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sábado, 6 de abril de 2013

Rinaudo, Jesualdo e uma óbvia sugestão para 2013/2014


"O Fito será sempre muito melhor jogador na equipa do Sporting ou noutra qualquer enquanto for capaz, e está a ser, devagarinho, de saber coordenar os seus movimentos e comportamentos tácticos de acordo com os próprios movimentos da equipa. A ideia de ter de fazer o trabalho dele e dos outros, de ir ali resolver um problema, ir ao outro lado apagar um fogo, depois ir a correr com a bola sem ter em quem a meter... nenhum jogador faz isto com qualidade e ele está devagarinho a perceber que o jogo é outra coisa além daquilo que ele sabia e pensava. Com o colectivo forte ele é grande, também" Jesualdo Ferreira. 

Há muitas muitas épocas que o Sporting não tinha um treinador competente. Que perceba do jogo e que perceba do treino. Tem as suas qualidades e os seus defeitos, como todos. Tem, porém, muito mais conhecimento do que é formar um colectivo do que qualquer outro num passado recente. Recorde o que Sá Pinto fez do Sporting. Uma equipa que de equipa só tinha a mesma cor do equipamento em cada um dos onze jogadores soltos que eram lançados ao relvado.

Percebe-se pelo discurso e pela forma como agora a equipa leonina se move no relvado que há princípios comuns. Hoje os laterais do Sporting são posicionalmente melhores jogadores. Há algumas sociedades que se formam dentro do próprio sector, de jogadores que se movem em função uns dos outros. O professor não terá as individualidades dos rivais. Todavia, sabendo escolher bem quatro, cinco, seis contratações importantes (pela qualidade e não pela verba despendida) o regresso ao terceiro lugar e à Liga dos Campeões poderá estar próximo com o professor ao leme. 

Interessantes as palavras sobre Rinaudo. Interessantes porque reflectem o que é o jogo na actualidade e porque fazem perceber que Jesualdo percebe não só isso, como percebe o potencial de Rinaudo. Há não muito, algures numa caixa de comentários deste blog defendíamos a qualidade do argentino. Afirmávamos que eram injustas as criticas aos seus posicionamentos, precisamente porque ele quando saía era porque se impunha que saísse, e o problema maior era o facto de ninguém equilibrar os seus movimentos. Rinaudo tem jogado "sozinho". E isto é errado quando colectivamente a equipa tem armas e movimentações próprias. Não era, porém, o caso. Rinaudo jogava sozinho porque estava de facto sozinho. Como estavam todos os outros. As palavras de Jesualdo Ferreira têm de ser encaradas com um enorme optimismo. O Sporting está a procurar ser mais do que onze jogadores em campo, e Rinaudo será, como sempre o afirmámos, um dos maiores beneficiados pela nova ordem. Tem um potencial enorme e crescerá se houver um colectivo, como tão bem referiu o seu treinador. 

Hugo Viana será um jogador livre no final da temporada. Ao lado de André Martins à frente de Rinaudo, com um bom treinador no banco. Primeiro passo para aproximar o Sporting da sua real importância é tão simples.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Perseverança, alma e coragem. Sobretudo coragem.

O minuto 17 na Choupana não só marca o jogo e a eliminatória. O minuto 17 define Rinaudo.

O golo é notável, mas é algo que provavelmente não será repetido tão cedo. O que verdadeiramente impressiona é a coragem de um jogador que após longa paragem por uma fratura arrisca imprimir toda aquela velocidade no membro inferior, quando o adversário está por perto e entra duro tentando impedir o remate. É possível que muitos outros pudessem ter almejado aquele golo. Não acredito, porém, que outro atleta depois da paragem a que foi submetido, arriscasse o que Rinaudo arriscou naquele lance.

A ausência de Rinaudo não foi a causa de todos os males. Tão pouco a sua presença será suficiente para que tudo altere vertiginosamente. O Sporting continua a precisar de evoluír em todos os momentos do jogo e nenhum jogador do mundo de forma isolada consegue dar o que outros dez não fazem.

Todavia, a presença de Rinaudo é um "boost" importantíssimo. Conseguirá algum colega ficar indiferente quando a seu lado alguém luta até ao limiar das suas forças por um resultado comum? Mais que o atleta, Rinaudo é o profissional que contagia.

Ao contrário do que se pensava há algumas épocas atrás, não creio que os grupos devam ter personalidades tão fortes para chegarem ao sucesso. Trata-se de fazer as coisas certas no momento certo. De adquirir os conhecimentos e de os sistematizar da melhor forma possível. Todavia, se o caminho não vai sendo o melhor só há uma possibilidade de minimizar os estragos. É pelo individuo. Pelo reunir das "tropas".

Enquanto, não vai pelo colectivo, a presença de figuras como Rinaudo é absolutamente determinante. Ontem até Elias parecia outro. Contagiado por uma vontade de vencer que o torna mais disponível.

