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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Jorge Jesus, Garay e os passes verticais

“É muito forte. Tem um passe vertical muito interessante". Jorge Jesus sobre Garay.

Jorge Jesus pode ter imensos defeitos enquanto treinador. Porém, não perceber de futebol, seguramente que não é algo que se deva apontar ao treinador português.

Se do seu discurso procurar retirar o conteúdo, esquecendo a forma, certamente que terá muito a aprender. Muito pertinente a forma como destacou a importância que Garay previsivelmente terá no modelo de jogo encarnado. Particularmente nos momentos ofensivos. Até porque, na partida com o Toulouse, a incapacidade para sair para o ataque com qualidade e bola no relvado, bem visível na primeira parte muito se deveu à forma, por vezes atabalhoada como Fábio Faria procurava solicitar os colegas à sua frente, ou como os restantes colegas de sector (Javi, André e Emerson) não demonstraram capacidade para fazer a bola progredir, que não de forma lateralizada.

A grande vantagem de um passe vertical a “queimar” sectores, é precisamente as situações que proporciona a quem recebe a bola. Uma bola que entre directamente dos defesas centrais, num apoio frontal de Saviola ou Cardozo, retira da situação de jogo mais de metade da equipa adversária. Rapidamente de uma situação de 11x11, poderá passar-se para uma de 4 (Alas e avançados do Benfica)x 4, eventualmente 5, dependo da dinâmica que o treinador adversário pretenda dar ao seu médio defensivo e da interpretação que este fará da situação de jogo.

Com bola no corredor central, o seu portador tem inúmeras opções, seja à direita, à esquerda, ou até à frente, dependendo da situação de jogo, seja no explorar da possível profundidade, conferida por movimentos de rupturas dos alas, ou até na procura do pé de um dos colegas (alas ou avançado sem bola) para tabelar. Num corredor lateral, para além de bem longe da baliza a imprevisibilidade da acção do portador da bola é nula. Dali, a bola terá de seguir necessariamente na direcção do meio. É que para o outro lado, termina o campo.

Recorde, a título de exemplo, que a incessante lateralização ofensiva do seu jogo, foi sempre a causa maior de tão pouca imprevisibilidade do futebol do Sporting de Paulo Sérgio.

De Garay importa referir que pela sua classe e imponência no jogo aéreo, tem tudo para marcar uma era no SL Benfica. Previsivelmente, voltará o Benfica a ter um central capaz de ser importante na saída de bola, tal como David Luiz havia sido. Com uma vantagem nesse campo, porém. A saída em passe, será bastante mais segura que a feita em progressão com a bola. É que um passe vertical mal direccionado, não deixará o seu autor ultrapassado e fora da situação de jogo. Uma perda de bola, sim.

P.S. – Na movimentação colectiva, talvez deva Jorge Jesus considerar a hipótese de se estar a expor demasiado ao risco. Em situação defensiva, envolver demasiados jogadores na primeira linha de pressão, poderá trazer dissabores se o adversário for o suficientemente qualificado para ultrapassar a tal linha com a bola dominada no pé, e não em futebol directo, onde já se sabe, Javi, Luisão e Garay serão capazes de na primeira bola devolve-la ao meio campo adversário, enquanto os colegas recuperam. Em situação ofensiva, é de louvar a colocação de tanta gente em zonas de finalização. Todavia, e confirmando-se que não há elementos que pela sua velocidade e disponibilidade recuperem rapidamente metros no campo de jogo para assegurar uma boa transição defensiva, talvez não seja má ideia não envolver tanta gente nas imediações da grande área contrária.

Texto previamente publicado aqui.

sábado, 12 de março de 2011

O Sporting precisa de Adebayor

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E muito. Um avançado de qualidade indiscutível e capaz de fazer a diferença é do ponto de vista das individualidades o que mais falta faz ao actual Sporting. Porém, não precisa mais de Adebayor que de um treinador exímio na vertente táctica do jogo.

José Couceiro é uma solução a prazo, e não faz sequer sentido tecer juízos de valor à competência do actual treinador leonino. A menos que alguém possa pensar que fará sentido que este se mantenha em funções para lá da presente época. Na improbabilidade de alguém crer nessa opção, fica aqui o recado. Dificilmente Couceiro é melhor treinador que Paulo Sérgio. Não é pelo seu percurso acidentado, rico em derrotas. É mesmo porque as suas equipas sempre se pautaram pela crise de identidade. Pelo facto de serem somente onze jogadores amontoados em campo, sem qualquer lógica ou modelo pré-definido. José Couceiro nunca foi bom treinador e ainda que actualmente não tenha tido tempo para implementar as suas ideias, e ainda que possa ser muito injusto afirmá-lo tão precocemente, é impossível não crer que com outra capacidade de compreensão dos princípios do jogo e com mestria táctica, mesmo com somente quinze dias de trabalho, seria capaz de ter uma equipa sua a não ser subjugada durante (quase) uma partida inteira.

