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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Apoio frontal. Porque quando procuras o meio, és imprevisível.

Ainda que tenha sido bem sucedida, é imprudente considerar a movimentação de Ricky perfeita. O mérito de ter conseguido, mesmo apertado, soltar de novo em Schaars é imenso. Desde o momento em que recebeu a bola, a sua acção foi notável. Todavia, foi muito mais o centrocampista que descobriu o avançado, que o avançado que se libertou e ofereceu opções ao portador da bola.

A ausência de combinações ofensivas que procurassem explorar o espaço à frente dos centrais do SL Benfica foi claramente a maior pecha, e porventura a que mais impediu o Sporting de sair da Luz mais próximo da liderança.

Ricky não deu propriamente um bom apoio ao portador. Foi Schaars quem imaginou tudo. Todavia, pelo sucesso da jogada, talvez Wolfswinkel perceba a vantagem que há, em determinados momentos servir de apoio no corredor central, começando a mostrar-se mais disponível. E talvez, quem saiba o Sporting passe a explorar mais outras opções que o tornarão mais letal em organização ofensiva.



sábado, 8 de outubro de 2011

Stijn Schaars. O geómetra.

Pode, pela primazia que dá à circulação da bola, até nem se dar muito por ele. É, porém, um dos jogadores em destaque no crescimento do Sporting. Sabe relacionar-se com o espaço e percebe claramente os momentos em que deve sair para pressionar o defesa adversário portador da bola, e os momentos em que se impõe que baixe para o apoio ao trinco.

Boa técnica de passe, bem visível essencialmente quando opta por manter a bola na relva, Schaars sabe quando entregar no pé, ou no espaço. Está sempre disponível para receber e dar seguimento à posse.

Ainda que não tenha um histórico importante de golos, percebe-se que tal pode ser fruto da posição que ocupava no campo em épocas passadas. É que Stijn demonstra muita qualidade no pé esquerdo quando tem de bater a bola.

Com a lesão de Izmailov, parece claro que terá ao longo de toda a época um papel importante no Sporting 2011/2012.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Pressão para Domingos

Nunca nos anos mais recentes, teve o Sporting a possibilidade de formar um onze com a qualidade individual que promete vingar em Alvalade na presente época.

A pressão e a responsabilização sobre o treinador será, e terá mesmo de ser, maior que nunca. Há, porém, que garantir uma forma correcta de avaliar o seu trabalho, para além dos troféus que almejar. Se Domingos mostrar competência estará mais próximo de ser feliz, mas não há garantia de que bastará a sua competência para levar o Sporting aos títulos.

Se numa Liga juntarmos os melhores dezasseis treinadores do mundo, os que ficarem nos últimos lugares são incompetentes? E se juntarmos os piores. O campeão passará a ser competente?

A Domingos deve ser exigido futebol. Uma equipa segura a defender, próxima e solidária. E ao mesmo tempo, ser ofensivamente capaz de chegar com assertividade, qualidade e frequência às zonas de finalização.

Se pudesse entrar naquela mente, esqueceria imediatamente a linha de quatro médios ofensivos nas costas de um avançado, e prepararia o quanto antes o tradicional 4x3x3. Crê-se que jogadores como Schaars ou Elias beneficiariam imenso a jogar uns metros mais recuados, e a levar o jogo de trás para a frente. E o brasileiro até parece ter uma chegada à área adversária bem interessante.

E seria com Rinaudo a trinco, uns metros à sua direita e esquerda, com Elias e Schaars (ou Izmailov), Jeffrén a extremo esquerdo, tal como na maioria dos minutos que somou em Barcelona, e Izmailov (ou Capel) a extremo direito, com Bojinov a avançado, que iniciaria o que falta da presente época. Sabendo que fora do onze, há ainda várias opções interessantes, com capacidade para poder mudar a ideia inicial.

A Domingos não deve ser exigido o título. É indesmentível que disputa o troféu com adversários mais apetrechados. Deve, todavia, ser exigido um jogar totalmente diferente do que nos foi apresentado no início de época. Daqui por um mês, qualquer resultado menos bom terá de ser uma fatalidade, e não fruto da incapacidade da equipa em produzir jogo.