Quis o destino que um golo do argentino se revelasse determinante no jogo mais importante da época leonina. Muito justamente, há que o reconhecer.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Curtas

- Nunca se saberá o que poderia ter sido, mas que ninguém negue a falta que Izmailov, Matias e Rinaudo fizeram e fazem ao Sporting de Domingos;

- O plantel do Benfica é dos mais fortes de que há memória em Portugal. E o Benfica faz questão de o provar a cada ausência. E mesmo sem contar com Enzo;

- Treze golos nos últimos três jogos sem Gaitán, mas com Nolito;

- Clássico intenso, com inúmeros lances para golo. Justifica-se o empate. Porém, deu para perceber que o FC Porto é uma equipa mais adulta. Mais preparada tacticamente para enfrentar cada situação de jogo. Mais apta a lidar e a controlar os pormenores, a aleatoriedade do jogo;

- Terá mesmo o Sporting menos qualidade individual que o FC Porto? Seria o onze leonino mais fraco em individualidades que o onze que Vitor Pereira fez subir ao relvado? Com Maicon, Djalma e Rodriguez nos corredores laterais? A diferença (seis pontos), está bem mais nos processos colectivos que na qualidade individual.

- Melhora a coordenação entre Javi e Witsel a cada jogo. Cada vez mais parecem uma parede intransponível quando juntos no corredor central;

- Matias poderá ser o toque de imprevisibilidade que o jogo ofensivo do Sporting carece. Há que saber enquadrá-lo, todavia.

P.S. - Voltaremos mais pormenorizadamente ao clássico.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Rinaudo e Matic versus Javi e André Santos

Ponto prévio. No actual sistema de jogo, parece claro que Rinaudo tem de jogar sempre. A sua reactividade defensiva, e as coberturas ofensivas mais próximas da bola, que lhe permitem reagir mais rapidamente à perda, ou ligar os corredores após um passe atrasado que chegue na sua direcção, justificam-o.

Pensa-se em Matic e crê-se que poderá dar uma dimensão ofensiva ao SL Benfica que Javi não dá. É certo que defensivamente está a milhares de léguas do espanhol. Na ocupação do espaço, na imponência do jogo aéreo (situação tão importante na Liga Portuguesa, porque raras são as equipas que tentam sair a jogar) e na tomada de decisão relativa ao posicionamento ou reacção às diversas situações defensivas do jogo (como reagir quando estamos com cinco atrás da bola? ou quatro? ou apenas três?)

Porém, porque tecnicamente é dez vezes mais jogador que Javi Garcia, poderia supor-se que ofensivamente teria algo mais para acrescentar. Luis Freitas Lobo referiu-o antes de se iniciar a partida do último fim de semana. Todavia, a meio da primeira parte já tinha mudado a sua opinião.

Há jogadores assim. Porque na tomada de decisão são menos fortes que o que seria de supor, serem hábeis tecnicamente chega a prejudicá-los. Numa posição onde demasiadas vezes se exige que se mude o centro do jogo, que se retire com rapidez e assertividade a bola da zona de pressão, Matic age demasiadas vezes contranatura. Gosta de ter a bola e não se coíbe de correr com ela, procurando ele melhores soluções ofensivas, não soltando a posse enquanto não vislumbra uma linha de passe mais ofensiva. É pela sua tomada de decisão que por vezes o jogo do Benfica se torna mais lento. Não esquecendo as perdas que vai somando, por passar demasiado tempo com a bola no pé.

De Rinaudo a André Santos, o caminho é bastante próximo ao dos centrocampistas do SL Benfica.

Os traços de Rinaudo batem aos pontos André Santos. Todavia, na tomada de decisão com bola, é o argentino que tem a aprender com o português. O argentino tal como Matic, gosta demasiado da bola. Quer tê-la e conduzi-la. Quando perceber que as suas acções ofensivas de condução são estéreis, tornar-se-à mais jogador. É muito invulgar termos Rinaudo em situações de jogo em que se imponha mais de um, dois, três toques na bola. Correr com ela como o faz permite ao adversário ter mais tempo para se organizar, além de que uma possível perda poderá apanhar o Sporting desposicionado no campo de jogo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Perseverança, lealdade e liderança. Eis Rinaudo.

"Todo o texto será, quem sabe, e como tantos outros, um exercício meramente especulativo. O autor não conhece pessoalmente Rinaudo, e especula com base no que lhe foi permitido ver no jogos de pré temporada.

"Enorme reforço pelo jogador que é, e o homem que aparenta ser." in Lateral Esquerdo, 8 de Agosto de 2011.

Em Portugal a cultura desportiva é inexistente. O clubismo tolda a mente de todos, o que é algo perfeitamente natural e compreensível. Todavia, com um pequeno esforço de todos, o clubismo não teria de viver em oposição à tal cultura desportiva.

Isto a propósito do epíteto de trauliteiro que Rinaudo rapidamente adquiriu em Portugal. Associar maldade ao comportamento do argentino em campo, é por si só um exercício de uma maledicência notável.

Rinaudo certamente que será amarelado inúmeras vezes, e muito provavelmente todas justificadas. Poderemos até vê-lo sair mais cedo de campo, após um cartão vermelho. Terá, obviamente, de moderar a sua impetuosidade, mas que nunca se associe o seu comportamento a maldade. O argentino é um vencedor. Os vencedores são perseverantes, obstinados. São esses os traços da sua personalidade que lhes permitem exercer uma forte liderança sobre os colegas e sobre o próprio jogo. Mas, são sempre leais.

