Mostrar mensagens com a etiqueta Sá Pinto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sá Pinto. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

"Agora o treino é jogo e o jogo é jogo" Elias

É bem possível que todas as especulações que foram sido feitas ao processo de treino do Sporting, estejam bem próximas do que foi realmente acontecendo. Não é só a ausência de equipa em Alvalade. São os sinais que chegam das declarações de imensos jogadores.

Já foram inúmeros os posts publicados a sugerir a importância desmesurada que o jogo deve ter no processo de treino (não entenda por jogo, apenas o formal 11x11). Sem jogo no processo de treino, não é possível desenvolver para níveis elevados a performance de uma equipa. É no e pelo jogo que testamos, corrigimos e evoluímos. Para além de todas as considerações que sempre fizemos à sua importância metodológica no processo de treino, as afirmações de Elias deixam também escapar outra (para bom entendedor).

Você, juntaria os amigos para fazerem filas para rematar à baliza?

Quem conseguirá estar de corpo e alma num projecto quando treinar é um suplicio. Um sacrifício decorrente da profissão e não uma actividade que se faz por prazer? Por mais que se seja profissional...

Vai aumentando a expectativa sobre as capacidades de Vercauteren. Veremos que ideias terá o treinador leonino para nos apresentar. E, por favor, que não volte o 442 clássico rígido em poucas linhas do jogo um.

Sobre a periodização. Que modelo a seguir quando a modalidade é colectiva? Algumas citações de José Mourinho. E ainda a oposição no processo de treino. Actualizado.

Muitos são os treinadores de modalidades colectivas que ainda seguem os modelos convencionais ou as adaptações que decorreram da original periodização de Matveev. Pensar que numa modalidade colectiva se deve traçar o caminho em função da componente física é ainda muito comum.

Esquecendo-se, todavia, que numa modalidade colectiva "...A equipa pode estar bem fisicamente e não jogar bem. O estado de forma é algo muito mais complexo do que a forma física”. (Faria 2011).

Sobre o seu planeamento, afirmou em tempos José Mourinho "Às sextas feiras treinamos a defender, aos sábados treinamos o ataque. Aos domingos, treinamos a transição da defesa para o ataque. Às segundas, treinamos a transição da defesa para o ataque e, às terças treinamos os livres."


Ainda outras afirmações interessantes do treinador do Real Madrid e do seu adjunto, Rui Faria.

"Contrariamente aos outros, não considero a estabilidade numa equipa como factor para que o conjunto tenha sucesso. Uma equipa tem de ser ensinada de forma correcta pelo treinador, para que possa jogar à imagem dele e para saber desempenhar a sua função suficientemente bem para a executar de olhos fechados - e isto não implica ter as pessoas a trabalharem em conjunto durante anos. Trata-se de o treinador fazer as coisas certas, de trabalhar arduamente e de as sessões de treino serem proveitosas

"Quando estamos há quatro meses a trabalhar no 4x3x3 e há quatro semanas a trabalhar no 4x4x2, só numa situação muito pontual poderei fugir disto, colocando em campo um terceiro central ou mais um avançado." 

"No "flash interview" ouvi falar de quebras físicas e logo dei por mim a pensar que a minha cruzada vai ser mesmo difícil. É que não consigo mesmo que se perceba que isso não existe. A forma não é física. A forma é muito mais que isso. O físico é o menos importante na abrangência da forma desportiva. Sem organização e talento na exploração de um modelo de jogo, as deficiências são explícitas, mas pouco têm a ver com a forma física". 

"Por exemplo, há dez anos, o Eusébio era treinador de guarda redes do Silvino no Benfica. O Eusébio colocava a bola à entrada da área e rematava com o intuito de treinar o guarda redes. O problema é que o Silvino não conseguia treinar porque as bolas entravam todas na baliza. Ele simplesmente não treinava porque os remates eram descontextualizados daquilo que é o jogo. Quando trabalho a finalização dos meus jogadores, coloco-lhes oposição, porque é isso que acontece no jogo. Ou seja, antes de rematar, os meus jogadores tiveram adversários pela frente." 

"Eles não têm de correr uma única volta ao campo, mas mesmo assim, estão mais cansados no fim da sessão do que estavam anteriormente. Todos os dias preparo os exercícios, a sua duração, o tempo de repouso entre os exercícios. Penso que eles começam a perceber a especificidade do treino. Os bons jogadores adaptam-se facilmente." 

