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terça-feira, 28 de abril de 2015

Na área a cobertura é na linha da bola

Há poucos dias atrás, escrevia no meu facebook o que já estão fartos de me ver escrever no blogue. Jorge Jesus, este homem que não se sabe expressar correctamente na sua língua mãe, que não fez um curso superior de desporto, que não assistiu a nenhuma aula que lhe ensinasse futebol, é o grande operário da revolução defensiva desde Arrigo Sacchi. Parece impossível que se possa catalogar como génio, um tipo que não tem uma relação académica ou um vocabulário adequado, nem tão pouco que não domine todas as competências, dizem, que se exigem ao treinador. Mas na sua área de trabalho e neste momento específico do jogo - o defensivo - não há ninguém no mundo que se compare. Ele inova, revoluciona, aponta o futuro. E isso é ser genial!

Apesar do Benfica não ter estado presente no jogo entre Porto e Bayern, o golo de Boateng de imediato me levou a tecer considerações (no facebook) sobre a mais valia de Jesus para a evolução do jogo. Tendo eu mostrado em comparação um lance que ocorreu na meia final da Liga Europa, em Turim, realçado pelo grande Allas, aqui. Não há melhor forma do que a comparação para mostrar as vantagens e desvantagens de cada abordagem, e o risco que cada uma delas acarreta.

A habilidade para transmitir as ideias aos jogadores, a coragem para lhes entregar novidades que para a esmagadora maioria são apelidadas de perigosas, não tem preço. As coisas são simples, quem quiser aprender como se deve defender no futebol moderno que venha a Portugal fazer um estágio com Jesus, que ele lhes mostrará nada menos que perfeição. Neste exemplo, poder-se-ia tirar que, o Benfica o faz para aproveitar o fora de jogo nas situações de bola parada. Mas para quem está acostumado a analisar o Benfica percebe que, a ideia é superior ao momento estático e está presente em todos os momentos em que a bola entra na linha da área. Ou seja, na área a cobertura é na linha da bola. Tudo o resto é do Guarda Redes. A ideia, como sempre, como em todos os momentos, é afastar o adversário da baliza, é tirar-lhe espaço útil de jogo, é fazer campo pequeno, ainda que a maioria caia na tentação de tentar meter jogadores em cima da linha de golo quando aumenta a proximidade ao Guarda Redes. Defender da mesma forma quando bola está na área do adversário ou na nossa dá imenso trabalho.

Tal perfeição em todos os aspectos defensivos só é possível pelo foco e obsessão do treinador por esse momento. Pela vivenciação constante dos mesmos princípios no treino, pela vivenciação constante desses mesmos momentos em jogo, pela exigência constante do treinador a cada lance que ocorre em jogo, pelo treinador não colocar a jogar quem não seja competente no cumprimento destas tarefas. Imaginando que o Benfica jogava como o Barcelona de Guardiola esta perfeição no momento defensivo nunca seria possível. Porque o foco do treinador seria dividido de forma diferente pelos momentos do jogo, e também os jogadores não iriam experimentar de forma constante, em jogo, o momento defensivo.

Para marcar um golo ao Benfica quando o nível de aquisição dos comportamentos colectivos é este, quando o nível de foco é este, é preciso ser excelente na forma de atacar, ou ter muita sorte. E isso diz muito da bitola actual do treinador encarnado.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Dez minutos de André Martins, na posição onde deveria jogar sempre.

