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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Porquê tantas diferenças no derby

“As semanas preparatórias incidem, de forma sistemática, na organização táctica, sempre com o objetivo de estruturar e elevar o desempenho colectivo. As preocupações técnicas, físicas e psicológicas (como a concentração, por exemplo) surgem por arrastamento e como consequencia da especificidade do nosso modelo de operacionalização”

Dizia José Mourinho, quando tudo o que dizia apontava o caminho e o seguiamos porque... fazia todo o sentido.


E é aqui que está a diferença entre as duas equipas na supertaça. E é por isto que dizemos vezes sem conta que Jesus é um dos melhores do mundo.

A operacionalização das ideias é a capacidade de por no treino, e consequentemente fazer vivênciar aquilo que se pretende que aconteça no jogo.


Aquilo que se vê neste momento em campo, nas várias equipas (principalmente nas que mudam de treinador) é essa capacidade dos treinadores. Conseguir fazer com que todos eles (jogadores) pensem como um só e consigam agir e reagir ao que o jogo pede, dentro de princípios definidos e trabalhados.

Uns treinadores conseguem com que isso aconteça mais rapidamente do que outros. JJ é um deles.

Isto não quer dizer que RV seja mau. Simplesmente quer dizer que, a maneira como operacionaliza as ideias faz com que essa aquisição de comportamentos demore mais tempo.


Isto pode acontecer por duas situações:



  • Faz no treino coisas que mesmo não "fazendo mal", não são catalisadoras do processo de modelação
  • Tem dúvidas acerca do que realmente quer que aconteça.
Ter dúvidas, que será a hipótese mais falada por ai, não é necessariamente mau. E não seria de certeza o único.

Mantendo o 442 que acontecia o ano passado vai um pouco contra aquilo que foi dizendo nas entrevistas, em que mostrou intenção de ter maior controle do jogo, e assim uma ocupação dos espaços diferente no meio campo. Ao mesmo tempo, mesmo que tenha pensado começar no 442, rapidamente se deve ter apercebido que perdendo Lima (como aconteceu) tem o 442 entalado, porque Jonathan está muito longe de conseguir oferecer a equipa o mesmo que Lima oferecia. Da mesma maneira, ninguém no plantel consegue fazer o que Sálvio fez.

Ainda assim, podia ter feito sentido (a menos que já soubesse de antemão que o Lima ia sair) começar com 442 e ir primeiro pelo que é confortável para a maioria dos jogadores e só depois mudar coisas.

Mudando para 4231, como parece ser a ideia, necessita de ser muito muito claro com aquilo que pretende. É radicalmente diferente jogar com Talisca ou com Pizzi, pela ordem que um não tem, mas que o outro oferece, e pela diferença na qualidade e controlo no passe e na recepção. É também urgente perceber que tipo de dinâmicas vão fazer com que apareçam jogadores a frente da linha da bola e também como vai fazer acontecer coisas básicas como "criar centro de jogo", dando linha de passe (que se veja) a frente, atrás e aos lados

Veremos o que os próximos jogos vão mostrar. Isto só fica giro quando todas as equipas são fortes e dão luta umas as outras.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Hoje, até das individualidades se duvida

O impensável parece estar próximo de acontecer. Ao contrário do que proferia Jesus, o Benfica parece mesmo inclinado a deitar seis anos de trabalho de nível mundial ao rio.

Foram muitas épocas com o Lateral Esquerdo a garantir o como a excelência táctica do SL Benfica potenciava as individualidades para níveis de rendimento extraordinário. Dezenas de jogadores a jogar no topo do seu potencial. Era muito fácil ser-se um bom jogador no Benfica. Tudo podia ser feito de olhos fechados. As decisões com bola fáceis de tomar, com a proximidade dos colegas, com as linhas de passe, com o posicionamento definido ao limite. 

Sobretudo ao longo da época passada foi sendo referido o quão fabuloso era o trabalho de Jorge Jesus, que com um onze cuja qualidade individual não era assim tão elevada como muitos queriam fazer crer, se sagrou campeão contra um adversário com dez vezes melhores armas. 

Hoje, e apenas quatro semanas de trabalho se passaram, começa a olhar-se para os jogadores do Sporting como tendo maior qualidade (e muito maior vão apresentar), e no Benfica apenas se fala na necessidade de reforços. Afinal os "Manueis" não são assim tão bons. Sem um modelo de jogo apaixonante que os protege e potencia, vai dando para perceber o que sempre referimos aqui. Até Jonas, completamente isolado do mundo, parece um jogador diferente. Na última madrugada perdeu mais vezes a bola que num ano inteiro com Jorge Jesus.