É bem provável que a principal diferença que separa Paulo Sérgio de Couceiro, seja a boa liderança do ex-treinador do Sporting. Com ele, sempre havia vontade de ir à luta, mesmo que fosse somente para apanhar, como tão bem afirmou.

P.S. - Há que aproveitar como nunca o factor casa. Com as saídas de dificuldade elevada que ainda estão por fazer, tal será determinante.

P.S. II - Como bem afirmou Carlos Brito, não se pode centrar toda a análise do jogo na incapacidade do Sporting. O Rio Ave foi uma surpresa bem agradável. Está de parabéns o treinador vilacondense. O Rio Ave joga bem mais (se for sempre assim) que dois terços das equipas da Liga.

P.S. III - Atenção a Júlio Alves. Primeiro ano de sénior e muita maturidade. É claramente um jogador a seguir.

P.S. IV - Dificilmente o Sporting perderá o terceiro lugar. Todavia, tal não é uma afirmação que mostre empatia pelo futebol leonino. É que quem vem atrás (Vitória de Guimarães) não tem uma ponta de qualidade colectiva. Manuel Machado com a qualidade individual de um Beira Mar desceria de divisão. Mas, atenção ao Sporting de Braga. O Paços joga muito, e tem valorizado muito os seus activos. Todavia, não joga com as mesmas armas.

P.S. V - Mais uma época como a actual, e o Sporting estará preparado para vender Rui Patrício por 20 Milhões. Porém, todos os outros juntos não perfarão um terço do valor do melhor guarda redes português da actualidade.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Paulo Sérgio, responda-me lá a uma questão, sff.


Paulo, se os escoceses são péssimos técnicamente. Se de cada vez que foram pressionados no seu sector defensivo (relembre os primeiros 10 minutos de jogo)  mostraram-se incapazes de chegar ao meio campo ofensivo com a bola dominada, como é que a melhor forma de segurar o resultado, bem no final do jogo, é colocar defesas, retirando médios e avançados? Não seria melhor mantê-los longe da sua própria baliza, em vez de lhes facilitar o caminho até às imediações da sua grande área?

P.S.- O primeiro golo do Rangers em alvalade demonstra na perfeição, quão incompetente tacticamente a equipa do Sporting é. É fácil responsabilizar Polga pelo lance. Honestamente, fosse Polga mais forte na abordagem/ataque às bolas aéreas e talvez pudesse dificultar a tarefa de Diouf. Talvez. Mas o que impressiona negativamente é o posicionamento de toda a equipa. Como é possível numa situação de defesa organizada(!?) chegar-se a uma situação de 2x2?!. E Abel, onde estava? A ser assistido!?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Rapidinha táctica do derby

Poderia o Sporting ter saído de forma diferente para o ataque, mesmo tendo sido pressionado pelos avançados do SL Benfica, logo nas imediações da sua grande área?

Poderia e deveria.

Honestamente, parece quase inconcebível a forma como Paulo Sérgio não preparou estratégicamente a sua equipa para algo que todos saberiamos ir acontecer. A pressão alta sobre o portador da bola, logo à entrada da área leonina.

Várias seriam as possibilidades para contornar tal situação. Aqui ficam duas bastante simples, que nem teriam dado tanto trabalho a preparar como isso.

1) Porque não copiar o que faz Jesus? Pedro Mendes recuar para o lado dos outros dois centrais, que abrem bem junto à linha lateral, subindo os defesas laterais. Um 3-5-2 na saída de bola, com movimentação dos médios ("fingindo" receber a bola no espaço e voltar rápido para receber a bola no pé) teria seguramente supreendido o Benfica.

2) Se Paulo Sérgio crê que não tem qualidade individual para ser bem sucedido com uma nova proposta para a saída de bola, e se sente bastante mais seguro com o pontapé longo. Porque não direccioná-lo na direcção do corredor lateral, onde Fábio ou Maxi não têm obviamente a mesma qualidade no "ataque à primeira bola". Além de que, mesmo perdendo a tal primeira bola, se esta for disputada bem junto ao corredor lateral, as probabilidades de estar sair da linha de jogo são muito grandes. Mesmo com lançamento de linha lateral para o SL Benfica, daria para subir metros. Vencendo o direito à tal reposição de bola, teria de ser o SL Benfica a descer. Esta conquista de metros, própria de um jogo de raguebi não é nada bonita. Mas, que seria uma forma bem simples de sair do meio campo defensivo, seria.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Sporting e espaço, espaço, espaço.

