São três os factores de rendimento que mais determinam a performance de uma equipa ou do conjunto dos seus jogadores. Técnico-Táctico, Físico e Psicológico.
Em todos a superioridade do SL Benfica foi notória.
Superioridade técnico-táctica:
Não surpreendeu Jorge Jesus. Pressão alta habitual, linha defensiva muito subida e domínio absoluto da primeira parte do jogo. Controlo da segunda. Se do ponto de vista da ocupação do espaço e dos comportamentos pré-determinados enquanto equipa, jogava uma das melhores, contra uma das mais débeis da Liga, tecnicamente há também diferenças significativas. É óbvio, e já aqui foi referido inúmeras vezes. Com tamanha falta de qualidade táctica da equipa, torna-se quase impossível aos jogadores leoninos demonstrarem competência. Apesar de tal premissa, por certo verdadeira, é difícil todavia, imaginar no lado do Sporting, as brilhantes combinações ofensivas que vemos entre Saviola, Gaitán e Fábio Coentrão. Por mais que percebam a movimentação, não consegue imaginar aquela qualidade de passe e recepção em Yannick e Cristiano, certo?
Superioridade física:
O factor físico não teria de ser relevante, não fosse o Sporting a levar o jogo para tal domínio, ao recorrer incesantemente ao pontapé para a frente. Mais do que os metros percorridos, foi na força e na estatura que em determinado momento (defensivo) o SL Benfica fez a diferença. Sempre que pressionado logo na entrada da sua grande área e obrigado a jogar longo, os ataques do Sporting morriam invariavelmente na cabeça de Javi Garcia, Luisão e Sidnei. No futebol português, onde raras são as equipas com capacidade para sair a jogar quando pressionadas no seu meio campo defensivo, ter alguém muito forte no ataque à bola pelo ar para disputar a primeira bola, ajuda imenso a manter a equipa subida. O triângulo defensivo do SL Benfica (Javi, Luisão e Sidnei), não só tem uma estatura assinalável, como provavelmente são os melhores jogadores da Liga na abordagem a este tipo de lances. Mais que a técnica de cabeceamento, ali importa o "ataque" à bola. Ganhando esta bola, e havendo capacidade para a colocar desde logo jogável num colega, o adversário não sai nunca do seu meio campo defensivo.
Superioridade psicológica:
Não pode ser dissociada do momento que uma e outra equipa vivenciavam. Não sofrer um golo primeiro, e tão cedo poderia ter ajudado no controlo emocional da partida. Não aconteceu, porém. Importante perceber, que o bom momento psicológico advém quase sempre da competência táctica. Fosse o Sporting uma equipa competente na vertente mais importante do jogo, e teria mais golos marcados, menos golos sofridos, mais vitórias e seria consequentemente uma equipa com maior confiança.
Destaques individuais:
Javi Garcia. Já aqui foi referido que a tarefa táctica de Javi Garcia não é tão difícil quanto se quer fazer crer. O espanhol é o garante de que a linha defensiva permanece com 4 jogadores, mesmo quando um dos defesas sai. Todavia, Javi cumpre tudo com tal mestria, que por vezes parece controlar um meio campo inteiro. Foi enorme.
Nico Gaitán. Transborda talento. Será um jogadorzaço, mal perceba que deve valorizar bastante mais a posse da bola, e que não pode arriscar tanto, em zonas tão proibidas. Com um golo, uma excelente assistência e participação activa em tantas belas jogadas de envolvência ofensiva, foi o homem do jogo.
Roberto. Pode até ter tido pouco trabalho. Contudo, aquela defesa no início da segunda parte foi tão espantosa quanto determinante. Voltou a valer pontos. Que ironia.
Jardel. Boa estreia. Pareceu técnica e tacticamente bem dotado. Além de que nem por um instante se revelou atemorizado. A rever.
Matias. Bem a aparecer no espaço entre sectores do SL Benfica. Ao contrário da quase totalidade dos colegas, tem boa capacidade de definição dos lances. Quando o Sporting trocar de treinador, por uma "sociedade" entre os chilenos e Simon, é possível voltar a haver bom futebol em Alvalade.