"No campeonato, quero jogar sempre igual, seja qual for o rival. A minha ideia é ter um padrão de jogo definido, capaz de jogar de olhos fechados. Na liga portuguesa, poucas vezes vamos defrontar equipas superiores a nós" 

"Não acredito nos sistemas de jogo que têm a sua origem no gabinete, na reunião, na palestra com os jogadores. Acredito no treino, na explicação, na repetição sistemática." 

"... não temos tempo para treinar aquilo que é fundamental para nós, quanto mais para treinar coisas que não fazem parte da nossa forma de pensar o treinoportanto elas não fazem parte da nossa natureza mesmo que tivéssemos tempo e que fique bem claro que elas não existem na nossa forma de treinar!" Rui Faria

"Para nós, a adaptação concreta a partir das situações de jogo permite direccionar muito melhor a preparação do jogador, tendo em vista a competição. A questão é esta: cada um opta pelo caminho que está mais direccionado para o seu objectivo final. O nosso é colocar a equipa a jogar segundo o nosso modelo de jogo.” Rui Faria

Citando um comentário na última caixa de comentários, sobre o que o treinador leonino supostamente pensava que poderia ser a sua época "...Supostamente a partir do 1º terço do campeonato o Sporting mostraria a sua pujança.", fica a questão. Afinal por onde caiu o Sporting? Foi pela capacidade física? Compare-se os últimos posts com imagens dos jogos de Sporting, FC Porto e SL Benfica, e perceba-se a organização táctica de uns e outros. Ter Rojo mais rápido e mais resistente faria como que o argentino deixasse de se deslocar para a linha lateral em perseguição de um adversário, abandonando o centro do jogo? 

"Nesta fase do campeonato a minha equipa já decidia com perfeição o que deveria fazer e neste esquema, o Costinha foi um jogador fundamental, com decisões sempre acertadas. Portanto, quando se dizia que nós estávamos melhor preparados fisicamente que os outros, ou até que a nossa preparação era diferente, eu sempre respondi que não se tratava nada disso..."  José Mourinho.


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Treinar só jogando. De Sá Pinto a Vercauteren.

"Agora fazemos muitos treinos com alta intensidade, com muita bola e pequenos jogos competitivos." Schaars. 

Então, com Sá Pinto era tudo à Educação Física da década de 80? Circuitos, filinhas com fartura e exercícios estritamente técnicos?

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O legado de Sá Pinto. Take II, ou uma das piores equipas a defender do futebol europeu.

Alguns lances poderão eventualmente, estar descontextualizados. Não me foi possível, ainda, rever o jogo, e os lances são retirados deste resumo.

Os resumos não mostram na totalidade o que leva a determinadas situações em termos posicionais, pelo que  é possível que sejam cometidas algumas injustiças de julgamento em um ou outro lance. Todavia, e pelo histórico de erros posicionais da defensiva leonina, o mais provável é que não haja mesmo qualquer injustiça. Em termos colectivos, defensivamente este é o pior Sporting da última década. Também por isso, Rojo e Boulahrouz parecem a pior dupla de centrais leonina a que a memória nos faz chegar. Mas, os laterais têm-se juntado ao rol de disparates defensivos. A culpa terá de ser atribuída a quem não treinou minimamente a interpretação e coordenação dos seus defesas às diversas situações de jogo. Cada um joga por si e o resultado são jogadores na fogueira. Justamente? O tempo o dirá. 













segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O legado de Sá Pinto

"PB, não esquecer uma coisa.
Posicionamento pode depender da capacidade de encaixe de um jogador, mas uma percentagem maior dependerá mais da forma como o treinador transmite a informação, ou falta dela. Na defesa do SCP nem só Rojo faz isso, todos os outros centrais também o fazem. Isso indica algo." Escrevia assim o Jorge D. do blog Centro de Jogo, num post em que se criticava Rojo pelas suas constantes e habituais falhas posicionais. 