Espaço. Eis a principal diferença do jogo actual para o do passado.

A regra do fora de jogo confere ao futebol uma especificidade invulgar, quando comparada com os outros desportos. No futebol, é possível controlar e limitar o espaço de jogo. O campo pode até ter 105X60. Mas, não é permitido jogar em todo o espaço do campo.

Imagine-se num jogo. 20x20 metros, jogado a 2x2 jogadores. Seguramente bem mais fácil e passível de ter sucesso que 5x5 nos mesmos 20 metros. Certo? Quanto maior a proximidade de jogadores mais difícil fica receber a bola, enquadrar com a baliza adversária e até levantar a cabeça, e optar pela melhor decisão.

Daí a importância crescente que os treinadores devem dar à redução do espaço de jogo, quando a sua equipa não tem bola.

De uma forma bastante simplista, imagine num campo com 100 metros de profundidade uma equipa com a linha defensiva subida 30 metros em relação à linha de fundo. E agora imagine que os médios se encostam aos defensores. ainda no meio campo defensivo. Sobram 20 metros de profunidade para jogar no seu meio campo defensivo. Agora imagine o que será quase 20 jogadores em tão curto espaço e que possibilidades de sucesso terá o portador da bola perante tamanha concentração de adversários?

Dissertar sobre a qualidade dos jogadores do Sporting é algo que não faz sentido. Repare, não afirmamos perentoriamente que são todos de qualidade indiscutível. Apenas que, por posicionalmente estarem tão mal dispostos em campo, as suas possibilidades de êxito reduzem drasticamente.

Posicionalmente, o Sporting é uma equipa à deriva. Um grupo de amigos que se juntou para uma partida, sem qualquer treino prévio. E isso, não revela a qualidade individual dos seus jogadores. Apenas os prejudica e os torna mais vulneráveis.

P.S. - Relembre a diferença exibicional dos jogadores do SL Benfica de Quique Flores para os de Jorge Jesus. O Sporting beneficiaria imenso com algumas contratações de jogadores para posições específicas. Contudo, prioritário é a contratação de um treinador de nível mundial. Custe o que custar. Será rentabilizado, até em futuras transferências.

domingo, 30 de janeiro de 2011

A estranhíssima contratação de Cristiano por Paulo Sérgio, ou apenas o admitir que é incapaz de lá ir pelo incrementar das qualidades colectivas das suas equipas.

"Tomadas de decisão. O futebol como um jogo de probabilidades.

Num momento em que o jogo é do ponto de vista técnico e físico, cada vez mais equilibrado (longe vão os tempos em que só os grandes clubes treinavam), as tomadas de decisão surgem como um dos traços mais decisivos no jogo moderno.

Por tomadas de decisão, deve entender-se, as opções que cada jogador toma a cada momento (com ou sem bola). Para onde deslocar? A que velocidade o fazer? Que espaço ocupar? Para onde desmarcar? Quando soltar a bola? e para onde? Quando progredir com a bola?

Cada situação de jogo tem uma forma mais eficiente de ser resolvida. Tal não significa que optando pelo pior caminho, se estará sempre condenado ao insucesso. Tão pouco que, optando bem, se será sempre bem sucedido. Significa somente que, optando bem, está-se sempre mais próximo de ser bem sucedido.

Exemplo simples. Numa situação de 2x1, o portador da bola deve progredir com a bola no pé, no sentido da baliza, soltando a bola, no timing correcto (bem próximo do defesa), para que a bola saia para as costas do defesa. O passe deve ser efectuado para o espaço (e não para o pé do colega, por forma a que este não trave a corrida). Ou seja, de uma situação de 2x1, pretende-se passar para uma de 1x0.

Se em dez situações de 2x1, o portador da bola (no momento inicial, antes do passe), for capaz de as resolver dessa forma, provavelmente a sua equipa fará 8,9 golos, ainda que nenhum marcado por si (uma vez que acabará por fazer o passe para o colega de equipa).

Se na mesma situação, o portador da bola optar por driblar o defesa, e mesmo partindo do princípio que os seus traços individuais são bastante bons, provavelmente, em dez lances, marca 4,5 golos.

Os jogos em que, optando mal, se chega ao golo, são óptimos. Porém, em termos globais, a equipa sai prejudicada. Os 5 golos marcados dão notoriedade aos olhos do comum adepto. Mas, não são o que de melhor poderia ter dado à equipa.

