelmente até se poderá tornar real. No jogo da última madrugada, porém, nada se pode apontar ao central americano. A falta de agilidade é tão latente, quanto comum em atletas da sua fisionomia, a cada início de época. Tal não significa que não seja algo alterável.

Ricky. Novamente o reforço em menor destaque. Muito possívelmente, porque Domingos ainda estará a tratar dos momentos defensivos (e que diferença se nota nesses mesmos momentos!). Não será fácil manter o lugar no onze, com a chegada de Bojinov e até Matías. A rever.