"Aqui na Argentina havia árbitros que no final dos jogos pediam-lhe a camisola. Gostavam dele e isso mostra bem como é correcto em campo. Só assim se justifica que os árbitros o respeitassem tanto". Pai de Rinaudo ao Jornal A Bola."

O texto é de Agosto de 2011.

Ao contrário do que afirma Rui Santos, a imprudência não dá cartão vermelho. Há, porém que moderar o seu ímpeto. Que não se negue, todavia, as qualidades humanas de um atleta cujo carácter contagia.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Pressão para Domingos

Nunca nos anos mais recentes, teve o Sporting a possibilidade de formar um onze com a qualidade individual que promete vingar em Alvalade na presente época.

A pressão e a responsabilização sobre o treinador será, e terá mesmo de ser, maior que nunca. Há, porém, que garantir uma forma correcta de avaliar o seu trabalho, para além dos troféus que almejar. Se Domingos mostrar competência estará mais próximo de ser feliz, mas não há garantia de que bastará a sua competência para levar o Sporting aos títulos.

Se numa Liga juntarmos os melhores dezasseis treinadores do mundo, os que ficarem nos últimos lugares são incompetentes? E se juntarmos os piores. O campeão passará a ser competente?

A Domingos deve ser exigido futebol. Uma equipa segura a defender, próxima e solidária. E ao mesmo tempo, ser ofensivamente capaz de chegar com assertividade, qualidade e frequência às zonas de finalização.

Se pudesse entrar naquela mente, esqueceria imediatamente a linha de quatro médios ofensivos nas costas de um avançado, e prepararia o quanto antes o tradicional 4x3x3. Crê-se que jogadores como Schaars ou Elias beneficiariam imenso a jogar uns metros mais recuados, e a levar o jogo de trás para a frente. E o brasileiro até parece ter uma chegada à área adversária bem interessante.

E seria com Rinaudo a trinco, uns metros à sua direita e esquerda, com Elias e Schaars (ou Izmailov), Jeffrén a extremo esquerdo, tal como na maioria dos minutos que somou em Barcelona, e Izmailov (ou Capel) a extremo direito, com Bojinov a avançado, que iniciaria o que falta da presente época. Sabendo que fora do onze, há ainda várias opções interessantes, com capacidade para poder mudar a ideia inicial.

A Domingos não deve ser exigido o título. É indesmentível que disputa o troféu com adversários mais apetrechados. Deve, todavia, ser exigido um jogar totalmente diferente do que nos foi apresentado no início de época. Daqui por um mês, qualquer resultado menos bom terá de ser uma fatalidade, e não fruto da incapacidade da equipa em produzir jogo.

P.S. - Sobre as ocasiões de golo. Diz-nos o site da Liga que o Sporting é a equipa que mais ocasiões cria. Vinte e três, contra dezoito de Benfica e dezassete do FC Porto. Talvez o problema seja englobar todo e qualquer lance que termine com remate perigoso à baliza, em ocasião de golo. É que exceptuando o golo de Izmailov no primeiro jogo, o mal anulado de Postiga, e a incrível perdida de Capel em Aveiro, é difícil recordar onde esteve o Sporting mais próximo do golo, do que Hulk quando cobrou dois penaltys, do que Nolito quando isolado só com o guarda redes do Gil Vicente fez golo, e quando sem ninguém ao seu redor, já próximo da pequena área rematou para a baliza deserta do Feirense, do que Cardozo quando praticamente na linha de golo encostou para o segundo golo no jogo com o Feirense, do que Saviola que recebe um passe atrasado rasteiro a menos de um metro da linha da pequena área, quando chega ao golo em Barcelos, ou do que Bruno César que percorre toda uma avenida e termina a finalizar em zona central só com o guarda redes à sua frente na Madeira. Considerar que estes lances têm a mesma dificuldade de finalização que um qualquer remate que apesar de desenquadrado, e ou feito de fora da grande área, saiu bem e obrigou o guarda redes a defeder, não faz sentido. Contra o Maritimo, mesmo os golos do Sporting se ficaram a dever mais à excelência de Izmailov e à fortuna momentânea de Jeffrén, do que propriamente à capacidade do Sporting para gerar lances de perigo iminente.

P.S. II - Ainda sobre as oportunidades de golo. Procure ver os dois golos leoninos frente ao Wolfsburg no Next Generation Series U19. Quando os seniores perderem pontos depois de desperdiçar oportunidades como as criadas nos tais golos, saberemos que mais do que da construção das situações de finalização, o problema do Sporting estará na própria finalização.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Curtas do modelo e das individualidades ao dispor de Domingos

- Não há meio campo. O Sporting joga num 4x1x4x1. Há cinco jogadores estacionados nas imediações da grande área adversária, bastante longe dos colegas de equipa. Se a eles juntarmos inúmeras vezes a subida dos laterais, ficam sete jogadores (bem) à frente da linha da bola. Demasiado longe dos colegas e sem trabalho para receber, percebe-se o porquê de aos vinte minutos de jogo, já os centrais leoninos terem por uma mão cheia de vezes solicitado os distantes colegas em passe longo;