André Martins é um mal amado do Sporting por muitos motivos. Mas o maior e mais unânime que se aponta é a falta de qualidade defensiva. Quer de posicionamento, quer de agressividade. Nunca fartos de referir que agressividade não é o que se designa normalmente, e intensidade não é correr sem critério de um lado para o outro. Fazer muitos cortes in-extremis não significa estar bem posicionado, e na maior parte do tempo até significa o contrário. E como afirmei em tempos, André Martins é o melhor médio do Sporting a cumprir com os comportamentos defensivos. Melhor a posicionar-se, melhor a adaptar o posicionamento, mais rápido a atacar o posicionamento certo ou a sair na bola. O melhor a defender, porque cresceu habituado a jogar com referências zonais, ocupando o espaço à frente dos defesas. Por isso, compreende melhor que ninguém, no Sporting actual, quando e onde deve estar. Melhor que João Mário, melhor que Adrien, e sim, melhor que William. Por aqui entende-se que o potencial de Martins tem sido desperdiçado ao longo dos anos, por não o colocarem a jogar na posição que mais o favorece - de frente para o jogo. O facto de não ser robusto leva os treinadores a pensarem que naquela posição, jogando na liga portuguesa, vai-se perder mais do que se ganha com ele ali. Os preconceitos prendem-se com o seu físico, como se isso o tornasse inferior de alguma forma. O facto é que não só ele se posiciona bem, como também é extremamente agressivo nos duelos quando tem de ser...mas não sempre! Nunca iremos ver André Martins a correr de um lado para o outro como se a vida dele dependesse disso, porque o futebol não é nada disso. Será igualmente difícil encontrar momentos defensivos onde ele esteja mal posicionado, porque futebol é isso. Saber estar no sítio certo, no momento exacto.









Permutas (contenção-cobertura) e, agressividade no posicionamento.


Fechar dentro (diagonal), controlar o movimento de quem vai nas costas do colega, sem comprometer a linha defensiva, defendendo o espaço interior.


Reacção à perda de bola. Agressividade no momento certo, para sair na bola.


O ABC dos comportamentos defensivos.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Contenção. Agressividade. Adaptação.

Vítor Pereira, numa de muitas entrevistas, disse que as ideias têm que servir os jogadores. Dando claramente a entender que, todos os princípios que ele colocava no seu modelo de jogo deveriam ir de encontro às melhores qualidades dos seus jogadores. Assim, percebe-se que os bons treinadores se adaptam aos jogadores que têm. Não quer isto dizer que a linha que guia o processo de jogo e de treino mude completamente o seu rumo, de acordo com jogador X, ou Y. Quer apenas dizer que há várias formas de interpretar os mesmos princípios de jogo, de acordo com o contexto.
Veja-se por exemplo os processos defensivos utilizados por Jorge Jesus e por Vítor Pereira. São dois processos de grande qualidade. Os dois guiam-se pela defesa à zona, com contenção e cobertura. Processos semelhantes nos grandes princípios, mas muito diferentes pequenos princípios. No pormenor percebe-se isso.

Para esta análise vamos focar no trabalho da linha defensiva, e linha média. Pode-se dizer que a forma como as equipas defendiam era consequência do sistema de jogo que utilizavam. O que não deixando de ser verdade, me parece algo redutor. Isto porque o Porto sempre foi mais agressivo, na contenção, que o Benfica. Tanto na linha média, como na linha defensiva. Mais do que conter a progressão do adversário, o objectivo era precipitar a decisão do portador da bola. O Porto pressionava, e era agressivo, porque tinha jogadores que lhe permitiam esse tipo de comportamento defensivo. Tinha monstros físicos (Moutinho, Fernando) e inteligentes, com uma capacidade de leitura das situações e ajuste posicional fora do comum (Lucho, Moutinho, Fernando). Por outro lado, os jogadores da linha média de Jesus, não tendo a capacidade física dos jogadores do Porto (capacidade de ocupar os espaços e ajustar tão depressa quanto os outros), também não tinham a inteligência na leitura dos lances deles (Matic como excepção). Por isso mesmo, Jesus opta por uma abordagem defensiva menos agressiva, com menos situações de adaptação rápida, com menos ajustes, logo permite que os seus jogadores tenham situações menos complexas de ler, com mais tempo para analisar e agir sobre os lances.
Essa adaptação das ideias aos jogadores, também é visível no trabalho das duas linhas defensivas. A do Porto sempre a agredir o portador da bola, a do Benfica posicionando-se por forma a tapar a progressão. A do Porto sempre mais perto da linha média, com mais espaço entre eles e o GR, com menos preocupações com o controlo da profundidade. A do Benfica, muitas vezes, com algum espaço para a linha média, com menos espaço entre eles e o GR, tudo isto resultante de uma maior preocupação com a profundidade. Jogar com jogadores que, do ponto de vista morfológico, mesmo errando, conseguem recuperar e chegar a todas as bolas, pela proximidade entre si (Mangala, Alex Sandro, Danilo, Otamendi), é completamente diferente de jogar com jogadores que, sendo ultrapassados, nem eles nem os seus colegas conseguirão recuperar, pela morfologia de cada um deles (Luisão, Garay, Maxi, Melgarejo).