P.S. - Sobre as ocasiões de golo. Diz-nos o site da Liga que o Sporting é a equipa que mais ocasiões cria. Vinte e três, contra dezoito de Benfica e dezassete do FC Porto. Talvez o problema seja englobar todo e qualquer lance que termine com remate perigoso à baliza, em ocasião de golo. É que exceptuando o golo de Izmailov no primeiro jogo, o mal anulado de Postiga, e a incrível perdida de Capel em Aveiro, é difícil recordar onde esteve o Sporting mais próximo do golo, do que Hulk quando cobrou dois penaltys, do que Nolito quando isolado só com o guarda redes do Gil Vicente fez golo, e quando sem ninguém ao seu redor, já próximo da pequena área rematou para a baliza deserta do Feirense, do que Cardozo quando praticamente na linha de golo encostou para o segundo golo no jogo com o Feirense, do que Saviola que recebe um passe atrasado rasteiro a menos de um metro da linha da pequena área, quando chega ao golo em Barcelos, ou do que Bruno César que percorre toda uma avenida e termina a finalizar em zona central só com o guarda redes à sua frente na Madeira. Considerar que estes lances têm a mesma dificuldade de finalização que um qualquer remate que apesar de desenquadrado, e ou feito de fora da grande área, saiu bem e obrigou o guarda redes a defeder, não faz sentido. Contra o Maritimo, mesmo os golos do Sporting se ficaram a dever mais à excelência de Izmailov e à fortuna momentânea de Jeffrén, do que propriamente à capacidade do Sporting para gerar lances de perigo iminente.

P.S. II - Ainda sobre as oportunidades de golo. Procure ver os dois golos leoninos frente ao Wolfsburg no Next Generation Series U19. Quando os seniores perderem pontos depois de desperdiçar oportunidades como as criadas nos tais golos, saberemos que mais do que da construção das situações de finalização, o problema do Sporting estará na própria finalização.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Melhor reforço da Liga. 7º Lugar. Schaars.


Mais um jogador de nomeada que chega à Liga portuguesa. Internacional holandês, finalista no ultimo Mundial na África do Sul, Schaars é um futebolista de qualidade.

Louvável a primazia pela rapidez com que faz a bola correr de corredor a corredor, o holandês é um centrocampista muito interessante, capaz de retirar a bola das zonas de pressão, e iniciar com assertividade o ataque da sua equipa. A qualidade do seu pé esquerdo é evidente, e confere-lhe capacidade para colocar a bola onde mais pretende, para além da mais valia que acrescenta nas bolas paradas.

As dificuldades sentidas nos primeiros jogos da Liga, partem mais das vicissitudes do modelo de jogo experimentado. A Stijn Schaars tem sido pedido que jogue mais adiantado, numa linha próxima do avançado, numa zona de construção bem adiantada. Por não primar pela criatividade, o seu jogo torna-se previsível numa zona onde se exige um pouco mais de ousadia.

É o típico jogador que dividirá opiniões, meramente em função dos resultados da sua equipa. Será adorado, pela sua capacidade para fazer rodar a bola, quando a equipa ganhar, ou detestado quando perder. Não acrescenta nada, dirão.

O seu sucesso dependerá mais das opções de Domingos que propriamente da sua qualidade. Porque essa, é evidente. Esteja o Sporting a ganhar, ou não.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Curtas do modelo e das individualidades ao dispor de Domingos

- Não há meio campo. O Sporting joga num 4x1x4x1. Há cinco jogadores estacionados nas imediações da grande área adversária, bastante longe dos colegas de equipa. Se a eles juntarmos inúmeras vezes a subida dos laterais, ficam sete jogadores (bem) à frente da linha da bola. Demasiado longe dos colegas e sem trabalho para receber, percebe-se o porquê de aos vinte minutos de jogo, já os centrais leoninos terem por uma mão cheia de vezes solicitado os distantes colegas em passe longo;

- Se ofensivamente, jogar com quatro médios ofensivos, coarcta a possibilidade de a bola chegar com assertividade às zonas mais adiantadas do campo, defensivamente o Sporting não melhora em um milímetro. Se exceptuarmos o espaço imediatamente à frente dos centrais, que é ocupado pelo trinco, há um buraco enorme entre os defesas e os médios. E não admira que os defensores leoninos tenham sido mais vezes chamados a intervir que os madeirenses. Enquanto num lado, os médios servem de "tampão", sendo eles os primeiros responsáveis por sair à bola, no Sporting, defensivamente, os quatro do meio campo estão sempre a jogar contra a maré. Sempre a procurar recuperar metros, face ao adiantado posicionamento inicial;