Quem toma as melhores decisões a cada momento, tem a sua equipa, sempre mais próxima do objectivo (marcar, não sofrer, ganhar). Mesmo que não obtenha tanta notoriedade.

A situação descrita é uma situação de finalização, por ser de mais fácil compreensão. Porém, é importante perceber-se que as decisões se aplicam em todas as situações do jogo. Por mais banais que lhe pareçam. É que, para se chegar a uma situação de finalização, há todo um trabalho prévio, tão importante quanto o último momento (que nunca surge, quando a fase que antecede a finalização não é eficiente).

Numa equipa desorganizada, talvez seja interessante ter jogadores que, jogando só para si, sejam capazes de, tempos a tempos, criar algo. Num colectivo que se pretende forte, tal não faz sentido.

Já consegue perceber porque o mais talentoso jogador do Paços de Ferreira (Cristiano) deixou de ser, assim tão importante, para o seu treinador?"

O texto é de Outubro de 2009

Das duas uma. Ou Paulo Sérgio crê que Cristiano é agora um jogador diferente, ou já desistiu de construir um modelo de jogo assente em pressupostos colectivos. A ideia agora deve ser meter os malucos (mas, rápidos e habilidosos) todos em simultâneo, à espera que os golos caiam do céu (leia-se, de jogadas individuais).

Paulo Sérgio e Cristiano em Junho de 2009



E agora, é para repetir no Sporting?!

domingo, 26 de dezembro de 2010

De Mourinho a Paulo Sérgio.

“Di Maria é especialmente forte jogando no lado direito, procurando combinar com o avançado central, fazendo uso do seu pé mais forte.” José Mourinho.

Quando um treinador começa a definir a dinâmica e os princípios do seu modelo de jogo, ofensivamente há que partir sempre da premissa de que o caminho correcto para chegar ao golo é o da baliza. Deve procurar-se sempre o caminho mais rápido. O corredor central é o caminho para lá se chegar. As variações até aos corredores laterais surgem somente em virtude do possível bom posicionamento do adversário conseguir tapar o caminho inicial.

Então, procura-se o corredor lateral, mas sempre com o intuito de voltar ao central. Esta ideia de jogo é a principal justificação para que treinadores como Mourinho, Louis Van Gaal e Guardiola procurem retirar mais rendimento dos seus extremos colocando-os nos corredores laterais contrários ao pé dominante (Robben, Messi e Di Maria na direita. Ronaldo, Pedro e Ribery na esquerda).

Procurar “ganhar” a linha de fundo em drible ou em velocidade, para servir os avançados para uma possível finalização. Crer que os avançados servem somente para esse tal momento de rematar à baliza, não os envolvendo nas combinações colectivas da equipa é hoje algo que não faz qualquer sentido. Mais do que finalizar, a forma como os avançados podem desposicionar as defesas adversárias é algo que deve ser explorado.

Quando o modelo de jogo de um treinador é incorrecto logo desde o primeiro princípio ofensivo (progressão), é impossível crer que as suas equipas possam ser bem sucedidas.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Oh Paulo, tanto tempo a treinar para fugir da baliza dá nisto...



Minuto 1.09. O Sporting da época 2010/2011.

A procura incessante pelo corredor lateral, descurando tudo o que faz no corredor mais importante do jogo, acaba de ser personificada num lance infeliz de Carlos Saleiro.

O caminho é o da baliza. Não só quando não há adversários, mas também quando eles lá estão! No corredor central, há mais possibilidades de passe. Há mais possibilidades de surpreender o adversário, porque as opções multiplicam-se.

Este é apenas um lance infeliz, mas ainda que de forma desenquadrada com a realidade, sintetiza o jogo do Sporting. Fugir da baliza adversária.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Enough is enough. Mas, onde se elogia também a liderança de Paulo Sérgio.

Estamos no fim de Novembro e seria expectável que por esta altura o futebol do Sporting tivesse um mínimo de qualidade. Não a tem, de todo.

Há uma gritante falta de classe no futebol ofensivo. Mensurando a qualidade ofensiva pelo número de ataques potencialmente perigosos e pelo número de oportunidades criadas por jogo, é impossível não constatar a pobreza do futebol leonino. Paulo Sérgio pode até apresentar as estatisticas que nos revelam os imensos remates por jogo, ou até as inúmeras bolas no poste. O que não deve é partir do pressuposto que tal é sinal de muito caudal ofensivo. Particularmente, quando as bolas que batem no poste são fruto de remates de fora da área. De todos os remates que o Sporting faz por jogo, quantos (mesmo alguns que por vezes batem nos postes, ou até entram na baliza) parecem descabidos e com pouca probabilidade de êxito? Jogar para a estatistica não é difícil. Mais complicado é criar lances nos levem a pensar que a probabilidade de êxito é maior que a de insucesso.

