Mostrar mensagens com a etiqueta Sporting. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sporting. Mostrar todas as mensagens

domingo, 2 de agosto de 2015

Esqueça a cor da camisola, feche os olhos, abra novamente. Quem é o treinador daquela equipa que parece uma apresentação de Ginástica Rítmica tal é a forma coordenada como se tenta organizar em todos o momentos?

Jorge Jesus, é claro.

"Não quer dizer que seja este o onze que vai entrar já para a Super-taça"

Muito dificilmente não será este o onze de Jesus para o jogo contra o Benfica. Percebe-se que o treinador gosta dos movimentos verticais de Slimani, e do facto de se impor no jogo aéreo. Outro factor que não ignora no avançado argelino é o facto de não se poupar quando a equipa não tem a bola. Slimani surge como homem de área para Jesus, como Cardozo (embora de características diferentes) surgiu um dia. Teo é a fotocópia de Lima. Qualidades físicas, pouco acerto na tomada de decisão, muito agressivo nos movimentos sem bola, qualidade técnica que não impressiona. Mas será difícil imaginar este Sporting, na última versão do modelo de jogo de Jesus sem Teo, tendo em conta as novas exigências para as posições da frente - Lima. Carrillo, um dos que Jesus tem dado mais atenção, será grande protagonista nos desequilíbrios individuais - Sálvio. Positiva a adaptação de Adrien, pois quanto mais longe da baliza jogar melhor jogador será. E toda aquela disponibilidade que ele demonstra, canalizada para funções dentro de um modelo de qualidade, poderá finalmente dar o salto qualitativo para se afirmar ao nível nacional - Samaris. João Mário, um dos responsáveis pela pausa, e por gerir os ritmos da equipa. Mais fora do que dentro, percebe-se que procura de forma constante o passe vertical - Pizzi. Quanto à linha defensiva, não restam dúvidas que a aposta de Jesus será nos quatro que entraram neste jogo. Paulo Oliveira, ao final desta época estará pronto para assumir um lugar no eixo defensivo da selecção, porque receberá mais estímulos qualitativos numa época do que em todas as anteriores em que jogou. A importância que Jesus lhe tem dado ao nível do trabalho da última linha, colocando-o na posição 3, demonstra também a confiança do treinador nas suas qualidades como líder - Luisão. Jefferson a variar entre movimentos interiores e jogo exterior, e muito forte do ponto de vista físico e técnico. Porém, nem sempre com o cérebro ligado. Tem evoluído de forma muito positiva, e Jesus não ignora a qualidade que ele tem nas bolas paradas - Siqueira. João Pereira, a estabilizar do ponto de vista defensivo, mas ainda com demasiados vícios dos anos que se seguiram ao Braga de Jesus. Com bola, muito desligado daquilo que Jesus pretende, muitos cruzamentos sem nexo, procura constante da linha de fundo, cabeça no chão. Porém, muito agressivo nos duelos - Maxi Pereira. Naldo está confortável com bola, seguro no um contra um. É agressivo o suficiente para não deixar enquadrar e forte na primeira bola. Não é particularmente rápido, mas dificilmente os adversários vão aproveitar esse factor por estar protegido por um modelo de acção e não de reacção - Jardel.

Bryan Ruiz, o grande destaque do treinador nesta conferência de imprensa. "É um jogador com uma cultura táctica...  Neste momento é aquilo que mais me impressiona. Ele é um jogador que sabe tudo. Sabe tudo quando não tem a bola e quando tem bola. Ele pode fazer três posições na equipa do Sporting e de certeza que as vai fazer bem. É um atleta, um jogador com 1.88m, forte na bola parada também". Será o outro grande responsável pela pausa neste novo Sporting. Tem qualidade técnica, adora jogar por dentro, é forte individualmente mas não faz disso o seu jogo. Toca quando acha que deve, segura, roda, entrega com qualidade. Criatividade - Gaitan.

"É o treino que define quem joga"

A grande exigência de Jesus é esta. Quem cumprir melhor no treino com o que ele pede estará mais próximo de jogar. Mas exige também que os seus jogadores sejam muito agressivos a ocupar as posições, em todos os momentos. Nos movimentos com e sem bola a agressividade é uma exigência constante. 
A dança colectiva já começou, e por isso, e por ter qualidade individual acima da esmagadora maioria dos seus competidores internos, o campeonato promete mais um candidato até Maio.