- Ainda defensivamente, e comparativamente por exemplo, com o que Jorge Jesus faz quando joga com um único médio, o Sporting torna-se ainda menos seguro. Porque a sua linha da frente não faz pressão e deixa desde logo o adversário chegar com mais qualidade ao espaço entre sectores, ou porque quando faz e obriga o adversário a sair de forma directa, os cinco que ficam atrás são incapazes de matar o ataque logo na primeira bola. Mesmo quando a ganham, demasiadas vezes a bola fica a "pingar" no espaço defensivo. Com os médios tão longe, é difícil impedir o adversário de ficar com a sua posse, após o primeiro duelo no ar;

- Se lhe parece que Schaars joga próximo do trinco, está enganado. Por vezes, quando a bola é colocada no espaço descoberto entre sectores, é o holandês que recupera mais rápido. Somente por isso lhe pode dar a sensação que o Sporting joga com alguém próximo do trinco. Schaars joga nas costas do ponta de lança, ladeado de outro médio centro ofensivo, e de dois extremos;

Não parece que este modelo tenha possibilidades de levar Domingos ao sucesso. Ainda assim, se for para manter, talvez algumas alterações nas suas opções pudessem melhorar o jogo do Sporting. Assim:

- Rinaudo tem de jogar. Duas razões emergem para que tal seja uma obrigatoriedade. O trinco joga demasiado longe dos restantes médios, e é por vezes obrigado a controlar toda a largura do campo naquela linha. O argentino tem uma reactividade que André Santos jamais terá. Chega muito mais rápido ao adversário que o português, e será, individualmente, mais capaz de suprir as deficiências do modelo de Domingos. Também ofensivamente, mostra-se mais capaz de ligar os corredores. As suas coberturas ofensivas foram sempre mais próximas da bola, e revelou-se sempre mais apto para dar seguimento às jogadas ofensivas, quando a bola tem de recuar. Contra o Maritimo, e porque havia demasiada gente à frente da linha da bola, de cada vez que era preciso jogar num apoio, a bola tinha de recuar inúmeros metros até aos defesas centrais, permitindo dessa forma respirar e restabelecer a organização madeirense. Ao contrário de André Santos que pareceu mais preso ao corredor central, Rinaudo mesmo que demore um pouco mais a decidir, está sempre mais próximo da bola;

- Schaars não tem características que o possam fazer jogar no actual modelo. O problema estará sobretudo no modelo, mas insistindo nesta forma de jogar, o holandês terá de ficar de fora. É o tipo de jogador que pode encaixar com grande categoria num 4x3x3, com médios interiores. Para jogar tão próximo da grande área adversárias, falta-lhe criatividade. Naquela zona, nem sempre importa jogar a um, dois toques. Demasiadas vezes, especialmente quando se criam situações de superioridade númerica em determinada zona, impõe-se o transporte de bola, atacando o adversário directo, para posteriormente soltar a bola para as costas deste, na direcção de um colega. Schaars, não tem outra solução que o passa e recebe. É demasiado curto para quem joga tão adiantado.

P.S.- No lance do segundo golo do Marítimo, há uma histeria colectiva crucificando o passe de João Pereira. É óbvio que tudo nasce do erro técnico de João Pereira. Há que perceber, contudo, que erros técnicos acontecem, e irão continuar a acontecer. E é óbvio que quanto maior for a qualidade do interveniente, menos erros dessa natureza cometerá. Todavia, é muito mais preocupante o comportamento do lateral no momento seguinte ao mau passe, que propriamente o erro técnico, que reafirma-se, ninguém está a salvo de cometer. Pereira não soube reagir. Desatou a correr na direcção do portador da bola de forma desenfreada, quando deveria ter recuperado rapidamente para a linha defensiva, e somente uns segundos mais tarde adoptou o comportamento que se impunha desde o início. Demasiado tarde, porém. Sami já tinha recebido a bola com total à vontade no espaço desocupado, e já se dirigia para o corredor central preparando o remate.

domingo, 14 de agosto de 2011

Adorei rever-te

O melhor jogador do Sporting e seguramente um dos melhores da Liga voltou, e aparentemente sem limitações. E todos devemos estar felizes por isso. O russo tem soluções para tudo, e ainda oferece a criatividade e espontaneidade que tem escassado. Não foi só o golo que somou. Foi o golo e as combinações que promoveu que deram mais qualidade ao jogo do Sporting. No meio campo, no ataque, no corredor central ou no lateral, Izmailov tem o toque de classe, que o leão não pode abdicar.

