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sábado, 27 de setembro de 2014

Controlo da profundidade zero. Sporting de Marco Silva.

A profundidade controla-se tendo em conta alguns princípios simples.

Pressão sobre o portador. Mais subida se há, mais baixa se não há.
Distância para a bola. Que será sempre bem mais longa se não houver pressão sobre o portador, para que o passe nas costas para passar entre a última linha tenha de ir com força suficiente para chegar ao guarda redes ou ir para fora.

"Eu acho o Jesus fantástico na forma como comanda a defesa, mas digo-lhe já, a maneira como ele trabalha é difícil de seguir. Não é mesmo para toda a gente. Ele exige muito com a história da bola coberta bola descoberta: se o adversário que tem a bola está com alguém por perto, a equipa não se mexe, se o adversário que tem a bola está sem ninguém por perto, a equipa tem de recuar" Quim

É certo que os centrais do Sporting fazem lembrar o filme "Dumb and dumber", mas não é menos certo que nos "pormaiores" há pouquissimos treinadores no futebol mundial ao nível do treinador do SL Benfica. E Marco Silva não é um deles.

P.S. - E em praticamente todos os jogos da presente época Patrício vai resolvendo no 1x0. Também um dos melhores a nível mundial nessa pequena situação de jogo.


sábado, 13 de setembro de 2014

Nani contornou-os. Faltou contornar Slimani, Mauricio e Sarr.

Há não muito, numa caixa de comentários, em tom de brincadeira referi que em Portugal "Nani vai contornar pinos". Excelente a ideia de Marco Silva ter Nani no corredor central. O talentoso desequilibra, desequilibra. Porém, não há qualquer movimento com sentido enquanto o talentoso chama a si adversários directos de colegas seus. 

Encaixado no Sporting, percebe-se ainda mais a diferença estratosférica para os seus colegas. Não só consegue criar desequilibrios com imensa facilidade, pela forma como ultrapassa sempre o adversário directo, como garante sempre que não há transição adversária pela responsabilidade com que opta pelos momentos de desequilibrar. Incrível que o Sporting não tenha ao redor do portador uma movimentação que aproveite as saídas ao portador de vários jogadores adversários.

Aos problemas colectivos ofensivos que urgem resolver (nem tudo se resolve com chegar à linha e cruzar para Slimani! O argelino não é Jardel!) as dificuldades individuais. Em dez de campo ter três jogadores que não sabem sequer dominar uma bola torna tudo muito mais complicado. Sair aos centrais do Sporting com bola não chega sequer a ser preocupação, porque já se sabe que não sairá nada dali. 

Desde o início que aqui se afirmou que este seria um ano terrível para um treinador entrar no Sporting. A pontuação da época transacta foi desajustada face à qualidade de jogo e das individualidades da equipa, e tal facto elevedou a fasquia para níveis praticamente impossíveis de cumprir por Marco Silva. Não se pode exigir a treinador nenhum no mundo que jogando com dois centrais de distrital vença troféus a nível nacional. Ter jogadores que não servem para jogar o jogo, mas apenas pequenos momentos do jogo (Slimani só para finalizar. Mauricio e Sarr só para defender, e mal) é um retrocesso ao futebol da década de noventa. 

Se os jogadores com maior participação com bola no jogo são os centrais, que sentido faz tê-los apenas porque são grandes e físicos? É de trás que se começa a desequilibrar. Ainda assim, mais à frente Nani fê-lo em número suficiente para com outras movimentações, outra qualidade, o Sporting vencer o jogo.

P.S. - Tal como na temporada passada, Rui Patrício continua a ser o jogador do Sporting que mais intervenções verdadeiramente decisivas tem tido. Foi assim em cada um dos primeiros quatro jogos da Liga. Em Coimbra notável ainda antes do empate. A terminar ainda com 0 a 0 frente a um isolado avançado do Arouca. Na Luz. E novamente a Deyverson. Sintoma de...?

domingo, 31 de agosto de 2014

SL Benfica x Sporting. Primeiras impressões. Individualidades.

Artur. Tudo o que se possa dizer será pouco. Não foi só a bola que entrou, ou aquelas palermices nos cantos que todos conseguem perceber. Há também a falta de categoria gritante no ajustar com a profundidade da equipa (viu-se Jardel a fazer sprints para trás para cortar para fora bolas na área, quando era o guarda redes quem tinha de estar posicionalmente preparado para agarrar os lançamentos na profundidade adversários). Já valeu vários títulos a adversários. Hoje foram pontos.

Eliseu. Grande exibição defensivamente. Cada vez mais dentro das ideias da equipa, a funcionar como interior esquerdo quando bola no corredor direito e como ala esquerdo quando bola no corredor central na fase de construção. Forte no 1x1 defensivo, e com boa qualidade técnica para sair para o ataque. Prova a cada jogo porque tanto se insistiu na sua contratação.

Jardel. Ao nível a que chegou o SL Benfica nos últimos anos, é um downgrade. Não tem saída de bola com qualidade e nos jogos de maior competitividade tal nota-se. Defensivamente é de uma enorme competência. Todavia, as dificuldades técnicas fazem-se sentir. Seria um terceiro óptimo defesa central.

Talisca. Uma das boas exibições. Tem mostrado mais argumentos mais próximo da baliza adversário que mais atrás, ainda que todo o seu potencial indicie que deve ser trabalhado para ser médio. Sobretudo porque mais adiantado pode assumir mais o risco sem que a gravidade das consequências da sua acção se faça notar, como no jogo do Bessa.

Sálvio. Entre o péssimo e "frisson". É imparável no 1x1 ofensivo e muitas das jogadas perigosas do SL Benfica crescem pela sua qualidade técnica e física. Porém, joga sozinho, força o 1x2 e o 1x3 vezes sem fim, e quando a bola chega a si, demasiadas vezes sai para transição ofensiva do adversário. Difícil para uma equipa assumir um jogo em organização quando um dos seus elementos dá tantas e tantas e tantas vezes a posse. A finalizar onde costuma ser o mais competente dos encarnados, não foi feliz e perdeu diversas bolas de golo.

Sarr e Maurício. Péssimos. Relembre as dificuldades de Jardel e junte-lhe a incapacidade para perceber as situações de jogo e como adaptar a elas em termos defensivos. Os centrais do Sporting são uma tragédia à beira de acontecer. Só físico e zero de qualidade técnica e táctica.

William. Não começou ao seu nível nas saídas para transições. Melhorou na segunda parte tecnicamente. Enzo não o deixou ter bola e acabou por se notar mais no trabalho defensivo.

Nani. Grande qualidade. Tirar-lhe a bola não parece ser possível, então há que aproximar para o impedir de ir para cima. O português não deu tanto nas vistas como Sálvio, porque... foi bastante superior. Analisa e decide. Dá sempre seguimento. Prende, simula, conduz, fixa, solta sempre bem. A meio gaz percebe-se que está muitos níveis acima dos que o rodeiam.