"O Semedo não tem muitas características técnicas para desempenhar a posição 6. Pode ter físicas, mas técnicas não. É central"

E mesmo para central, será que tem?!

"Com quatro semanas não esperava tanto hoje"

Nem nós mister. Nem nós!

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Ao final de 45 minutos de um jogo de preparação quem mais impressiona é o novo Sporting.

Ainda é muito cedo para que existam qualquer tipo de conclusões. A qualidade dos adversários - díspar - de cada um dos jogos vistos também em nada ajuda à comparação. Contudo, se alguém impressionou dos candidatos ao título foi a turma de Alvalade. E impressiona, sobretudo, por ser quem apresenta a maior mudança ao nível de todos os comportamentos colectivos que tinha num passado recente. Trabalho do treinador. Linha defensiva a jogar segundo as referências certas, a errar, mas a trabalhar para defender sempre junta em largura e em profundidade. Muitos metros a frente do que foi habituada. Percebe-se que os jogadores já procuram pelos estímulos certos. Linha média com coberturas que nunca mais acabam, e a referenciarem-se pela bola e pelo colega. Linha avançada pressionante desde os centrais, e quando ultrapassada a baixar rapidamente para fazer pressão também nas costas do portador da bola. As bolas paradas defensivas e ofensivas.

"Bola no pé!", ouviu-se repetidamente Jorge Jesus pedir aos seus jogadores a cada lance de ataque. Critério, procura ele. A colocação de tantos jogadores no centro de jogo só com Peseiro. Tanta solução de passe ao portador da bola. O aproveitamento do corredor central, com a colocação de 4 jogadores atrás da segunda linha de pressão adversária (2 avançados e 2 alas). A procura pelos espaços entre linhas. As combinações com objectivo de facilitar a finalização, com entradas com a bola controlada dentro da área, pelo corredor lateral ou pelo corredor central. Já não me lembro de uma metade de um jogo onde o Sporting tivesse feito tão poucos cruzamentos (3). Porque o resto, aquilo que se viu o Sporting fazer pelos corredores laterais dentro da área com tempo e espaço para decidir, são passes.

Há ainda muitos erros, em todos os momentos, em todos os sectores. É normal nesta fase, e o erros continuarão a suceder (ainda que cada vez menos) até ao final da época. O adversário não é o melhor para perceber como se vai adaptar o Sporting a outro tipo de dificuldades. Mas colectivamente o crescimento é imenso para tão pouco tempo de trabalho.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

André Martins esteve no jogo?! André Martins não faz a diferença, e enquanto assim for não será jogador para jogar mais do que quinze minutos!

Um novo tipo de raciocínio é essencial para o futebol português sobreviver, e atingir patamares mais elevados. A frase adaptada foi dita por Albert Einstein há mais de cinquenta anos, mas não podia ser mais relevante do que o é hoje. E o novo tipo de pensamento passa por mudar completamente a forma como se olha para o jogo. Se antes se olhava para o jogo de uma perspectiva individual, onde a valia de um jogador podia ser medida em quantidade pelo resultado directo das suas acções individuais (sucesso-insucesso), hoje não se pode medir essa valia em quantidade porque as acções não têm um resultado imediato. Ou seja, as acções são qualitativas e o resultado só se vislumbra, normalmente, no final da jogada. Como é que se mede a presença de um jogador em campo, se não se percebe que um passe de primeira para trás, quando a bola não vinha em boas condições, e quando ele estava pressionado, permitiu a equipa não só manter a bola, como dar a possibilidade de atacar em melhores condições através de outros interpretes? Não se percebe, porque o que se quer é que a cada lance - ou na sua esmagadora maioria - o jogador resolva individualmente problemas que podem (devem) ser resolvidos colectivamente. E a chave de tudo é isto: o jogo é mais colectivo que nunca. Logo, a maior parte das acções são qualitativas e como tal não podem ser medidas em quantidade. Um passe nas condições citadas, nunca vai aparecer como lance chave ou como acção a destacar. Mas é deste tipo de acções, que não têm destaque, de que mais vive o melhor futebol - o futebol de hoje. 