- Se ofensivamente, jogar com quatro médios ofensivos, coarcta a possibilidade de a bola chegar com assertividade às zonas mais adiantadas do campo, defensivamente o Sporting não melhora em um milímetro. Se exceptuarmos o espaço imediatamente à frente dos centrais, que é ocupado pelo trinco, há um buraco enorme entre os defesas e os médios. E não admira que os defensores leoninos tenham sido mais vezes chamados a intervir que os madeirenses. Enquanto num lado, os médios servem de "tampão", sendo eles os primeiros responsáveis por sair à bola, no Sporting, defensivamente, os quatro do meio campo estão sempre a jogar contra a maré. Sempre a procurar recuperar metros, face ao adiantado posicionamento inicial;

- Ainda defensivamente, e comparativamente por exemplo, com o que Jorge Jesus faz quando joga com um único médio, o Sporting torna-se ainda menos seguro. Porque a sua linha da frente não faz pressão e deixa desde logo o adversário chegar com mais qualidade ao espaço entre sectores, ou porque quando faz e obriga o adversário a sair de forma directa, os cinco que ficam atrás são incapazes de matar o ataque logo na primeira bola. Mesmo quando a ganham, demasiadas vezes a bola fica a "pingar" no espaço defensivo. Com os médios tão longe, é difícil impedir o adversário de ficar com a sua posse, após o primeiro duelo no ar;

- Se lhe parece que Schaars joga próximo do trinco, está enganado. Por vezes, quando a bola é colocada no espaço descoberto entre sectores, é o holandês que recupera mais rápido. Somente por isso lhe pode dar a sensação que o Sporting joga com alguém próximo do trinco. Schaars joga nas costas do ponta de lança, ladeado de outro médio centro ofensivo, e de dois extremos;

Não parece que este modelo tenha possibilidades de levar Domingos ao sucesso. Ainda assim, se for para manter, talvez algumas alterações nas suas opções pudessem melhorar o jogo do Sporting. Assim:

- Rinaudo tem de jogar. Duas razões emergem para que tal seja uma obrigatoriedade. O trinco joga demasiado longe dos restantes médios, e é por vezes obrigado a controlar toda a largura do campo naquela linha. O argentino tem uma reactividade que André Santos jamais terá. Chega muito mais rápido ao adversário que o português, e será, individualmente, mais capaz de suprir as deficiências do modelo de Domingos. Também ofensivamente, mostra-se mais capaz de ligar os corredores. As suas coberturas ofensivas foram sempre mais próximas da bola, e revelou-se sempre mais apto para dar seguimento às jogadas ofensivas, quando a bola tem de recuar. Contra o Maritimo, e porque havia demasiada gente à frente da linha da bola, de cada vez que era preciso jogar num apoio, a bola tinha de recuar inúmeros metros até aos defesas centrais, permitindo dessa forma respirar e restabelecer a organização madeirense. Ao contrário de André Santos que pareceu mais preso ao corredor central, Rinaudo mesmo que demore um pouco mais a decidir, está sempre mais próximo da bola;

- Schaars não tem características que o possam fazer jogar no actual modelo. O problema estará sobretudo no modelo, mas insistindo nesta forma de jogar, o holandês terá de ficar de fora. É o tipo de jogador que pode encaixar com grande categoria num 4x3x3, com médios interiores. Para jogar tão próximo da grande área adversárias, falta-lhe criatividade. Naquela zona, nem sempre importa jogar a um, dois toques. Demasiadas vezes, especialmente quando se criam situações de superioridade númerica em determinada zona, impõe-se o transporte de bola, atacando o adversário directo, para posteriormente soltar a bola para as costas deste, na direcção de um colega. Schaars, não tem outra solução que o passa e recebe. É demasiado curto para quem joga tão adiantado.

P.S.- No lance do segundo golo do Marítimo, há uma histeria colectiva crucificando o passe de João Pereira. É óbvio que tudo nasce do erro técnico de João Pereira. Há que perceber, contudo, que erros técnicos acontecem, e irão continuar a acontecer. E é óbvio que quanto maior for a qualidade do interveniente, menos erros dessa natureza cometerá. Todavia, é muito mais preocupante o comportamento do lateral no momento seguinte ao mau passe, que propriamente o erro técnico, que reafirma-se, ninguém está a salvo de cometer. Pereira não soube reagir. Desatou a correr na direcção do portador da bola de forma desenfreada, quando deveria ter recuperado rapidamente para a linha defensiva, e somente uns segundos mais tarde adoptou o comportamento que se impunha desde o início. Demasiado tarde, porém. Sami já tinha recebido a bola com total à vontade no espaço desocupado, e já se dirigia para o corredor central preparando o remate.

domingo, 14 de agosto de 2011

Adorei rever-te

O melhor jogador do Sporting e seguramente um dos melhores da Liga voltou, e aparentemente sem limitações. E todos devemos estar felizes por isso. O russo tem soluções para tudo, e ainda oferece a criatividade e espontaneidade que tem escassado. Não foi só o golo que somou. Foi o golo e as combinações que promoveu que deram mais qualidade ao jogo do Sporting. No meio campo, no ataque, no corredor central ou no lateral, Izmailov tem o toque de classe, que o leão não pode abdicar.