A ideia ofensiva do Sporting da actualidade parece aproximar-se da proposta de futebol das equipas de meio da tabela de inglaterra. O que importa é a intensidade. Parece que em cada ataque há uma necessidade imperial de chegar rápido à frente. A falta de paciência para circular a bola com calma e assertividade, procurando o melhor momento para então investir, confunde-se com falta de classe. Jogadores como Yannick ou Liedson parecem jogar sempre no tudo ou nada. Ou fazem golo, ou perdem a bola. Esta mentalidade transforma os jogos do Sporting numa roda viva. Ataca um, ataca outro. Nunca há verdadeiramente um controlo sobre o jogo.

Não dúvide que Paulo Sérgio tem jogadores com qualidade para um jogo bem diferente. Se no final de Novembro o jogo do Sporting é o que é, chega o momento em que o treinador leonino deve interrogar-se profundamente sobre o que não está bem.

P.S.- O abraço pós golo e as declarações elogiosas de Yannick sobre o seu treinador, traduzem a informação que nos havia chegado. A liderança é a característica mais forte da equipa técnica de Paulo Sérgio. Os jogadores parecem unir-se em torno de si (relembre também a aparente mudança comportamental de Vukcevic) . O problema é se tal não é suficiente...

P.S. II - O calendário do Sporting é absolutamente terrível. Das equipas que habitualmente compõem a metade superior da tabela (SL Benfica, Sp Braga, FC Porto, Maritimo, Guimarães, Nacional), a luz foi a única saída do Sporting. Quando o calendário começar a apertar, será decisivo estar num patamar de rendimento superior, sob pena da presente época se tornar ainda bem mais penosa que a anterior.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

1º Princípio ofensivo do jogo de futebol. A progressão.

"1º Princípio Ofensivo – Penetração/Progressão

1. Objectivos:
- Criar vantagem espacial e numérica
- Atacar a baliza e o adversário directo

2. Comportamentos:
- No momento da recuperação da bola o jogador deve orientar-se para a baliza adversária
- Livre de oposição e com espaço, rematar ou progredir para a baliza adversária
- Com oposição, deverá passar a bola ao companheiro mais próximo da baliza adversária

3. Acções táctico-técnicas:
- Condução
- Condução para remate
- Remate
- Drible"

Qualquer modelo de jogo deve partir sempre deste pressuposto. O caminho é o da baliza. A baliza está no corredor central. Ir aos corredores laterais, é uma consequência decorrente do facto do adversário conseguir tapar o caminho mais rápido para a baliza. Mas, esse não é o caminho. Em suma, procurar em primeira instância o corredor lateral para depois chegar à baliza adversária é errado, por ser mais previsível, e consequentemente mais fácil de neutralizar.

Escuta, Paulo. Isso que estás a implementar não faria sentido, nem que tivesses o tal pinheiro na área. Quanto mais assim?!

Se o jogo são onze contra onze, porque é que insistes em jogar com menos dois? Ter o(s) avançado(s) em campo, somente para participarem no momento da finalização é jogar com menos. Tens de os fazer participar no jogo ofensivo. Têm de ser capazes, de baixar no campo e receber a bola no corredor central. Não podes querer que os teus avançados somente apareçam no jogo quando é para disputar as bolas após os cruzamentos.

Aplaudo-te a coragem, contudo. A troca de Liedson por Saleiro permitiu um pouco mais de jogo no corredor central. Percebe no entanto, que tal pareceu suceder somente por impulso individual, quer do Saleiro, quer do Postiga. Não porque a equipa esteja colectivamente preparada para tal.

P.S. - Enquanto Simon não jogar a avançado e desmentir o que parece ser uma excelente ideia, não é possível deixar de imaginar o quão útil este poderia ser no futebol do Sporting. Imagine toda aquela força, explosão e técnica mais próxima da baliza.

P.S. II - A mais perigosa e mais bem desenhada jogada do ataque leonino, surgiu quando Simon conduziu a bola na direcção do corredor central, tabelou com Zapater e apareceu isolado perante Bracalli. Não foi por acaso, obviamente. Porque é que no Sporting, os avançados raramente / nunca?? aparecem para tabelar e para oferecer opções ao portador da bola?

domingo, 19 de setembro de 2010

Curtissima. Um pormaior táctico do derby




Pare a imagem no segundo vinte e seis. Já está? Prossiga a leitura.