Olhando para o futebol como no passado, dirão que André Martins não arrisca. Ignorando tudo o que ele permite ao colega, aos colegas, à equipa, com a sua segurança. Olhando para o futebol como ele deve ser visto hoje, percebe-se que não arriscou porque o risco de perder a bola acarreta consequências piores do que jogar em segurança. E essa acção não se esgota no resultado dela mesma, mas sim em tudo o que pode dar no futuro: a possibilidade de um novo ataque em melhores condições do que se tivesse optado por uma acção de risco. A capacidade de perceber a importância de um passe para trás, e tudo aquilo que ele significa para o jogo, a capacidade de entender a situação de jogo (passe de recepção difícil, e ainda para mais com pressão a vir nas costas) e a solução encontrada pelo jogador, é o caminho para mudar o nosso futebol. A qualidade com que um jogador se relaciona com colegas - aquilo que lhes permite de cada vez que lhes entrega a bola, as soluções que lhes oferece sem bola - é o atributo mais importante do futebol actual, e é o talento mais necessário para se despontar no futebol moderno. E esse talento que ninguém consegue ver, esse talento que é de forma recorrente marginalizado pelo futebol pragmático de Portugal tem um nome: inteligência. E marginal o continuará a ser... Porém, de marginal a relevante vai um jogador como Busquets que um dia precisou de um treinador como Guardiola, ou um jogador como Guardiola que um dia precisou de um treinador como Cruyff.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Dez minutos de André Martins, na posição onde deveria jogar sempre.

André Martins é um mal amado do Sporting por muitos motivos. Mas o maior e mais unânime que se aponta é a falta de qualidade defensiva. Quer de posicionamento, quer de agressividade. Nunca fartos de referir que agressividade não é o que se designa normalmente, e intensidade não é correr sem critério de um lado para o outro. Fazer muitos cortes in-extremis não significa estar bem posicionado, e na maior parte do tempo até significa o contrário. E como afirmei em tempos, André Martins é o melhor médio do Sporting a cumprir com os comportamentos defensivos. Melhor a posicionar-se, melhor a adaptar o posicionamento, mais rápido a atacar o posicionamento certo ou a sair na bola. O melhor a defender, porque cresceu habituado a jogar com referências zonais, ocupando o espaço à frente dos defesas. Por isso, compreende melhor que ninguém, no Sporting actual, quando e onde deve estar. Melhor que João Mário, melhor que Adrien, e sim, melhor que William. Por aqui entende-se que o potencial de Martins tem sido desperdiçado ao longo dos anos, por não o colocarem a jogar na posição que mais o favorece - de frente para o jogo. O facto de não ser robusto leva os treinadores a pensarem que naquela posição, jogando na liga portuguesa, vai-se perder mais do que se ganha com ele ali. Os preconceitos prendem-se com o seu físico, como se isso o tornasse inferior de alguma forma. O facto é que não só ele se posiciona bem, como também é extremamente agressivo nos duelos quando tem de ser...mas não sempre! Nunca iremos ver André Martins a correr de um lado para o outro como se a vida dele dependesse disso, porque o futebol não é nada disso. Será igualmente difícil encontrar momentos defensivos onde ele esteja mal posicionado, porque futebol é isso. Saber estar no sítio certo, no momento exacto.









Permutas (contenção-cobertura) e, agressividade no posicionamento.


Fechar dentro (diagonal), controlar o movimento de quem vai nas costas do colega, sem comprometer a linha defensiva, defendendo o espaço interior.


Reacção à perda de bola. Agressividade no momento certo, para sair na bola.


O ABC dos comportamentos defensivos.

sábado, 4 de abril de 2015

Entre muitos golos falhados em transição ofensiva

O Sporting esqueceu-se de controlar o jogo como já o fez no passado - em organização ofensiva. Se até Janeiro era tremendamente difícil ferir o Sporting em vantagem, pelo controlo do jogo que a equipa tinha com bola, hoje o Sporting esqueceu-se disso. Nas palavras de William Carvalho, o Sporting partiu a equipa, e dividiu o jogo, dando espaço entre linhas. 