O número de ataques, remates, oportunidades e até cantos, demonstra um domínio avassalador. Uma capacidade para asfixiar o adversário no seu meio campo defensivo, que nunca fôra vista na época transacta, e só passível de ser concretizada pela forma próxima como os onze jogadores leoninos jogaram no momento defensivo, e pela atitude reactiva na forma de pressionar, bem diferente de jogos anteriores. Verdade, que a opção (obrigação!?) em sair sempre em pontapé longo por parte do Olhanense, facilitou o jogo a quem o pretendia dominar. Nunca conseguimos colocar bolas nas costas, à distância a que se bate o pontapé de baliza. Teve, porém, a vantagem/desvantagem, dependendo da perspectiva, de nunca os algarvios terem corrido o risco de perder a bola na proximidade da sua grande área.

Quem pretende almejar a glória, garantidamente que não pode ceder mais de um, dois, três resultados desta natureza na sua casa. Há, ainda assim, imensos pontos positivos a reter. Todavia, nem só o resultado deixa de ser apreensivo.

- Pela ocupação do espaço, o Sporting voltou a ser dominador, e quem joga todo o jogo no meio campo adversário está sempre próximo do golo. E o Sporting, indubitavelmente esteve mais próximo do que nunca;

- Rodriguez começa a assumir-se como um reforço determinante. Domina como poucos o seu espaço. É forte, concentrado, e sabe tudo sobre o posicionamento defensivo. Não tem a classe de outros, mas defensivamente é o mais fiável dos quatro centrais;

- Muito bom o jogo de coberturas (apoio atrás do portador da bola, no caso da ofensiva, ou apoio ao colega que está com o adversário portador da bola) de Rinaudo, e determinante a sua reactividade a cada perda. É também muito pela forma como "cai" imediatamente sobre a bola, ou recuperando, ou travando desde logo o ataque adversário, que o Sporting se mantém subido;

- Autêntico caso de "Dr Jekyll and mr Hyde" a prestação de Yannick. Enquanto confiante estava a ter um desempenho muito positivo. Mesmo nas suas acções técnicas, que tantas vezes o traem. Subitamente, após a desvantagem no resultado, pareceu de volta ao registo habitual. Incapacidade gritante para definir todo e qualquer lance que lhe passasse pelos pés;

- Schaars e André Santos. Boa técnica e interessante simplicidade de processos. Posicionalmente pode-se contar com ambos para tudo. São abnegados, e é também muito pelas suas acções que a bola circula melhor. André Santos tem, e Schaars aparenta também, um déficit de criatividade. São óptimos quando se impõe jogar a dois toques. Parecem, contudo, incapazes de progredir com excelência, quando o espaço à sua frente assim o recomenda. Talvez se exija, num meio campo a três, jogadores com outro tipo de características. Matias e Izmailov, ou até André Martins, assim continue a demonstrar qualidade, serão previsivelmente jogadores importantes se Domingos pretender um pouco mais de rasgo criativo num sector tão determinante;

- Apesar de alguma falta de capacidade pare definir bem as jogadas no ultimo terço do campo de jogo, foram imensas as oportunidades de golo criadas. Essencialmente fruto do bom posicionamento leonino, que por si só, obriga o adversário a ver a meta de longe o jogo todo. Não deixa, porém, de ser preocupante perceber que demasiadas vezes, pareceu incapaz o Sporting de se aproximar do golo no momento de organização. E essencialmente pensar que a ineficácia no jogo de hoje, poderá não ter sido fruto de uma má noite, mas sim uma tendência mais do que confirmada, pelo histórico de golos de quem foi desperdiçando sucessivamente a hipótese de ser feliz. Bojinov ainda não se estreou, mas começa a perceber-se que poderá ser o reforço mais importante de todos. Assim os seus traços sejam o que continua em falta no sector ofensivo. Capacidade de definição, criatividade e eficácia na finalização.

P.S.- Quando há pouco menos de um ano atrás vi Wilson Eduardo, também num jogo contra o Sporting, pensei que jamais fosse capaz de fazer um golo daquela natureza. Então em Aveiro, em dez minutos rematou por três, quatro vezes. Em todos os remates, o gesto técnico e a potência do remate se assemelhou ao de um iniciado. Um golo, seja de que natureza for, não define minimamente a qualidade do jogador, e não se pretende aqui tecer qualquer juízo ao valor de Wilson, apenas deixar uma referência ao inesperado feito. Talvez, quando voltar a acontecer, já não seja inesperado.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Perseverança, lealdade e liderança. Eis Rinaudo.

Todo o texto será, quem sabe, e como tantos outros, um exercício meramente especulativo. O autor não conhece pessoalmente Rinaudo, e especula com base no que lhe foi permitido ver no jogos de pré temporada.

"Enorme reforço pelo jogador que é, e o homem que aparenta ser." in Lateral Esquerdo, 8 de Agosto de 2011.

Em Portugal a cultura desportiva é inexistente. O clubismo tolda a mente de todos, o que é algo perfeitamente natural e compreensível. Todavia, com um pequeno esforço de todos, o clubismo não teria de viver em oposição à tal cultura desportiva.

Isto a propósito do epíteto de trauliteiro que Rinaudo rapidamente adquiriu em Portugal. Associar maldade ao comportamento do argentino em campo, é por si só um exercício de uma maledicência notável.