Não se enganou. Colectivamente a ex equipa de Sá Pinto é muito possivelmente a pior no momento defensivo do jogo de toda a Liga portuguesa. Há não muito, quando comparávamos as loucuras de Jesus com a recente loucura de Sá Pinto (corredor central despovoado), referimos que pelo menos as equipas de Jesus sabiam o que fazer no campo. Podiam defender com poucos, mas estavam preparadas para o fazer. Este Sporting não tem um mínimo de coordenação colectiva defensiva. Ninguém se liga a ninguém, ninguém dá as melhores respostas posicionais a cada situação nova. Sem bola é uma equipa à deriva no campo. Os erros individuais sucedem-se e é difícil separá-los da ausência de trabalho colectivo.

Depois de vários insucessos, talvez seja fácil condenar o Sol e as estrelas. Todavia, o grande problema do Sporting é hoje, o mesmo de há muito tempo. Ausência de competência na equipa técnica. Alguém que tenha um mínimo conhecimento do jogo e que saiba transportá-lo para o campo. E é mais do que óbvio que nenhuma destas condições esteve reunida nos últimos anos. 

Não parece tolerável nos dias que correm, com tanta informação disponível haver uma equipa tão desorganizada sem bola como a que Sá Pinto deixou. 







domingo, 30 de setembro de 2012

Sá dá uma de Jesus e assim, até a Europa fica em risco

Por favor alguém que avise o Sá Pinto que a sua versão Jesus levará o Sporting para fora dos lugares europeus.

Nem é tanto pelas individualidades de um e outro lado, ainda que contar com Salvio, Lima, Rodrigo, Garay e outros que tais confira desde logo vantagem a Jorge Jesus. A questão é mesmo pelo tipo de respostas colectivas que uma e outra equipa estão prontas para dar.

Em tempos Jesus afirmou que a sua equipa era uma das melhores da europa a defender com pouca gente. E é verdade que assim o é. A equipa do Benfica está preparada para posicionalmente responder às situações em que fica com apenas dois, três, quatro, cinco ou seis jogadores atrás da linha da bola. A equipa fica altamente desequilibrada, mas pelo menos tem a vantagem de saber interpretar as diferentes situações de jogo e dar as respostas que são pedidas a cada momento. Aliada à pouca capacidade para definir assertivamente os lances dos adversários que vão aparecendo pela Liga, vai dando para somar inúmeros pontos.

Ainda pior que ter uma equipa organizada num sistema táctico desequilibrado, é não ter os jogadores preparados para interpretar o que o jogo pede. Xandão não se destacaria nem na segunda divisão. Rojo anda à deriva em campo. Os seus traços individuais até parecem bem interessantes, contudo, por vezes fica a sensação que nunca foi sequer defesa, ou pelo menos nunca jogou da forma como lhe é pedido que o faça agora. Parece uma criança a ver o jogo dentro do relvado. Os laterais entram no desespero do resultado que não aparece e jogam (sem bola, essencialmente) sem qualquer critério. A dupla do meio campo tem muita qualidade individual e muita perseverança, mas zero de entrosamento. Não se percebem permutas e o vazio no corredor central faz-se notar. Quando Rinaudo sai à bola, ou é apanhado desposicionado seria obrigatório Izmailov recuar para trás do argentino, colocando-se numa situação de cobertura, sempre entre a bola e a baliza. Um posicionamento indispensável numa dinâmica com apenas dois médios no corredor central, que já havia sido explicado aqui e aqui.

Sem quantidade nem qualidade de entendimento na ocupação no corredor central, basta a qualquer adversário querer sair a jogar no pé quando recupera a bola e qualquer equipa da Liga pode perfeitamente ganhar em Alvalade. Imagine quando for fora de casa...

Enfim, no Sporting tudo parece aleatório e sem dinâmica. Cada um joga por si, sem qualquer entendimento do que é o jogo. O Sporting B venceria o Sporting A, e se Sá Pinto continuar a lançar dados, ao menos que o faça com os miúdos que saíram da formação. É que esses estarão prontos para entre eles resolver tacticamente o que o seu treinador não percebe.

P.S. - Os últimos dois jogos do Sporting mostraram a maior desorganização e desnorte de sempre. Nem na distrital se anda tão à deriva como em Alvalade por estes dias.

sábado, 29 de setembro de 2012

Este Sporting é mesmo de Sá Pinto

Tudo coração, zero de organização.

Já o havia mostrado no jogo em que sofridamente havia derrotado o Gil Vicente em Alvalade.