Deu a iniciativa de jogo ao adversário, tendo menos bola, partindo e dividindo o jogo. Sendo uma equipa com uma mais valia individual evidente, não parece muito boa ideia partir e dividir. A realidade é que as oportunidades surgiram em contra-ataque e não foram concretizadas. Mas há também mérito, muito mérito, da equipa de Paulo Fonseca que volta a criar uma equipa pequena com uma ideia de jogo muito atractiva, com muita bola, com jogo nos três corredores.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Problemas defensivos de Peseiro em Manchester - Primeira parte

"Por todos os clubes por onde passou obteve sempre melhores resultados que qualquer outro. Porém, porque as expectativas talvez tenham estado sempre mais elevadas do que o que o potencial das suas equipas fazia antever, há uma certa descrença sobre as suas capacidades."

Este Braga, na qual eram sempre diagnosticados problemas defensivos, jogava com jogadores sem grande qualidade individual nas linhas mais recuadas, e ainda assim, com o pouco tempo de trabalho que teve, conseguiu ir a Manchester jogar com um bloco médio e com a linha defensiva a reagir a profundidade e a largura colectivamente, como não se vê, por exemplo, hoje no Sporting. Claro que há erros, mas nota-se em cada lance a tentativa da última linha se comportar como um sector, a guiar-se pela bola (pressão ou não) e pelo colega. Quando chegaram as lesões, e os remendos, tudo desabou logicamente, tão altas eram as expectativas iniciais criadas pelo futebol praticado por esta equipa. Mais uma vez Peseiro saiu desvalorizado de um projecto que ele elevou, e depois não teve a sorte de conseguir levar a bom porto.


Mais sobre José Peseiro, aqui.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Marco Silva como Leonardo Jardim. Ligação dos momentos de jogo - Ofensivo influencia o defensivo. Regressão.

O Sporting de Marco Silva parecia estar encaminhado para crescer de forma sustentada, naquilo que uma grande deve ser marcante - organização ofensiva. As ideias do jovem treinador, para o ataque, tinham mais qualidade que a do seu antecessor e iam mais de acordo ao jogo que um grande é obrigado a praticar, sendo que vai assumir em posse a esmagadora maioria dos jogos que vai disputar. Marco jogava por fora, e por dentro. Ia ao corredor para construir sem risco, e aí (normalmente em 3x2) procurava sair por fora em combinações ou vir dentro em passe para o médio mais ofensivo, ou avançado. Hoje, o Sporting já não o faz, não o quer fazer, optando invariavelmente pelo cruzamento a fazer lembrar Leonardo Jardim. Tal escolha, em termos ofensivos, parece-me ter pouco a ver com as ideias para o ataque e muito com as ideias para a defesa. As escolhas que se fazem para determinado momento do jogo influenciam os restantes, e organizar a equipa para atacar dessa forma influencia a forma como se vai defender em caso de perda. Então, Marco Silva optou por estancar a transição ofensiva do adversário, uma vez que no corredor lateral os contra-ataques são mais fáceis de controlar, e parar. E por isso, opta por atacar sem risco, fazendo o Sporting regredir no caminho que o voltaria a tornar num grande. O Sporting tem hoje melhores centrais que no início da época, e está um pouco mais organizado do que antes. Mas o verdadeiro motivo para que sofra menos golos assenta no facto de não consentir perdas no corredor central, por optar por não fazer a bola circular com objectividade por aí, por não sofrer contra-ataques vindos do corredor central. Como uma equipa pequena, que não sabe defender-se das perdas com uma reacção agressiva sobre o portador da bola, e uma rápida recuperação dos restantes para posições mais conservadoras, como um treinador de equipa pequena que não consegue - sabe - defender com poucos, o Sporting esconde a sua qualidade, e não tira o melhor proveito dos seus jogadores, voltando a jogar um futebol fácil, pouco elaborado, e sem risco. Numa fase da época em que Jesus e Lopetegui muito evoluíram a organização das suas equipas em todos os momentos do jogo, por não jogarem competições europeias, o Sporting de Marco Silva volta ao passado e regride.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Controlo da profundidade. Sporting jogo sim jogo sim a dar tiros nos pés.

É difícil recordar um jogo do Sporting em que os adversários não tenham a possibilidade de finalizar na oportunidade mais clara de todas. Contra 0.

Ainda em Setembro foi escrito aqui:

"A profundidade controla-se tendo em conta alguns princípios simples.

Pressão sobre o portador. Mais subida se há, mais baixa se não há.
Distância para a bola. Que será sempre bem mais longa se não houver pressão sobre o portador, para que o passe nas costas para passar entre a última linha tenha de ir com força suficiente para chegar ao guarda redes ou ir para fora.