Rinaudo certamente que será amarelado inúmeras vezes, e muito provavelmente todas justificadas. Poderemos até vê-lo sair mais cedo de campo, após um cartão vermelho. Terá, obviamente, de moderar a sua impetuosidade, mas que nunca se associe o seu comportamento a maldade. O argentino é um vencedor. Os vencedores são perseverantes, obstinados. São esses os traços da sua personalidade que lhes permitem exercer uma forte liderança sobre os colegas e sobre o próprio jogo. Mas, são sempre leais.

"Aqui na Argentina havia árbitros que no final dos jogos pediam-lhe a camisola. Gostavam dele e isso mostra bem como é correcto em campo. Só assim se justifica que os árbitros o respeitassem tanto". Pai de Rinaudo ao Jornal A Bola.

P.S.- O que não falta no futebol português são lobos vestidos de cordeiros. E é curioso como tão raras vezes são esses o alvo da maledicência dos adeptos.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sporting. Prémios Torneio Ramón Carranza.

Prémio Melhor Jogador. Rinaudo. Não tem só imensa força e uma abnegação, e perseverança sem limites. Fito sabe jogar à bola. Recupera, entrega e move-se garantido sempre linha de passe atrás do portador da bola. Percebe-se que é um líder e não foi por acaso que os melhores momentos do Sporting no torneio foram quando esteve em campo. Enorme reforço pelo jogador que é, e o homem que aparenta ser.

Prémio Revelação. Diego Rubio. Não é comum uma afirmação tão precoce. Ter crescido numa familia de futebolistas (são quatro os parentes directos que são/foram profissionais de futebol), seguramente que o ajudou em detalhes tão determinantes como a forma como se movimenta. Tal como o tio Zamorano, tem golos para encantar os adeptos. Movimenta-se bem, tem facilidade no remate e uma técnica assinalável. É um provável titular, ao lado de Postiga no jogo que abrirá a temporada leonina. Quem diria?

Prémio Adaptação. Pereirinha. As opiniões em torno das suas capacidades são demasiado díspares. Nao colhe unanimidade essencialmente porque não é um jogador de raides e salooms. O que se precisa de saber é que ninguém precisa de o ser para acrescentar qualidade ao processo ofensivo. Se João Pereira é óptimo para equipas que sobrevivam de impulsos individuais, num coletivo mais forte, mais cerebral, mais inteligente, Pereirinha tem mais do que valor para ser o dono da lateral direita do Sporting. Se no segundo jogo, o Sporting foi capaz de preservar com muito maior assertividade a bola, muito o deve a Pereirinha. É, todavia demasiado bom para construir carreira na lateral.

Prémio Não Serve. Onyewu. Depois de incrementar as suas capacidades físicas, talvez mereça uma oportunidade de ser revisto. De momento, e porque às debilidades na agilidade alia frequentes maus posicionamentos, é o quarto central do Sporting.

Prémio Pior Jogador. Ricky Van Wolfswinkel. Perde espaço a cada jogo que participa. Se era um homem forte de área que o Sporting pretendia, Ricky não tem o perfil desejado. Ainda que tenha estado bastante mal em Cádiz não é seguramente alguém que se deva descartar. Sabe movimentar-se e a péssima recepção que o impediu de se isolar perante o guarda redes do Málaga, engana. É melhor tecnicamente que aquilo que demonstrou. A concorrência poderá retirar-lhe minutos. É que confirmando-se que não tem características para ser o avançado mais fixo, também é dezenas de vezes inferior a Hélder Postiga, para que possa jogar em seu detrimento. A rever, ainda assim.

Prémio Estou maluco para te ver jogar de novo. Jéffren. Não impressionou minimamente quando teve a bola. Mas, demonstrou ser um jogador e tanto sem ela. Trabalha como ninguém para receber, facto que lhe permitirá ganhar tempo e espaço para enquadrar e dar seguimento às bolas que lhe passarem pelas botas, e mostrou ser bastante activo no pressing (ao contrário de toda a restante equipa). A forma como trabalha sem bola, permite perceber a sua origem. Fica o forte desejo de o rever. Assim demonstre a mesma qualidade com a bola nos pés, e será também um dos candidatos a jogador do ano em Portugal. Assim a época corra a preceito à sua equipa.

sábado, 30 de julho de 2011

Carlos, o futebol mudou tanto...

"Desde os tempos de Enakharire que o Sporting não tinha um central de marcação tão forte." Carlos Xavier.

Evoluiu imenso o jogo em Portugal, particularmente nas melhores equipas. Carlos Xavier, tal como milhentos outros não sabem, mas nem o Sporting, nem equipa nenhuma de topo na Europa precisam de ter um central forte de marcação. Especialmente se pensarmos que nenhuma equipa de topo joga, na actualidade, com o bem antigo método de um central a marcar e um líbero para as compensações. As referências defensivas são na actualidade os colegas e a bola. Joga-se com central direito e central esquerdo, e qualquer um pode "pegar" no avançado adversário, dependendo da zona onde o tal avançado cai para receber a bola.

É por isso que visualizar o video de um exercício de treino de Domingos que corre o youtube, cujo principal objectivo identificável é a aprendizagem do posicionamento defensivo, em função da bola, e dos próprios colegas, uma vez que não há sequer oposição no tal exercício, fará imensa confusão aos mais "antigos".