Rui Vitória não é um mau treinador. Mas, talvez seja esta época a ideal para que se perceba todas as qualidades do actual treinador do Sporting.

Com o que se pode observar após um mês de trabalho (Modelo e não resultados. Ausência de processos de qualidade, e não número de golos marcados e sofridos. Porque esses são e serão consequência dos processos), só o mais optimista poderá acreditar que o que foi banal ao longo dos últimos seis anos no SL Benfica continuará a acontecer (mais de cem golos por ano, centenas e centenas de minutos consecutivos sem sofrer golos, e sobretudo vencer regularmente (melhor média de vitórias nos jogos nacionais desde a década de 70) ao invés de ocasionalmente).

Talvez a presente época sirva para ajudar o grande público a perceber o que é um treinador de nível mundial (cuja equipa apresenta organização de excelência em todos os momentos do jogo) e o que é apenas um bom treinador.

O preocupante não são os resultados. A grande preocupação é não se perceber que organização apresenta este Benfica. Tarefa hercúlea a de Rui Vitória. Suceder a um dos melhores treinadores do futebol mundial e que virou completamente a história recente do Benfica.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Pré-Época - Viver muitas vezes o futuro.

Depois da derrota com o Paris Saint-Germain (2-3), Rui Vitória expressou quais os objetivos para este compromisso com a Fiorentina: «Primeiro ganhar, segundo possibilitar que haja maiores ligações entre algumas microestruturas da equipa, e ao mesmo tempo dando oportunidades a mais jogadores, seja de início ou mais à frente. Aqui temos a condicionante de este ser um bloco de três jogos em que vamos jogar dia sim dia não, o que nos obriga a equacionar tudo para estarmos em condições para os três jogos.»

No seguimento do post anterior, que falava sobre o tempo elevado de empenhamento motor, é esta também uma das preocupações durante esta fase da temporada. Possibilitar que quem se prevê que vá assumir as coisas durante o ano, esteja mais vezes a vivenciar coisas "lá dentro".

O "entrosamento" é isto mesmo, é conseguir fazer com que pessoas e dinâmicas se conheçam e se relacionem com frequência, em contextos altamente competitivos, já que é nesses momentos que se dão as aprendizagens mais consistentes.

Seja A com B, sejam ligações inter-sectoriais e movimentos tipo (por exemplo, AV a baixar e interior a aproveitar o espaço criado pelo arrastamento do DC contrário - Ou outra qualquer brincadeira desse estilo).

Dai que, mesmo sendo pré-temporada, algumas relações sejam mais permanentes do que outras. Dai também que quando se começa a rodar, o jogo baixa muito de qualidade porque como as ligações são mais fracas, acontecem muito mais erros.

Os próximos jogos vão mostrar que ligações são essas.



quinta-feira, 11 de junho de 2015

Rui Vitória não gosta de passes laterais

Confirma-se assim a preferência do presidente pelo seu nome entre os que estiveram em cima da mesa. Um dos pontos basilares do seu modelo assenta no facto de pedir aos seus jogadores para não fazerem passes laterais. Diz que podem passar para frente, para trás, em diagonal, mas para o lado não. Acrescenta ainda que quer que todos os jogadores devem ser fortes na reacção à perda de bola, e combativos nos duelos individuais.

Sistema de jogo no momento ofensivo 1x4x3x3
Sistema de jogo no momento defensivo 1x4x4x2

Linha defensiva - Tenta organizar-se por referências zonais. Defende bem a largura. Defende relativamente bem a profundidade. Quando a bola entra na área a referência passa a ser individual.
No pormenor percebe-se que a linha defensiva não é muito agressiva no cumprimento dos posicionamentos, nos ajustes, e que não é muito agressiva a sair na bola (centrais principalmente). Quando existe possibilidade de cruzamentos central afasta da cobertura e tenta fechar a baliza. Aí percebe-se a pouca agressividade dos extremos ou médios em surgir na cobertura ao lateral, e a indefinição dos espaços a ocupar no caso de o central ser obrigado a sair na contenção, criando por vezes um espaço enorme entre os dois centrais.