"Eu acho o Jesus fantástico na forma como comanda a defesa, mas digo-lhe já, a maneira como ele trabalha é difícil de seguir. Não é mesmo para toda a gente. Ele exige muito com a história da bola coberta bola descoberta: se o adversário que tem a bola está com alguém por perto, a equipa não se mexe, se o adversário que tem a bola está sem ninguém por perto, a equipa tem de recuar" Quim

É certo que os centrais do Sporting fazem lembrar o filme "Dumb and dumber", mas não é menos certo que nos "pormaiores" há pouquissimos treinadores no futebol mundial ao nível do treinador do SL Benfica. E Marco Silva não é um deles.

P.S. - E em praticamente todos os jogos da presente época Patrício vai resolvendo no 1x0. Também um dos melhores a nível mundial nessa pequena situação de jogo."


Várias semanas depois, as situações sucedem-se, jogo após jogo.
Os centrais do Sporting não têm a minima noção do que é um bom posicionamento, e não estão a mostrar melhorias com o tempo.




O golo do Paços em Alvalade e o comportamento da última linha. Completamente oposto ao que deve ser adoptado. Se num primeiro momento sobe em função do baixar no terreno do adversário, é inconcebível que mantenha o mesmo comportamento quando o adversário começa a "comer" metros no campo em posse. O critério para subir ou descer é inexistente e por muito que a equipa ofensivamente melhor, Marco Silva não está a conseguir trabalhar a última linha para que esta não acabe por trair toda a equipa jogo após jogo.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Ainda sobre o grande golo do Sporting

O que se pode ler aqui é uma comparação do terceiro golo do Sporting ao estilo de jogo que Guardiola perpetuou no seu Barcelona. Comparação essa que só vale pelo tempo que a equipa do Sporting teve a bola, sem que o adversário pudesse intervir no lance. E isso, diga-se, é um grande mérito. De resto, a circulação por si só não tem grande qualidade (ao nível da procura do golo). O que se vê é uma troca de passes, no sentido de privilegiar a segurança, sem tentativa de penetração no bloco adversário. É uma posse de bola por fora do bloco, e o espaço, surge por uma deficiente basculação do Schalke, causada pelo próprio Schalke. Não pela velocidade de circulação do Sporting, nem tão pouco pela agressividade (tentativa de penetração, em passe vertical, ou progressão por dentro do bloco) da mesma. Depois, é Carrillo  a decidir o lance da melhor forma. Um contra um com espaço nas costas do defesa, velocidade, e o último passe foi o mais fácil. Grande jogada individual do extremo leonino.

É um grande mérito, de facto, conseguir ter a bola tanto tempo, estando em vantagem, por forma a gerir o jogo, o seu ritmo, e a controlar melhor as expectativas do adversário. E dessa forma, caso o Sporting consega tornar isso regular, será muito difícil que o magoem depois de estar em vantagem. E isso é Tiki-taka puro. Mas já se sabe que Tika-taka tem muito pouco a ver com a ideia de Guardiola, porque a sua mente brilhante adora uma circulação agressiva, bem como a manutenção da bola dentro do bloco adversário.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Curtas de Alvalade

- A importância da vitória: "Uma equipa que joga bem e não ganha vai deixar de jogar bem". É muito isto, este início de época. É o não deixar fugir as expectativas iniciais, e procurar construir um modelo em cima de vitórias. Para que os jogadores sintam mais confiança no processo, para que a aquisição dos comportamentos pretendidos seja mais fácil e célere.

- Rui Patrício. Fenómeno no 1x0. Haverá algum jogo onde ele não tire duas, três bolas de golo ao adversário? Haverá algum jogo onde ele não seja absolutamente decisivo para um resultado positivo do Sporting? Anseio por esse dia.

- Nani. Mais do mesmo. Num campeonato de pinos, demasiado fraco o estímulo competitivo para um jogador desta qualidade. Resta saber como será o seu rendimento no futuro, num contexto onde os pinos se movem um pouco mais.

- Maurício. Contenção. Ahn?!