Se Rodriguez chegou ao Sporting, tal não tem minimamente nada a ver com a relação que dentro do relvado estabelece com os adversários. Antes, com os restantes colegas.

"Rinaudo encaixa bem. O Sporting precisava de alguém que pensasse o jogo desde a saída do Moutinho." Carlos Xavier.

Na verdade, não é só o Sporting que precisa de jogadores que pensem o jogo. Todas as equipas precisam. Contudo, ao contrário do que é crença geral, e particular de Carlos Xavier, não pode ser um jogador específico a fazê-lo. Terão de ser os onze. O tradicional jogador que baixava para receber a bola e progredia com ela em direcção ao meio campo, e à baliza adversária já não existe. Hoje, são precisos onze a pensar o jogo. E pensar o jogo, faz-se muito mais sem bola. É quem não a tem, que tem de trabalhar para que esta vá progredindo. Há que perceber e realizar desmarcações, por forma a garantir sempre várias opções ao portador da bola (triângulos ao seu redor, para que este possa ter linhas de passe à direita e à esquerda, tornando o seu jogo imprevisível). Mais que nunca importa realmente pensar o jogo. Mas, quem tem a bola chega até a ser dos menos responsáveis por isso. Aquele jogo de dez jogadores parados, ou nove, com o décimo a procurar desmarcar-se nas costas da defesa adversária enquanto somente um progride com a bola, e procura ele próprio inventar algo, já não existe.

O futebol mudou de sobremaneira. O Barcelona é o expoente máximo de tal afirmação. Porém, e mesmo que de forma bem menos competente que a da Catalunha, todas as outras equipas de nível o percebem.

domingo, 24 de julho de 2011

Adivinha quem voltou


E foi, novamente, nos momentos defensivos que o Sporting voltou a demonstrar alguns períodos de excelência.

Exactamente como na partida anterior, a defesa bem subida e o campo bem curto permitiu somar um número considerável de recuperações de bola, muitas das quais ainda no meio campo ofensivo. Esse foi, indubitavelmente, o principal catalizador para a percentagem avassaladora de posse de bola que se verificava ao intervalo. Não esquecendo, todavia, a importância que o critério e a capacidade de passe de Schaars e Rinaudo tiveram na preservação da mesma.

Jogar tão alto tem necessariamente riscos. Relembre o golo de Del Piero, e mais uma ou outra bola bem colocada entre as costas da linha defensiva do Sporting. É, todavia, um risco claramente compensatório. Mesmo nos dias de menor inspiração (e há que realçar que com bola, o Sporting ainda não entusiasma), jogar tão próximo da baliza adversária catapultará a equipa para o golo. Mais bola, significará mais livres, mais cantos, mais remates, e seguramente que mais golos. Se pensar no quão frágil é a qualidade da Liga portuguesa, ainda mais compensatório o risco parecerá. Não será nada fácil em Portugal, ter muitas equipas a conseguir coordenar bons passes longos, com boas desmarcações nas costas da defesa leonina.

Claramente que este é o caminho. Obviamente que há ajustes a fazer. É importante obrigar o adversário a bater o pontapé de baliza longo, e há que ser mais pressionante sobre a bola quando esta está no lateral adversário (uma saída que se revelará ser relativamente fácil para colocar a bola nas costas da equipa do Sporting, passará por fazer a bola chegar a um lateral, que aproveitará a desmarcação do avançado adversário, através dum movimento horizontal deste, ao longo da linha defensiva, nunca caindo em fora de jogo, mas beneficiando de já se mover a uma velocidade considerável para chegar primeiro à bola quando esta for colocada nas costas da defesa. Exemplo. Bola no central adversário, enquanto este faz o passe na direcção do defesa direito, o avançado percorre em corrida o caminho que vai desde o central direito (Carriço?) ao central esquerdo (Oniewu?). Se o lateral não for suficientemente apertado, e revelar-se capaz, não será difícil colocar a bola nas costas entre o espaço do central e o lateral esquerdo leonino, onde aparecerá o colega já em passada rápida, contrastando com a posição mais fixa e expectável dos defesas).

Destaques individuais.

Rinaudo. Excelente surpresa o argentino. Não só é forte e agressivo como tantos outros trincos, como sabe passar a bola, e mover-se para criar apoios para a saída desta. A nível individual é um dos grandes responsáveis pelo domínio que o Sporting vem exercendo sobre os adversários.

Schaars. Uma espécie de Hugo Viana do Braga de Domingos. Muito assertivo e capaz no passe e no trabalho para receber a bola. Menos criativo que o formado em alvalade, mas mais presente no jogo. Schaars não se esconde e não tem medo de mostrar disponibilidade para receber a bola, mesmo que apertado. Pelo seu critério em posse, tal como Rinaudo é determinante para a elevada percentagem de posse que o Sporting vem almejando.

Yannick. Muito difícil emitir opinião sobre Djaló. Quando menos se espera, aparece. De facto, ser mexido e aparecer é algo que não se lhe pode negar. A sua inconstância e incapacidade para aparecer qualitativamente de forma regular, mesmo que numa visão mais colectiva, será um entrave à entrada no onze. É que ninguém saberá qual será o dia "Sim" de Yannick. Difícil confiar num jogador assim.