Pelo caminho que leva, começa a ser muito difícil imaginar que entre sequer na luta pelo pódium. Todo e qualquer pensamento diferente deste não passa de mera fé.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Deixar sair a jogar preparando uma armadilha para recuperar ou obrigar a bater longo?

Desvendou, no final do jogo, a sua estratégia, Sá Pinto.

Deixar o adversário sair a jogar com bola no pé para em determinada zona (algures entre o meio do meio campo ofensivo e a linha do meio campo) recuperar a bola para sair rápido para o contra-ataque. Ou seja, a Sá Pinto interessava sobretudo que o adversário não batesse a bola na frente, para poder começar a construir com menos oposição atrás da linha da bola. Uma estratégia que será interessante, dependendo da capacidade e tomada de decisão (no momento em que "aperta" o espaço) dos adversários.

Um grande problema da estratégia é partir do pressuposto que o adversário quererá assumir o jogo em organização ofensiva. E enquanto o Sporting tiver o peso histórico que tem, nenhum treinador de equipa nenhuma em Portugal, ou na Liga Europa (salvo excepções que surgirão mais à frente na fase a eliminar), jogará o jogo que Sá Pinto pretende que joguem.

Ontem o Basel simplesmente arriscou zero. Preferiu não jogar, trocando a bola entre centrais e guarda redes (muito interessante com os pés). Sempre que o espaço fechava, voltava atrás e nunca chegou com bola dominada à zona que Sá Pinto havia idealizado para recuperar. Na Liga portuguesa quando o espaço fechar, não se voltará ao guarda redes, mas irá bater-se a bola longa na frente. E aí, porque já tem as linhas mais recuadas, o Sporting perde até capacidade para jogar mais tempo no meio campo ofensivo. A primeira bola será disputada algures no meio do meio campo defensivo

Um exemplo do que faz Jorge Jesus. Não deixa sair a jogar, posicionando a linha defensiva desde logo na linha do meio campo. A bola é batida longa, e o máximo que os defesas/trinco encarnado recuam para a disputar são dois, três, quatro, cinco metros. Quando a bola é ganha, o jogo continua sempre a decorrer no meio campo ofensivo, e não raras vezes, logo com apenas sete, oito adversários atrás da linha da bola, porque o avançado e por vezes os extremos adversários já estão fora da situação de jogo.

É louvável perceber que há estratégia em Sá Pinto. Preocupante, contudo, perceber que Sá parece convicto que as equipas vão querer assumir o jogo contra o Sporting. Vão querer jogar o jogo que Sá Pinto idealiza.



domingo, 16 de setembro de 2012

Rojo e sobretudo Xandão, campeões do chutão.

Ponto prévio. O Marítimo tem uma equipa cheia de excelentes individualidades. Não é crível que muitas equipas consigam ir vencer aos Barreiros.

A mesma estratégia de Pedro Martins para o mesmo adversário. Não se pode criticar. Havia sido feliz uns meses antes, com a opção dos longos lançamentos directos para as costas adversárias, ou para o espaço do lateral que havia subido no relvado. Aqui e ali foi assustando o Sporting. Todavia, e ao contrário do que havia sido o jogo da época transacta, a dupla de centrais do Sporting revelou-se muito capaz no controlo da profundidade. Teria o Marítimo sido mais feliz se optasse nos primeiros dois terços do jogo por explorar o espaço que resultava do "abaixamento" dos centrais leoninos? Muito provavelmente sim. A partir do momento em que em desvantagem explorou um tipo de jogo diferente foi chegando com aparente facilidade às imediações da área adversária.

Não se percebeu o pontapé de baliza directo para o lateral que ofereceu por várias vezes a bola ao adversário, nem se percebe ainda a vantagem de mesmo nos momentos em que o adversário está remetido ao seu meio campo defensivo, o Sporting continua com cinco jogadores (laterais, trinco e centrais) no seu próprio meio campo. O médio ou laterais "pegam" demasiado cedo no jogo e a situação de jogo passa desde logo a ser de 6x10, sendo que Adrien e Elias permanecem demasiado tempo escondidos. Uma inferioridade muito grande que condiciona desde trás o processo ofensivo. As ideias não abundam e chegar à baliza adversária parece tarefa hercúlea. As situações em que a bola ainda ronda as balizas adversárias, nascem de cruzamentos dos laterais altamente condenados ao insucesso, pela pouca presença (em quantidade e qualidade) na área adversária.