- Montero. Poderá com o fantástico golo que marcou ter ganho a confiança necessária para se assumir de vez no onze do Sporting. Resta saber se o treinador lhe dará confiança para isso, ou se continuará a queima-lo na primeira oportunidade que surgir. Para já, parece-me que o seu treinador continua a remar no sentido contrário ao dele, e ao que ele precisa: "Um avançado vive de golos, embora seja tecnicamente evoluído e trabalhe muito para a equipa. Era muitas vezes notícia a falta de golos e isso mexia com ele, pelo que é importante que os golos apareçam"
Marco Silva

- Marco Silva. Ouvi-o, pela primeira vez, falar dos erros de posicionamento que o Sporting tem tido. Interpreto isso como um sinal de que está a trabalhar para os corrigir. Urge corrigir as avenidas que o Sporting tem permitido aos seus adversários, pelo mau controlo da profundidade da linha defensiva, pela dificuldade em controlar o corredor central por ter extremos que ficam na frente quando a bola está do lado contrário, e um médio ofensivo que não chega a tempo depois da pressão nos centrais. E aí, chegará o dia em que Rui Patrício não será mais fundamental. O maior desafio do treinador do Sporting é o de retirar o protagonismo do seu guarda redes.

- Conversa de café. Fala-se em maior controlo emocional, em melhor gestão das expectativas, em maior controlo do jogo quando se consegue uma vantagem daquelas. Tudo muito fácil. Mas qualquer equipa que não esteja habituada às andanças europeias vai sempre ter essa dificuldade. Sobretudo porque no seu contexto competitivo tem apenas 4,5 jogos ao nível do que se exige na Europa. O problema é o foco. Tem um estímulo competitivo muito forte ao nível europeu, segue para o campeonato e consegue uma vantagem confortável ao intervalo: nem o mestre Mourinho os impediria de descomprimir. Há muita coisa que os treinadores não controlam, e a concentração/descompressão e a cabeça dos jogadores é deles, e de mais ninguém.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Prévia do Clássico na Taça de Portugal.

Assim foi o clássico de Alvalade durante praticamente toda a segunda parte. E tratava-se de um jogo para o campeonato. Imagine-se como será um jogo de Mata-MataDivertido, com certeza. Sobretudo para se perceber quem treina melhor situações de igualdade/superioridade, ou situações em que há tempo e espaço para acelerar contra a linha defensiva adversária. Com o jogo partido, poder-se-à expectar um grande lucro para as casas de apostas, sabendo-se em quão aleatório o resultado se poderá tornar.
Deixando as ironias de lado, espero que as duas equipas tenham evoluído muito nas suas respectivas organizações, para que se possa assistir a um jogo menos intenso e com mais qualidade. Pelo menos com qualidade colectiva ao nível dos melhores executantes em campo. Por favor não transformem isto num treino do ataque contra a defesa.




















quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Liga dos Campeões

Guardiola disse, em tempos, que o objectivo dele como treinador era o de conseguir criar oportunidades de golo e impedir que os adversários as criem. Como já se tinha visto no Clássico de Alvalade (com o número absurdo de situações de ambas as equipas só com a linha defensiva pela frente) Sporting e Porto parecem ter-se esquecido da segunda parte, sobretudo. Estranho (ou não) foi o resultado do Clássico ter ficado por apenas um golo para cada equipa.

Em Portugal, tendo em conta a qualidade do adversário, viu-se um jogo super desequilibrado. O Chelsea criou ocasiões de golo com a facilidade que se esperava tal é a organização defensiva do Sporting, bem como a qualidade individual dos seus executantes. O mau controlo da profundidade fez-se notar mais do que nunca, num jogo de 1x0 onde Patrício é rei. Curiosamente o golo surge de uma situação muito caricata, própria do futebol de formação: quando o livre é batido a defesa do Sporting ainda está a organizar o seu posicionamento defensivo. Como se o adversário fosse esperar que eles estivessem prontos para marcar o livre.

Alguns quilómetros ao lado, na Ucrânia, o Porto continua a mostrar-se frágil no momento defensivo. A facilidade com que se ultrapassam as primeiras linhas do Porto é constrangedora. A utilização dos corredores laterais para atacar está, também, a ficar mecânica. Automática. Pelo que não se aproveitam N situações de grande potencial, pelo corredor central, para se acelerar contra a linha defensiva adversária.
Se calhar tinha mesmo dado algum jeito a brincadeira do treino para o Tello, hein?!