As equipas de Jesus defendem o futebol directo, garantindo que a linha de quatro defensores nunca é alterada. Javi é o homem da primeira bola (essa é a principal razão pela qual Jesus quer os seus trincos altos). Quando a bola sai da sua área e tem de ser disputada por um central, Javi junta ao outro central, permanecendo a tal linha de quatro.

As de Paulo Sérgio, não.

Adenda:

"Defensivamente não há coordenação entre o sector defensivo e o meio campo. Qualquer bola colocada nas costas dos médios (e lembre que basta recorrer a jogo directo, não perdendo a primeira bola, para o fazer) e temos situação de apenas 4 defesas atrás da linha da bola. Quando a bola é colocada no avançado adversário, quem sai para pressionar, ou disputar a bola no ar, é um dos centrais. Pelo que, sobrarão somente três defesas numa linha mais recuada. Quando tal sucede, os laterais devem fechar no corredor central o mais rápido possível. Por vezes não vão a tempo de fechar e fica um vazio incrível no centro da defesa" Retirado daqui.

domingo, 29 de agosto de 2010

Curtas


- Hulk está a dar-se bastante bem com a Jabulani. Vai continuar a resolver de forma individual vários jogos. Veremos de que forma Villas Boas extrairá as qualidades individuais do brasileiro para o colectivo;

- Segundo um dos mais conceituados jogadores com quem Paulo Sérgio já havia trabalhado, o técnico leonino é apenas razoável na parte táctica do jogo, mas um verdadeiro ás na vertente motivacional e na de liderança. Poderemos ter um Sporting mais forte nas competições a eliminar do que numa prova de regularidade?

- Aimar voltou;

- Meireles foi uma óptima transferência. Não faria sentido ter no mesmo plantel quatro jogadores conceituados para dois lugares;

- Roberto deu pontos ao Benfica. Com tamanha injecção de confiança, surgirá finalmente o "sim ou sopas". Se era apenas questão mental, o Benfica ganhou um guarda redes. Se voltar a falhar, é uma questão de (falta de) qualidade. Aquela parada ofereceu 3 pontos ao Benfica, porém suscitou uma série de dúvidas na mente de quem lidera. E o mercado encerra 3a feira;

- Domingos segue imbatível na pedreira. Não perdendo no Dragão na próxima jornada, teremos de incluir o Sporting de Braga no lote de candidatos ao titulo maior;

- Makukula por Stoijkovic seria um negócio bastante produtivo para Benfica e Sporting. Mas, somente se não fossem competidores directos. Ambos resolveriam os problemas mais prementes de um e outro;

- Yebda segue para o Napoli. Continuamos a crer que tem qualidade para jogar no Benfica;

- Finalmente um pouco de Nico Gáitan. Tem qualidade que nunca mais acaba. Aquele corredor esquerdo do SL Benfica será bastante melhor esta época, agora que são dois a participarem em todos os processos;

- Pongolle foi sempre um caso bastante estranho (o seu "não" rendimento). É que ainda é difícil aceitar que alguém com o seu percurso tenha tão pouca qualidade quanto a que denotou em Portugal. Ficará por desvendar;

- Com o confuso início do SL Benfica (depois de uma pré-época novamente perto de brilhante), o FC Porto surge como mais candidato. Não que não se reconheça mais qualidade no SL Benfica, e que não se espere mais goleadas atrás de goleadas. Porém, a margem para errar é nula. É determinante não deixar aumentar a distância. E segue-se Guimarães, Sporting, Maritimo e Braga no caminho de Jorge Jesus...;

- Ridículo o clube que Quaresma escolheu para prosseguir a carreira. Ou então, ridículos os clubes que não deram oportunidade a tamanho talento. Assim como ridícula foi a sua ausência no Mundial;

- Como o meu chapéu se Guardiola perder a Liga Espanhola para Mourinho...;

- Simão pode ter saído por discordar da balbúrdia que se transformou a selecção nacional. Mas, é certo que também já não caberia nas primeiras escolhas.

domingo, 15 de agosto de 2010

Por onde começar, Paulo ?