O número de ataques, remates, oportunidades e até cantos, demonstra um domínio avassalador. Uma capacidade para asfixiar o adversário no seu meio campo defensivo, que nunca fôra vista na época transacta, e só passível de ser concretizada pela forma próxima como os onze jogadores leoninos jogaram no momento defensivo, e pela atitude reactiva na forma de pressionar, bem diferente de jogos anteriores. Verdade, que a opção (obrigação!?) em sair sempre em pontapé longo por parte do Olhanense, facilitou o jogo a quem o pretendia dominar. Nunca conseguimos colocar bolas nas costas, à distância a que se bate o pontapé de baliza. Teve, porém, a vantagem/desvantagem, dependendo da perspectiva, de nunca os algarvios terem corrido o risco de perder a bola na proximidade da sua grande área.

Quem pretende almejar a glória, garantidamente que não pode ceder mais de um, dois, três resultados desta natureza na sua casa. Há, ainda assim, imensos pontos positivos a reter. Todavia, nem só o resultado deixa de ser apreensivo.

- Pela ocupação do espaço, o Sporting voltou a ser dominador, e quem joga todo o jogo no meio campo adversário está sempre próximo do golo. E o Sporting, indubitavelmente esteve mais próximo do que nunca;

- Rodriguez começa a assumir-se como um reforço determinante. Domina como poucos o seu espaço. É forte, concentrado, e sabe tudo sobre o posicionamento defensivo. Não tem a classe de outros, mas defensivamente é o mais fiável dos quatro centrais;

- Muito bom o jogo de coberturas (apoio atrás do portador da bola, no caso da ofensiva, ou apoio ao colega que está com o adversário portador da bola) de Rinaudo, e determinante a sua reactividade a cada perda. É também muito pela forma como "cai" imediatamente sobre a bola, ou recuperando, ou travando desde logo o ataque adversário, que o Sporting se mantém subido;

- Autêntico caso de "Dr Jekyll and mr Hyde" a prestação de Yannick. Enquanto confiante estava a ter um desempenho muito positivo. Mesmo nas suas acções técnicas, que tantas vezes o traem. Subitamente, após a desvantagem no resultado, pareceu de volta ao registo habitual. Incapacidade gritante para definir todo e qualquer lance que lhe passasse pelos pés;

- Schaars e André Santos. Boa técnica e interessante simplicidade de processos. Posicionalmente pode-se contar com ambos para tudo. São abnegados, e é também muito pelas suas acções que a bola circula melhor. André Santos tem, e Schaars aparenta também, um déficit de criatividade. São óptimos quando se impõe jogar a dois toques. Parecem, contudo, incapazes de progredir com excelência, quando o espaço à sua frente assim o recomenda. Talvez se exija, num meio campo a três, jogadores com outro tipo de características. Matias e Izmailov, ou até André Martins, assim continue a demonstrar qualidade, serão previsivelmente jogadores importantes se Domingos pretender um pouco mais de rasgo criativo num sector tão determinante;

- Apesar de alguma falta de capacidade pare definir bem as jogadas no ultimo terço do campo de jogo, foram imensas as oportunidades de golo criadas. Essencialmente fruto do bom posicionamento leonino, que por si só, obriga o adversário a ver a meta de longe o jogo todo. Não deixa, porém, de ser preocupante perceber que demasiadas vezes, pareceu incapaz o Sporting de se aproximar do golo no momento de organização. E essencialmente pensar que a ineficácia no jogo de hoje, poderá não ter sido fruto de uma má noite, mas sim uma tendência mais do que confirmada, pelo histórico de golos de quem foi desperdiçando sucessivamente a hipótese de ser feliz. Bojinov ainda não se estreou, mas começa a perceber-se que poderá ser o reforço mais importante de todos. Assim os seus traços sejam o que continua em falta no sector ofensivo. Capacidade de definição, criatividade e eficácia na finalização.

P.S.- Quando há pouco menos de um ano atrás vi Wilson Eduardo, também num jogo contra o Sporting, pensei que jamais fosse capaz de fazer um golo daquela natureza. Então em Aveiro, em dez minutos rematou por três, quatro vezes. Em todos os remates, o gesto técnico e a potência do remate se assemelhou ao de um iniciado. Um golo, seja de que natureza for, não define minimamente a qualidade do jogador, e não se pretende aqui tecer qualquer juízo ao valor de Wilson, apenas deixar uma referência ao inesperado feito. Talvez, quando voltar a acontecer, já não seja inesperado.

domingo, 24 de julho de 2011

Adivinha quem voltou


E foi, novamente, nos momentos defensivos que o Sporting voltou a demonstrar alguns períodos de excelência.