Comparando as alterações que Jesus foi fazendo ao longo do tempo, essas modificações tácticas são fáceis de observar. No seu primeiro ano, com Ramires, Di Maria, Javi Garcia, Coentrão, D.Luiz, sentia-se mais confortável para pressionar no campo todo, procurando precipitar o erro. Nos anos seguintes, a abordagem foi sempre diferente, consoante os jogadores que iam entrando e saindo. Por exemplo, este ano, consegue que a linha defensiva jogue mais subida que no ano anterior. Isto porque, tem dois monstros físicos na frente (Rodrigo e Lima), que garantem pressão à toda largura e profundidade do meio campo ofensivo. Sendo que, o trabalho deles é essencial para causar o máximo constrangimento possível, ao adversário, não o deixando jogar directo, com qualidade. Assim, a linha defensiva tem menos preocupações com a profundidade, podendo ficar mais perto da linha média, e mais subida no terreno.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Proximidade entre jogadores (sectores), controlo dos espaços.


Carregando neste link, pode ver-se na caixa de comentários a seguinte apreciação sobre a mudança de princípios de jogo do FCP:  "Percebo a vossa analise sobre a diferença do FCP de VP para PF mas é preciso dizer que VP contou com Hulk, Moutinho e James e PF não tem jogadores que se aproximem sequer do nível deles."

Ao qual o Maldini responde: "Ace, não tem nada a ver com individualidades, apesar de Moutinho e James terem saido esta época e serem incríveis mais valias face aos substitutos, mas é uma questão colectiva sobretudo

http://lateral-esquerdo.blogspot.pt/2013/02/fc-porto-x-malaga.html


compara... tudo junto, tudo perto, tudo demasiado bom."


No grande post do Maldini pode ler-se, "Sectores muito afastados, equipa partida ao meio. Pouca disponibilidade para participar defensivamente de metade da equipa (sempre apenas cinco, máximo seis atrás da linha da bola). Ofensivamente com poucos apoios, com más decisões, apesar do Frankfurt também não concentrar demasiada gente atrás e próxima da bola. 

Sobra zero do enorme FC Porto de Vitor Pereira.

Há não muito, quando questionado sobre a melhor equipa do momento em Portugal, um jogador do Penafiel, apesar de ter perdido por quatro no Dragão, respondeu "Benfica. Contra eles não havia espaço para jogar".

Controlo dos espaços, e proximidade entre jogadores (sectores), é uma questão de princípios, de treino, é uma questão colectiva. É trabalho do treinador. Trabalho de Vítor Pereira, no ano passado com o FCP, e é a continuação do excelente trabalho que Jesus vem desenvolvendo no Benfica.









Não é que o Benfica tenha feito um jogo particularmente brilhante, na Grécia. Mas a organização colectiva é tão boa, que permite esconder muitas das debilidades dos jogadores. E, permite que a grande maioria deles se destaque, fazendo-os parecer, muitas vezes, mais do que são verdadeiramente. São essas as matrizes organizativas que aparecem "sempre" na equipa, independentemente dos nomes dos jogadores. E é com base nisso que se deve avaliar a qualidade de um treinador. É assim que o fazemos por aqui.







O PAOK até fez um jogo bom, defensivamente. Mas ter no lado esquerdo da defesa um picareta não é fácil. Veja-se no lance do golo do Benfica. Faz um erro igualzinho ao do Maxi, só que dá golo.