Problemas colectivos:

- Defensivamente não há coordenação entre o sector defensivo e o meio campo. Qualquer bola colocada nas costas dos médios (e lembre que basta recorrer a jogo directo, não perdendo a primeira bola, para o fazer) e temos situação de apenas 4 defesas atrás da linha da bola. Quando a bola é colocada no avançado adversário, quem sai para pressionar, ou disputar a bola no ar, é um dos centrais. Pelo que, sobrarão somente três defesas numa linha mais recuada. Quando tal sucede, os laterais devem fechar no corredor central o mais rápido possível. Por vezes não vão a tempo de fechar e fica um vazio incrível no centro da defesa, sucedendo o que aconteceu por mais de uma vez na Mata Real, possibilidade de um jogador vindo de trás ou da ala, aparecer no corredor central isolado na cara do guarda redes leonino. Quando os laterais juntam rapidamente ao defesa central, deixa de ser possível explorar a profundidade nas costas da defesa. Porém, sobra espaço para os extremos adversários receberem a bola sem oposição, com tempo mais que suficiente para servir quem vai aparecer em zonas de finalização. Quantas vezes contou lances idênticos no jogo com o Paços de Ferreira? Em suma, dê por onde der, não há equilíbrio defensivo. Recentemente defendemos que o Benfica não poderá ser o mesmo defensivamente, porque o 6º defensor (Ramires) já não voltaria para trás da linha da bola. Imagine então o que pensamos da forma de defender do Sporting, que coloca, demasiadas vezes, apenas quatro jogadores atrás da mesma.

- Ofensivamente, os extremos estão bastante longe da equipa. O apoio (Maniche) está muitas vezes longe do portador da bola, pelo que resta a opção de procurar o lateral que desmarcou nas costas (em campos reduzidos, tal por tão previsível, o melhor que resultará será em ganhar uns lançamentos de linha lateral junto da área adversária), ou forçar as situações de 1x1. Sempre de resultado imprevísivel e cujas perdas de bola poderão, a qualquer momento originar contra-ataques perigosos.

Problemas individuais:

- Evaldo corre muito e tem bastante força, é obviamente um upgrade em relação a Grimi, mas não deixa de ser demasiado limitado em termos técnicos. Para se jogar no Sporting não basta ligar o motor da locomotiva e ganhar uns lançamentos de linha lateral.

- Liedson. Basicamente, não joga absolutamente nada. Não acerta um passe, nem ganha uma bola. Como também parece ter-se esquecido de como fazer golos, a fé é a única explicação possível pela qual ainda joga de início. Curioso que Paulo Sérgio até referiu antes do jogo, que de todos os avançados era o que menos entendia a dinâmica colectiva.

A rever:

- Matias Fernandes. Tem tanto de bom jogador quanto de desaproveitado pelos treinadores que tem tido em Portugal. Sabe sempre quando e para onde soltar a bola. Bastante inteligente também na forma como invade sempre o corredor central, quando conduz a bola. É nesse espaço que se multiplicam as opções. Foi vitima da má segunda parte de todos.

- Jaime Valdés. Não entrou no jogo. A culpa não foi sua, contudo.

- Hélder Postiga. É certo que se movimenta bastante bem. Cria espaços e concede opções (linhas de passe) ao portador da bola. Porém, para quem joga tão adiantado no campo de jogo, não é normal ter tanta dificuldade para finalizar. Quando o resultado não agrada, é sempre das perdidas que nos lembramos.

Interrogação:

Poderá o Sporting com esta forma de jogar amealhar muitos pontos fora de casa?

Até poderá acontecer. Contudo, a única certeza é que cada partida fora de Alvalade será jogo de tripla. Literalmente. Tal como está, as probabilidades de vencer não são bastante maiores que as de perder...

P.S. - Já se viu algo bastante parecido com isto do outro lado da segunda circular... Mas, Paulo Sérgio tem mais do que o plano A e por certo que irá reavaliar as suas ideias iniciais. Não é, mister?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Paulo, eu não ia por aí. E João, abre os olhos. Síntese rapidissima do primeiro susto.


Por ainda não ter sido possível ver muitos jogos, fica difícil desde logo perceber o modelo de jogo do Sporting, e perspectivar o que poderá seguir-se. Uma certeza, porém. Com apenas dois médios no corredor central, não parece que o Sporting venha a ser tão dominadora como Paulo Sérgio pretende, nem parece que consiga deixar de estar demasiado exposta às equipas com boa capacidade ofensiva, com avançados inteligentes, capazes de baixar um pouco no campo de jogo, para explorar todo aquele espaço entre os defesas e os médios.

Quanto às possíveis insuficiências tácticas do modelo, essas ficarão para mais tarde, depois de percebida a dinâmica imposta.

Quando à inexistente coordenação defensiva entre o sector defensivo e o do meio campo, se alia a desconcentração de uma das peças, os sustos acontecem.