Linha Média e Linha Avançada no momento defensivo - Um dos médios é responsável por pressionar o central do lado contrário, ficando com dois homens na linha da frente. Os restantes colocam-se em cobertura aos espaços. Os médios fecham bem do lado da bola, excepto o ala do lado contrário que por vezes fica muito afastado dos restantes colegas. Não foram nunca extremamente agressivos na pressão.
No pormenor percebe-se que quando os médios são ultrapassados mostram alguma inércia para recuperar as posições, e voltar a entrar em tarefa defensiva.

Transição defensiva - Demonstra a intenção pressionar rapidamente assim que perde. Mas sem a rede apoios bem trabalhada do ponto de vista ofensivo, torna-se difícil que os jogadores tenham sucesso nesse comportamento, por isso alguns optam por não o fazer. Se a bola entra para defender com poucos organiza-se para defender a baliza em contenção e cobertura, mas no momento certo os centrais não mostram a agressividade para sair na bola evitando assim a possibilidade de um remate à entrada da área. Nota-se também aí a inércia para alguns elementos recuperarem posições.

Transição ofensiva - Se tiver possibilidade de sair rápido para o ataque, ainda que recupere em zonas recuadas, sai. Se não, tenta segurar para depois sair em organização. Nas duas possibilidades mostra critério, bola no pé até encontrar o momento ideal para colocar no espaço.

Construção - Tanto sai pelo corredor lateral como pelo corredor central. Tenta ter critério com bola. Procura tanto extremos e laterais como médios, e algumas vezes avançado na profundidade. Quando os centrais têm a bola, apenas lateral do lado da bola fica projectado contrastando com o movimento do extremo que baixa para pegar. Quando a bola entra no lateral, extremo em profundidade, avançado baixa para tocar médio do lado da bola em apoio interior, trinco em cobertura. Se a bola entra nos médios centro, procura a profundidade nos 3 corredores. Se a bola entra nos extremos, uma cobertura e restantes na profundidade.

Criação - Procura trabalhar todos os lances para terminarem no corredor lateral. Aí procura combinar, acções individuais, e cruzamentos. Mas a esmagadora maioria dos lances segue para os corredores laterais, normalmente para cruzamento.

Bolas paradas defensivas - Zona no primeiro poste (3 homens - dois no primeiro poste e um mais na zona central), restantes HxH.

Aguardaremos para perceber como se comportará colectivamente num grande, e que formas irá adoptar na organização das suas peças para cumprir com os princípios que propõe. Esperamos também com ansiedade para perceber se será brindado com a qualidade individual que os seus antecessores tiveram no primeiro ano de trabalho.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Sucessão - Hábito ou Adaptação? Dificuldade de um grande.

Para substituir Jesus, quem? Melhor pergunta é: para treinar o Benfica, quem?

O Benfica, como grande que é tem a dificuldade acrescida de a esmagadora maioria dos adversários o esperar no meio campo defensivo. De baixarem as linhas e jogarem muito próximos da área, fazendo uma enorme redução dos espaços nos últimos quarenta metros, e abrindo uma enorme distância entre a última linha e a baliza de quem os ataca. A concentração de jogadores no corredor central é maior, e indica o corredor lateral como solução para criar lances de ataque. Isso pressupõe um número maior de jogadores à frente da linha da bola, e um número muito pequeno de jogadores atrás. Há quem pense que Jesus foi uma escolha acertada para o Benfica pela qualidade de jogo que demonstrou, mas foi-o sobretudo por ser treinador predominantemente de organização ofensiva e transição defensiva, fosse em que clube fosse. E dentro disso, fazia o jogo que imaginava na sua cabeça. O próximo treinador do Benfica deverá ter o mesmo perfil - organização, transição.

Como é que um treinador que não joga de forma predominante em organização vai resolver o problema da redução dos espaços nos últimos quarenta metros? Vai atacar pelo corredor lateral, que é no fundo por onde o adversário quer ser atacado e é o caminho mais fácil de defender? Como é que atacando pelo corredor central se vai defender dos contra ataques perigosos que resultam de perdas de bola aí? Como é que um treinador que não tem saída de bola habitualmente vai ter? Como é que um treinador habituado a defender dentro do seu meio campo vai defender no meio campo do adversário? Como é que um treinador habituado a defender com muitos atrás vai resolver o problema de defender com muitos à frente? E admitindo que o tente fazer, como é que vai operacionalizar ideias que nunca tentou na prática?