Por vezes parece que é a fé em Carrillo que move o Sporting. O peruano é um jogador bestial. Velocidade e drible desconcertante, conduz sempre na direcção da baliza adversária, jogue em que corredor jogar. É ao momento o único jogador leonino capaz de se superiorizar aos adversários seja pelas acções individuais seja pela forma como interage com os colegas. Temporiza e serve quando assim o deve fazer os seus colegas. Sem ele, ofensivamente não existe Sporting. Pelo menos enquanto não se puder saudar em definitivo o regresso de Izmailov.

Xandão não jogaria no Marítimo. Ou mais do que isso, não jogaria numa equipa de Pedro Martins. Inacreditável a falta de classe do central do Sporting. E Rojo em determinados momentos pareceu querer imitar o colega de sector. Há quem pense assim. Os defesas são para defender, e desde que não cometam "gaffes" a sua exibição é perfeita. O grande problema das equipas que jogam com centrais cuja única opção defensiva é cortar e ofensiva "despejar", é que passam demasiado tempo sem a bola. E todos sabemos que não ter bola é o primeiro caminho para consentir ataques e situações de perigo. Talvez Sá Pinto deva sentar todo o plantel a assistir à última meia hora de jogo da equipa de Oceano. Depois de estar a vencer o Sporting B revelou uma maturidade que o Sporting de Sá Pinto ainda não atingiu. E talvez não chegue mesmo a atingir. É que a maturidade começou, curiosamente, desde logo na categoria de Llori e Pedro Mendes, os centrais da equipa leonina que rejeitam/rejeitaram o chutão. Na última meia hora em Arouca e depois de estar em vantagem no marcador, só o Sporting tocou na bola e muito se deveu à primazia dada pela posse. No dia em que Llori ou Mendes perderem uma bola em zona proibida, todos estarão prontos para os "matar". Por aqui, saberemos que só arriscando, mesmo sabendo que aqui e ali um deslize poderá ser cometido, se poderá atingir um nível elevado. E quando o deslize chegar, tudo o que ofereceram para trás já compensou.

Ainda que desfalcados em pontos determinantes (perdido o abono de Vitor Pereira e Jesus que jogará meia época sem meio campo e sem um central de qualidade indiscutível ao lado de Garay), não parece que a luta do Sporting possa ser a mesma de FC Porto e SL Benfica. Talvez uma inesperada (pelo tempo que Sá Pinto já leva de Sporting) evolução e uma resposta categórica daqui por três semanas no Dragão mude opiniões. Mas em Alvalade talvez as atenções devam estar sobretudo focadas naquilo que o Sporting de Braga pode fazer. É que objectivos irrealistas conduzem a frustração. E a frustração conduzirá o Sporting a um lugar ainda pior que o que pode de facto almejar.

P.S. - Poderia o Sporting, de facto, ter chegado ao dois a zero. Em determinado momento tal pareceu possível e expectável. Coincidiu com a entrada de André Martins e sobretudo com o momento em que com mais espaço Carrillo quase resolvia o jogo sozinho. Carrillo. Apesar de tudo, talvez com um jogador igual ao peruano do lado oposto, os três pontos tivessem sido uma realidade.

domingo, 9 de setembro de 2012

Estás a fazê-lo errado, Capel.

"Esse papel é de outro (sobre marcar golos). O meu é um pouco mais aquele que dá a marcar"

"...nos jogos em que as equipas se fecham mais, é mais difícil entrar pelas alas, pelo que temos de entrar por outro sitio" Diego Capel

Diego Capel teria sido um jogador muito importante no futebol, se tivesse vivido o jogo uma ou duas décadas antes. O epíteto de extremo à moda antiga assenta-lhe bem. Não é um elogio, porém. Ao contrário o que se quer fazer crer. O espanhol desequilibra com aparente facilidade no 1x1, mas segue sempre o caminho onde há mais espaço. O do corredor lateral. Entende que o seu jogo é driblar e cruzar. Jogar um contra um com o lateral adversário e servir o ponta de lança na área. 