Onyewu. Não se percebe o rol de críticas a que foi sujeito durante a transmissão televisiva do jogo. Talvez Luís Freitas Lobo o conheça como ninguém, e tenha partido com uma ideia pré-concebida, que possívelmente até se poderá tornar real. No jogo da última madrugada, porém, nada se pode apontar ao central americano. A falta de agilidade é tão latente, quanto comum em atletas da sua fisionomia, a cada início de época. Tal não significa que não seja algo alterável.

Ricky. Novamente o reforço em menor destaque. Muito possívelmente, porque Domingos ainda estará a tratar dos momentos defensivos (e que diferença se nota nesses mesmos momentos!). Não será fácil manter o lugar no onze, com a chegada de Bojinov e até Matías. A rever.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Que campo tão curto, Domingos!

E foi esse o principal mérito e a principal diferença do novo Sporting. Repetindo o exercício iniciado durante a visualização das gravações dos jogos da época transacta, premindo o botão de pausa, e conferindo a distância entre sectores do Sporting, o resultado foi completamente diferente.

Do jogador mais avançado no campo de jogo, aos mais recuados (esqueça o guarda redes), não sobrou muito espaço para jogar. Mais que pela fraca capacidade do adversário, foi pela proximidade entre todos os seus jogadores que o Sporting foi capaz de consentir pouquíssimos ataques e remates. Não esquecendo também uma percentagem de bola já assinalável. Com todos mais próximos, torna-se bastante mais fácil recuperar a bola. E se essa mesma recuperação for realizada ainda no meio campo adversário, e tal sucedeu por diversas vezes, mais próximo continuará a estar a equipa leonina de chegar ao golo.

Para qualquer equipa que se pretenda dominadora, jogar com os defesas tão próximos da linha do meio campo, é um risco claramente compensatório, se os restantes jogadores se mantiverem concentrados e capazes de impedir que o adversário tenha demasiado tempo para decidir e executar. Jogar tão alto, retira imensa capacidade para poder ser clarividente ao adversário. Ninguém, particularmente quando a qualidade não abunda, arrisca em zonas demasiado recuadas. Não raras vezes, após a perda de bola, se torna a recuperar rapidamente a sua posse, somente porque o adversário se vê obrigado a jogar longo e sem nexo, por forma a não arriscar perdas em zonas tão recuadas do campo. E esta é indubitavelmente a fórmula correcta para subjugar os adversários. Mesmo em dias menos inspirados, estar sempre tão próximo da meta, poderá revelar-se determinante.

Destaques individuais:

Rinaudo. Se ao campo curto juntarmos a agressividade sobre a bola do argentino, teremos rápidas recuperações de posse da bola. Na senda dos grandes médios defensivos argentinos, Rinaudo promete não deixar tempo nem espaço para os adversários decidirem e executarem na sua zona de acção. Interessante o jogo de coberturas ofensivas (linha de passe atrás do portador da bola) a dar seguimento aos ataques. O segundo golo nasce de uma bola que volta atrás, para dos seus pés sair na direcção de Postiga, antes de Schaars solicitar Ricky.

Schaars. Recebe, passa, procura linha de passe. Jogador de processos simples. Aparentemente culto tacticamente, pela facilidade que parece demonstrar nos gestos técnicos, e disponibilidade para oferecer opções de passe aos colegas, promete tornar-se num jogador importante no novo Sporting. Uma espécie de relógio suiço. Jogador fiável e com extraordinária capacidade de colocar a bola. A rever.

Hélder Postiga. O melhor. Os golos fazem-lhe tão bem. Não precisa deles para ser útil, mas são os golos que lhe dão confiança para tudo o resto. O golo cedo libertou-o. Bastante forte a oferecer linhas de passe e a dar seguimento à bola de cada vez que a recebia, está também na origem do segundo golo. É ele que baixa para receber a bola de Rinaudo. De patinho feio a titular importante é apenas um saltinho, que dependerá apenas da confiança com que abordar cada lance.

Izmailov. Joga muito. Esteve pouco participativo, mas percebe-se que a qualidade continua toda lá. Será determinante, assim continue com as capacidades intactas.

Ricky. Pouco participativo. Demonstrou potência num remate interceptado e mais técnica que a que poderia ser expectável face à sua fisionomia. A rever.

Evaldo. Que consiga ser útil a defender, porque a atacar é um desastre. Tal como todos os laterais de terceira divisão, tem a irritante mania de passar o jogo todo a passar a bola somente para o extremo esquerdo, mesmo que o deixe em apuros, apertado entre a linha lateral e o adversário directo. Já foi feliz com Domingos, e se não comprometer defensivamente, mesmo prometendo ser o elo mais fraco, poderá não ser um entrave à ambição leonina.

André Martins. Pouco tempo em jogo, mas o suficiente para se perceber que o miúdo mexe na bola! Possível candidato a surpresa, assim fique no plantel.

Yannick Djaló. Nunca será um extremo de qualidade. Se algum dia render o suficiente para justificar fazer parte de uma equipa do nível do Sporting, será a avançado, explorando a profundidade nas costas da defesa adversária.

P.S. - Não irrita um bocado chamarem "cicatrizes" ao holandês!? Respondam-me os entendidos. Será mesmo assim que se pronúncia!?