Vai treinar a operacionalização num grande e adaptar-se a isso, ou deverá estar já habituado ao contexto que vai encontrar? Num grande como o Benfica onde a exigência é máxima não há tempo para o treinador treinar o treino e a maior parte das ideias. Por isso, com a pressão, ou se tem ou se falha!

terça-feira, 8 de março de 2011

Curtas

- Paços de Ferreira apurado para a final da taça da liga. O futebol agradece. O Paços de Rui Vitória é uma das mais excitantes equipas portuguesas dos últimos anos. Os resultados não têm aparecido por acaso. Há qualidade e há um bom processo de treino. A final da Taça da Liga promete ser um jogo bem entretido.

- Se dúvidas houvessem quanto à possibilidade de o SL Benfica chegar à vitória na Liga, foram todas dissipadas na jornada deste fim de semana. Não há que desvalorizar Jorge Jesus, nem os seus jogadores. A performance na liga tem sido francamente boa, mesmo pensando nos três pontos nas primeiras quatro jornadas. O FC Porto é que nunca cedeu e prepara-se para bater o recorde de pontuação. Quando assim é, não se deve desvalorizar quem termina atrás. Se juntarmos os dezasseis melhores treinadores do mundo na mesma liga, um deles terminará em último. Certo?

- Em boa hora voltou Falcao. É o melhor ponta de lança da Liga. Com uma agilidade extraordinária, o colombiano não tem apenas o condão de finalizar com mestria as oportunidades que vão surgindo. Sabe desmarcar-se (seja em apoio, ou em ruptura) como poucos.

- Algum conforto na luta pelo terceiro lugar para o Sporting. Mais duas vitórias consecutivas (Rio Ave e Leiria) darão uma margem, quem sabe suficiente, para o que ainda se seguirá (Guimarães, Sp.Braga e FC Porto). Ninguém acredita que com o futebol que pratica, o Vitória possa conseguir assim tantos pontos.

- A derrota do SL Benfica em Sp.Braga poderá tornar-se num factor determinante para a boa prova europeia dos clubes portugueses. SL Benfica e FC Porto podem agora centrar-se na prova europeia. Não haverá jogos fáceis, nem eliminatórias com probabilidades diferentes dos tradicionais cinquenta - cinquenta. Mas que não se dúvide que ambos têm qualidade para poder chegar à final.

- Com a recuperação de Valdés e a integração de Matias, é possível que Alvalade volte a ter futebol atractivo. Todavia, nada será obtido sem um bom trabalho de campo durante a semana.

- Roberto outra vez no melhor e no pior. Antes de oferecer o empate ao Sp. Braga terá realizado aquela que é provavelmente a melhor defesa em jogos da Liga na presente temporada. Chegará?

- O Barcelona tem o melhor futebol do mundo. E só por isso, há que desejar que vençam sempre. Porém, não é fácil aceitar a expulsão de Van Persie. Seguramente que numa prova europeia, nunca um jogador culé terminou o jogo mais cedo por igual gesto.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Agora que terminou o legado de Jorge Jesus no Sp. Braga

Faz sentido pensar em Rui Vitória já para a próxima época.

Do onze inicial que subiu ao relvado do AXA, apenas Rodriguez e Mossoró (que não era um titular habitual) transitam da época de Jorge Jesus.

Sem os jogadores que Jesus potenciou, Domingos apaga-se. E em Braga continua a haver talento (Silvio, Hélder Barbosa e Guilherme, à cabeça) para explorar.

Pensando na qualidade que hoje se reconhece em Baiano, Maykon, Leonel Olimpio, David Simão, Pizzi, Rondon e Nélson Oliveira, é legítimo concluir-se que talvez esteja a chegar o momento de em Braga se pensar em apostar num treinador, capaz de elevar as características individuais dos atletas.

P.S. - Custa a compreender o que leva um clube a abdicar de um talento como Pizzi, para potenciar outro de um clube diferente (Ukra).

domingo, 16 de janeiro de 2011

Next big thing

"Quem com ele trabalhou garante que transborda qualidade. Diz-se que transpira talento por todos os poros. Ao segundo ano como sénior parece pegar na batuta do meio campo de uma equipa da primeira divisão. Não é um feito extraordinário. Não será também, contudo, algo que deva ser desvalorizado.

Não vi mais de 180 minutos de David Simão. Muito pouco para poder formular opinião. Destaque-se no entanto a extraordinária capacidade de passe, a potência do remate e a boa leitura de jogo.

David impressionou. Tanto, que procurarei, se possível, ver mais jogos do seu Paços de Ferreira, somente para tirar dúvidas."

O texto é de setembro, e continua actual.

Hoje, talvez se deva acrescentar a mesma interrogação para Nélson Oliveira e... Rui Vitória?