Percebe-se pelas suas afirmações que reteve pouco da escola da catalunha. Ainda assim, porque as suas qualidades individuais são bastante interessantes, poderia dar mais ao jogo da sua equipa, se fosse criada uma dinâmica colectiva que aproveitasse o facto de ter facilidade em situação de 1x1 com espaço para correr. Até à data, as tentativas para lhe aumentar o rendimento incidiram sobretudo pela alteração nos espaços que pisa. A troca do corredor esquerdo pelo direito seria interessante e tornaria o seu jogo mais imprevisível se fosse criada a tal dinâmica de conjunto que aliasse movimentos de aproximação a outros de ruptura. Tudo o que parece que foi feito foi apenas um jogar numa nova posição, sem alterações nas dinâmicas. Não raras vezes se vê Capel a ganhar o espaço interior, mas a terminar os seus ataques com cruzamentos, desta vez ainda mais inócuos porque feitos no sentido da linha final.

P.S. - No jogo de Alvalade contra o Rio Ave foi demasiado frustrante perceber que não só Capel, mas quase todos os seus colegas pareciam ter como única preocupação despejar bolas para a grande área, ou rematar de todas as maneiras, feitios e distâncias. Foi o Sporting mais paulosergizado de sempre. Desespero pelo avançar do relógio ou algo mais preocupante?

segunda-feira, 28 de maio de 2012

The way I see it, and the way they play it. Sporting no Jamor. Take I.

Progredir no campo em passe, de pé para pé. O formar de triângulos ao redor do portador da bola. Aproximar para receber no pé mesmo que antes se simule a profundidade, e não fugir para receber nas costas. Não há aqui certo ou errado. Apenas o que uns fazem e outro(s) acredita(m) ser melhor.










quinta-feira, 24 de maio de 2012

Final da Taça. Golo da Académica no Jamor

A descoordenação inicial. 

Os dois centrais que saem à mesma bola, deixando um vazio incrível no corredor central. A inexistência de movimento interior quer de um quer de outro lateral, precavendo a saída de um dos centrais (e saíram os dois).


A lenta reorganização defensiva. Mesmo com um central lesionado, teria sido possível aumentar a distância da linha de cobertura para o jogador na contenção. O cruzamento poderia ter sido defendido de frente. A velocidade a que tudo decorre dificultou de sobremaneira a leitura do lance, é certo. Todavia, só atingem a excelência, as equipas que de forma bem célere dão as melhores respostas às diversas situações. Pensar e agir rápido e bem diferencia os melhores jogadores dos demais. Mas, é no processo de treino que nos aproximamos ou afastamos do sucesso. 


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Os adeptos não são muito espertos, mas o Sá Pinto também não ajudou.

Mesmo percebendo o intuito de condicionar uma das mais valias da Académica, não se pode deixar de crer que as declarações de Sá Pinto sobre Adrien foram absolutamente patéticas, se recordarmos que o treinador do Sporting, ainda mais que atleta foi um profissional exemplar.

Por motivos profissionais não vi a final da Taça de Portugal.

Curioso por tentar perceber o que se terá passado, enquanto não vejo a gravação, esta manhã mais do que nunca tenho espreitado imensos blogs. Em todas as caixas de comentários parece haver sempre alguns espertos que garantem que Adrien porque fez uma excelente exibição, porque foi de uma incrível perseverança  e porque lutou ao limiar do seu esforço, sempre com qualidade, para conquistar um troféu junto do grupo que o acolheu na actual temporada, não tem mais condições para jogar no Sporting.

Como muitos destes comentários devem provir em grande parte dos mesmos espertos que criticaram a entrega do melhor profissional que recordo em muitos anos do campeonato português (João Moutinho) não estranho. Apenas lamento.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Os parabéns a Sá Pinto

Não conhecia o Athletic. Em Alvalade não havia estado este Bilbao. Mérito de uns ou demérito de outros? Um pouco de ambos seguramente.

Impossível crer que ontem o mundo não se tenha rendido ao futebol dos bascos. Com um quarto de hora de jogo, os espanhois já tinham entrado com a bola dominada na grande área leonina uma mão cheia de vezes. Verdadeira avalanche de futebol ofensivo. Linhas de passe, mais linhas de passe, mobilidade mais mobilidade. Incrível facilidade para penetrar na direcção da baliza do Sporting. Bastaram quinze minutos para se perceber a qualidade ofensiva dos homens de Bielsa.