Exactamente como na partida anterior, a defesa bem subida e o campo bem curto permitiu somar um número considerável de recuperações de bola, muitas das quais ainda no meio campo ofensivo. Esse foi, indubitavelmente, o principal catalizador para a percentagem avassaladora de posse de bola que se verificava ao intervalo. Não esquecendo, todavia, a importância que o critério e a capacidade de passe de Schaars e Rinaudo tiveram na preservação da mesma.

Jogar tão alto tem necessariamente riscos. Relembre o golo de Del Piero, e mais uma ou outra bola bem colocada entre as costas da linha defensiva do Sporting. É, todavia, um risco claramente compensatório. Mesmo nos dias de menor inspiração (e há que realçar que com bola, o Sporting ainda não entusiasma), jogar tão próximo da baliza adversária catapultará a equipa para o golo. Mais bola, significará mais livres, mais cantos, mais remates, e seguramente que mais golos. Se pensar no quão frágil é a qualidade da Liga portuguesa, ainda mais compensatório o risco parecerá. Não será nada fácil em Portugal, ter muitas equipas a conseguir coordenar bons passes longos, com boas desmarcações nas costas da defesa leonina.

Claramente que este é o caminho. Obviamente que há ajustes a fazer. É importante obrigar o adversário a bater o pontapé de baliza longo, e há que ser mais pressionante sobre a bola quando esta está no lateral adversário (uma saída que se revelará ser relativamente fácil para colocar a bola nas costas da equipa do Sporting, passará por fazer a bola chegar a um lateral, que aproveitará a desmarcação do avançado adversário, através dum movimento horizontal deste, ao longo da linha defensiva, nunca caindo em fora de jogo, mas beneficiando de já se mover a uma velocidade considerável para chegar primeiro à bola quando esta for colocada nas costas da defesa. Exemplo. Bola no central adversário, enquanto este faz o passe na direcção do defesa direito, o avançado percorre em corrida o caminho que vai desde o central direito (Carriço?) ao central esquerdo (Oniewu?). Se o lateral não for suficientemente apertado, e revelar-se capaz, não será difícil colocar a bola nas costas entre o espaço do central e o lateral esquerdo leonino, onde aparecerá o colega já em passada rápida, contrastando com a posição mais fixa e expectável dos defesas).

Destaques individuais.

Rinaudo. Excelente surpresa o argentino. Não só é forte e agressivo como tantos outros trincos, como sabe passar a bola, e mover-se para criar apoios para a saída desta. A nível individual é um dos grandes responsáveis pelo domínio que o Sporting vem exercendo sobre os adversários.

Schaars. Uma espécie de Hugo Viana do Braga de Domingos. Muito assertivo e capaz no passe e no trabalho para receber a bola. Menos criativo que o formado em alvalade, mas mais presente no jogo. Schaars não se esconde e não tem medo de mostrar disponibilidade para receber a bola, mesmo que apertado. Pelo seu critério em posse, tal como Rinaudo é determinante para a elevada percentagem de posse que o Sporting vem almejando.

Yannick. Muito difícil emitir opinião sobre Djaló. Quando menos se espera, aparece. De facto, ser mexido e aparecer é algo que não se lhe pode negar. A sua inconstância e incapacidade para aparecer qualitativamente de forma regular, mesmo que numa visão mais colectiva, será um entrave à entrada no onze. É que ninguém saberá qual será o dia "Sim" de Yannick. Difícil confiar num jogador assim.

Onyewu. Não se percebe o rol de críticas a que foi sujeito durante a transmissão televisiva do jogo. Talvez Luís Freitas Lobo o conheça como ninguém, e tenha partido com uma ideia pré-concebida, que possívelmente até se poderá tornar real. No jogo da última madrugada, porém, nada se pode apontar ao central americano. A falta de agilidade é tão latente, quanto comum em atletas da sua fisionomia, a cada início de época. Tal não significa que não seja algo alterável.

Ricky. Novamente o reforço em menor destaque. Muito possívelmente, porque Domingos ainda estará a tratar dos momentos defensivos (e que diferença se nota nesses mesmos momentos!). Não será fácil manter o lugar no onze, com a chegada de Bojinov e até Matías. A rever.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Que campo tão curto, Domingos!