Sporting 1-1 Nordsjaelland

Simão MySpace Video


Somente o mau posicionamento defensivo de João Pereira permitiu aos dinamarqueses a possibilidade de explorar o espaço entre o central e o lateral direito. Pereira deveria estar ao lado de Daniel Carriço e não mais à frente. Apenas a sua desconcentração justifica o seu posicionamento aquando do passe. Quando se chega a um clube com as responsabilidades do Sporting, não basta conferir dinâmica ao momento ofensivo. E é decisivo que Paulo Sérgio tenha a coragem para corrigir da forma que o tiver de fazer, quem por distração compromete o sucesso colectivo.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Paulo Sérgio e a reflexão


"Este jogo, com o resultado que proporcionou, acaba por ser positivo porque põe a nu algumas carências. Quiçá, poderemos reflectir se este sistema é o ideal para continuarmos a trabalhar" Paulo Sérgio.

De facto se há algo que urge modificar é precisamente o sistema táctico. Abdicar de três centrocampisas no corredor central, será um erro crasso, que tenderá a desiquilibrar a equipa.

Contudo, e independentemente do sistema, há algo absolutamente determinante na dinâmica que tem de ser alterado, ou fomentado. O trabalho para receber a bola.

No Sporting actual, aquando da posse, apenas o portador da bola trabalha. Procurando linhas de passe ou tentando inventar algo para entregar a bola de forma jogável. Nada mais errado. De todos, o portador da bola deve ser o que menos tem de fazer nesse campo. Terão de ser os seus colegas a moverem-se para receber a bola, essencialmente através da formação de triângulos (com o portador da bola como vértice mais recuado, ficando dessa forma com linha de passe à direita e à esquerda), ou losangos (adicionando um apoio frontal. Uma linha de passe à direita, uma à esquerda e outra imediatamente à frente). Não podendo esquecer/faltar nunca, a linha de passe mais decisiva de todas. A do apoio, a da cobertura ofensiva, garantida por um colega posicionado mais atrás no campo de jogo, permitindo a manutenção da posse de bola, aquando de uma situação de pressing adversário mais efectivo.

Ponha lá os homens a mexer, Mister.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Paulo Sérgio

O bom trabalho desenvolvido na capital do móvel, projectou-o para patamares mais elevados. Pela organização e primazia por uma cultura de colectivo, aplicada no Paços de Ferreira, parece merecer a aposta. O primeiro jogo correu bastante bem. Aguarda-se aposta nos mais talentosos (Rui Miguel, Nuno Assis, João Alves e Douglas) em detrimento dos que para além de correrem , só servem para perder a bola (Targino e Jorge Gonçalves). Com benefícios para o Vitória, que tem qualidade individual mais que suficiente para lutar pelo quarto lugar na Liga.

MENOS

Fernando Sequeira (Presidente do FC Paços Ferreira)

A contratação de Ulisses Morais é somente mais um caso de "baralha e volta a dar" no futebol português. Não se percebe ao certo quem toma e porque toma estas decisões. Contudo, não duvide que esta é mais uma das razões para que a maioria das equipas portuguesas se apresentem a jogo de forma quase arcaica.

MAIS OU MENOS

Paulo Bento

De regresso às vitórias. Porém, começa a faltar paciência para assistir aos jogos do Sporting. Suplício do princípio ao fim. Muito há para mudar no estilo de jogo leonino, e não parece que Paulo Bento seja capaz de o fazer. Terá a equipa atingido o limite dos seus indices motivacionais? A passividade constante de todos os jogadores, assim o sugere.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Mais e Menos da Semana

MAIS

Pep Guardiola

Pouco há a acrescentar. O troféu maior, surge, para quem assim ainda necessitava, como o comprovativo de que não há futebol mais interessante no mundo. Independentemente das peças individuais, Guardiola faz a sua equipa valer pelo colectivo. Soberbo.

MENOS

Quique Flores

Tomando por reais, os indícios de que Quique Flores, teria pedido para sair, voltando atrás na decisão, quando se percebeu que o Atletico Madrid não iria trocar de treinador, Quique é uma desilusão, até na vertente humana.

MAIS OU MENOS

Paulo Sérgio

Chegar à final da Taça de Portugal, com uma equipa como o Paços de Ferreira, é um marco notável. Porém, no decisivo palco, a equipa pacence nunca se mostrou capaz de contrariar o enorme favoritismo do FC Porto. O futebol apresentado foi demasiado frágil. A opção pelas iniciativas individuais (de Cristiano, fundamentalmente), como forma de resolver um problema colectivo, foi lamentável. Ainda que, Cristiano possa ter tido mais responsabilidade que o próprio Paulo Sérgio.