Todavia, o Bilbao é, ou foi sempre uma equipa bastante débil sem bola. Ocupa mal o espaço, persegue a movimentação e expõe-se. Bielsa em tempos referiu que para defender, manda correr. Mas, como o Bilbao defensivamente há milhares. A questão é que é preciso qualidade ofensiva para explorar tais debilidades.

E ai os parabéns a Sá Pinto. Fez tudo bem. Podia ter sido feliz, mas não foi. Só havia uma forma de seguir em frente. Fazer golos. O Sporting pode voltar a Bilbao o número de vezes que for necessário, que é altamente improvável sair de Espanha sem sofrer dois, três, quatro golos. O caminho o Sá procurou. Ir atrás do resultado. Procurar o um a um, o dois a dois, o três a três, o quatro a quatro. Não aconteceu. Não se pode é deixar de pensar que sem a coragem do seu treinador, o Sporting não teria sido vergado inapelavelmente.

Por coragem entenda-se André Martins, Matias e Pereirinha em simultâneo. Só assim poderia o Sporting continuar a responder e a ir atrás do resultado.

Foi infeliz por pouco. Não que se possa clamar por injustiça. O Athletic jogou, jogou, jogou. O Sporting respondeu. Poderia ter dado para o outro lado. E isso é um bom elogio.

E o miúdo, hein?

Tweets de ontem

Com 0 a 0.

"Vendaval de futebol ofensivo do Bilbao. Mas o Sporting tem mais que capacidade para fazer até mais que um golo"

Com 1 a 0

"defensivamente é o adversário mais fraco do SCP até à final. Ou entao é porque juntaram Matias ao André que assim parece"


"percebo agora todos os elogios . Maquina ofensiva. Mas defende muito mal. Tudo é possivel e o Sporting vai marcar"

Com 1 a 1

"Falta um!"

Com 2 a 1

"Já não sei se só falta um. O Bilbao tem capacidade para fazer mais 1 ou 2. O Sporting tem de continuar a responder, porque também vai fazer golos!"


Hoje Sá arrisca-se a ir à final. Sem ele (que é como quem diz sem Pereirinha, Matias e Martins) o Sporting seria trucidado. No matter what...está de parabéns! Fosse para lá com a trincalhada toda e já estaria tudo resolvido"


quinta-feira, 26 de abril de 2012

terça-feira, 10 de abril de 2012

Justo, ainda que curto

Até ontem não tinha sido bom o Sporting de Sá Pinto. Tem ganho quando precisa realmente de ganhar, mas não havia sido bom. Defende com todos, mas sempre incapaz de sair para o contra ataque. Incapaz de ter a bola.

Ontem foi diferente. Talvez não se deva arriscar creditar todo o mérito ao Sporting e ao seu treinador. O Benfica foi o que é. O que havia sido contra o Sporting de Braga. E foi o mesmo Benfica da última derrota com o Sporting, na altura com Quique Flores ao comando. Quatro Quatro Dois clássico, e uma incrível incapacidade para garantir uma boa transição defensiva. São demasiados os jogadores que jogam à frente da linha da bola e a cada perda sobram por norma apenas quatro para defender (os centrais, Javi e um dos laterais). O Braga não goleou na Luz porque não teve Matias ou Izmailov a conduzir os ataques rápidos. O Sporting não goleou em Alvalade porque não tem Lima para finalizar as suas jogadas. E é assim que o Benfica vai sobrevivendo. Muito pela latente falta de qualidade aqui e ali de um ou outro jogador adversário. É bom não ter de ir ao Dragão nesta fase da época.

Curioso que Jesus tenha criticado de forma bastante acérrima os treinadores britânicos e de forma indirecta Quique Flores, mas que uns anos depois se tenha convertido ao sistema táctico de quem tanto criticava, mesmo que consiga na sua dinâmica ter uma boa relação entre linhas. Pelas suas ideias (Javi) e pelas ideias dos seus melhores jogadores (Aimar e Saviola).

E é muito pela péssima resposta táctica do Benfica que se condiciona um pouco a análise às virtudes leoninas. Defendeu junto o Sporting, com alma, coração e cabeça. Soube aceitar e perceber que o domínio do Benfica o favorecia. E soube sempre que mais tarde ou mais cedo o adversário se haveria de descompensar. Soube esperar e teve na classe de Matias quem conduzisse os mortíferos contra-ataques. 