E foi esse o principal mérito e a principal diferença do novo Sporting. Repetindo o exercício iniciado durante a visualização das gravações dos jogos da época transacta, premindo o botão de pausa, e conferindo a distância entre sectores do Sporting, o resultado foi completamente diferente.

Do jogador mais avançado no campo de jogo, aos mais recuados (esqueça o guarda redes), não sobrou muito espaço para jogar. Mais que pela fraca capacidade do adversário, foi pela proximidade entre todos os seus jogadores que o Sporting foi capaz de consentir pouquíssimos ataques e remates. Não esquecendo também uma percentagem de bola já assinalável. Com todos mais próximos, torna-se bastante mais fácil recuperar a bola. E se essa mesma recuperação for realizada ainda no meio campo adversário, e tal sucedeu por diversas vezes, mais próximo continuará a estar a equipa leonina de chegar ao golo.

Para qualquer equipa que se pretenda dominadora, jogar com os defesas tão próximos da linha do meio campo, é um risco claramente compensatório, se os restantes jogadores se mantiverem concentrados e capazes de impedir que o adversário tenha demasiado tempo para decidir e executar. Jogar tão alto, retira imensa capacidade para poder ser clarividente ao adversário. Ninguém, particularmente quando a qualidade não abunda, arrisca em zonas demasiado recuadas. Não raras vezes, após a perda de bola, se torna a recuperar rapidamente a sua posse, somente porque o adversário se vê obrigado a jogar longo e sem nexo, por forma a não arriscar perdas em zonas tão recuadas do campo. E esta é indubitavelmente a fórmula correcta para subjugar os adversários. Mesmo em dias menos inspirados, estar sempre tão próximo da meta, poderá revelar-se determinante.

Destaques individuais:

Rinaudo. Se ao campo curto juntarmos a agressividade sobre a bola do argentino, teremos rápidas recuperações de posse da bola. Na senda dos grandes médios defensivos argentinos, Rinaudo promete não deixar tempo nem espaço para os adversários decidirem e executarem na sua zona de acção. Interessante o jogo de coberturas ofensivas (linha de passe atrás do portador da bola) a dar seguimento aos ataques. O segundo golo nasce de uma bola que volta atrás, para dos seus pés sair na direcção de Postiga, antes de Schaars solicitar Ricky.

Schaars. Recebe, passa, procura linha de passe. Jogador de processos simples. Aparentemente culto tacticamente, pela facilidade que parece demonstrar nos gestos técnicos, e disponibilidade para oferecer opções de passe aos colegas, promete tornar-se num jogador importante no novo Sporting. Uma espécie de relógio suiço. Jogador fiável e com extraordinária capacidade de colocar a bola. A rever.

Hélder Postiga. O melhor. Os golos fazem-lhe tão bem. Não precisa deles para ser útil, mas são os golos que lhe dão confiança para tudo o resto. O golo cedo libertou-o. Bastante forte a oferecer linhas de passe e a dar seguimento à bola de cada vez que a recebia, está também na origem do segundo golo. É ele que baixa para receber a bola de Rinaudo. De patinho feio a titular importante é apenas um saltinho, que dependerá apenas da confiança com que abordar cada lance.

Izmailov. Joga muito. Esteve pouco participativo, mas percebe-se que a qualidade continua toda lá. Será determinante, assim continue com as capacidades intactas.

Ricky. Pouco participativo. Demonstrou potência num remate interceptado e mais técnica que a que poderia ser expectável face à sua fisionomia. A rever.

Evaldo. Que consiga ser útil a defender, porque a atacar é um desastre. Tal como todos os laterais de terceira divisão, tem a irritante mania de passar o jogo todo a passar a bola somente para o extremo esquerdo, mesmo que o deixe em apuros, apertado entre a linha lateral e o adversário directo. Já foi feliz com Domingos, e se não comprometer defensivamente, mesmo prometendo ser o elo mais fraco, poderá não ser um entrave à ambição leonina.

André Martins. Pouco tempo em jogo, mas o suficiente para se perceber que o miúdo mexe na bola! Possível candidato a surpresa, assim fique no plantel.

Yannick Djaló. Nunca será um extremo de qualidade. Se algum dia render o suficiente para justificar fazer parte de uma equipa do nível do Sporting, será a avançado, explorando a profundidade nas costas da defesa adversária.

P.S. - Não irrita um bocado chamarem "cicatrizes" ao holandês!? Respondam-me os entendidos. Será mesmo assim que se pronúncia!?