Era um jogo de paciência para o Sporting. Sá Pinto foi capaz de incutir essa mesma necessidade de saber esperar, e o jogo tornou-se muito mais fácil para o Sporting que para o Benfica. Mais fácil porque quando atacava encontrava situações de 3 ou 4x 4 ou 5 com meio campo para correr. Mais fácil porque quando defendia as situações eram de 6,7 x 9,10, em apenas meio campo. 

Jogo bastante semelhante ao Benfica x Braga onde o Benfica também havia sido subjugado ao longo de quase toda a partida. Por incapacidade individual não ganharam uns e não golearam outros.

Notas Individuais.

Matias. Melhor jogo do chileno em Portugal. Classe, classe e mais classe. Cada ataque por si conduzido parecia ser bola de golo. As suas simulações, o seu toque de bola, as suas decisões. Matias foi o homem do jogo, numa exibição verdadeiramente soberba.

Izmailov. Sabe quando progredir e quando soltar. Defende com tudo, sempre concentrado no jogo. Umas vezes mais sacrifício que inspiração, mas o russo é fantástico. É um jogador inteiro. Técnica, táctica (a ocupar e a decidir) e fisicamente, quando apto.

Elias. É certo que o adversário quando usa em simultâneo Cardozo e Rodrigo perde qualidade entre sectores. Todavia, Elias fez um jogo muito interessante. Sempre rapidíssimo a pegar em quem recebia a bola na sua zona, não permitiu nem por um instante que o Benfica trocasse a bola à frente dos dois centrais, que salvo as coberturas que foram obrigados a dar aos laterais puderam ter um jogo descansado.



segunda-feira, 5 de março de 2012

Linhas de passe. Porque por vezes o jogo pode ser tão simples.

"A segunda parte foi melhor. Criámos mais linhas de passe" Sá Pinto.

Curioso como algo tão simples é o mais determinante para qualquer jogar. Ofensivamente, quase tudo se resume a linhas de passe e tomada de decisão com bola. Muitas linhas de passe são sinónimo de maior imprivisibilidade, maior capacidade para manter a bola e maior capacidade para criar movimentos de ruptura.

Na actualidade, são os dez jogadores que não têm bola que mais devem contribuir para o sucesso da equipa, pela forma como devem "ajudar" o portador da bola a todo o instante.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Dar tempo ao tempo. É no exercício que se evolui. Não na palestra.

Também relacionado com isto.

Como mencionado num comentário "As ideias podem e devem ser copiadas. Isso é fácil e possível. Dificil é saber operacionalizar por forma a acontecer o que se quer que aconteça. É fácil ter boas ideias, e perceber o jogo. Difícil é colocar isso na prática. Não pense que é só dizer, olha quero assim e as coisas acontecem...".

Faz uma certa confusão haver quem se precipite ofertando desde já opiniões sobre o (mau) futebol do Sporting de Sá Pinto. Até porque o futebol do Sporting de Sá Pinto, ainda não existe. Este é o Sporting de Domingos, ou o Sporting de ninguém, se preferir.

Entre viagens e competição quantas sessões de treino já orientou a nova equipa técnica? No futebol, o mais fácil é escolher um onze e muito raras vezes faz sentido discutir a competência dos treinadores com base nas suas opções técnicas. Essas, qualquer um as poderia fazer, e ninguém poderá garantir com grau de certeza elevado que umas são ou seriam melhores que as outras.

É verdade que verbalmente na palestra se podem mudar algumas coisas (apenas aspectos gerais, nunca pormenores, que no fundo é o que mais importa e o que faz a diferença). E é verdade que só por aí se pode perceber que os jogadores tentam fazer as coisas diferentes em relação ao passado recente. Todavia, o desempenho de um treinador (incremento da qualidade de jogo da equipa) só pode ser aferido após um período relativamente longo de inúmeras sessões de treino.

Reafirmando. O perceber o jogo e o pedir o que se pretende é fácil. Difícil e determinante é operacionalizar no exercício para chegar onde se pretende. E aí, Sá como qualquer outro, precisará de tempo para no treino promover as necessárias alterações.